Na Segurança Social de Braga

hoje não era feriado e o chefe devia estar de serviço: os lugares de atendimento estavam todos guarnecidos e os funcionários cumprimentavam efusivamente os clientes. “Não precisa de mais nada, sr. y?”. Custa a crer que este funcionário seja o mesmo mastronço que atendeu y ainda há duas semanas. A falta que faz uma chefia…

Tu lá, tu cá

Hoje temos de aturar o tratamento na segunda pessoa do singular. Principalmente de de prestadores de serviços: “manda mensagens”, “navega à borla”, ” adere”, etc.

A sociedade de consumo parece estar só virada para “os jovens”, e, pelos vistos, acha bem tratar tudo da mesma forma.

É moderno (agora diz-se “radical”). É a lógica do “tu lá, tu cá”, a querer passar a mensagem de proximidade, para depois, na prática, quando temos algum problema para resolver, lá vem a distância, e o custo.

Exemplo desta falsa mensagem de proximidade que depois desemboca em distância, é a prática comum do método dos centros telefónicos de atendimento (agora diz-se “call center”), do atendimento à distância, em que um cliente para resolver um problema qualquer – a Internet não funciona, o telefone não tem linha, o sinal de televisão por cabo pifou, etc -, tem de pagar para ser ouvido.

Os números grátis são muito bons para promover produtos, ou dar informações genéricas. Já para se resolver uma falha de serviço que é da responsabilidade do respectivo prestador, tem de se ligar para uma “linha de atendimento” a pagar, um 808 ou 707 qualquer coisa. Sim, paga-se para se reclamar, paga-se para se exigir que alguém faça aquilo que é devido, ou seja que cumpra com a sua parte do contrato.

É tudo “tu lá, tu cá”, é tudo muito amigo, muito próximo. Até haver problemas.