o trabalho que custa ser académico

Ser académico, é essa luta permanente por saber e ter cargos, especialmente se, comparado com a geografia da sociedade semelhante à da terra, há muitas pessoas para o mesmo cargo. Não há apenas rijas entre camaradas, bem como se fala mal do rival para desprestigiar sua ética, a sua moral, o seu saber e, assim, ganhar o sítio apetecido. Quem concorre a um sítio académico, anda sempre pelas ruas da amargura, seja famoso e sabido, ou apenas um leito de livros, sem pesquisa, que lê para ensinar depois. Lê qualquer autor que lhe parece ser adequado. O escreve um texto para publicar, que dá tristeza.

Bem dizia o meu muito cedo desaparecido amigo Pierre Bourdieu, que desde o dia que escrevera o seu texto Homo Academicus, 1984, Éditions de Minuit, Paris, por ter denunciado estas concorrências, mais ninguém falava com ele. Excepto os membros do seu seminário, onde eu ensinava e ele, no meu, enviado aos seus assistente, que ficavam sempre na minha casa. Perguntava-se Pierre se o sociólogo era capaz de entender objectivamente esse mundo no qual trabalhava e do qual era o seu era o seu prisioneiro. A resposta está no livro e na tese da Doutora Maria Eduarda do Cruzeiro,

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