Cessar-fogo em Gaza?

Parece que há acordo para um cessar-fogo imediato em Gaza. Trump está mesmo a dar tudo pelo Nobel da Paz.

E se for esse o preço a pagar para parar o genocídio, que seja.

Não seria o primeiro execrável a vencê-lo. Se um war monger como Henry Kissinger pode ganhar um prémio dedicado à paz, qualquer incendiário é elegível.

Mas o cessar-fogo não chega.

É preciso auxiliar milhares de pessoas.
É preciso reconstruir Gaza.
É preciso acabar com a fome.
É preciso libertar todos os reféns.
E é fundamental que o cessar-fogo dure para lá dessa libertação.

Também é preciso libertar a Palestina, não apenas Gaza, mas toda a Cisjordânia ocupada por colonatos ilegais. Libertar a Palestina de colonos terroristas e de terroristas do Hamas, e de outras organizações de fundamentalistas islâmicos que por ali andam. Deixar aquelas pessoas respirar e ter uma vida minimamente normal.

Será desta?

Espero que sim.

Mas, à cautela, vou festejar moderadamente. Com estes protagonistas, convém refrear as expectativas.

O Nobel da Química Palestino-Jordano

Juntamente com Susumu Kitagawa (Univ. de Kyoto) e com Richard Robson (Reino Unido, Univ. de Melbourne), o palestino-jordano Omar Yaghi (Univ. da Califórnia) foi laureado com o Prémio Nobel da Química de 2025 pelo desenvolvimento de uma promissora arquitetura molecular. Tratam-se compostos que combinam estruturas metálicas e orgânicas que providenciam cavidades que podem ser atravessadas por moléculas de dimensões determinadas. As aplicações potenciais são muito interessantes, desde capturar água do ar do deserto até à filtragem de poluentes na água, passando pela captura de carbono e armazenamento de hidrogénio.
Omar é filho de pais palestinianos que se refugiaram na Jordânia em 1948, a mãe analfabeta e o pai com estudos ao nível do ensino básico. Na época, viviam numa pequena casa sem eletricidade e sem água corrente. Foi viver para os EUA aos 15 anos onde estudou e se tornou um cientista agora afiliado a Berkeley, Universidade da Califórnia.
Ao longo da minha carreira trabalhei e privei com investigadores do Maxerreque, do Líbano, da Síria, de Israel, da Jordânia e da Palestina, uns xiitas, muitos ateus, outros judeus, cristãos ou drusos. Este Nobel poderia ser uma das muitas histórias de vida que ouvi na primeira pessoa, de quem deu a volta por cima através da sua dedicação à ciência e/ou à engenharia.

[Read more…]