Como combater uma ditadura

Se bem entendo alguns comentários à morte de Camilo Mortágua, uma ditadura deverá combater-se com conversas educadas, participando em debates durante os quais os opositores deverão tentar, civilizadamente, explicar ao ditador, ou a quem o representa, que deve ser um democrata. Como se sabe, os ditadores são pessoas sempre disponíveis para prescindir do poder ou para convocarem eleições livres se lhes falarem com jeitinho.
Revolucionários, ainda por cima, barbudos, que usam de violência para combater a opressão não passam de terroristas, pessoas que, no fundo, só provocam os ditadores.
Felizmente, Portugal tem gente como Cavaco Silva, que soube, por exemplo, recusar uma pensão a Salgueiro Maia, esse homenzinho horrível que passou o dia 25 de Abril de 1974 a incomodar pessoas de bem, desde militares do regime até ao senhor presidente do Conselho.
Aprendei: não é com vinagre que se apanham moscas. E as ditaduras são moscas como as outras. Mel, muito mel. Basta estudar História.

Comments

  1. Mas é importante que só é uma ditadura se tiver eleições validadas por em Washington, senão é um regime gaseificado.

  2. JgMenos says:

    E combater uma ditadura, sem medida de meios e modos, basta para definir um homem de qualidade?
    Palermices de esquerdalhada para quem todo o restolho é trigo.

    • António Fernando Nabais says:

      Tem Vossa Excelência toda a razão, a ditadura, que é um sistema intrinsecamente violento, só se pode combater com muitas medidas de meios e modos, nunca com actos violentos, Deus nos livre. Ficamos a aguardar mais esclarecimentos do menos, o mais sensato dos combatentes contra as ditaduras.

      • POIS! says:

        Não seja injusto, Nabais!

        A ditadura salazaresca, de que JgMenos tem um conhecimento tão profundo que, ao lado deste, o Canhão da Nazaré é um simples rego de água, era intrinsecamente moderada, destacando-se a sublime elegância de meios e modos que utilizava, sempre com a suprema supervisão do Oliveira da Cerejeira, secretariado pela Maria de Jasus sempre que as suas obrigações de gestão da capoeira o permitiam.

        Era conhecida a elegância de um Sachetti ou de um Barbieri Cardoso, que lavavam sempre as mãos antes de começarem a torturar. Ficaram célebres as suas instruções aos subordinados sobre expressões a utilizar na atividade torturadora:

        “pode V. Exa. rodar o tronco 45 graus para eu lhe acertar melhor nas costelas com este moderado bastão?”

        ou…

        “quando V. Exa. começar a sentir sono, por favor avise, para tirarmos o balde de água do “frappé”.

        Já para não falar na fineza de um Casimiro Monteiro, cuja elegância a empunhar a pistola foi, inclusivamente, premiada em concursos internacionais de Estética do Balázio?

        E Silva Pais? Era um intelectual, até tinha quadros pendurados na parede da sala de jantar e tudo!

        JgMenos conheceu de perto essa realidade, e até, na medida de meios e modos, os avisou para não serem tão brandinhos com as jocistas do Cerejeira, malta que, em vez de ficar a rezar nas igrejas e a charlar nas sacristias, tinha a mania de ir aos bairros de placa zincada ver a pujante prosperidade da mal-agradecida malta trabalhadora e vinha cá para fora dizer que tudo era uma miséria e a perguntar que almas andávamos a salvar em África.

    • Tuga says:

      Estimado Salazarento menor.

      Está a esquecer as lições de bons modos que a seu tempo aprendia na Escola da PIDE em Sete Rios, no que respeita ao trato a dar aos perigosos comunistas.
      Infelizmente esqueceram-se dessas regras tão exclupulosamente ensinadas na Escola da PIDE quando em Alcântara assassinaram o pintor Dias Coelho a tiro.

    • Claro que não; se for branco judaico-cristão, só com uma carta assertiva.

  3. João Paz says:

    Fernando Nabais este texto é de uma mordacidade e ironia sublimes, parabéns.

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading