Nobel da Literatura 2014

modiano

O vencedor é o francês Patrick Modiano.

Ativadas? I’ve smelled a rat

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© Brian Cliff Olguin for The New York Times (http://nyti.ms/1pGZbGN)

Como aconteceu ao James Bond, no final de Os Diamantes São Eternos, “I’ve smelled a rat”. De facto, quando se lê ‘ativar’ em vez de ‘activar’ ou ‘ativo’ em vez de ‘activo’, num texto aparentemente escrito em português europeu, devemos desconfiar. Sendo verdade que o Mouton Rothschild é um clarete, também não podemos esquecer que ‘ativar’ e respectivas formas flexionadas são características do português do Brasil.

Para que não haja dúvidas, consultemos a Folha de S. Paulo:

Cada conjunto de neurônios de localização só se ativa em um local específico.

Mais de 30 anos depois, em 2005, o casal Moser descobriu outro tipo de neurônios que se ativam no córtex entorrinal quando os animais estavam em uma região, formando um mapa.

Efectivamente: ‘neurônios’ e ‘ativa’ (como “em uma região” ou “em um local”, mas essa é outra conversa) indicam-nos que estamos a ler um texto escrito em português do Brasil.

Por isso, ao contrário daquilo que se lê no Expresso, as células nervosas identificadas por John O’Keefe não são *ativadas. Aliás, basta ler-se o texto de Ana Gerschenfeld, no Público de hoje, para rapidamente se perceber que “certas células se activavam”. Exactamente: activavam.

O Comité Nobel é claro

In 1971, John O´Keefe discovered the first component of this positioning system. He found that a type of nerve cell in an area of the brain called the hippocampus that was always activated when a rat was at a certain place in a room.

Por esse motivo, é incompreensível esta adaptação do Expresso:

John O’Keefe identificou, em 1971, o primeiro componente deste sistema de localização ao perceber que um determinado tipo de células nervosas de um ratinho, localizadas numa região do cérebro – o hipocampo -, eram ativadas quando este estava num determinado local de uma sala.

Dito isto, parabéns a John O’Keefe, May-Britt Moser e Edvard Ingjald Moser.

O futuro será não-violento ou não será

Inspirada na metodologia da não-violência de Gandhi, a associação Ekta Parishad luta pelo direito à terra e aos recursos naturais de milhões de indianos. Candidatos ao Nobel 2014, desafiam o mundo a escolher uma economia não-violenta.

Alice Munro é Prémio Nobel da Literatura

Confesso que sei muito pouco sobre a autora.

Passos Coelho a Nobel da Economia?

41798_65198417291_7710_nMuito se tem dito, e escrito, acerca das opções de política financeira e económica do 1º ministro Passos Coelho, alguns elogiando outros denegrindo. A meu ver, todos estão errados.

É comum, entre as mentes menos esclarecidas, aceitar de forma acrítica ou rejeitar sem fundamento, as teorias verdadeiramente revolucionárias e que representam um vigoroso salto em frente no pensamento e conhecimento humanos. E Passos está a ser vítima desse tipo de inércia característico das pessoas vulgares. Vejamos mais detalhadamente as razões que me assistem na formulação de tão categórica asserção.

Começo por esclarecer os mais cépticos sobre as razões que me têm tolhido o verbo na análise dos aspectos macro-económicos da crise que afecta a zona Euro, em particular, e a União Europeia, em geral. Tal facto deriva apenas do “encolhimento”dos meus rendimentos – assoberbado pelas necessidades do dia a dia, as minhas atenções têm recaído sobre questões cada vez mais pequenas, isto é, micro económicas, como a renda da casa, a alimentação, a conta da farmácia, etc.. [Read more…]

925,000 euros que vêm a calhar

The Nobel Peace Prize to European Union © Martin Sutovec,Slovakia,The Nobel Peace Prize for 2012,European Union,peace, European Peace Prize

daqui

Escritores latinoamericanos e poucos europeus-3ª parte. Pablo Neruda

Foi um acaso, o que se diz normalmente, uma casualidade. Tinha eu quinze anos, ele deve ter tido uma idade indefinida, mas eram já os tempos da sua idade indefinida. [1] Os poetas não têm idade vivem a vida a dar saltos entre a realidade transformada em realidade en verso. Éramos vizinhos de uma das sua três casas, a de Valparaíso o La Sebastiana. Conhecemos, na nossa lua-de-mel, a minha noiva, agora esposa, a primeira que fez no Chile: Isla Negra. Não era, de facto uma ilha, era uma quinta que ficava ao pé da casa dos nossos amores, em Algarrobo, praia balnear perto de Valparaiso. Neruda não conseguia viver sem ver o amor. Entrar na Sebastiana com a minha mãe, foi uma delícia: via-se, como era da nossa vizinha casa, toda a Baia do porto e, com essa fantasia contagiante, além-mar. Sua única habitação na cidade, era La Chascona, feita para o agrado da mulher que amava, Matilde Urrutia e os seus encontros clandestinos. La Chascona, por causa do telhado de totora[2]. Nem pensar que, por poeta, falasse em verso, falava como todo ser humano nascido no centro Sul do Chile, engolindo as consonantes e um cantar típico que compassava as suas frases. [Read more…]

atribuição do prémio Nobel de Literatura. Mi Gabriela Mistral

A nossa poetisa recebe o merecido Prémio das mãos do Rei Sueco, o primeiro ao acabar a guerra mudial

Entrega do Prémio Nobel de Literatura pelo Rei Gustavo Adolfo da Suécia, Novembro de 1945, aos 56 anos de idade

Quando se fala de Prémios Nobel de Literatura, há um que é sempre esquecido e sinto o meu dever resgatar.

A notícia de ter ganho el Nobel, a recebeu em Petrópolis, a cidade brasileira onde desempenhava a labor de cônsul desde 1941, cidade de má fama para ela: tinha-se suicidado aos 18 anhos, Yin Yin, alcunha de Juan Miguel Godoy Mendoza, seu sobrinho consanguíneo, conforme a notícia circulava, filho de um hermanastro, quem fora adoptado por ela e a sua amiga e confidente Palma Guillén, com quem vivia pelos menos desde que o garoto tinha quatro anos. Há quem diga que era filho dela, dai a cautela com que transfiro a notícia, especialmente por ser narrada a nós pelo nosso tio Higinio González Nolle de Montjeville, Ministro Conselheiro da Embaixada do Chile em Rio de Janeiro. Tinham convivido juntos, em tempos de guerra, em Portugal, onde o tio era Ministro da Embaixada e Gabriela, consulesa. Habitavam a mesma casa que hoje

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Oposição Medíocre na Câmara Municipal do Porto

O DR RUI RIO É QUE SABE

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O dr Rio explicou-se e disse das suas razões e das da Câmara Municipal do Porto para vetar o nome do falecido Nobel Saramago para uma rua da cidade.
Após essa explicação ficamos a saber uma de duas coisas:
1 – A oposição, na Câmara, não conhece as leis da cidade nem as regras pelas quais ela se rege
2 – A oposição, na Câmara, conhece as leis da cidade e também as regras pelas quais ela se rege
Dessa forma, e no primeiro caso, pergunta-se o que é que andam a fazer por cá.
No segundo caso ficamos a saber o que por cá andam a fazer. Unicamente a usar de falsidades para colocar a opinião pública contra o executivo da edilidade, sem cuidar de fazer saber a verdade.
De uma forma ou de outra, é triste que fiquemos a saber que a oposição na Câmara Municipal do Porto, tem um nível tão baixo.

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Saramago – Pensar (Deus)

Com a devida vénia transcrevo uma parte da carta de uma leitora do Público, Céu Mota de Santa Maria da Feira.

…Quero reter na minha memória estas palavras de Saramago :”Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar”. Quanto a mim é um dos melhores ensinamentos que nos podia deixar como herança. A sua obsessão por Deus, apesar de ateu, veio-lhe porque nunca parou de fazer perguntas, não parou de pensar.

Aliás, não foi o único. Vergílio Ferreira, outro escritor português, tambem ele ateu e candidato ao Nobel, escreveu uma obra que é intitulada precisamente, Pensar (1991)…” a grande obsessão do homem é dar um sentido  à vida”…este último pensamento remete novamente para Saramago, numa frase que o Público deixou ocupar toda uma página: ” A nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”.

Deus está muito na cabeça dos escritores ateus, mas tambem na dos cientistas. Alguns querem conhecer a “música de Deus”…recriar o momento do BiG_BANG e, quem sabe, a partícula elementar, a partícula de Deus”. Por seu turno, ” há neurocientistas que se propõem encontrar o ponto de Deus, no cérebro…

” a necessidade de se ser homem, ou seja, Deus, pela sonho da definitividade. É o sonho mais obsessivo (…)

PS: está no Público em “cartas à directora”, página 42!

Saramago à procura de Deus

Não concordo absolutamente nada com a nota do Vaticano acerca da morte e da obra de Saramago, reduzindo os seus livros a um amontoado de axiomas marxistas-leninistas, de costas voltadas para o Homem e a sua Cruz.  Sendo o que menos importa na vida e obra de Saramago a verdade é que o escritor em dado passo da sua vida colocou em causa o caminho “Marxista-Leninista” do partido de que era e continou a ser militante, sendo o primeiro subscritor de  uma proposta para ser discutida num dos congressos do PCP.

Se há um fio condutor na obra de Saramago e a torna singular é, exactamente, a angústia de procurar que a Humanidade seja mais que a vulgaridade da vida terrena, com o seu cortejo de vaidades, mentiras, ódios e “ter” em vez do “ser”. Se em quase todas as obras essa procura é evidente, e fá-lo nos livros que afronta Deus no sentido de O questionar, de O colocar perante a evidência da obra imperfeira de quem se pretende perfeito, então o “Ensaio sobre cegueira” é uma prova insofismável.

Sabe-se que foi este livro que empurrou Saramago definitivamente para o Nobel. E que encontramos nós nesta obra, tão transcendente, para merecer ser traduzida em tantas línguas e ter chegado a uma grande produção de Hollywood? Todo um povo encontra-se de um momento para o outro cego, sem explicação possível, uma “cegueira branca” que não assusta e não angustia. Só uma mulher foge a esse destino trágico! Porquê a excepção? Porquê uma mulher? Vamos, descobrir ao longo da leitura, que esta mulher é mais que uma simples pessoa é um “SER”capaz de se “dar” aos outros, capaz de os “guiar”, de os manter no limbo da esperança, mostrar-lhes  que o que perderam ( o material, o físico) nada é comparado com o que cada “ser” é capaz de descobrir dentro de si mesmo!

Hoje, no cemitério do Alto de S. João, quando a urna foi definitivamente tragada pelo fogo do crematório, mais do que nunca senti, que Saramago procurou toda a vida uma explicação, ou um final redentor para uma vida que lhe deu mais dúvidas do que certezas, e que não o preenchou, o que o levou à procura, escrevendo.

Uma grande obra literária tem sempre muitas leituras e aí reside grande parte da sua importância, mas que melhor homenagem se pode fazer a Saramago que entender esta sua angústia existencial , transcendental?

Andou o ateu Saramago, afinal, toda a vida à procura de Deus?

Sacudindo o pó de Barack

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Apesar das grosseiras quebras de protocolo que foram interpretadas pelos noruegueses como uma ofensa, Barack Obama recebeu o Nobel da Paz, num ambiente de embaraço de quem tem a perfeita consciência de não o merecer. Fica-lhe bem.

Esta breve visita a Oslo tornou-se em mais um fait-divers, onde não faltou a visita ao palácio, onde uma risonha primeira-dama sacudiu o pó dos ombros do presidencial cônjuge, na usual manifestação da dicotomia entre o régio casal nórdico e a “gente simples, moderna e de mente aberta” que se sucede ao longo de séculos na Casa Branca. Aqui em Lisboa conhecemos bem o estilo, porque há quem goste de imitar os “grandes princípios” da linguagem própria do Canal MOV, com ou sem HD.

A Cimeira Ibero-Americana evidenciou um imenso rol de patetices e dislates, interpretados por quem sabe como se faz, como próprios de representantes de nações reduzidas a obscuros saguões. É o que temos, mesmo com …”cházinho dos Açores e bolo rainha prá dona Sofia”. Tudo o mais, são Horizontes Infinitos, Novas Fronteiras, Grandes Desígnios, Esperança Imortal, Novos Acordos, Um Grande Sonho, o Idealismo Realista e outras ninharias da sociologia soap-opera.

Contradições…

Ver um homem receber o Prémio Nobel da Paz e defender a “necessidade da guerra”, é como ver alguém a viver na Era da Informação e do Conhecimento a defender a necessidade da estupidez.

Já não há idealistas

Segundo o que leio aqui e aqui o discurso de Obama na entrega do Nóbel foi direccionado para a triste realidade do Mundo. Obama tentou obviamente justificar-se, justificar o envio de mais soldados para o Afeganistão, uma guerra que, segundo o que se diz, podia ter acabado há nove anos. Obama defende uma “guerra justa”, uma expressão que acima de tudo me parece uma contradição de termos. Desde há uns meses para cá que o Presidente tem vindo a perder a inocência. Provavelmente, fê-lo gradualmente e propositadamente, sabendo bem o que estava a fazer. Digo isto sem nenhum tipo de desapontamento. Sempre disse que Obama era, acima de tudo, um político. E na política, hoje em dia, há pouco espaço para idealistas. Isso fica no começo e não perdura.

Obama

Remar contra a maré

Por acaso até gosto de remar contra a maré. Mesmo quando representa uma dose suplementar de esforço físico ou de sobrecarga psicológica.

Talvez por isso, sou dos que concordam com a atribuição do prémio Nobel a Barack Obama e numa coincidência típica de blogger até lembrei, dias antes, a atribuição do mesmo a Martin Luther King. Mesmo sendo eu um céptico em relação ao Nobel.

A candidatura e consequente eleição de Obama como Presidente dos Estados Unidos da América é, por si só, merecedora de um Nobel da Paz que deveria ter sido atribuído ao povo americano. Ora, sendo Obama o Presidente de todos os americanos, cabe-lhe a ele receber tal distinção. O povo americano soube, nessas eleições, votar pela Paz, por um Mundo melhor, pela esperança. Uma mudança impressionante em termos de paradigma político naquela que ainda é a maior potência mundial. Bastaria para Nobel da Paz.

A eleição de Barak Obama marca um corte radical com um passado recente pleno de tiques imperialista e representa, estou certo, uma alteração no futuro político do ocidente cujas consequências e repercussões só serão visíveis daqui a alguns anos. Os EUA souberam assumir o erro de anos e anos de administração Bush e souberam interpretar, como ninguém, a mudança necessária, diferente, para tempos igualmente diferentes.

A Academia Sueca percebeu que estamos perante uma das mais importantes alterações políticas desde a queda do muro de Berlim, uma revolução silenciosa iniciada nos Estados Unidos e, como uma gripe, contagiante a todo o mundo ocidental. A Academia Sueca, com esta escolha, está a premiar todo um povo por ter oferecido a um mundo de políticos cinzentos, uma luz de esperança. Sou um utópico? Tenho dias…

O NOVO NOBEL

A PAZ DE OBAMA
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Com alguma surpresa para o mundo, Barack Obama recebeu o Nobel da Paz.
Demasiadamente cedo, direi.
O Presidente americano ainda não teve tempo de provar o que realmente é a esse nível.
Certo, certo, é que há interesses, muito mais do que habitualmente, para que fosse Obama a ganhá-lo. Por certo o interesse em que a esperança do mundo, tenha razão ao acreditar em dias melhores.
Por muito que se tenha esforçado, muitos outros o fizeram também, por certo com ainda mais empenhamento, se bem que com menores resultados. Também nenhum dos outros foi alguma vez o Presidente do Mundo. Também ninguém, nenhum outro, conseguiu reunir tanta esperança pelo mundo inteiro.
Barack só tem ainda oito meses de mandato. Mal se tornou Presidente, teve de ser imediatamente proposto para Nobel da Paz, já que as nomeações acabaram quinze dias após o início da Presidência. Tudo muito à pressa, tudo muito em cima do joelho. Tudo recheado de muitos interesses. Mas creio que, desta vez, interesses positivos.
Será este um Nobel feito de esperança? Um Nobel para o homem mas também para todos os homens, por esse mundo fora que acreditaram e acreditam que uma nova era começou?
Deus permita que assim seja, e que essa esperança dê os frutos desejados.

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JM
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Place your bets

Entramos na emocionante recta final e Oz está na dianteira, com as apostas a 4/1. Na sua peugada está a argelina Assia Djebar, logo seguida da americana Joyce Carol Oates. Mas os fãs do velho Philip ainda não perderam a esperança de no dia 8 poderem dizer:  “Vá lá, desta vez os suecos esqueceram-se do politicamente correcto e escolheram um judeu americano e misógino, que sabe escrever”. As apostas estão a 7/1 mas acreditamos que o velho Philip ainda aguenta o estirão final. Mr. Roth