S. João Baptista

cafe s cruz - coimbra

Milagre fotográfico ocorrido aos 7 dias de Março de 2014 no Café S. Cruz, em tempos igreja de S. João Baptista de S. Cruz, e do qual fui mero intermediário.

O Café S. Cruz faz 90 anos

Deve estar dado como demodé ter um café, esses simpáticos estabelecimentos que em séculos mudaram o mundo.  Como por aqui já narrei ainda sou cliente principalmente de um, o mui distinto Café S. Cruz que hoje perfaz 90 anitos, coisa pouca, o edifício vai a caminho dos 500 e é monumento nacional.

Em tempos idos, perante a necessidade de escolher um edifício quinhentista para um trabalho académico, e andando com pouca vontade de defrontar as eternas dificuldades de uma igreja aberta ao culto, locais onde nunca foi consumidor, optei por este, complicado, fui avisado por quem sabia e mais sabe do assunto, mas até eu olhando muitas vezes para as mesmas paredes consigo encontrar qualquer coisa que justifique a nota. Não me dei mal. Mais tarde, e porque gosto pouco da ciência em circuito fechado, cravei uns amigos e chegámos à um livrito, a ideia era tê-lo ali à disposição dos visitantes que chegam, dizem Ah! isto parece uma igreja, e foi mesmo.

A coisa correu mal, a vereação da câmara achou que o café que a serve (e é propriedade do município) não valia uns tostões investidos em livros (investidos, a proposta foi que garantissem a compra de alguns exemplares da brochura, baratucha, oferecem coisa bem piores quando recebem alguém), e ficou o ficheiro.

Hoje é um bom dia para oferecer o texto a quem o queira ler. Teria uns acrescentos para lhe colocar mas fica assim, como estava em 1999. Detalhes técnicos à parte a história tem a sua graça, e continua deturpada por aí, a começar pela página oficial dos monumentos, já foram avisados há muito tempo, sem efeito.

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Sr. Alexandre do Santa Cruz, volte sempre

Pelos finais da década de 1970 era rotina nos cafés de Coimbra sermos tratados como hoje se lida com qualquer sem abrigo. As mesadas eram curtas, a cerveja mesmo assim muita e sobretudo a cidade ainda não tinha descoberto o seu caminho para capital dos putos bêbados.

Um dia entrei no vizinho Café S. Cruz, lugar com famas várias não me sendo nenhuma simpática muito por todos os contrários e ocorreu um fenómeno: vindos de outro planeta os finos chegavam pela mão de um empregado que me tratava por você e quando lhe paguei ainda disse obrigado.  Avisei os amigos e fizemos uma expedição. Seria um trabalhador solicitando seu próprio despedimento?

Não era. O próprio patrão tinha esse modo alienígena de lidar connosco como se fôssemos clientes, isto é, pessoas. Atrás do balcão, o sr. Alexandre, patronato do Inácio Cidade, o tal empregado e um dos grandes homens que também me ensinou a sê-lo, do Hugo, do Pinto e do Costa, na pior das hipóteses sugeria educada e discretamente que estávamos a incomodar os vizinhos da mesa ao lado, nos dias em que a coisa nos estava a correr biericamente melhor.

O Café Santa Cruz ganhou clientes para o resto das nossas vidas e nem havia necessidade: não há café mais belo no mundo do que este onde agora escrevo, num pc emprestado pela casa, depois de saber que Alexandre Silva Marques, o homem que vindo de Moçambique em 74 tomou conta desta casa na altura mais que queimada (era entre outros descalabros comerciais o poiso dos pides, dos homossexuais e dos unionistas, concorrendo enquanto café com brasileiras e arcádias de outras clientelas, estabelecimentos no entretanto extintos) deixou de respirar o ar da terra onde habitamos. Poucas vezes e tão discretamente me dei tão bem com um homem tão distante de mim em tanta coisa, como me continuo a dar com os seus familiares. Obrigado por tudo e volte sempre, hoje sr. Alexandre, sou eu a dizer.