A mentira e o lapso

A propósito da nomeação de José Guerra para a Procuradoria da UE, ficamos a saber que ao indicar dados falsos, com vista a fundamentar a nomeação de João Guerra em detrimento de outros candidatos, pelos vistos o Governo não mentiu: cometeu lapsos.

Ainda assim, apesar dos dados falsos invocados, o Governo continua a entender que a escolha está bem feita.

É cada vez mais notório, na sociedade coeva, que uma mentira rotulada de lapso é mais um passo para que a sociedade assimile a falsidade como normal. Ou, pior, como verdade. Tal como a administração Trump tentou implementar a lógica da verdade alternativa, para transformar a mentira em factos.

Donde se conclui que, neste aspecto, não há diferença ideológica na transformação da mentira em lapso, verdade, facto ou qualquer outra coisa que vise normalizar a falsidade e torná-la impune.

Este sinistro caminho, só serve para aumentar a descrença na governação e nas instituições. Bem como para alimentar os ódios que servem de pasto para os oportunismos mais extremistas e boçais que começam a mostrar força. Que serão mentirosos, inventores de patranhas e mestres do engano e da ilusão. Mas, jamais teriam oportunidade para vencer por tais meios, se outros antes tivessem sido, pelo menos, um pouco mais sérios.

A propósito das Presidenciais

Acho curioso como há quem seja capaz de compartimentar quem vota neste ou naquele partido: no PCP votam estes, no Chega votam aqueles, no PS aqueles outros, e por aí fora.
Aquilo que fui percebendo é que os eleitorados são realidades muito mais transversais do que realidades compartimentadas.
Conheci empresários que votavam PCP e operários que votavam CDS.
Há uma mescla de gerações, de sonhos e frustrações, que torna a realidade eleitoral em algo muito mais rico do que grupos ou tendências.
No meio disto tudo, à medida que a República vai degradando-se, o chamado voto de protesto vai ganhando maior peso eleitoral.
O real e concreto perigo para a Democracia é quando o voto motivado pelo ódio e pela revolta se sobrepõe ao voto motivado pelo sonho e pela utopia.

Breve pensamento avulso sobre a corrupção

Pensamentos lapidares de uma cultura nacional que vai custar muito mudar, para se conseguir melhores níveis de exigência e, também, de conduta:

  • Rouba mas faz obra.
  • São todos iguais.
  • Todos querem mama.
  • Se estivesses lá fazias igual.
  • Se eu pudesse também comia.
  • Não vai dar em nada.

E o mais lapidar de todos:

  • Estou-me a cagar.

Mudar isto é o grande desafio, pois não bastam leis. É preciso gente com vontade e com poder para o fazer.

Até lá, resta o estado de alerta reactivo da sociedade civil.

O estranho caso de Ihor Homeniúk

A morte de um ser humano em Portugal sob tortura perpetrada pelo Estado português, seria, não há muito tempo, razão para um escândalo de contundente repercussão política.

Todavia, o que se assistiu foi a uma brandura de tratamento, transversal a toda a sociedade portuguesa.

Até a página da Amnistia Internacional  Portugal, não deu grande relevo a semelhante crime ignóbil (o nome de Ihor Homeniúke é apenas referido num texto recente).

Isto numa sociedade como a portuguesa, marcada, fortemente, por valores humanistas que fazem de nós, enquanto povo, gente com repulsa pela violação da dignidade humana, gente solidária e predisposta a acudir.

Além da habitual “exigência” de “apuramento de responsabilidades”, pouco mais ou mesmo nada a dita sociedade civil e as organizações políticas em geral exigiram sobre algo que deveria ter causado engulho e revolta.

Quando, recentemente, as rede sociais começaram a movimentarem-se na demanda por explicações, aos poucos lá começaram a aparecer algumas reacções.

Começou-se, então, a construir na comunicação social a ideia de que o que se passou com Ihor Homeniúk é um problema de procedimentos do SEF.

Uma bela forma de transformar um homicídio numa mera relação de causa/efeito. [Read more…]

Compulsões

OMS avisa que a Europa pode enfrentar uma segunda vaga letal de covid-19 a partir do Outono”

Hans Kluge recomendou que os países europeus que estão a começar a levantar as restrições de circulação e actividade económica olhem para os exemplos de Singapura e do Japão, queentenderam desde cedo que este não é o momento para celebrações, mas sim um momento para preparativos”.

Ninguém previu que esta segunda vaga surgisse tão cedo

Marcelo deu o exemplo e garante que há vacinas da gripe para todos

DGS garante que não há racionamento da vacina da gripe

DGS alerta que vacina da gripe não chegará para todos devido à elevada procura

 

É notória a tendência compulsiva que esta coligação Governo/PR tem pela mentira.

Claro está que se pode sempre contra-argumentar que todos os Governos mentem.

A questão é como essa mentira é lidada pelos instrumentos de controlo de poder e de contra-poder.

E aqui reside o maior perigo dos efeitos da mentira: a impunidade que a legitima.

Foi prometida uma vacina da gripe, que afinal não chegará sequer a todos os que fazem parte do grupo de risco. Repare-se que a DGS fala que chegará “à maioria as pessoas de grupos de risco”. Ou seja, nem sequer todos os que pertencem aos grupos de risco, serão vacinados.

E a desculpa é que houve um demanda por vacinas superior ao previsto.

Como se as mesmas, não fossem receitadas por indicações expressas da DGS e do Ministério da Saúde. Pois que não se compram vacinas, como quem compra máscaras no hiper.

Na Primavera e no Verão, não faltaram alertas sobre a necessidade de preparação para a segunda vaga que chegaria no Outono. Foi, inclusivamente pela voz de Hans Kluge que é nada mais nada menos do que o Director Regional para a Europa da OMS.

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Informação versus Democracia

Não sou muito dado a teorias da conspiração, embora algumas façam pensar e outras sejam de uma criatividade digna de apreço.

Todavia, é interessante o facto da notícia da vacina da Pfizer, ter surgido logo após a confirmação de Biden como vencedor das eleições presidenciais dos EUA.

A tal vacina que Trump garantiu que iria surgir em breve, e que muita gente, na qual me incluo, gozou e zombou. E isso, não porque não se queria a vacina o quanto antes. Mas, pelo facto de que a palavra de Trump, por inegável mérito próprio, tinha o mesmo crédito do Pastorinho Pedro da fábula atribuída a Esopo.

É razoável pensar que se esta notícia tivesse surgido ainda durante a campanha eleitoral, Trump teria ganho uma credibilidade potenciadora de uma vitória, face à importância que teve na decisão dos eleitores, a gestão que a Casa Branca fez da pandemia.

Trump iria conseguir algo inaudito: credibilidade científica.

O mesmo Trump que zombou da ciência quanto lhe apeteceu, desde as alterações climáticas até ao uso da máscara.

Não seria de espantar, que a indústria farmacêutica tivesse decidido dar uma mãozita, ao derrube de um presidente que passou grande tempo do seu mandato num exercício de escárnio e mal-dizer, em relação à ciência e à comunidade científica. Num contínuo e execrável esforço de descredibilização, como foi seu apanágio.

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E dizem-se democratas

Está fácil de ver que a solução apresentada pelo Governo para “achatar a curva”, é limitar-nos a liberdade.

Isto quando a curva chegou onde chegou, e o SNS abeirou-se da ruptura, porque o Governo não fez o que lhe competia e permitiu o que não devia.

Milhões terão de ficar em casa, para que umas dezenas de milhar pudessem fazer aquilo que queriam.

Milhões terão de ficar em casa, porque a economia tinha que trabalhar, ao ponto dos hotéis poderem exibir o selo “Clean & Safe” com base em mera declaração de compromisso dos donos, e não numa efectiva avaliação técnica. E as praias tinham semáforos, mas se estivesse vermelho, podia-se ir na mesma.

Não houve uma única campanha nacional de sensibilização digna desse nome. Num país em que constantemente se juntam cantores, actores e afins, em campanhas solidárias. Algo para o que esta pandemia, pelos vistos, não teve dignidade suficiente.

Só tivemos direito às constantes conferências de imprensa a debitar números, por entre disparates que uma DGS, claramente inapta para o cargo, lá ia dizendo por entre a estatística.

Ficam na memória as máscaras que davam uma falsa sensação de segurança, e a desnecessidade de distanciamento nos aviões porque as pessoas vão a olhar para a frente.

O SNS está à beira da ruptura, porque, contrariando os apelos dos médicos que estavam no terreno, o Governo não aproveitou a Primavera e o Verão para reforçar os hospitais com recursos humanos nas valências mais sensíveis como a dos cuidados intensivos.

Descurou a segunda vaga, que há meses que a comunidade científica, nacional e internacional, avisou que ia chegar. Mas que pelo vistos o PM nunca ouviu falar, a avaliar pela entrevista que hoje deu a Miguel Sousa Tavares.

Ao contrário, foi-se pelo mais barato: mandar sms para quem tinha consultas agendadas, a desmarcar e a dizer para não ir ao hospital nem sequer telefonar. E, mais tarde umas sms a disponibilizar apoio psicológico gratuito. Enquanto consultas, rastreios, tratamentos e cirurgias eram desmarcados por todo o país.

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Pior do que o cego…

Estamos, diariamente, a assistir à destruição de qualquer resquício de ética republicana que pudesse ainda existir. E, pior, as perspectivas de tal ser travado estão completamente fora de hipótese, a avaliar pela postura dos partidos com representação parlamentar que, em teoria, poderiam fazer algum tipo de diferença.

Desde logo, temos um Presidente da República (doravante PR, pois não merece mais do que uma sigla), que está transformado num autêntico porta-voz propagandista do Governo e da sua agenda. E que todos os dias nos aparece na televisão a vender a política do governo, seja de fato e gravata, seja de calção de banho.

Da mesma forma que cria, conjuntamente com o Governo, um conveniente princípio de não recondução nos cargos, com que justifica a não recondução da incómoda Procurador Geral da República, Joana Marques Vidal e, recentemente, do também incómodo Presidente do Tribunal de Contas, Vítor Caldeira.

Houvesse um mínimo de coerência, e o PR, para dar o exemplo da regra por si defendida, não se recandidatava.

Mas, há mais.

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Magia

Truque de ilusão
Em cada dia
Com o meu coração
Fazes magia”

Mais um tema.

Até que voltes para mim

Continuando, o tema que se segue:

Flor de sal

Vem para a rua

Que a vida é partilha universal

Vem para a luta

Munido de amor e flor de sal

É o tema que se segue.

Carrossel

Fomos uma das mais de 200 candidaturas de livre submissão para o Festival da Canção 2019.
Infelizmente, o nosso tema não foi o eleito.
Paciência, para o ano há mais.
Aqui está o tema: “Carrossel”.

I am betting all on you

Seguimos com mais um tema.

Miúda dos olhos azuis

É o tema que se segue, a juntar aos outros.

Caminho

“Não temos medo do caminho

Somos dois, ninguém está sozinho”

Mais um tema:

 

Vampiro

De volta, com novo tema: “Vampiro”.

Todos falam (que chegamos ao fim)

É o tema que se segue.

The Queen is dead, long live the Queen: Aretha Franklin (1942-2018)

Mais um tema…

… desta vez em dueto com Beatriz Silva, intitulado “Pára por favor”.

É já tempo

Segue mais um tema, desta vez “É já tempo”.

E assim fiz esta canção

Mais um tema que se segue.

Eu digo sim (Tu dizes não)

Continuando a divulgação, desta vez com o tema “Eu digo sim (Tu dizes não)”.

Ei!

Mais um tema, desta vez intitulado “Ei!”.

Conta com a participação especial de um agapornis de seu nome “Piupiu”.

A vida é sempre minimal

Continuando a divulgar, temos hoje o vídeo do tema “A vida é sempre minimal”.

 

És tu

Este é o primeiro vídeo do projecto musical que tenho em mãos.

Trata-se de uma mudança algo radical do que costuma (ou costumava) ser o âmbito das minhas publicações, mas, sinceramente, já estou cansado das agendas mediáticas e das conjunturas.

Feliz Dia da Mãe.

Sugestão

Tem sido um sucessivo fracasso aproximar os cidadãos da política e dos partidos políticos.

Por isso, aqui vai uma sugestão.

Que tal fazer o contrário e aproximar os partidos políticos da realidade do cidadão e da generalidade das empresas, e acabar com as isenções de impostos de que beneficiam e, também, pô-los a pagar taxas de justiça e custas judiciais?

Talvez, assim, sempre que viessem falar das dificuldades do povo e do custo de vida, de como a justiça é cara, e outras coisas do género, soasse um pouco melhor.

É só uma sugestão.

Entretanto: Bom Ano Novo!

Eles estão de volta…

… ainda que em formato aligeirado: Fátima, Futebol e Festival.

Sim, em tempos de geringonça tudo é possível.

Enfim

Fala-se tanto na defesa da língua portuguesa como sendo uma das dez mais faladas em todo o mundo, na importância de valorizar a CPLP, na alma lusa, em Camões e Pessoa, usam-se cachecóis com as cores nacionais, canta-se o hino, grita-se “Portugal” e apregoa-se o fado e a saudade.

Mas, no fim de contas, lá temos o Primeiro-ministro português a falar em castelhano numa entrevista a um jornal espanhol.

Não fosse ser tão triste, seria de rir.

That`s why Donald is a Trap

A eleição de Donald Trump é, até pela extensão do significado que tem além fronteiras dos EUA, matéria para todos os receios.

Todavia, convém não esquecer que Trump foi eleito e pelo mesmo sistema eleitoral que antes elegera Obama e, antes deste, Bush Jr., e antes deste, Bill Clinton, etc.

Continuo convencido que a eleição de Trump também se deveu, e muito, a uma  má escolha chamada Hillary Clinton. Fosse o adversário Bernie Sanders, e estou em crer que Trump não estaria na Casa Branca.

Mas foi como foi, e deu no que deu. E Trump o que está a fazer é nada mais do que tentar cumprir o que prometeu. E espero que continue a tentar (mas sem conseguir). Pela simples razão que quanto mais tentar cumprir o que prometeu, mais norte-americanos perceberão o erro que foi elegê-lo. E nestes incluo empresários e banqueiros, que não querem arriscar o fim do multilateralismo comercial e financeiro de que depende fortemente a economia norte-americana e o próprio dólar. Para não falar do mal-estar das relações entre os EUA e seus aliados e parceiros económicos, como é o caso do México e da Austrália, que só prejudica os negócios. Bem como com um dos seus maiores credores internacionais: a China. [Read more…]

Este é um bom motivo…

… como qualquer outro, para tornar a esta casa: desvendar um mito.

Sim, é verdade: o Sábado-feira existe!

 

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