O Brasil em Lisboa


No verão e antes da praia, os passeios fazem-se à beira Tejo, aproveitando para conhecer melhor as magníficas perspectivas que a cidade de Lisboa apresenta quando é vista do sempre esquecido, ou desprezado rio. Para oriente, as decrépitas edificações que a gente da Câmara Municipal quer alienar em benefício do betão dos condomínios estrangulados por rodoviárias e carris de um indesejado TGV que qual charrua, arará várias léguas de terra construída há séculos. Pouco importará a liquidação de Xabregas e antigos vales pontilhados de quintas onde ainda se descobrem palácios que viram dramas familiares e festas de estalo. Para os senhores do momento, as festas são outros e os estalos, esses, merecê-los-iam nas suas luzidias faces.

Para ocidente, as antigas glórias da expansão. Dúzias e dúzias de vezes os mesmos percursos, e os mesmos edifícios onde há sempre algo de novo que pensei jamais ter visto.

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A OPA à Cimpor

Os accionistas não se entendem, tal como não se entenderam no BCP com as consequências conhecidas. É, pois, natural que se jogue o livre jogo do mercado, como eles gostam tanto de dizer quando lhes interessa e dá dinheiro.

Mas a ladaínha de sempre, logo veio politizar a questão, que é e devia permanecer empresarial, num mercado livre e concorrencial. Vão à Bolsa buscar milhões e ganhar milhões mas deviam aceitar que onde há regras as deviam cumprir. Há ou não gente interessada no preço oferecido pelos empresários brasileiros? Vendem?

Mas não, quando se agita a hipótese da “árvore das patacas” fugir ao controlo, logo se começa a gritar pela necessidade de os centros de decisão económica ficarem nas mãos de portugueses! E como se impede que uma OPA não tenha êxito? Ou por uma “golden” qualquer coisa que o governo tira do baralho ou alguem vai perder dinheiro, porque se não vende por um preço que lhe interessa, alguem o vai compensar mais tarde.

Na OPA da Sonae sobre a PT alguns dos “playeres” eram os mesmos, muito dinheiro dos bancos, especialmente da CGD o que à partida dá uma série de argumentos ao governo, pois há muito dinheiro alinhado, é fácil impedir a OPA por maioria de accionistas que não vendem.

A Cimpor, num país sem indústria, é muito importante, porque é uma empresa de sucesso, a estratégia de gestão de crescimento e de internacionalização tem obtido bons resultados, apesar dos accionistas não se entenderem.

Mas ter accionistas brasileiros impede a boa “performance” da empresa? É um negócio de quatro mil milhões de euros que mais uma vez está nas mãos do governo, apesar das duas empresas interessadas directamente, serem privadas.

Daqui a uns tempos todos vamos conhecer os negócios “finos” que o governo protegeu.