Sobre imigração

Estarei sempre de acordo com a eliminação das restrições à entrada de quem pretende viver ou trabalhar em Portugal, desde que cumpra as Leis do país e tenha meios para assegurar a subsistência. Por isso considero positivo não ser necessário um contrato de trabalho para conseguir uma autorização de residência. Mas não seria aceitável ou sequer tolerável, ver pessoas que nunca contribuíram a usufruir daquilo a que chamam Estado social, ou seja, na prática aumentar a despesa à custa dos que contribuem. Sabemos que há quem procure a Europa em busca de trabalho, mas também infelizmente quem apenas procure viver do assistencialismo, seguindo o triste e lamentável exemplo de alguns nativos, graças à permissividade dos políticos, sempre interessados nos votos… [Read more…]

Le Pen: em nome do pai

 

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Por João Branco e Natascha Figueiredo

Marine não é Jean-Marie; é muito mais que Jean Marie. E é esse o facto que a torna mais perigosa que o pai. Marine herdou alguns dos traços político-identitários da liderança do pai mas soube também afastar-se da sua imagem tóxica de simpatizante nazi, promovendo um nacionalismo populista (iniciado pelo pai) que vai de encontro ao que o eleitorado francês neste momento quer ouvir. A verdade é porém, que todas as circunstâncias e problemas que enevoam o espectro político francês actual com o espectro político francês pré-eleitoral em 2002 não são os mesmos. Marine beneficia de um peculiar caos no país para colher benefícios. Em 2002, Jean-Marie levou a cabo uma campanha marcadamente ideológica, campanha que naturalmente o afastou da vitória na 2ª volta das presidenciais desse ano, muito por culpa do chamado “voto útil” em Jacques Chirac. O que efectivamente pode não acontecer no presente ano nas eleições que se avizinham com Marine.

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Dehors les immigrants! – diz o Santos

front_national_daniel_dos_santosEu (e todos os meus amigos da escola também) tenho (e cada vez mais!) m familiar, um vizinho ou alguém próximo que emigrou para França ou já de lá voltou depois de décadas a aforrar para um futuro menos pesado. Eu, e possivelmente todos os portugueses, conheço pessoas na diáspora em quatro continentes, em latitudes distintas e múltiplos fusos horários.
Pela coragem que tiveram no momento da partida (agora já não vão num comboio de saudades) e pelas provações por que passaram, fico também reconhecido aos países que os acolheram e onde fizeram questão de se integrar.
Não tenho dúvida alguma de que Portugal seria muito mais pobre do que apenas  “o país mais pobre da Europa Ocidental” (como escrevia o The Guardian há dias).
Se Paris (teremos sempre Paris, não é?) não fosse a terceira maior cidade portuguesa, se no Luxemburgo não se falasse português, assim como em Andorra ou na Alemanha, se na Califórnia, em Toronto ou Montreal, qual teria sido a miséria dos que para lá ousaram partir?

Mas, ainda que possamos achar estranho que portugueses (de segunda ou mesmo de primeira geração) a residir e trabalhar noutros países se associem a movimentos anti-imigração, a verdade é que tal acontece sobretudo a coberto de muita ignorância e alguma estupidez.

“Vêm para cá roubar os nossos empregos, baixar os salários”, dizia um… filho de um emigrante português… é por isso que é cada vez mais importantes o ensino da História nas escolas.
Por falar nisso, neste país com quase 900 anos, há um programa na tv aberta sobre História? – será por falta de tema?

(cartaz via Nuno Roby Amorim)

Imigrantes a mais?

Um dos blogues associados ao diário espanhol El País, o Café Steiner, destaca hoje um gráfico publicado no estudo anual sobre a opinião pública “Transatlantic Trends” (edição de 2014), particularmente interessante no que diz respeito à questão da imigração. O gráfico mostra a resposta obtida em vários países da União Europeia, na Rússia e nos EUA à pergunta: “Acha que há demasiados imigrantes no seu país?”.

O que torna as respostas ainda mais interessantes é o facto de surgirem divididas em dois grupos. Um primeiro grupo, assinalado a cinzento claro, a quem foram indicados os números reais da imigração antes de serem convidados a responder, e um segundo grupo, a cinzento escuro, a quem não foi dada nenhuma informação. Isto é, enquanto o primeiro grupo avalia dados reais, o segundo pronuncia-se sobre uma percepção. E as diferenças são flagrantes.

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Vem depressa, emigrante!

888002011688.170x170-75Parece que foi há dois ou três anos (talvez por ter sido há dois ou três anos) que Passos, Relvas e outros sucedâneos espalharam a ideia de que os jovens portugueses precisavam de sair da sua zona de conforto e emigrar. O impagável primeiro-ministro chegou mesmo a afirmar que o português tinha de deixar de ser piegas. Pelo meio, como é típico da elite parola portuguesa, lá vinha a referência à valentia de um povo de descobridores que sempre soube ultrapassar adamastores e bojadores, entidades consubstanciadas, na maior parte das vezes, em politicotes que andam a minar o Estado praticamente desde a fundação da nacionalidade.

Em muitos casos, a zona de conforto de muitos que emigraram era a zona do desemprego. A direitola, neologismo resultante da expressão “direita tola”, não consegue falar ou escrever sobre desemprego sem recorrer às inevitabilidades de despedir ou à caracterização do desempregado como um inútil que vive confortavelmente sentado num subsídio de desemprego. Paulo Portas chegou mesmo a declarar que havia gente a receber o Rendimento Social de Inserção e a aforrar cem mil euros nas respectivas contas bancárias, sem especificar o número de prevaricadores, o que implica lançar uma lama fétida sobre todos os outros. Não admira: o porco, quando se espolinha, não está preocupado em saber se suja alguém.

Camilo Lourenço chegou a explicar que o país ganhava muito com o facto de haver profissionais portugueses altamente qualificados a trabalhar fora do país (esquecendo-se, talvez, de que esses profissionais terão filhos fora do país, pagarão impostos fora do país, servirão as populações de outros países, farão as suas compras nas lojas de outros países). [Read more…]

PARTIR, de Sarah Adamopoulos

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8, 9 e 10 de Maio | 21:30 | Teatro Extremo | Almada | Apareçam!!

Apontamento (Festival Literário da Madeira)

Antena 2 em directo da ilha da Madeira, um festival literário que lá decorre: escritores em volta de uma mesa a falar da literatura da insularidade, Herberto Helder sempre por perto, o jornalista Luís Caetano (exímio nas coisas da literatura) a suscitar um debate em directo para a rádio pública, e de repente alguém, decerto um escritor madeirense, insurge-se e lembra que a diáspora é hoje uma hemorragia, ou então metástases, sim, metástases da austeridade assassina, e diz que há ilhéus que cortam os pulsos, e que aquele festival literário é uma ilusão na biografia da fome e do sofrimento da Madeira. E logo o calam, claro, como se na literatura não pudesse hoje caber a realidade social que os escritores bem vêem (e vivem, e escrevem), ou os seus realismos passados fossem inultrapassáveis, e fosse hoje tempo apenas e somente de uma fantasia qualquer que sirva para entreter. Palmas para o escritor «sem frio nos olhos», como diriam os franceses.