Bolsonaro bolça

O extraordinário conselheiro Acácio, uma vacuidade do tamanho de Cavaco Silva, nunca empregava palavras vulgares, o que o levava a substituir “vomitar” por “restituir”.

Nós, nos dias que correm disfémicos, usamos palavras ainda piores que “vomitar”, que o léxico está cheio de brutalidades e o humor não pode ser apenas inteligente e refinado.

Todas as palavras e expressões que se referem a funções excretórias mais ou menos voluntárias têm servido de metáfora para designar actos ou palavras dignos de compaixão ou de repulsa moral. Lembre-se, por exemplo, uma frase como “Já fiz merda!”, que não se refere ao acto de defecar.

Nos últimos dias, a propósito de afirmações de Jair Bolsonaro, muitas delas infelizes, para usar um larguíssimo eufemismo, as redes sociais têm recorrido à metáfora “bolçar”, a propósito do conteúdo do discurso. Demasiadas vezes, a ortografia tem fugido para um “bolsar” homófono mas errado, como poderão confirmar os que seguirem as ligações.

É certo que Bolsonaro só diz merda, vomita pus, mas não é caso para esconder o cê e a cedilha, sem a qual o caçador não poderia ir à caça, antes indo à procura daquilo que sai da boca do, pelos vistos, futuro Presidente do Brasil.