A discussão em volta das Scut trás, como seria previsível, ao de cima as limitações patológicas dos nossos putativos políticos.
Uns, como Rui Rio, porque querem emergir como líderes regionais e quaisquer outros horizontes lhes toldam a vista e dão vertigens. Outros, como Passos Coelho, porque abdicam da consciência da realidade em favor de princípios incipientes que, aparentando justiça e igualdade, são injustos e desiguais e que, no final, evidenciam apenas as suas limitações políticas, bem como a sua falta de coragem, de capacidade decisória e de discernimento. Quando um político, num caso de complexidades várias como este, se limita a dizer “ou tudo ou nada“, está a demitir-se da própria política e a assumir que apenas lhe interessa o mero taticismo de circunstância e que não sabe do que fala, nem mede as consequências do que diz.
Sendo o conceito de Scut um erro do antigo ministro Cravinho, que fez o que hoje todos fazem (construir sem ter dinheiro para pagar e chutar a bola para os que vierem depois), a verdade é que resolvê-lo com justiça e sentido de realidade se afigura mais difícil do que engendrá-lo. Porquê? Porque as realidades mudaram, porque as pessoas adquiriram hábitos, porque em alguns casos as alternativas se desmantelaram, porque segmentos das antigas estradas nacionais se munipalizaram, porque com a existência das Scut cessaram os investimentos em transportes e vias alternativas, porque se alteraram prioridades, etc., etc.
Que a generalidade das Scut deveria ter sido taxada desde o início (donde nem Scut se chamariam) é um facto. Mas, como se diz, cada caso é um caso e deveria ser resolvido em função das realidades envolventes e não com declarações bacocas de princípios, ou com o manto dos egoísmos regionais a pretenderem confundir as questões. Há actuais Scut que devem passar a ser pagas e outras que, pura e simplesmente, não devem, nem podem. Sem estradas nacionais alternativas, sem autocarros regulares, sem comboios eficientes não se pode abdicar delas. [Read more…]






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