O Nobel da Química Palestino-Jordano

Juntamente com Susumu Kitagawa (Univ. de Kyoto) e com Richard Robson (Reino Unido, Univ. de Melbourne), o palestino-jordano Omar Yaghi (Univ. da Califórnia) foi laureado com o Prémio Nobel da Química de 2025 pelo desenvolvimento de uma promissora arquitetura molecular. Tratam-se compostos que combinam estruturas metálicas e orgânicas que providenciam cavidades que podem ser atravessadas por moléculas de dimensões determinadas. As aplicações potenciais são muito interessantes, desde capturar água do ar do deserto até à filtragem de poluentes na água, passando pela captura de carbono e armazenamento de hidrogénio.
Omar é filho de pais palestinianos que se refugiaram na Jordânia em 1948, a mãe analfabeta e o pai com estudos ao nível do ensino básico. Na época, viviam numa pequena casa sem eletricidade e sem água corrente. Foi viver para os EUA aos 15 anos onde estudou e se tornou um cientista agora afiliado a Berkeley, Universidade da Califórnia.
Ao longo da minha carreira trabalhei e privei com investigadores do Maxerreque, do Líbano, da Síria, de Israel, da Jordânia e da Palestina, uns xiitas, muitos ateus, outros judeus, cristãos ou drusos. Este Nobel poderia ser uma das muitas histórias de vida que ouvi na primeira pessoa, de quem deu a volta por cima através da sua dedicação à ciência e/ou à engenharia.

Alguns destes investigadores investiram parte da sua vida a projetos de união dos povos da região, como o acelerador SESAME (Synchrotron-light for Experimental Science and Applications in the Middle East) instalado na Jordânia com o apoio do CERN e que integra estados como Israel ou a Palestina. Diga-se em abono da verdade, estes esforços têm sido olimpicamente desprezados e até mal olhados por quem está mais interessado em instrumentalizar a conflitualidade. Por isso, seria muito interessante, se este ano o Nobel da Paz fosse para um destes muitos projetos ou associações que promovem a paz pela união. Porque não o SESAME?
Entrevista a Omar Yaghi:

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