Portugueses Pelo Mundo

Os Chegasnos têm um novo mantra: o Querido Líder é vencedor nos círculos da emigração. Tem fundo de verdade? Tem. Mas vamos lá destrinçar isto.

André Ventura vence na emigração, nos locais onde há portugueses menos qualificados, mais pobres e com menos instrução a nível académico (padrão que, de resto, se mantém em Portugal), isto na Europa. Quais são esses locais? Por exemplo, Andorra, França, Luxemburgo ou Suíça. Os mentecaptos Chegasnos usam tal argumento como bandeira, esquecendo o que referi no supracitado: para além disso, a França está numa situação económica lastimável e a Suíça é um paraíso fiscal. Andorra é mão-obra portuguesa barata e no Luxemburgo (um exemplo que pode dar outro texto: país construído em larguíssima escala pelo trabalho de imigrantes de vários locais, mas sobretudo de emigrantes portugueses – os discursos do anterior primeiro-ministro, Xavier Bettel sobre imigração poriam no lugar a taberna de 60 suínos que estão no extremo direito do hemiciclo português, mas deveriam envergonhar também quem, no seu direito, mas em contradição, vota Ventura no Luxemburgo) a esmagadora maioria dos portugueses trabalha no sector primário (construção, limpezas, distribuição). André Ventura vence também em África, onde há empresários portugueses, vários com ligações ao luso tropicalismo de antanho. Saudosistas, portanto, que por lá continuam a sacar recursos ao povo africano ou simples oportunistas modernos que sabem onde está a fonte do enriquecimento de luvas calçadas.

E no resto? Vamos ao que me interessa. Como se vê pelas imagens abaixo, António José Seguro esmagou (como esmagaria qualquer outro candidato democrático) nos países nórdicos. Primeiro, para os países nórdicos emigram, fundamentalmente, portugueses altamente qualificados, com altos níveis de escolarização e formação académica. E o que é que os países nórdicos têm, historicamente, que Portugal não tem? Várias coisas, a começar por políticas de esquerda a sério:

1 – Qualidade de vida e bem-estar social (topo mundial): os países nórdicos lideram consistentemente em: educação pública de alta qualidade, saúde universal eficiente, baixa desigualdade social e elevada confiança nas instituições;

2 – Riqueza e estabilidade económica: economias estáveis, com crises menos profundas e recuperação rápida;

3 – Boa governação e baixa corrupção: líderes em transparência governamental, baixa corrupção e instituições públicas eficientes;

4 – Sustentabilidade e economia verde: são referência mundial em energias renováveis (hidroelétrica, eólica), políticas climáticas avançadas, transportes sustentáveis e cidades verdes e bem planeadas;

5 – Mercado de trabalho equilibrado: excelente conciliação entre trabalho e vida pessoal, licenças parentais longas, elevada participação feminina no mercado de trabalho, sindicatos fortes, mas cooperativos e salários altos que não significam jornadas excessivas de trabalho;

Nos últimos 30 anos, os países nórdicos seguiram um caminho de governação de índole social-democrata moderna: mercado livre regulado, Estado-social forte e disciplina fiscal. A tudo isto, os Chegasnos e os Idiotas Liberais chamariam “comunismo” ou “socialismo”, mas é pura social-democracia moderna e que fez com que esses países prosperassem.

E é de relembrar o seguinte:
“País mais feliz do mundo (2025) – Finlândia: líder pelo oitavo ano consecutivo no ranking global da felicidade. Outros países que também aparecem no topo da lista incluem: Dinamarca, Islândia e Suécia.”

Os países nórdicos não competem por tamanho, mas ganham em qualidade.
E quando há qualidade, o proto-facho torna-se muito pequenino. Encolhe como falo em águas de bacalhau.

Comments

  1. POIS! says:

    Os nossos emigrantes, realmente, votam muito no Venturoso Quarto Pastorinho, mas com louváveis intenções.

    Sim, eles já emigraram, mas sentem-se muito isolados.

    Por isso, votam no Pastoralho para ver se ele chega ao poder e a malta ache que é melhor emigrar e, assim, não se sentirem tão sozinhos.

    Quando emigrarmos todos, acabam-se as saudades, o Fado, o querido mês de agosto e a respetiva pimbalhada, a estátua do “Desterrado” é vendida em leilão e “Os Lusíadas” irão ser arquivados (por iniciativa o Ministério Público).
    .

  2. POIS! says:

    Continuo a achar que não é um pormenor: os chegarrascas mentem quando dizem que o Pastoralho teve maior percentagem que a AD. E os jornalistas, mesmo os tidos por mais competentes, repetem! Ainda agora ouvi isso, salvo erro, no Telejornal da RTP.

    Repito o que já escrevi num comentário anterior:

    O Venturoso Pastoralho não teve mais votos que a AD, nem sequer maior percentagem, ao contrário do amplamente propalado pelos comentadeiros de serviço, incapazes de colocar em causa a propagandorice da Seita Pastoralha!

    Comparam-se duas formas diferentes de apresentar a percentagem. A das legislativas contempla as percentagens dos votos em branco e nulos e a das presidenciais excluem-nos, ou seja, é a percentagem de votos em candidatos.

    Consulte-se esta página e veja-se o que está escrito no fundo:
    https://www.presidenciais2026.mai.gov.pt/resultados/globais

    Reduzido a tudo à mesma forma, ou seja, contados os brancos e nulos nas presidenciais o Venturoso Pastoralho obteve 31,53%.

    Nas legislativas a AD obteve 31,79 (31,21 da coligação nacional e mais 0,58 da coligação dos Açores – com o PPM, cujo peso é desprezível).

    E em número de votos: AD – 2 008 437, Pastoralho -1.729.371 …

    Faltou ao Pastoralho apenas um cagagésimo de 279 066 votos que, segundo fontes da seita, corresponde ao número de pessoas que estão afogadas no fundo dos rios e que só vão boiar quando chegar a Primavera.

  3. Desprezar a classe trabalhadora, em 2026, que quem pode estudar é que sabe tudo, já passou do masoquismo ao suicídio colectivo.
    E falar em “países nórdicos” como um conjunto com a mesmas políticas, ainda para mais socials-democratas, é muito pobrezinho.

    • Anónimo says:

      Como assim?
      São factos. Pessoas mais instruídas, com capacidade intelectual e espírito crítico, sabem que devem votar à Esquerda. E por isso emigraram para países onde os liberachos ainda não entraram.

      • O primeiro é um facto, como é um facto que são a maioria com problemas materiais, mas não só, bem reais que, bem e mal, vêm tratados como secundários pelas pessoas mais instruídas. Isso e a tal “esquerda” só muda muitas das políticas nos paliativos, com sorte, e na retórica floreada de preocupação.
        O segundo é impossível, não existe. E nas “democracias liberais” são cada vez mais influentes, com ou sem poder legal.

    • João L. Maio says:

      Paulo, o texto é uma simplificação de algo que é mais complexo. Eu só “boto a faladura”, não sou sociólogo e, muito menos, psicólogo… e não interprete o texto como um “desprezar (da) classe trabalhadora”, porque quem é assalariado é classe trabalhadora, seja um engenheiro da Volvo na Suécia ou um pedreiro (que é como quem diz: um maçon…) da Losinger Marazzi na Suíça.

      • Camarada, responder a terem mais votos com “ah, mas nós temos os bons e inteligentes” só pode ser interpretado como desprezo independentemente das intenções.
        Mas sim, queria falar de “classe” em termos sociológicos, não económicos. Como engenheiro, ainda por cima informático, os colegas não os vêm como iguais, e, portanto, não podem ter as mesmas lutas.

        • De resto, não tem nada de anormal as diásporas não gostarem das condições em que está a origem; se gostassem, voltavam. Nem é anormal que disparem ao lado estando distantes e menos informadas sobre o que se passa.

  4. balio says:

    a Suíça é um paraíso fiscal

    Era. Há muitos anos que, em grande medida, não o é. Em grande medida, por pressão dos EUA e não só, o célebre sigilo fiscal suíço já não existe.

    • João L. Maio says:

      Não é. Mas continua a ser. Para bom entendedor… para os nossos portugueses lá emigrados e que trabalham como “mouros” é que não é paraíso algum, por muito que, por carolice ou soberba, muitos gostem de passar essa imagem.

      É um país que paga bem, mas bastante caro para se viver e onde a esmagadora maioria dos portugueses que conheço e que por lá estão, têm perto de zero de vida social: a vida social é vivida em Agosto, em Portugal. O mesmo já não se passa assim no Luxemburgo, na França ou na Bélgica, por várias razões, mas uma delas é: os portugueses não se “integram” na “cultura” desses países, preferindo (como qualquer e/imigrante) viver nas comunidades a elas afectas.

      • balio says:

        Não é. Mas continua a ser. Para bom entendedor…

        Sou mau entendedor. Para mim, a Suíça não é um paraíso fiscal. Eu detenho algumas ações de duas empresas suíças, e pago 35% de imposto à Suíça aquando da distribuição de dividendos. Em Portugal numa situação análoga paga-se 28%.

        Que a Suíça não é um paraíso em muitos outros aspetos, estou de acordo. Mas o facto é que os portugueses que lá estão, é porque querem estar.

        • João L. Maio says:

          Não me parece que o balio seja dono de algum fundo obscurantista.

          De resto, qualquer pessoa que emigre para qualquer sítio, foi porque quis ir. Importam as razões, não a consequência. O que quis dizer foi que a Suíça está longe de ser o destino “perfeito” para se emigrar, porque a ilusão de “ganhar muito dinheiro” rapidamente se esfuma.

  5. JgMenos says:

    Tão desconsoladinhos…
    Tadinhos!

    • POIS! says:

      Pois claro!

      Isto porque estão a antecipar a reviravolta que se vai passar no próximo domingo quando votarem os destelhados!

      E quando as centenas de milhar que estão submersos vierem à tona, então é que vão ver como é!

      Daqui até 9 de março ainda se pode passar muita coisa!

      • João L. Maio says:

        A 3ª Volta é a 9 de Março? Obrigado pelo esclarecimento, POIS!.

        • POIS! says:

          Não. É a 8. Tem de ser sempre a um domingo, porque os portugueses votam todos depois da missa (*).

          Quando votarem as centenas de milhar que, neste momento, estão submersos, o Pastorinho vem logo ao de cima.

          A vitória é certa!

          (*) Exceto o Quarto Pastorinho, porque só vai á missa das 18 na Igreja de São Roque & Role. De preferência em Latim, e com véu preto na cabeça. Porque é casado.

          • João L. Maio says:

            POIS!, a subvenção das legislativas ainda paga tanto cilício ou o Frazão tem uma colecção que empresta a cada um dos deputedos da agremiação?

          • POIS! says:

            Segundo foi apurado, adquiriram em leilão os cilícios usados pelo Cerejeira. Ficou caro, mas são banhados a ouro. Não enferrujam.

    • Que festejem muitas vezes as derrotas.

  6. josé Valeriano says:

    Que comparação hora vejamos:
    Se a CS já tinha dito que os votos do Ventura era só dos pobres e em regiões pobres porque será?
    António o ( Seguro) de vida da sociedade dos ricos que se protegem uns aos outros para sobreviverem á conta da miséria dos outros será assim ou não?
    Pensem bem nisto afinal quem é fascista ?

    • POIS! says:

      Hora vejamos pois!

      Hora vamos às respostas:

      Pergunta 1: Será porque a CS anda outra vez nos copos! Já esteve internada 5 vezes mas não tem emenda!

      Pergunta 2: É verdade! O ricalhaço Seguro vive à conta da miséria do Pastorinho! Mas não perde pela demora: no Juízo Final vai ser castigado!

      Pergunta 3: Esta é fácil! É Vosselência!

      Olha! Ganhei um fabuloso prémio! É a obra-prima do Pastorinho intitulada “A Minha Humilde Casinha de 30 Metros Quadrados, Incluindo a Casota do Frazão”!

      Viva! Eu continuava por aqui, mas está na ora do jantar.

    • João L. Maio says:

      Era dos pobres, era… dos pobres de espírito.

    • Não, não é assim; a Chaga está-se pouco marimbando para os pobres, basta ver o desprezo a quem fica desempregado permanentemente, onde passa a uma falha moral individual, ou o inevitável apoio à reforma laboral.

  7. Anonimo says:

    Passei por algo semelhante
    Todos os meus colegas de trabalho brasileiros eram pró Bolsonaro. Ou anti Lula, no mínimo…
    É difícil conviver com esta gente.

    • João L. Maio says:

      No trabalho, debato e debati com pessoal de todo o espectro. Com os do Chega/Bolsonaristas/Trumpistas, virava as costas; os argumentos são demasiado infantis e simplistas, o que retiraria logo valor ao debate, pois passaria mais tempo a ter de centrar o debate em factos consolidados e não a debater com a verdade como base, como o faço com qualquer um que seja do PS, PSD ou IL (se bem que estes últimos estão cada vez mais parecidos com os chegasnos).

  8. francis says:

    o Ventura, realmente, pôe em polvorosa aflição as puritanas putas cá do burgo e dá gozo vê-las perfilarem-se para dizer mal do malvadão. LOL

Leave a Reply to balioCancel reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading