A OPA à Cimpor

Os accionistas não se entendem, tal como não se entenderam no BCP com as consequências conhecidas. É, pois, natural que se jogue o livre jogo do mercado, como eles gostam tanto de dizer quando lhes interessa e dá dinheiro.

Mas a ladaínha de sempre, logo veio politizar a questão, que é e devia permanecer empresarial, num mercado livre e concorrencial. Vão à Bolsa buscar milhões e ganhar milhões mas deviam aceitar que onde há regras as deviam cumprir. Há ou não gente interessada no preço oferecido pelos empresários brasileiros? Vendem?

Mas não, quando se agita a hipótese da “árvore das patacas” fugir ao controlo, logo se começa a gritar pela necessidade de os centros de decisão económica ficarem nas mãos de portugueses! E como se impede que uma OPA não tenha êxito? Ou por uma “golden” qualquer coisa que o governo tira do baralho ou alguem vai perder dinheiro, porque se não vende por um preço que lhe interessa, alguem o vai compensar mais tarde.

Na OPA da Sonae sobre a PT alguns dos “playeres” eram os mesmos, muito dinheiro dos bancos, especialmente da CGD o que à partida dá uma série de argumentos ao governo, pois há muito dinheiro alinhado, é fácil impedir a OPA por maioria de accionistas que não vendem.

A Cimpor, num país sem indústria, é muito importante, porque é uma empresa de sucesso, a estratégia de gestão de crescimento e de internacionalização tem obtido bons resultados, apesar dos accionistas não se entenderem.

Mas ter accionistas brasileiros impede a boa “performance” da empresa? É um negócio de quatro mil milhões de euros que mais uma vez está nas mãos do governo, apesar das duas empresas interessadas directamente, serem privadas.

Daqui a uns tempos todos vamos conhecer os negócios “finos” que o governo protegeu.

O pântano socialista

Armando Vara foi despedido do governo pelo Presidente Sampaio, devido às embrulhadas na Fundação rodoviária, ou coisa que o valha, que no fundo era uma forma de utilizar dinheiros públicos sem o controlo administrativo do Estado.

 

Teve como prémio ir para a Administração da Caixa Geral de Depósitos, que é controlada a 100% pelo Estado, logo quem o lá colocou foram os amigos do governo. Vara ,até se mostrou muito ufano quando foi à Assembleia Geral da PT, accionar a golden share do Estado para impedir a OPA da Sonae.

 

Quando passou para administrador do BCP, banco privado, mas caso único no mundo,onde o governo coloca os seus homens de mão, Vara passou a ser um banqueiro privado. É, pois, como privado que Vara terá cometido os deslizes. Pressão sobre os governantes para decidirem a favor de quem lhe pagaria as comissões.

 

Mas, pergunto eu, este trabalho não é trabalho de banqueiro, fazer render os seus conhecimentos pessoais para favorecer um cliente? Onde acaba a intermediação e começa a corrupção?

 

Este exercício é só para mostrar como o governo se vai enforcando na teia que vem tecendo. Qualquer negócio neste país passa pelo gabinete do primeiro ministro, onde reside o poder, que transforma concursos públicos em ajustes directos que vão direitinhos para as empresas amigas. E porque são empresas amigas?

 

Em que são diferentes estes negócios, estas adjudicações, do ajuste directo dos Contentores de Alcântara? Em que o próprio Tribunal de Contas vem dizer que o interesse do Estado não foi acautelado?

 

São precisas escutas?