Coimbra, maré baixa

Quando era professor na E.S. Jaime Cortesão, dizia que tinha o privilégio de trabalhar num monumento e ter o melhor pátio de recreio que podia desejar, a Baixa de Coimbra. Já nos meus tempos de estudante e durante muitos anos foi a minha “sala de estar”, como a de muitos amigos. Os cafés e esplanadas – onde todos éramos democraticamente promovidos a doutores a partir dos dezoito anos – , onde as palavras voavam livres e aprendíamos mais que nos bancos da Universidade – e, por vezes, os mestres eram os mesmos -, mesmo em frente da porta de algumas das melhores livrarias do país, os livros lidos à sombra benévola dos velhos prédios da Ferreira Borges e da Visconde da Luz – “Faltou a luz na rua Visconde da mesma”, lembram-se? -, às vezes encadernados para não despertar curiosidades duvidosas, o copo e o petisco num daqueles lugares que talvez não passasse hoje numa vistoria da ASAE, enfim, um habitat propício ao desenvolvimento mental da espécie. Tudo quanto foi importante, passou por ali: manifestações, lutas, festas, vida, enfim. Até há não muito tempo.

Baixa de Coimbra, Maio de 2018 (foto: jmc)

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Isabel de Aragão

A minha cidade festeja agora Isabel de Aragão à qual concedeu a condição de padroeira com o título de Rainha Santa. Das coisas do céu e da santidade, nada tenho a dizer, senão que respeito os meus concidadãos que nelas crêem. Porém, queria aqui confessar, com a humildade de quem muito ignora, que nunca me entendi com esta necessidade de, para elevar uma personagem feminina, lhe atribuir dotes sobrenaturais. Como se fosse estranho que a história de uma grande mulher – que indiscutivelmente Isabel foi – só fosse compreensível – digo mesmo, suportável -elevando-a à santidade e nesta lhe subsumindo a humanidade.

Isabel de Aragão foi uma mulher de dotes invulgares. Invulgarmente culta para o tempo – pelo menos tanto como o seu ilustre marido – foi firme, inteligente e hábil na sua acção política, diplomática e social, tal como foi sagaz e competente na administração das suas inúmeras propriedades. Interveio sem tibiezas, sem meias-tintas, escolhendo causas, mesmo que isso implicasse tomar partido na luta entre D. Dinis e seu filho, o futuro Afonso IV, coisa que fez de modo muito mais assertivo do que contam as piedosas lendas da doce esposa e mãe que, num burrinho, se interpõe entre as hostes de pai e filho. Com ela, aprendemos que bondade não é tepidez, que a coragem tem muitos rostos. [Read more…]

Inaceitável e imperdoável

Ao longo dos 7 anos em que estudei na Universidade de Coimbra, duas das múltiplas virtudes que a Universidade me fez adquirir para a minha vida foi o respeito por todos os credos e a dotação de uma forma de pensar personalizada, aberta e urbana. Não tenho nada nem nunca tive nada contra as pessoas que elencaram (e ainda elencam;sei que algumas das pessoas que praticaram estes crimes ainda fazem parte da minha geração universitária) as Repúblicas e o Conselho de Repúblicas. Antes pelo contrário. Dormi em várias repúblicas da cidade ao longo de 7 anos, fui comensal de uma, tenho amigos em várias assim como participei em diversas febradas, almoços, jantares e centenários de várias. Fui até mais longe em determinadas situações, entrando directamente nas causas das Repúblicas sem nunca ter sido repúblico quando abracei a causa particular que foi aberta pela nova Lei do Arrendamento Urbano e quando tentei ajudar o pessoal do Solar dos Estudantes Açorianos a ver o seu problema de esgotos e canalizações resolvido junto da Câmara Municipal de Coimbra. [Read more…]

O caso dramático do Liceu José Falcão em Coimbra

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Crateras na parede, fileiras de moisaco partido, fios eléctricos descarnados saídos das paredes da escola, vidros partidos, humidade por todo o lado, o piso do ginásio com falhas perigosas que podem provocar lesões aos jovens no decorrer das aulas de educação física, baldes em todos os cantos para recolher a água da chuva, em todos os cantos, inclusive nas salas de aulas, onde os alunos já são obrigados a levar mantas para se poderem aquecer. Este poderia ser o exemplo de uma escola num país de terceiro mundo ou a passar por uma guerra, mas não, é a realidade de uma escola quase bicentenária situada em pleno coração da cidade de Coimbra, onde estudaram personalidades ilustres da história deste país como Teófilo Braga, Almada Negreiros, Eça de Queirós, António Almeida Santos, Jaime Cortesão, Zeca Afonso, Eugénio de Castro, Carlos Da Mota Pinto, Bissaya Barreto, Vitorino Nemésio, Miguel Torga ou Rómulo de Carvalho.

Uma autêntica vergonha, escondida pelo Parque Escolar, com todas as suas virtudes e fracassos, que ameaça seriamente o ensino público na cidade de Coimbra e que não é mais do que, possivelmente, um pretexto para se fechar de uma vez por todas a escola e obrigar os cidadãos a procurar a vasta oferta privada que existe na cidade.

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Convite

Finalmente, e após alguma hesitação – por, eventualmente, não acreditarem que tudo isto fosse possível – os dirigentes e quadros superiores de Silicon Valley – e alguns dos mais importantes são refugiados ou filhos de refugiados, como o era próprio Steve Jobs – perderam a cabeça com Trump, resolvendo enfrentar o energúmeno. Espero que tenham sucesso. Mas em caso de vos faltar a paciência, caros nerds, podem vir aqui para Coimbra, onde temos o Canas Valley e uns petiscos que vos vão agarrar cá à terra que nem carrapatos. E se já sois criativos alimentados a fast-food e coca-cola, com uma boa chanfana, um leitão à Bairrada e uma lampreia feita a preceito, com um pastelinho de Tentúgal de sobremesa – e tudo isto acompanhado de umas boas pingas da Bairrada – a vossa imaginação e criatividade levantará voo para alturas inimagináveis. [Read more…]

Ajustes directos à lupa – Coimbra

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Coimbra tem mais encanto na hora… do ajuste.

Chegou a hora da bela cidade dos estudantes, Coimbra. São mais de 130 milhões de euros em ajustes directos por parte da Câmara Municipal sem contar com empresas municipais ou participadas.

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O Professor hoje e os desafios de amanhã (iii)

No encontro de Professores organizado pela FENPROF estiveram também David Rodrigues e Licínio Lima.

David Rodrigues reflectiu sobre o  Desafio da Inclusão.

 

Licínio Lima, por sua vez, apresentou uma comunicação sobre o Desafio da Democratização da Escola.

O Professor hoje e os desafios de amanhã (ii)

A segunda parte da intervenção de António Sampaio da Nóvoa, no seminário organizado pela FENPROF, em Coimbra, por ocasião do Dia Mundial dos Professores.

O Professor hoje e os desafios de amanhã

A FENPROF organizou na passada sexta-feira um encontro em Coimbra onde a Educação esteve no centro da reflexão. Trago, neste dia especial para o Aventar. Neste dia em que um de Nós partiu. Neste dia em que um de Coimbra partiu. Neste dia em que um Professor partiu, nada melhor do que celebrar  a sua memória, trazendo até si, caro leitor, as intervenções de António Sampaio da Nóvoa, de Licínio Lima e de David Rodrigues.

Contigo sempre junto de Nós, amigo JJC, vamos continuar, porque nada substitui um bom professor!

Manifesto a favor da livre escolha

Augusto Nogueira

De repente, perante as aleivosias e sandices, os ressabiamentos e os extremismos que eu julgava estarem ultrapassados na nossa sociedade,
decidi publicar uma brincadeira que escrevi no outro dia. É o…

MANIFESTO A FAVOR DA LIVRE ESCOLHA PORQUE eu sou eu…e escolho a Escola do meu Filho!

Porque quero ter direitos de escolhas, faça-se a minha vontade! Ámen, Senhor! “Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha…”
Quero ter o direito a ter o direito de escolher …pois eu não sou eu?

Muitos, por aí, “ com olhos doces” e “palavras melífluas”, dizem que temos direito a escolher a educação dos filhos…
Têm toda razão! Assino! A educação são os pais que a dão aos filhos e cada pai escolhe a educação que lhe aprouver … em casa, quando começam a transmitir os primeiros valores e princípios que vão reger os filhos durante a vida…
Que raio! Estes valores, estes princípios, a moral, a religião, o clube e tutti quanti, afinal, são educação ou imposição?
E a criança cujo pai vive na direitolândia ?! Escolheu o pai, a mãe, os irmãos, os tios, os avós, os primos, a religião, a casa, a rua, o país, o planeta…?

Porque eu sou eu e o mundo gira à minha volta.
Porque quero ter direitos de escolhas, faça-se a minha vontade! Ámen, Senhor! “Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha…”
Quero ter o direito a ter o direito de escolher … pois eu não sou eu? [Read more…]

Monita

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“Acredito que o branco que eu vejo é preto, se a hierarquia da Igreja assim o tiver determinado”.
Inácio de Loyola

 

Inácio de Loyola (1491-1556) fundou a Companhia de Jesus, juntamente com outros seis companheiros, em Montmartre, a 15 de Outubro de 1534. Desse grupo fundador fez parte um português, de nome Simão Rodrigues de Azevedo, que veio a ser, em 1546, o primeiro Provincial da Província portuguesa da Companhia de Jesus.

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Rádio Universidade de Coimbra

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Mãe, há só duas. E uma delas é também filha. Foi durante muito tempo namorada, chama-se RUC e faz hoje 30. Como se dão os parabéns ao objecto etéreo do nosso amor sem cair na lamechice?

Falar contigo era melhor

Há coisas que acontecem só para que se cumpram profecias.

Hoje na terra dele, Coimbra essa, um grupo de aventadores ponto eu (que bonito escrito assim) juntaram-se para uma homenagem. À tua memória parvalhão. Porque é que o poder de convocatória aumenta com a morte é um mistério insondável para mim.

Nunca tinha estado lá (cá). No aventar quase só naveguei contigo e agora aparece-me mais. Agora que já não estás (será que é por isso?) não há tempo a perder.

Neófito e caloiro. Nas lógicas iniciáticas os que chegam depois ficam sempre à mercê dos circunstantes. Coisas de chegar tarde? O almoço (encontro) foi bonito. Foi não foi? “Para os camaradas e para os outros” repetia  uma voz que amava repetir-se sem saber. E era bela.

Já quase no fim eles chegaram e tiraram-nos fotografias. Como se tivéssemos estado sempre juntos.
– João, foi um belo dia de novembro este. Podias cá ter estado. Não tinhas perdido nada.

Aí do outro lado como é?  Estamos todos curiosos para saber como “te las arreglas sin nosotros”?  Mas deve ser uma grande folia à mesma.

Sabes?… falar de ti tem sido bom. Mas falar contigo era melhor.  [Read more…]

O João José

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Tomei conhecimento da morte do JJC no Domingo de manhã, através de um “email” que o Ricardo me mandara no Sábado pelas 16h30, e a notícia bateu-me forte. Dizia simplesmente que o JJC tinha falecido durante a noite de Sexta. E uma dor imensa se abateu sobre mim.
O João José foi meu amigo, companheiro e confidente durante alguns anos. Por essa razão fui várias vezes a Coimbra só para falar com ele. Talvez por isso, quando nos afastamos, me doeu tanto. Nunca deixei de ser seu amigo, olhando-o de longe, com um olhar amargo.
O nosso afastamento foi provocado, em primeira instância, pela minha teimosia, e depois pelo seu brilhante e irritante mau feitio, e pela sua obstinação, que o levava a combater com convicção e por vezes com alguma violência, o que sentia ser errado, não aceitando meias medidas.
Estive com ele, pela última vez, este ano, no almoço de aniversário do Aventar (tínhamos sido dos primeiros que o Ricardo convidara para lá escrevermos). Teimosos, ele e eu, mal nos falámos. Durante o “nosso” período de afastamento, trocávamos mensagens através do telemóvel na passagem de ano. E nos dois últimos anos, ficamo-nos por aí. [Read more…]

Queima das Fitas, 2015

O carro 26, de História, era assim. Passos Coelho entra para a História, Salazar já lá estava. Fotos minhas e de Sérgio Rodrigues.

A queima e as fitas

Começou a festa aqui em Coimbra. Por quase duas semanas, a cidade sofrerá, perdão, beneficiará de todos os efeitos funestos, quer dizer, festivos, desse facto. Gozará de todas as alegrias que cabem aos reféns. E não é preciso estar atento ao calendário. Os sons,os cheiros alertam-nos para a festança. Que bom! Ainda ontem tomei nota da data de início ao ouvir os urros de júbilo que ecoavam na noite (durante toda ela…). Ouvi o bonito som das garrafas de cerveja que se partem contra os obstáculos que se interpõem no seu trajecto, o excitante exercício de percussão sobre contentores do lixo, que nos faz dançar na cama e – oh excelência de imaginação! – o rodar desses mesmos contentores empurrados, em roda livre, pela rua abaixo. Lindo! E notem: mais de cem quilos de contentor rodando livremente, sobre as suas quatro rodas, pela ladeira, acrescenta um je ne sais quoi de emoção: irá acertar numa porta? Irá embater num carro que, incauta e despropositadamente vai subindo a rua? Ou num cidadão ou, maior emoção ainda, numa criança? Tudo pode acontecer e ninguém vai levar a mal aos simpáticos e irreverentes foliões. A minha vizinha, a quem, no ano passado, urinaram na caixa de correio – que engraçado! – no dia em que recebia correspondência da sua filha emigrante espera, com a natural e ansiosa emoção, o que lhe irá acontecer este ano. Hoje apanhei um autocarro que, apesar de ir vazio, cheirava vibrantemente a mijo e vómito. Quer dizer: os alegres celebrantes, não se poupando a esforços, querem, até, partilhar connosco os seus fluidos festivos. Afinal – pensam eles, ‘taditos, ninguém lhes explicou melhor – isto é tudo tradição da Academia e tal e coisa. Quem não vai gostar são os médicos, enfermeiras, auxiliares e técnicos do Hospital da Universidade que, em vez de terem a Urgência cheia de doentes, vão tê-la cheia de estudantes em coma alcoólico. Esta malta da Saúde tem cá um mau feitio…

Coimbra, 17 de Abril de 1969. E tudo mudou para todos nós

 Humor na luta:

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Heil, Cristo

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Muito se tem falado da milícia criada pela IURD no Brasil. Quando se junta religião com posturas paramilitares acabamos em violência, é sabido.

Agora aparece esta imagem no facebook (público) de um bispo da seita, tirada em Coimbra num dos espaços que ocupam. Conheço a fauna. Enchem-me a caixa de correio de lixo, já pensei em acrescentar um autocolante com um demónio qualquer a ver se a espécie desampara a loja.

É certo que as damas não têm o aspecto preocupante dos recrutas brasileiros, mas mesmo assim não estamos no carnaval, e acho mal.

E gostava de ouvir a opinião de Marinho Pinto sobre este assunto, ele sabe muito bem porquê.

Jornais de Coimbra têm medo do Sindicato dos Jornalistas?

SJ impedido de visitar redacções dos dois principais jornais de Coimbra

Je suis Charlie

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Coimbra, 8 de Janeiro de 2015. Adenda: entretanto desapareceu tudo do lugar, falta saber quem foi.

Coimbra não é uma lição

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Imagem roubada ao João Roque Dias

Quem tiver a oportunidade de consultar, por exemplo, documentação medieval, deparará com grandes oscilações ortográficas, visíveis no facto de as mesmas palavras surgirem grafadas de maneira diversa muitas vezes no mesmo documento escrito pela mão de um único escriba. Entretanto, passaram alguns séculos e houve milhares de pessoas a pensar sobre as questões linguísticas, pedagógicas ou didácticas, o que inclui reflexões sobre a escrita e conclusões sobre as relações complexas entre a fala e a escrita e entre ambas e a aprendizagem da língua, do conhecimento e do mundo. [Read more…]

Podemos?

podemos 15S coimbra Coimbra, fotografia de Paulo Abrantes, 15 de Setembro de 2012.

O horizonte ainda tem um traço de vermelho

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JJC, Coimbra, 2014

Provavelmente o pior eurodeputado

PT

(fusão de duas crónicas de cariz local publicadas no diário As Beiras a 18/9 e ontem 6/11)

Durante a última legislatura, o trabalho da eurodeputada do distrito de Coimbra, Marisa Matias, recolheu elogios da direita à esquerda – eleita melhor eurodeputada na área da saúde pelos restantes eurodeputados – pelo empenho e qualidade do seu trabalho no Parlamento Europeu. Nesta legislatura outro eurodeputado do nosso distrito, Marinho Pinto (foto do site do PE), está à beira de bater a proeza de Paulo Portas que em 1999 depois de eleito permaneceu apenas três meses no Parlamento Europeu. Marinho vai deixar o seu lugar a um segundo eurodeputado impreparado do MPT, sem qualquer trabalho de casa reconhecido sobre políticas europeias. Para quem se candidatou com a missão de dignificar a política, começa bem… [Read more…]

Em modo coimbrinhas

Cadelas apressadas parem filhos cegos, ou de como um autarca ou é cego ou nem quer ver.

La Casta

03-10-2014 19h23

Outubro, Montanha, quarto crescente.

Carta muito aberta à srª ministra da Justiça e militante do PPD agora PSD

ppd velharias

Isto quem nasce para o que é, não tem remédio, já dizia um tal de Calvino e a vida demonstra como é verdade. Por isso, srª ministra, estou consigo, pedófilos é base de dados pública com eles, enquanto não se pode meter um ferro em brasa na testa com um P bem visível, que aquilo não é gente, é gado.

Esta coisa do P de pedófilos avivou-me a memória, como o tempo muda e tanta novidade se alcança. Veja lá, srª ministra, que a palavra se existia no meu tempo não era usada. Mas agora acorda-me outras recordações.

Ao final da tarde, à saída das aulas, era limpinho, lá estava na sua  carrinha o Amadeu Paneleiro estacionado à porta do Liceu, ostentando a sua obesidade, como agora se diz, que naquele tempo era só gordo.

No circuito do currículo oculto, esta também só aprendi mais tarde, depressa e entre colegas nós os mais putos ficámos sabedores do negócio, tempo dos primeiros cigarros comprados avulso e estranheza por um dia aparecer um colega dos mais tesos com um maço cheio: [Read more…]

Altruísmos

AI COIMBRA

Um dos tiques mais irritantes da comunicação económica e empresarial dos nossos dias – tributário do “politicamente correcto” que tantos veneram – é a persistente ideia de que uma empresa abre, não para ter lucro mas para, de modo altruísta, “criar postos de trabalho”. Agora mesmo foram autorizados em Coimbra – com potenciais efeitos devastadores sobre o tecido social e económico da cidade – mais dois hipermercados em pleno tecido urbano central da urbe, um deles na sua avenida axial. E como se comunica a golpada?

“Duas empresas vão criar em Coimbra 100 postos de trabalho”. O habitual servilismo jornalistico não cuida de saber quantos empregos esta operação vai destruir – obviamente muitos mais do que os que vai criar -, quais os seus efeitos funestos no pequeno comércio da baixa coimbrã e na relação dos habitantes com as áreas mais nobres da sua cidade. Que lhes importa isso se – não sei se já vos disse… – vão ser criados 100 – postos -100 de trabalho? Digamos todos em coro: “Obrigado, sr. Belmiro!”.

Francisco Martins, 1946-2014

Julho faz mal às guitarras. Dez anos após a morte de Carlos Paredes perdemos outro grande, Francisco José Martins. Sobre o homem ler aqui e aqui. Mais composições:

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Carlos Paredes não morreu há 10 anos


Manual de Anatomia Coimbrã: esqueleto, rio, músculos, povo, ruas e vísceras, dissecados por Mestre Carlos Paredes, a partir de uma variação de Artur Paredes a uma cantiga de José das Neves Elyseu.

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