Bolsominions sadomasoquistas

A esmagadora maioria dos imigrantes brasileiros em Portugal votou no candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

A esmagadora maioria dos imigrantes brasileiros em Portugal, sujeitos a décadas de violentos insultos, preconceito e estereotipação, votou num tipo que se refere a migrantes de países pobres como “escória do mundo”.

Será que eles compreendem que, caso Portugal caísse no erro de eleger um troglodita como Bolsonaro, o risco de serem quase todos perseguidos e/ou corridos daqui disparava de forma vertiginosa?

Ou será que a propaganda do fascista lhes esvaziou o cérebro?

Em todo o caso, seria boa ideia espreitarem as simpáticas mensagens que o PNR lhes vai dedicando. Assim, já ficam a perceber com o que contam e no que votaram.

Bolsonaro bolça

O extraordinário conselheiro Acácio, uma vacuidade do tamanho de Cavaco Silva, nunca empregava palavras vulgares, o que o levava a substituir “vomitar” por “restituir”.

Nós, nos dias que correm disfémicos, usamos palavras ainda piores que “vomitar”, que o léxico está cheio de brutalidades e o humor não pode ser apenas inteligente e refinado.

Todas as palavras e expressões que se referem a funções excretórias mais ou menos voluntárias têm servido de metáfora para designar actos ou palavras dignos de compaixão ou de repulsa moral. Lembre-se, por exemplo, uma frase como “Já fiz merda!”, que não se refere ao acto de defecar.

Nos últimos dias, a propósito de afirmações de Jair Bolsonaro, muitas delas infelizes, para usar um larguíssimo eufemismo, as redes sociais têm recorrido à metáfora “bolçar”, a propósito do conteúdo do discurso. Demasiadas vezes, a ortografia tem fugido para um “bolsar” homófono mas errado, como poderão confirmar os que seguirem as ligações.

É certo que Bolsonaro só diz merda, vomita pus, mas não é caso para esconder o cê e a cedilha, sem a qual o caçador não poderia ir à caça, antes indo à procura daquilo que sai da boca do, pelos vistos, futuro Presidente do Brasil.

Fazer regressar a poesia ao Brasil

Rui Correia

Escutava com muita atenção hoje na tsf um homem a perorar contra a esquerda do Brasil. Dizia que foi a esquerda quem levou o país à ruína. Falou de corrupção.

Não foi, não.

O que fez e faz com que tantos países adiram agora aos extremismos ultranacionalistas de direita (SVP na Suiça, o PPD dinamarquês, o Finns da Finlândia, Norbert Hofer na Áustria, Geert Wilders na Holanda, Le Pen, Mateusz Morawiecki na Polónia, Orban na Hungria, Trump, Bolsonaro…) não é, nunca foi, a corrupção.

Foi algo muito mais potente do que a corrupção.

O que põe o Brasil nas mãos de um alucinado é a aflição de não haver esperança num futuro melhor. A poesia como espécie em extinção.

Sempre existiu uma forma simples de esmagar o ultranacionalismo como impostura vigarista e barata que sempre foi e é.

A solução esteve sempre em saber escutar com atenção aqueles que agora chamamos “descontentes”, eufemismo horrível.

A única forma de parar com os “descontentes”, é perceber o que põe “descontentes” os “descontentes”. E o que os põe “descontentes” é – será sempre – o mesmo de sempre. [Read more…]

Boa sorte, Brasil!

 
Hoje, Alexandre Frota, que protagonizou vários filmes de pornografia gay, foi eleito deputado federal pelo PSL, o partido do mesmo Bolsonaro que anda há anos a demonizar os homossexuais. Do mesmo Bolsonaro que prefere ver o filho gay morto.

Edir Macedo e Jair Bolsonaro: o fundamentalismo religioso apoia o regresso da ditadura ao Brasil

Edir Macedo, o ayatollah criminoso que lidera Igreja Universal do Reino de Deus, declarou o seu apoio a Jair Bolsonaro. Já se sabia que a IURD é manipuladora, que se alimenta da instrumentalização da ignorância e da exploração dos seus fiéis, comandada por uma elite opulenta que vive o mais longe possível dos desgraçados que extorque, mas esta oposição à democracia e este alinhamento com a violência, com a tortura e com a discriminação, com o racismo e com a misoginia revelam uma faceta que eu não lhes conhecia, apesar de não ter ficado minimamente surpreendido. Nada como uma ditadura violenta “abençoada” por Jesus. [Read more…]

O Brasil quer mesmo uma ditadura?

Jair Bolsonaro não é homem de rodeios. Diz ao que vem, com todas as letras, de forma tão cristalina que ninguém pode alegar não saber ao que vai. Votar Bolsonaro significa votar num regime que discrimina e persegue com base na cor, no género, na orientação sexual ou na ideologia politica. Um regime que defende a tortura, a pena capital, a morte de inocentes como meio para uma estranha forma de ordem social e a posse generalizada de armas de fogo. Que promove a desinformação, o ódio e a rejeição da laicidade do Estado, cruzada que partilha com as seitas evangélicas que exploram, sem vergonha ou escrúpulos, milhões de brasileiros. Que é partidário da violência, da censura e de todas as outras formas de repressão. Votar Bolsonaro, é votar na instauração de uma ditadura. É votar para não mais votar. [Read more…]

Um troglodita chamado Jair Bolsonaro

Como as eleições brasileiras vão chamar a atenção do mundo (III)

Por CHICO JUNIOR

continuação daqui

Agendadas para outubro deste ano, as eleições no Brasil vão permitir que o povo brasileiro escolha candidatos para os cargos de Presidente, Senadores, Deputados Federais, Governador e Deputados Estaduais. Os três primeiros cargos estão relacionados à esfera federal, os seguintes se referem às unidades que compõem a Federação. A Presidência da República é o mais alto posto e recebe maior atenção por ser lugar onde os olhares dos demais países se deitam. Dentre os mais bem cotados e conhecidos a disputar a vaga estão a ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ex-governador de São Paulo, José Serra, e a ex-senadora do Acre, Marina Silva – todos afastados dos respectivos cargos para darem andamento a candidaturas, oficializadas recentemente.

Além da responsabilidade de comandar o Poder Executivo de uma nação emergente que conquista espaço geopolítico e econômico, quem vencer as eleições presidências precisará tratar de complicadas questões internas e externas. Internamente, uma delas é a de obter base política no Legislativo a fim de conseguir a chamada governabilidade do País. Em outras palavras, é preciso oferecer cargos e outras benesses para que os projetos do Governo sejam aprovados no Parlamento. Em 2002, quando tomou posse, o Presidente Lula enfrentou uma situação desta ordem e foi nela (ou dela) que se originou o escândalo denominado por Mensalão – uma espécie de benefício financeiro dado aos parlamentares para votar a favor das propostas da presidência. [Read more…]