Segundo EUA e Israel, o Irão está militarmente obliterado. Na realidade, há mísseis iranianos a atingir localidades de Israel (que tem das melhores defesas aéreas do mundo), além da península arábica.
Falta pouco para Trump dizer que acaba esta guerra com um telefonema.
Percepções
A lógica do tubérculo
Perante a baixa do preço do barril do petróleo, logo surgem os discursos atentos de que ainda demora a sentir-se o efeito, porque os combustíveis que se compram agora foram antes adquiridos a preços ainda em alta, foram no mercado de futuros, etc. e tal.
Perante um conflito armado que interfere com o comércio do crude, o preço dos combustíveis sobe imediatamente e o discurso sobre a aquisição em mercado de futuros ou da aquisição em tempo de baixa de mercado, dos combustíveis que estamos a pagar agora, desaparece.
Presumo que seja mais uma prova do bom funcionamento do mercado livre.
Ah, a mão invisível tem uma curiosa tendência para nos apalpar a carteira. Malandreca.
“Num dos melhores hospitais do país!”
Na década de 80, Jô Soares, que tantas vezes fez Portugal rir em difíceis tempos, tinha no seu rol de personagens, um General internado num hospital e que acorda após seis anos de coma em plena eleição de José Sarney. Sempre que sabia das “novidades” do tempo corrente, numa República agora presidida por um civil, dizia em desespero “Me tira o tubo!”.
Mas, esta não era a única frase que ficou famosa aquando dos episódios do General. Havia uma outra que se reportava à resposta que o médico dava ao General, sempre que este lhe perguntava “Onde é que eu estou?” perante a frequente ocorrência de falhas no serviço por falta de electricidade, de água, comida, medicamentos, seringas, pessoal, máquinas, etc.: “Num dos melhores hospitais do país!”
Lembrei-me destes episódios de humor mordaz, quando ontem li a notícia no Expresso que não existiram efectivas melhoras no SNS no ano passado. E, mais ainda, perante o “Relatório anual 2025 – O estado da saúde em Portugal”, onde os privados também ficam muito mal na fotografia.
É uma evidência que toda a propaganda do actual Governo, não passa disso mesmo, e que o SNS continua a piorar, empurrando, quem pode, para a saúde privada que vai avolumando queixas.
A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem vindo ao longo de tempo, em cada crise, em cada má decisão, em cada falha do sistema, em cada má escolha seja no INEM, na Direcção Executiva do SNS ou outro, dizer que irá analisar os factos e assumir as respectivas responsabilidades. Mas, na verdade nunca o fez. São escolhas erradas e promessas falhadas que se avolumem, e, pelos vistos, sem consequências.
Menos arrogância e mais competência, seria o mínimo a exigir, perante o constante falhanço em servir o bem público. A não ser que não seja esse o fito da governação.
O legalista de circunstância
A legalidade é, no discurso, algo que muito importa a André Ventura. O respeito pela Lei, em variações mais ou menos autoritárias em termos concepcionais, é um aspecto fundamental da sua narrativa: os ciganos têm de cumprir a Lei, os imigrantes têm de cumprir a Lei, quem viola a Lei deve ser punido, quem é pedófilo deve ser quimicamente castrado, etc.
Todavia, o respeito é de circunstância, pois, quando o que a lei prevê não é conveniente aos seus fins, então faz-se de conta que a Lei não existe, conquanto tal soe bem aos ouvidos dos receptores.
O mais recente exemplo, é o apelo do adiamento das eleições presidenciais, extensível a todo o território nacional. Como se a Lei aplicável não previsse, especificamente, em que circunstâncias e quais os procedimentos. E a regra é muito simples: quem decide o adiamento da eleição, que tem de ser por sete dias, é a Câmara Municipal. Trata-se, pois, de uma decisão local, de acordo com as condições apuradas por quem está mais próximo dos respectivos palcos de crise, não podendo o Governo, ou quem quer que seja, decidir a nível nacional.
Assim reza o DL 319-A/76, de 3 de Maio, com a redacção dada pela Lei Orgânica n.º 1/2011 de 30 de Novembro (anteriormente alterado pelas Leis n.ºs 143/85, de 26 de Novembro, e 11/95, de 22 de Abril):
Artigo 81º
Não realização da votação em qualquer assembleia de voto
1 — Não pode realizar-se a votação em qualquer assembleia de voto se a mesa não se puder constituir, se ocorrer qualquer tumulto que determine a interrupção das operações eleitorais por mais de três horas ou se na freguesia se registar alguma calamidade no dia marcado para as eleições ou nos três dias anteriores.
2 — No caso de não realização da votação por a mesa não se ter podido constituir ou por qualquer tumulto ou grave perturbação da ordem pública realizar-se-á nova votação no segundo dia posterior ao da primeira, tratando-se de primeiro sufrágio.
3 — Ocorrendo alguma calamidade no primeiro sufrágio ou em qualquer das circunstâncias impeditivas da votação, tratando-se de segundo sufrágio, será a eleição efectuada no sétimo dia posterior.
4 — Nos casos referidos nos números anteriores consideram-se sem efeito quaisquer actos que eventualmente tenham sido praticados na assembleia de voto.
5 — O reconhecimento da impossibilidade de a eleição se efectuar e o seu adiamento competem ao presidente da câmara municipal ou, nas Regiões Autónomas, ao Representante da República.
6 — No caso de nova votação, nos termos dos n.ºs 2 e 3 não se aplica o disposto na parte final do n.º 3 do artigo 35.º e no artigo 85.º e os membros das mesas podem ser nomeados pelo presidente da câmara municipal ou, nas Regiões Autónomas, pelo Representante da República.
7 — Se se tiver revelado impossível a repetição da votação prevista nos n.ºs 2 e 3, por quaisquer das causas previstas no n.º 1, proceder-se-á à realização do apuramento definitivo sem ter em conta a votação em falta. [Read more…]
“What we’ve got here is failure to communicate“ (*)
Marcelo Rebelo de Sousa veio hoje deitar água na fervura, sobre as intervenções pouco felizes de governantes, no modo em como têm abordado, publicamente, a temática da catástrofe que se abateu sobre o Centro do país. Isto, após chegar do Vaticano para onde rumou, certamente para rezar mais de perto do Criador – ou de quem O representa na Terra -, em prol da nação.
Todavia, a preocupação de Marcelo Rebelo de Sousa – cuja sobriedade e discrição comunicacionais, são por demais conhecidas e exemplares -, percebe-se. Infelizmente, no palco da desgraça que atingiu o país, não têm faltado declarações infelizes, como, por exemplo:
- Primeiro-Ministro, Luís Montenegro, num “curioso” voto de pesar sobre as vítimas mortais, dirigido às “famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida em função destes episódios adversos”.
-
Ministro da Economia, Castro Almeida, quanto aos apoios aos agregados familiares afectados previstos para o fim deste mês, porque “Agora é suposto terem tido o ordenado do mês passado”.
-
Ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, que justificou a sua ausência do palco operacional, com o facto de estar a trabalhar “em contexto de invisibilidade, no gabinete”.
Isto, após a triste tentativa de Leitão Amaro estrelar num vídeo promocional. Além da polémica em torno da visita de Nuno Melo ao local.
Pelos vistos, para se ser Ministro, não é preciso perceber uma coisa básica: existe escrutínio do que se diz, do que se faz, e de como se diz e se faz. Existem câmaras que registam o que se passa – até em telemóveis, imagine-se! -, e uma coisa chamada internet onde existem redes sociais onde a velocidade da informação é voraz. [Read more…]
O santo conveniente
Desde a sua prematura morte em 1980, que Sá Carneiro tem sido usado como evocação reverencial pela Direita portuguesa. Dado seu papel fundador do PSD, partido de referência no arco governativo e nessa invenção de impacto maior na política nacional chamada “Bloco Central”, com naturalidade que muitos foram os “sociais-democratas” que invocaram o seu pensamento político e o citaram em frases mais ou menos exactas em relação às originais. O mesmo se dizendo do CDS, com qual foi estabelecida a impactante AD, por vontade e esforço conjugados entre Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, e decorrente da comunhão trágica da morte de ambos.
Com o passar do tempo, assistiu-se a uma lógica de santificação política de Sá Carneiro, enquanto pensamento, acção política, intervenção histórica, etc. Algo perfeitamente natural, até porque houve um considerável período de sentimento de orfandade por parte do PSD que viu o seu líder fundador morrer em tão trágicas e prematuras circunstâncias.
Com a fragmentação da Direita nos últimos anos, donde emergiu o Chega e a Iniciativa Liberal, Sá Carneiro passou a ser uma espécie de santo conveniente, sendo invocado por tudo e por todos, de acordo com as conveniências de circunstância, as ambições de cada um. Todos querem ter na sua posse, uma imaterial relíquia de Sá Carneiro, legitimadora para o que dizem, defendem, propagandeiam, em exibição pública perante os fiéis. Não sendo um dente, um fio de cabelo, um sudário ou um pedaço de roupa, as relíquias são frases e, mais do que isso, certezas legitimadoras de que, se Sá Carneiro fosse vivo, ele pensaria da mesma forma, agiria do mesmo modo, e estaria ao lado de quem o invoca. [Read more…]
O valor do silêncio
“Primeiro vieram buscar os socialistas, e eu fiquei calado — porque não era socialista.
Então, vieram buscar os sindicalistas, e eu fiquei calado — porque não era sindicalista.
Em seguida, vieram buscar os judeus, e eu fiquei calado — porque não era judeu.
Foi então que vieram buscar-me, e já não havia mais ninguém para me defender.”
(Martin Niemöller)
Foi após o 25 de Abril de 1974, que se consagrou o direito ao silêncio, como um dos maiores expoentes da Democracia. Pois que o silêncio deixou de ser uma arma de opressão e repressão, e passou a ser uma garantia de que ninguém poderia ser prejudicado por não falar. Passou a ser um direito, tanto mais para não se auto-incriminar. Até porque falar ou não, é um direito pessoal, manifestação de livre vontade do indivíduo.
Isto, após o regime do Estado Novo de Salazar, em que se impunha o silêncio a quem pretendia se expressar de forma contrária ao que o regime ditava como certo ou errado. E impunha-se pela força, fosse por espancamento ou mesmo morte. Impunha-se até em julgamentos nos tribunais plenários, com espancamentos diante dos olhos de magistrados em pleno julgamento.
Sim: o Estado Novo de Salazar matou gente. Matou a tiro, por tortura, por degredo. E castrou o pensamento livre, calando com censura, garantindo-se com eleições forjadas, matando opositores, prendendo a crítica, tudo sob a batuta do medo. E no mais terrífico silêncio imposto.
O objectivo do silenciamento foi sempre um só: permitir ao Estado Novo, a manutenção do status quo das ditas elites, garantindo a submissão dos demais.
A Democracia, por seu turno, permite o debate de ideias, expressão livre do voto em eleições sem fraudes, e até mesmo, que aqueles que não comunguem dos ideais da Democracia, defendam teses autocráticas.
Porque a Liberdade, enquanto valor estruturante de qualquer Democracia digna de tal nome, permite isso mesmo: que se fale, que se expresse, que se verbalize. Pois que na Democracia, respeita-se o silêncio. Não se impõe. [Read more…]
O povo quer o quê?
“O povo quer este Primeiro-Ministro e não quer outro”, afirmou Luís Montenegro à guisa de conclusão da sua leitura dos resultados eleitorais.
Ora, segundo os resultados em território nacional – faltam os votos dos círculos de emigração -, dos 9.265.493 inscritos, votaram 5.965.446. O que significa que para 3.300.047 votantes, deixar ou não o Luís trabalhar não mereceu a ida às urnas.
Mas, mantenhamos o foco nos que se deram ao trabalho de ir votar: 5.965.446.
Dos 5.965.446, votaram na AD 1.915.098. O que significa que 4.050.348 votaram noutros partidos. Ou sejam, não queriam que o Luís continuasse a trabalhar. Preferiam Pedro Nuno Santos, André Ventura, Rui Rocha, etc. Se quisessem o Luís, teriam votado AD, e não votaram.
Na verdade, “o povo” não quis este Primeiro-Ministro. Se quisesse, a AD não teria apenas 32,10% dos votos.
Tal como Mark Twain achou das notícias da sua própria morte, também a leitura do Luís quanto aos resultados eleitorais, é manifestamente exagerada. Mas, compreende-se: se não fosse ele a dizer tal coisa, quem iria dizer?
Este (N)PS está cada vez mais Titanic
Então a “rapper do PS”, Eva RapDiva, improvisou sobre a guerra da Ucrânia, pérolas como “Esses gajos que se matem” e “Estou-me a cagar para a Guerra da Ucrânia”?…
Já dizia o Jorge Coelhone do Contra Informação, com ar de tragédia: “Os independentes são muito imprevisíveis…“
A pele
O cargo de Presidente da Assembleia da República, é o segundo mais importante da hierarquia do Estado, ficando abaixo do de Presidente da República, e acima do de Primeiro-Ministro. É, pois, a segunda figura do Estado Português.
Exercer tal cargo, torna-se uma segunda pele que não pode ser esquecida ou sequer sujeita a horários. E numa qualquer ocorrência da dinâmica social, é sempre a pele institucional que deve prevalecer.
A ética republicana, demanda que a prevalência das responsabilidades de exercício e discurso de um cargo de Estado, prevalece sobre qualquer outro.
Não se trata de algo exclusivo da política, existindo diversas regras éticas de conduta, sejam republicanas, sejam profissionais, sejam meramente sociais, que fazem parte indissociável, em cada situação, de quem a elas está sujeito. É um preço a pagar não só pelo serviço prestado à comunidade enquanto sentido de serviço público, como, também, no caso do exercício de cargos políticos – mormente o de segunda figura do Estado -, por ficar associado à história do país, algo que é reservado a uma elite.
Significa, isso, que um Presidente da Assembleia da República não pode actuar como se de um vulgar cidadão se tratasse. Como se de um militante partidário se tratasse. Pois que o poder em que é investido, o estatuto na sociedade, as responsabilidades e os privilégios de Estado que lhe são conferidos, exigem uma conduta de probidade, zelo, diligência e de especial dever de reserva.
Esteve, por isso, muito mal José Pedro Aguiar-Branco, Presidente da Assembleia da República, ao afirmar no Conselho Nacional do PSD, que Pedro Nuno Santos fez “pior à democracia em seis dias do que André Ventura em seis anos”. [Read more…]
A minha hipocrisia é melhor do que a tua
Poucas horas depois de Luís Montenegro tornar pública a sua disponibilidade para apresentar uma moção de confiança no Parlamento, o PCP veio a correr anunciar uma moção de censura.
Isto, poucos dias depois de ter classificado a recente moção de censura apresentada pelo Chega, como uma manobra de diversão face aos escândalos em catadupa de roubos, pedofilia, etc.
Acontece que a moção de censura agora enunciada pelo PCP, só serve ao PCP.
A queda do PCP junto do eleitorado, é por demais evidente nas últimas eleições – legislativas e europeias. Não é à toa que a palavra de ordem é resistir, e não crescer.
E se o PCP afirma, a cada eleição, que tem a “força que o povo lhe confere”, a recorrente justificação para não conseguir que lhe seja dada mais força, é o discurso Calimero de vítima de “hostilidade” e de “menorização”, a que o PCP se diz sujeito: “C´est vraimente trop injuste!” [Read more…]
A moção de confiança…
… anunciada por Luís Montenegro, já deve estar a ser vista por Ventura como uma nova oportunidade para voltar a negociar a entrada do Chega para o Governo. Quiçá, desta vez, com testemunhas.
É curioso como…
Ui, ui, ui, ui… (*)
Obrigado e até sempre, Presidente!
Resumir emoções, memórias e, mais do que isso, pessoas, a umas linhas de texto, peca sempre ou por defeito ou por excesso.
Por defeito quanto ao que fica esquecido, omitido ou ignorado. Por excesso, pelo exagero, pela hipérbole ou pelo endeusamento.
Do que conheço da sua personalidade, pouco interessará a Jorge Nuno Pinto da Costa, elogios fúnebres. Mas, sim, a memória do que alcançou e do que o motivou. E, mais do que isso, o futuro. Esse, sim, era o seu maior motivo.
Acontece que, por vezes, os maiores elogios e maiores provas de grandeza, surgem dos silêncios e das omissões, e do que eles significam.
Veja-se o modo como, institucionalmente, Sporting e Benfica lidaram com a morte do Presidente dos Presidentes: um engulho com o tamanho de 2587 troféus (69 no futebol nacional, europeu e mundial) em forma de silêncio.
O que muito diz sobre a diferença que Jorge Nuno Pinto da Costa fez para um clube, para uma cidade, para uma região e para um país, que o tornou um dirigente desportivo com destaque mundial.
Resta apenas dizer: obrigado e até sempre, Presidente!
Isto não se inventa
Dá-me um especial gozo ver o argumentário de defesa a favor do Arruda, pela voz do chefe do Chega dos Açores.
Essa de tese de levar malas por engano, possibilita que nos telejornais possamos ouvir vezes sem conta a expressão “Uma mala por engano“.
“Este filho da puta…
… , ainda há-de andar a pé como eu”.
Por ocasião de um evento social, acabei por participar num grupo de comensais em que, a dada altura, alguém contou o que outrora, em finais dos anos 70, um seu professor da Faculdade lhe havia dito acerca da diferença de mentalidade entre um inglês e um português: um inglês, à porta da fábrica, vê passar o patrão de Jaguar e comenta para o seu colega “Um dia, o meu filho há-de ter um carro destes”. Pela mesma altura, um português, à porta da fábrica e ao ver chegar o patrão num Mercedes, comenta para o colega “Este filho da puta, ainda há-de andar a pé como eu”.
Lembrei-me deste episódio, quando ouvi hoje no fórum da TSF – sob o tema “Mudanças nas regras do trabalho na Função Pública” -, algumas pessoas a criticar as ditas benesses dos trabalhadores da Função Pública em relação aos trabalhadores do sector privado. E a lógica dominante era a tão costumeira lusitana cultura de nivelar por baixo. Ou seja, não ouvi ninguém a defender que as ditas benesses – que cada um enunciava – deveriam ser para todos. Deixando de ser benesses, para passarem a ser conquistas sociais, numa lógica de equidade.
Pelo contrário, a lógica dominante era que as ditas benesses acabassem. Como se tais perdas dessem alguma melhoria nas suas condições de vida, ou alguma satisfação para além de uma espécie de vingança ou de recalcamento vitorioso.
O poder político, seja ele qual for em matéria ideológica, agradece. Pois é mais fácil governar quem quer o mal dos outros, do que quem quer o melhor para si e para os seus.
Trump e circo
Enquanto se fala de Trump e do futuro negro, e das futuras pragas e desgraças l, por cá continua a morrer gente por falta de resposta do INEM.
São 11 mortes, desde 31.10.2024.
E tudo porque perante um pré-aviso de greve, ninguém cuidou de garantir serviços mínimos.
Está a morrer gente por falta de assistência urgente, e nem INEM, nem Ministra, ninguém resolve a situação.
Não há dúvida: os socialistas dominam esta merda toda.
Ouvi dizer que…
… Biden telefonou a Kamala para lhe dizer que acredita na vitória à segunda volta.
James Earl Jones – “Is his voice”
Por ocasião da cerimónia de homenagem a Sean Connery pelos seus pares, cerimónia do AFI Life Achievement Award ocorrida em 2006, uma das personalidades homenageantes foi James Earl Jones, que começou o seu elogio dizendo “Is his voice”.
Realmente, a voz de Sean Connery, o seu timbre, a sua pronúncia, são distintivos e até objecto de algum gozo (coisa que o próprio, por regra, não achava grande graça).
Recordo este episódio porquanto agora que James Earl Jones já não está fisicamente entre nós, também ele é comummente referido como possuidor de uma voz única. Qualquer interpretação sua frente às câmaras ou num palco, qualquer narração, ganhava uma dimensão de solenidade e de profundidade impossível de não ser notada e identificada.
Do drama à comédia, da ficção científica ao policial, muitos foram os estilos em que interpretou as suas personagens. Mas, para mim, a sua grande interpretação foi a de Douglass Dilman, no filme “O Homem” – uma adaptação cinematográfica da obra literária homónima do grande escritor norte-americano Irving Wallace, levada a cabo com Rod Serling.
A imensidão que representa um só homem – Douglass Dilman, o primeiro negro a tornar-se presidente dos EUA -, de Senador a Presidente, por todo um calvário de circunstâncias e das suas respectivas forças, tecido pela sua raça, pelas responsabilidades do cargo, pela sua vida privada, por todos aqueles que o rodeiam e pelo acaso, é interpretada de forma absolutamente genuína por James Earl Jones. Tão genuína, quanto a sua voz. Numa clara e perene prova da sua excelência.
A sua voz, as suas interpretações, ficarão para sempre entre nós.
RIP
O preço civilizacional
Nos últimos dias, tem sido notícia que a população portuguesa está a crescer.
Mas, passaram os casais portugueses a ter mais filhos?
Sim, houve um ligeiro aumento da natalidade. Mas, a razão principal foi que importou-se gente.
O aumento dos imigrantes trouxe o tão badalado crescimento da população, que tanto tem excitado alguns dos que, há pouco tempo – e bem -, alertavam para os perigos do decréscimo demográfico e do envelhecimento da população portuguesa.
Na verdade, não se fez nada de relevante para os casais se darem ao luxo de ter mais filhos. Ou sequer ter filhos. Aliás, nem sequer a garantia de coisas básicas como salários dignos e acesso à habitação, foi objecto de real preocupação política de quem tem governado o país ao longo de décadas.
Faltam salários, faltam habitações, faltam médicos de família, faltam enfermeiros, faltam professores, faltam funcionários, etc.
Em suma, falta cumprir uma Constituição que está a caminho dos 50 anos.
Talvez porque saia mais barato, preferiu-se importar gente.
Se essa importação vai ter consequências culturais e religiosas de fundo nas próximas décadas, quer para Portugal quer para a Europa em geral, é algo que, pelos vistos, não importa avaliar. [Read more…]
“Minha laranja amarga e doce”
“Cavalo à solta” é, para mim, uma das mais belas canções alguma vez concretizada pela genial dupla Ary dos Santos e Fernando Tordo.
A dualidade de sentimentos e perceções próprias da precária condição humana, o modo como em cada um de nós os opostos lutam e dessa luta nasce um sentido, tem uma dimensão singular nos trilhos da vida.
A dado momento, diz o genial Ary dos Santos:
“Minha laranja amarga e doce, minha espada
Poema feito de dois gumes, tudo ou nada”
Tudo isto, acompanhado pelos tons dramáticos que as notas musicais de Fernando Tordo, e a sua voz precisa e profunda, que nos levam a compreender melhor a mensagem, sem subterfúgios ou equívocos, num embalo semântico e dual.
Ali está, sem dúvidas ou ambiguidades, ou com todas elas, toda a contradição harmonizada que compõe a condição e o sentimento.
Revisitei ontem esta canção quando via os resultados eleitorais do meu meu clube, do meu Futebol Clube do Porto.
Outrora sócio, e, há muito anos anos, mero adepto, se sócio continuasse a ser, teria votado André Villas-Boas.
Mas, jamais teria comemorado tão grande derrota sofrida por Jorge Nuno Pinto da Costa. Pela simples razão que entendo que do passado se faz melhor futuro. E eu não posso esquecer as dimensões europeia e mundial que Pinto da Costa deu ao meu clube.
Foram décadas de consolidação de um modo de ser e de sentir, não apenas de um clube, mas, acima de tudo, de um modo inconformado de estar na vida de uma região e, até mesmo, de qualquer um que não se resigna.
É verdade que os últimos anos foram de desacerto e que o clube atingiu perigosos níveis de endividamento. E, não menos verdade, faltou visão e até coerência, entre princípios e acções.
E, mais ainda, faltou a aquilo que John Pappas – personagem do filme “City Hall”, interpretada por Al Pacino – denomina por “menschkeit” (um termo Yiddish que significa “the space between a handshake”: [Read more…]
Pergunta (i)nocente
Por uma questão de transparência, vai a Senhora Procuradora Geral da República comunicar ao país a identidade dos desconhecidos?








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