Não é o fim nem o princípio do mundo

Passaram três meses e o Manuel António Pina já nos fez falta muitas vezes. Já não me acontece pegar no JN e virá-lo para começar pela última página, mas andei semanas a fazê-lo. Imagino que não fui a única. Depois chega uma manhã em que nos lembramos e o jornal fica intocado sobre a mesa. Resignamo-nos às ausências. Se todos os grandes poetas fazem falta, o MAP cronista não o faz menos. Ele sabia que tudo é política e não voltava às costas a nenhum tema. Foi um crítico mordaz e lúcido deste e de outros governos, escreveu sobre economia, direitos sociais, educação, desemprego, crise, desigualdade. E quando lhe apetecia, enxotava a política para fora da sala, e sentava-nos ao lado dele para contar-nos coisas que realmente importam, como a notícia de que haviam nascido três melros na trepadeira do muro do seu quintal.  [Read more…]