A batalha de Tânger

Postal antigo do porto de Tânger

Desde que fora conquistada em 1415, Ceuta era um “sumidouro de dinheiro”. Com o bloqueio terrestre imposto pelos marroquinos e abandonada pela sua população, “Ceuta tornou-se pouco mais do que uma grande e vazia cidade-fortaleza varrida pelo vento, com uma dispendiosa guarnição portuguesa que tinha que ser abastecida continuamente através do mar”. (LOPES, 1989, obra citada)

Ao crescente número de vozes que defendiam o seu abandono por Portugal, o Infante D. Henrique, principal defensor da política expansionista portuguesa, contrapunha a ideia da conquista de outras praças no Norte de Marrocos, nomeadamente de Tânger, para criar um enclave de maiores dimensões e prosseguir a expansão além-mar.

A possibilidade de Castela tomar Tânger precipitou os acontecimentos. Mas contrariamente ao que se passara com Ceuta, o ataque a Tânger foi deficientemente planeado e foi descorado o necessário secretismo a uma operação dessa envergadura. Para além disso, não existia uma motivação geral pela expedição, a qual implicava a impopular cobrança de mais impostos no Reino para o seu financiamento e o recrutamento forçado de soldados. O próprio transporte do exército foi resolvido com recurso ao frete de embarcações de carga a Castela e Aragão, não dispondo o país de uma armada preparada para apoiar eficientemente as tropas na batalha. No final, armada que saiu de Portugal era constituída por apenas 8.000 homens, número muito reduzido, tendo em conta que se estimava inicialmente que seriam precisos cerca de 14.000 para a expedição.

A descrição que se segue narra os acontecimentos ocorridos desde a saída das forças portuguesas da praça de Ceuta no dia 27 de Agosto de 1437 até ao seu resgate na praia de Tânger no dia 19 de Outubro do mesmo ano. [Read more…]

“Festa”

Pedro Noel da Luz

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