Chicotada psicológica?

O PPD sem SD, aquele partido parido, ainda, do ventre da Velha e Santa Mãe, que governou sempre à direita, mas que aparentemente é de centro-esquerda, e que agora aposta, também, nos palhaços mediáticos, continua a dar tiros nos pés.

Depois da contratação do não-ligado-ao-futebol mas maior-accionista-da-SAD-do-FCPorto, António Oliveira, para uma candidatura à Câmara Municipal de Gaia, município onde se encontra o centro de treinos do Olival, propriedade da Câmara alugada ao FC Porto em troca de moedas de chocolate, eis que:

Bronca no PSD: António Oliveira desiste de candidatura à Câmara de Gaia

Fica a dúvida: foi António Oliveira quem bateu com a porta, descontente com a política de contratações da SAD do PSD, ou foi a SAD do PSD quem deu uma chicotada psicológica no seu timoneiro a Gaia?

Política, futebol… = apostas. Eu apostaria que foi António Oliveira quem, depois de ver que a sua reputação, construída às custas dos calimeros futebolísticos, seria destruída às custas dos calimeros do PSD, decidiu bater com a porta e usar o truque do “mais vale tarde do que nunca“. Cá para mim descobriu que o Rio é boavisteiro. Ou esta: ao ver o PSD ir ao fundo… nem é tarde nem é cedo! E saltou borda fora. Até porque tem visto que o seu clube, o FC Porto, se deixou de interessar por desporto para, agora, ser o principal partido de oposição ao PS de António Costa… vai daí, deixa-me estar onde estava. Por isso, proponho que o PSD se dedique… à pesca; desportiva, de preferência.

Rui Rio arrisca-se a ser (se já não o é) o pior líder da história do PSD. E o PSD teve como líderes os empolgantes Marques Mendes ou Santana Lopes. E num passado mais recente, teve Passos Coelho. É obra!

O não-ligado-ao-futebol, António Oliveira, numa gala do FC Porto, um não-clube-de-futebol.
Foto: José Moreira

Quem quer casar com a Venturinha?

“Atrás do mel correm as abelhas”

O liberalismo, agora, já é fascismo maquilhado?

Ou será que o Cotrim se vai maquilhando para seduzir o amigo saudosista achegado e, desta forma, convencer o homem dos derrames cerebrais que comanda o PSD a, futuramente, formar Governo? [Read more…]

O Costa do pisca-pisca

O Primeiro-ministro António Costa, um cata-vento, acusou Rui Rio (naquilo que foi um baile ao ex-Presidente da Câmara do Porto), líder do PSD, de ser um cata-vento.

O líder do PSD, Rui Rio, um hipócrita, respondeu (numa de Madalena magoada), acusando o Primeiro-ministro de hipocrisia.

Já a seguir, a não perder: André Ventura, um populista, virá a público chamar populista a Suzana Garcia, candidata do PSD à Câmara Municipal da Amadora.

António Costa, como se sabe, é politicamente bígamo: pisca um olho à direita, para a seguir piscar o olho à esquerda. E Rui Rio, como se sente enganado depois de tantas juras de amor ao PS e ao centrão, já decidiu que ficará com a rameira da política portuguesa: o Chega. E tudo isto, sem que o líder dos laranjas se aperceba que o seu novo namorado, o Chega, só anda com ele por interesse, esperando uma morte certa para lhe ficar com a herança.

Imagem retirada do site funchalnoticias.net

A política do centro em Portugal é como uma novela da TVI: repetitiva, chata, sensacionalista e sem interesse.

Extermínio Social Democrata

Foto: Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens@JN

Na Alemanha, potência e motor da Europa, existe um cordão sanitário que só por uma vez esteve em risco de ser quebrado, na Turíngia, na eleição regional de 2020. Angela Merkel, que classificou a participação da CDU numa aliança presidida pelo FDP que incluía a AfD de “imperdoável”, impôs a retirada do partido do acordo e o líder regional dos conservadores caiu. E notem que foram os conservadores, não os liberais, quem se afastou da extrema-direita, o que não deixa de ser interessante de analisar à luz daquilo que apregoa o próprio liberalismo.

Como resultado, subiu ao poder Bodo Ramelow, candidato do Die Linke, apoiado pelo SPD, Verdes e com a abstenção da CDU. Ao optar por esta solução, Angela Merkel deu um claro sinal à Europa. Um sinal que certa direita radicalizada se recusa, por cá, a aceitar. Merkel disse-nos: não se fazem alianças com fascistas. E, se for necessário fazer uma cedência ao Bloco de Esquerda lá do sítio, nos antípodas do partido de Merkel, que assim seja. Mas não com a extrema-direita. Nunca. [Read more…]

Volta, Passos, estás perdoado

O PSD de Rui Rio é uma casa a arder. É uma oposição absolutamente incapaz de acrescentar, de se afirmar e de ombrear com o PS, colocando-se, não raras vezes, no papel de muleta de António Costa, em situações tão degradantes como a partilha das CCDR-N ou o fim dos debates quinzenais no Parlamento. Quando não está a fazer fretes ao governo, ou oposição a roçar a mediocridade, degladia-se com o Chega, que normalizou com o tiro de bazuca nos pés que deu nos Açores, e que custará caro, muito caro ao seu partido. E entre Suzanas Garcias e Isaltinos, iliberalismos e bafio a Estado Novo, o futuro próximo deste PSD parece passar mais por uma luta com o Chega, pelo controle do lado direito do espectro, do que por um embate com António Costa pelo controle do país.

Sou de esquerda, nunca votaria neste PSD (ou no anterior), mas nem por isso retiro qualquer prazer ou satisfação da situação em que o PSD está mergulhado. Acima de tudo porque Portugal precisa de uma alternativa à direita, mais ainda agora que os neofascistas parecem imparáveis no acambarcamento do eleitorado conservador, do qual o PSD ainda é o principal guardião. Mas Rio não está à altura da tarefa. Nem lá para perto. Lidera, de longe, a pior direcção de sempre do PSD. Tão má, tão fraca, tão recheada de nulidades e incompetentes, que me vejo na inesperada situação de afirmar o bizarro: volta, Passos! Estás perdoado.

Conversas vadias 8

Mais uma sessão de “Conversas vadias”, que desta feita rondou o Futebol Clube do Porto, PSD, Rui Rio, eleições autárquicas, administração política, parlamentarismo, Estado Novo, Fundação Serralves, regionalização, censos, caciques, Açores e nepotismo.

Rondaram os vadios Francisco Miguel Valada, Orlando Sousa, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Francisco Salvador Figueiredo e João Mendes. E baldou-se António Fernando Nabais.

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Conversas vadias 8







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Rui Rio não descansa…

…. enquanto não der cabo de vez do PSD.

O que distingue este PSD de Rio/Suzana Garcia do Chega de André Ventura? E escusam de culpar a senhora, ela não está aqui a enganar ninguém, todos sabem (e sabiam quando a convidaram) o que pensa e como pensa. E não serve a desculpa de que foi uma escolha da estrutura local, pois em Coimbra a estrutura local tinha escolhido um candidato e a Nacional vetou.

A candidata do PSD à Amadora, Suzana Garcia, é advogada e foi comentadora da TVI, onde manifestou posições polémicas como o apoio à castração química para pedófilos reincidentes, que tem sido defendida em Portugal pelo partido Chega.

Obviamente, o Chega elogiou esta escolha (pelos vistos a senhora até tinha sido convidada pelo partido de André Ventura) e devem estar a rir-se. Este PSD de Rui Rio é uma caricatura e uma ofensa aos seus fundadores.

Ao contrário do que pensa alguma comunicação social da capital, este é o mesmo Rio que governou a cidade do Porto. Exactamente o mesmo. Só que agora está em Lisboa, sob escrutínio directo. É o mesmo Rio intolerante, uma espécie de tiranetezinho de trazer por casa, um achista que “acha” umas coisas sobre o papel dos agentes culturais, que arrota uns bitaites sobre subsídio-dependência, que persegue (manda perseguir pois Rio sempre foi um cagão) os que discordam dele. Só que quando era presidente da Câmara do Porto, a comunicação de Lisboa achava-lhe piada porque se pegou com Pinto da Costa e ignorava tudo o resto. Não via a forma como destratava a oposição, não via a arrogância própria dos medíocres na forma como lidava com os trabalhadores da sua instituição, não queriam saber dos tiques de tiranete feudal. Nada. O que importava é que o homem enfrentou Pinto da Costa – nem isso é bem verdade, mas não vale a pena explicar pois quem sabe não precisa que lhe explique e quem não sabe não quer ouvir a explicação.

Este Rio é o garante político de António Costa e o melhor adubo do Chega.

Quando 16 pontos dá direito a título, será que 15 pontos também pode?

O título da notícia do ECO reza assim: “Sondagens colocam Rio 16 pontos abaixo de Costa“. Um valor que me surpreende. Sendo Rio um verdadeiro zero à esquerda enquanto líder do PSD (e da oposição) a surpresa é Costa só estar 16 pontos na frente.

Só que o título podia ser outro: “Chega de André Ventura já só está a 15 pontos do PSD de Rio”. E isto sim, é surpreendente e assustador. O problema de Rio ser o presidente do PSD não é o de ser uma garantia de vitória para Costa. Não. É o de estar a tornar o PSD tão insignificante que até o Chega se está a aproximar. Dirão alguns que não passa de uma sondagem e de um momento. Foi o que pensaram os do Partido Popular em Espanha sobre o VOX e agora, nas últimas sondagens, aparece o PP com 19% e o VOX com 15%.

Ou os militantes do PSD se organizam e tiram de lá o Rio ou vão todos ao fundo com ele. Neste momento o PSD é o Titanic da política portuguesa e o maestro Rio continua a tocar. Valha-nos Deus…

 

(cartoon palmado AQUI)

Suzana Garcia e o buraco sem fundo onde Rui Rio enfiou o PSD

Se dúvidas restassem sobre a enrascada em que Rui Rio enfiou o seu partido, no dia em que decidiu romper o cordão sanitário nos Açores – quando nem sequer precisava de o fazer para governar, bastando-lhe ter sido suficientemente estratégico para deixar a batata quente nas mãos de Ventura, obrigando-o a escolher entre a coligação de direita e o PS – a escolha da concelhia do PSD Amadora para o combate autárquico que se avizinha, nada mais, nada menos que Suzana Garcia, é reveladora da condição de refém de Rio e do PSD face ao storytelling da extrema-direita.

Suzana Garcia não é apenas uma comentadora histriónica que apareceu em cena como artista de variedades populistas no programa de Manuel Luís Goucha, conhecido por dar palco aos mais variados entertainers da autocracia, como o neo-nazi Mário Machado ou o próprio André Ventura. É alguém que, com uma agenda política, que agora fica evidente, aposta tudo numa retórica populista e demagoga, repleta de tiradas racistas, xenófobas e extremistas, características da narrativa de ódio, divisionismo e ressentimento que encontramos na cartilha do Chega. O próprio André Ventura aproveitou a deixa para humilhar Rui Rio, uma vez mais, na rede social Twitter:

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Autárquicas 2021: No Porto está tudo alegre

O Rio está contente. O Vladimiro está feliz. O Rui Moreira está que nem pode de tanto rir. Acima de 10% é vitória…

Rui Rio, o amordaçado líder da oposição

Quando confrontado com a expressão “democracia amordaçada”, utilizada recentemente pelo mesmo Cavaco que tentou amordaçar a arte de Saramago, Rui Rio afirmou que “não iria por aí”. Mas foi bom senso de pouca dura. É que, imediatamente a seguir, num acto de calimerismo político que não é novo, Rio queixou-se da falta de comentadores afectos ao PSD, indo mais longe e afirmando “Identifiquem-nos já comentadores que não sejam afetos ao PS”, transportando a discussão para o patamar da demagogia barata.

Em 2019, um trabalho jornalístico de Paulo Pena revelava já que, apesar da maioria de esquerda existente no parlamento, a representatividade dos partidos de direita no comentário televisivo era bastante superior à dos partidos de esquerda. Era, no fundo, desproporcional à sua representação parlamentar, sendo que, nessa óptica, o CDS surgia como o partido mais beneficiado, sendo o PCP o mais prejudicado. A tal comunicação social controlada por comunistas.

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O machismo politicamente institucionalizado no PSD

Nestes 102 candidatos, três (repito: três) são mulheres.

Notas sobre as Presidenciais 6: será que Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos já perceberam o que se está a passar?

O resultado destas presidenciais, para os partidos da área política do presidente reeleito, são, como um dia disse o grande Jaime Pacheco, “uma faca de dois legumes”. Porque se é verdade que o candidato por ambos apoiado foi o inequívoco vencedor, não é menos verdade que a situação destes partidos piorou substancialmente.

E porquê?

Em primeiro lugar, porque a contestação a Marcelo Rebelo de Sousa tem sido mais estridente à direita do que à esquerda. Como seria de esperar, após cinco anos de braço dado com António Costa. E se é desejável que presidente e governo não se hostilizem por desporto ou tricas partidárias, e mais desejável ainda que estejam em sintonia para combater a pandemia, assume-se que a direita, legitimamente, esperaria que os quatro primeiros anos fossem de alguma oposição vinda de Belém. Ou pelo menos que Marcelo não se convertesse no BFF de Costa. Mas, como bem sabemos, não foi isso que aconteceu. Acresce a isto que Costa foi o primeiro a apoiar Marcelo oficialmente, tendo inclusive lançado a sua candidatura, e que arrastou consigo o eleitorado do PS. E, afirmar os matemáticos que estudam estas coisas, foi precisamente o eleitorado socialista quem maior peso teve na reeleição do presidente incumbente.

Em segundo lugar, o meio milhão de votos de André Ventura não apareceu por obra do divino Espírito Santo. Quando Rui Rio apareceu em êxtase, na noite eleitoral, a celebrar a vitória alentejana de Ventura, felicíssimo com o facto de João Ferreira ter ficado atrás do candidato de extrema-direita, não se terá certamente apercebido que os votos conquistados por André Ventura (e Tiago Mayan, sublinhe-se) em Beja, Évora, Portalegre e nos concelhos setubalenses pertencentes a território alentejano equivalem mais ou menos à votação obtida por PSD e CDS nas Legislativas de 2019. Mas Rio, deslumbrado com o resultado do parceiro açoriano, reagiu como se dezenas de milhares de votos obtidos pela extrema-direita no Alentejo tivessem sido subtraídos ao PCP, que, no total nacional, face a 2016, perdeu 2 mil votos. Não 60 mil.

Em terceiro lugar, ver Francisco Rodrigues dos Santos gritar “vitória”, na primeira reacção da noite, enquanto André Ventura digeria o que restava do CDS, rodeado por antigos quadros do partido de bandeira do Chega na mão, está ali algures entre o trágico e o cómico. É preciso não ter noção da realidade, ou estar em absoluta negação, para não perceber que o eleitorado do CDS está a ser literalmente açambarcado pelo Chega. E, já agora, pela Iniciativa Liberal, que, caso o CDS não mude rapidamente de rumo, rapidamente lhe ficará com toda a ala liberal que, nota-se, encaixa melhor no partido de Carlos Guimarães Pinto e João Cotrim Figueiredo do que no de Francisco Rodrigues dos Santos e Abel Matos Santos.

O que nem um nem outro parece perceber, é que PSD e CDS saem desta eleição mais fracos, com perda de eleitores para o Chega e perante dois novos adversários que, no médio prazo, transformarão o lado direito do espectro numa paisagem de pequenos partidos, sem capacidade de fazer frente a António Costa. Nem isoladamente, nem todos juntos. E se, no caso do CDS, o problema está na disputa do eleitorado mais conservador e católico, num duelo entre um predador e uma presa que parece não compreender a sua condição, de vitória de pirro em vitória de pirro, até à extinção total, no caso do PSD foi uma sucessão de erros, a começar pela narrativa de um partido ao centro, território dominado por António Costa, deixando a direita à mercê dos seus adversários. On top of that, foi Rui Rio que se atirou nos braços do abraço do urso, quando furou o cordão sanitário nos Açores, sem que tal fosse necessário para governar o arquipélago. Foi Rio, mais que qualquer outro, quem oficializou a legitimação do Chega. E pagará uma factura elevada por este misto de ambição e ingenuidade.

Notas sobre as presidenciais 2: fascism is the new minority

Encontrei este apontamento do Daniel Oliveira, que nos diz muito sobre onde estamos em matéria de defesa da democracia:

Mais de 88% dos eleitores votaram em candidatos comprometidos com o essencial dos valores constitucionais democráticos. Somos, se me permitem dizer assim, a esmagadora maioria do país. Isto deve ser dito de forma clara, antes que se institua que uma minoria diz o que o país sente”

Agora, está nas mãos do PSD travar a extrema-direita. Não sem antes mudar de líder, que o que lá está já deixou claro que só está apto para ser gato-sapato do Salazar 2.0.

Sente-se bem, dr. Rui Rio?

Li ontem uma peça no Público, já com alguns dias, que cita Rui Rio sobre as eleições presidenciais, com o líder do PSD a afirmar que um bom resultado de André Ventura é “mau para o país”.

Say what???

Então o homem anda todo empolgado a legitimar o líder da extrema-direita, abençoou um acordo de governação para Açores entre os dois partidos (do qual nem sequer precisava, sublinhe-se), admitiu acordos futuros a nível nacional, contribuiu, como ninguém, para a normalização do democraticamente anormal, e agora vem dizer que um bom resultado do parceiro é mau para o país?

Que é mau já nós sabíamos.

O único que não só não percebeu, como até contribuiu, activamente, para o reforço da posição do Chega, algo que, eventualmente, poderá garantir ao partido de extrema-direita um resultado mais robusto, foi, precisamente, Rui Rio.

Qual terá sido a parte que o líder do PSD não percebeu?

2020: o ano de todas as pandemias

2020 foi um ano difícil, que pode ser resumido em poucas palavras: vírus, epidemia, pandemia, medo, confinamento, distanciamento social, máscara, álcool-gel, negacionismo, contágio, zaragatoa, teste, ventilador, profissionais de saúde, SNS, layoff, crise económica, vacina e morte. Talvez pudessem ser acrescentadas mais algumas, que nem me ocorrem nem me apetece procurar, porque não pretendo fazer disto uma obra científica, mas este foi o léxico dominante, durante os nove últimos meses. E, não nos iludamos, continuará a sê-lo.

Muito foi dito e escrito sobre a pandemia. Da “gripezinha” à falsa sensação de segurança, passando pelas habituais conspirações, amplificadas pela ignorância militante, de repente éramos 7,8 mil milhões de especialistas em saúde pública, virologia e gestão de crises. Por cá fomos bestiais, depois bestas, e, quer-me agora parecer, terminamos o ano como culpados pelo agravar dos números. E não, não saíamos mais unidos, mais conscientes ou mais humanos de tudo isto. Saímos como entramos, com as nossas virtudes e defeitos, adaptados ao novo normal que, esperamos, já seja uma recordação distante daqui por um ano. [Read more…]

O Chega como cavalo de Tróia do PSD

César Alves

Quem achasse que Portugal estava imune aos fenómenos de extrema-direita que, um pouco por todo o mundo, despontam, foi surpreendido pela ascensão meteórica de André Ventura.

O líder do Chega pode ser apenas a versão portuguesa do que se vê por aí mas, por outro lado, há a possibilidade de nos bastidores estarem a acontecer coisas, invisíveis aos nossos olhos, mas que daqui a uns anos nos façam pensar: como é que não vi isto.

André Ventura, ex-militante do PSD, foi candidato à Câmara de Loures, em 2017, pela mão de Pedro Passos Coelho. Com um discurso xenóbofo, dirigido à comunidade cigana, Ventura, apesar do 3º lugar, conseguiu melhorar o resultado face a 2013, numa autarquia historicamente comunista. [Read more…]

The Rio-Ventura emoji-chatice connection

Não se descarte a possibilidade de estarmos perante uma conspiração de assessores do PSD e do Chega, a soldo de socialistas, da extrema-esquerda ou da Venezuela. Ou, quem sabe, perante uma coligação informal que, em princípio, terminará no dia em que Ventura, triunfante, regresse ao PSD para tomar conta do aparelho. Seria uma grande chatice, é certo, mas os emojis compensarão a maçada.

António Costa, orgulhosamente só

Foto: Global Imagens@Notícias ao Minuto

Após as Legislativas de 2019, António Costa recusou acordo formal à esquerda, e optou por sujeitar o seu governo minoritário ao geometria variável do parlamento.

Meses mais tarde, afirmou, de forma categórica, que, se que se precisasse do PSD para governar, o governo caia, derrubando a única ponte possível à direita, ainda antes da venturização de Rui Rio, que, até então, se ia mostrando aberto a alguns entendimentos.

Agora, isolado por culpa própria, totalmente dependente do PCP, do PAN e das deputadas não inscritas, já que o entendimento com o BE se tornou praticamente impossível, dispara em todas as direcções e acusa os restantes de empurrar o país para a ingovernabilidade, quando é o próprio António Costa o principal responsável por este desfecho. E eu que cheguei a pensar que era Rio quem queria eleições antecipadas.

As falsas equivalências de um PSD em avançado estado de venturização

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

Há quem esteja a tentar minar a discussão pública sobre aquilo que se está a passar nos Açores, recorrendo a falsas equivalências para desviar os holofotes do cerne da questão, que é o acordo entre a maior força política portuguesa e um partido de extrema-direita, herdeiro do salazarismo, com uma ala neonazi e ligações às principais forças neofascistas europeias.
É disto que estamos a falar, não de outra coisa. Da legitimação da extrema-direita por forças democráticas. Da extrema-direita das castrações químicas, das remoções compulsivas de ovários, das fake news, das assinaturas falsas aquando da formação do partido, do albergue de antigos militantes de organizações neo-nazis, dos negacionistas da ciência e das alterações climáticas, dos teóricos da conspiração, da fábula anti-elites, financiada pelas elites, e das infindáveis contradições e mortais à retaguarda daquele cujo nome não deve ser mencionado, mais a verborreia virtual e as tiradas xenófobas e racistas. É isto que está em causa. É este o cerne da questão. Foi a isto que o PSD de Rui Rio se rendeu.

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Sá Carneiro deve estar orgulhoso

Foto: João Miguel Rodrigues@Jornal de Negócios

Foi Rui Rio quem, no início do ano, assumiu abertura para dialogar com a extrema-direita, caso esta se moderasse, impossibilidade que decorre da sua natureza extremista. Rui Rio sabia com quem lidava, ou pelo menos tinha a obrigação de saber, porque não anda nisto há dois dias, como o próprio não se cansa de dizer. Tal não o impediu, contudo, de se comprometer e de fragilizar a sua posição, bem como a do partido que lidera.

Aliás, se recuarmos até Setembro de 2018, verificamos que a narrativa que está na base da criação do Chega aponta precisamente para a necessidade de fazer cair a direcção de Rui Rio. Na altura, e ainda na condição de militante do PSD, André Ventura cria o Chega como um movimento que visava reunir assinaturas suficientes para convocar um congresso extraordinário do PSD, com o qual pretendia derrubar a direcção Rio. [Read more…]

Pior do que o cego…

Estamos, diariamente, a assistir à destruição de qualquer resquício de ética republicana que pudesse ainda existir. E, pior, as perspectivas de tal ser travado estão completamente fora de hipótese, a avaliar pela postura dos partidos com representação parlamentar que, em teoria, poderiam fazer algum tipo de diferença.

Desde logo, temos um Presidente da República (doravante PR, pois não merece mais do que uma sigla), que está transformado num autêntico porta-voz propagandista do Governo e da sua agenda. E que todos os dias nos aparece na televisão a vender a política do governo, seja de fato e gravata, seja de calção de banho.

Da mesma forma que cria, conjuntamente com o Governo, um conveniente princípio de não recondução nos cargos, com que justifica a não recondução da incómoda Procurador Geral da República, Joana Marques Vidal e, recentemente, do também incómodo Presidente do Tribunal de Contas, Vítor Caldeira.

Houvesse um mínimo de coerência, e o PR, para dar o exemplo da regra por si defendida, não se recandidatava.

Mas, há mais.

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Conivência, tacticismo ou…

O mistério sobre a liderança de Rui Rio não está nas suas consequências porque essas são, manifestamente, calamitosas, mas nas suas motivações. Eu, pessoalmente, vejo 3 hipóteses para explicar tanto desprezo pelas obrigações e deveres que assumiu e que tanto quis assumir e reassumir.

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25 depois da morte de Alcindo Monteiro, no país onde o racismo “não existe”

AM

Se fosse vivo, Alcindo Monteiro teria hoje 52 anos. Azar o dele, foi apanhado pelos “festejos” do 10 de Junho de 1995, que, em extrema-direitês, significou passar a noite a espancar negros no Bairro Alto. Alcindo foi um deles, apanhado por uma matilha raivosa de escumalha skinhead, e não resistiu aos ferimentos. Como ele, vários outros negros foram espancados nessa noite. Felizmente, mais nenhum faleceu.

Dizer que Portugal é um país racista é uma falácia. Dizer que não existe racismo em Portugal é desrespeitar a memória de Alcindo Monteiro, e de outros, que, de formas mais ou menos bárbaras, sofrem, ainda hoje, discriminação com base na sua cor de pele. E importa não esquecer que, alguns destes racistas violentos, com longos e assustadores cadastros, transitaram recentemente de organizações neonazis para o partido unipessoal daquele cujo nome não pode ser mencionado. [Read more…]

A pouca-vergonha

leva hífen, caro presidente do PSD. Não costumo ler Rui Rio, mas sou leitor do Carlos Garcez Osório.

Adultérios

Ó António, tu não te amofines com isto. Andavam p’raqui a dizer que eu era um banana e que gostava mais de ti que de chocolate e era preciso disfarçar. Dá-lhe uns dias e eu faço um daqueles tuítes a falar de antipatriotismo. Olha, para não dar nas vistas, é melhor eu não ir à reunião do secretariado do nosso partido. Estás sempre no meu coração, xo xo xo, o teu Ruizinho

O TINA de Rui Rio

JS

Chama-se Joaquim Sarmento, mais conhecido como Centeno B de Rui Rio, tem um poster de Cavaco a comer bolo-rei na porta do quarto e a parte séria desta história está no Ladrões de Bicicletas. Spoiler alert: there is no alternative.

Esclareça-nos, Dr. Rui Rio

ainda acha “um bocadinho exagerado classificar o Chega de fascista ou extrema-direita“?

Direita alternativa e aflita

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Fotografia: Lusa/Cofina Media@Sábado

A máquina de propaganda alt-right instalada nos Observadores, nos I’s e nas CMTVs está aflita com a quase certa vitória de Rui Rio. Tão aflita que agora se lembrou de nos alertar para o perigo de deixar a ala direita do espectro vazia, à mercê dos Venturas, caso o PSD se posicione ao centro, como (alegadamente) pretende Rio. Mas não há motivo para alarme. O PSD é um partido de direita (que alberga, desde sempre, alpinistas e trampolineiros ultraconservadores e de extrema-direita, porque o poder é muito apelativo e o PSD é a única forma de, à direita, lá chegar), continuará a ser um partido de direita e levará a cabo uma política de direita mal regresse ao governo. Sempre foi assim, sempre assim será. Por outro lado, para promover a extrema-direita e os ultraconservadores já cá temos essa mesma máquina de propaganda. Deixem-se de merdas. Luís Montenegro e restante entourage passista que façam como a sua antiga barriga de aluguer e criem o seu próprio Aliança. Ou assumam o que são e criem um Chega ou uma Iniciativa Liberal, dependendo do caso em concreto. Porque mesmo sendo de direita, e estando, em parte, cercado por gente pouco recomendável, Rui Rio está a anos-luz dos restos do passismo.

Não é tarde para um obrigado

[Francisco Salvador Figueiredo]

Penso que num país em que tudo é demorado, me vão perdoar um pequeno atraso em relação ao assunto que abordarei. Hoje, irei debruçar-me principalmente sobre a estreia de três partidos na Assembleia da República. Temos um partido extremista, o Chega e a Iniciativa Liberal. Ah, o partido extremista é, obviamente, o Livre.

Mas antes de tudo, comecemos pelos partidos do costume. Temos um PS a repetir a mesma estratégia, só que com mais gente ainda. O PS faz lembrar aquelas crianças que irritam os pais um bocado e depois vão irritando cada vez mais para ver os limites. Neste caso, o pai é o povo português. Um pai demasiado passivo, diga-se.

Agora, tempo para elogiar uma nova cara na Assembleia, uma verdadeira oposição ao Governo. Estamos a falar do irreverente Rui Rio, que depois de meses a fazer campanha ao PS, assumiu a presidência do PSD e tornou-se numa voz ativa contra o governo. Não gosto de Rui Rio, ideologicamente. Mas tenho de lhe tirar o chapéu. Sempre foi sensato no que disse, sempre seguiu a sua cabeça e nunca teve medo de elogiar algo por não ser do seu partido. Na Assembleia, teve uma postura exemplar, ao tocar em pontos frágeis como, por exemplo, a situação do Hospital S. João, mas mesmo assim não caiu numa tendência populista e demagógica.

O CDS? O CDS pecou pela forma que abordou estas eleições. Quis agradar a todos os lados, não assumindo uma posição de direita firme. Desta forma, perdeu votos para outros partidos de direita. Neste momento, são 5, mas continuam a ser partido do Taxi. No entanto, são aqueles para 6 pessoas. O outro lugar é para chamar a atenção do André Ventura (Chega) ou João Cotrim Figueiredo (IL). Só pode…

Bloco e CDU continuam rigorosamente na mesma, sendo que o Bloco a cada ano que passa está cada vez mais extremista e a revelar a verdadeira pele. Livre? As pessoas que votaram Livre não se podem dar por desiludidas. Queriam aquilo e assim está. Joacine continua fiel às suas ideias, não alterando a forma de estar apenas por ter sido eleita. É de louvar. Mas não é por isso que deixa de ter um discurso ressentido, fraco e inútil. O que Joacine quer não é igualdade de tratamento entre raças, mas sim transformar as raças todas iguais. Há um discurso de ódio contra os portugueses. A minha questão é: Se eu achasse que os negros são contra os brancos, porque razão eu iria para o Ruanda defender uma suposta minoria branca? Não faz sentido. Em relação à gaguez, eu não sou terapeuta, por isso a minha opinião não interessa. No entanto, Joacine faz-me lembrar aqueles jogadores de futebol que fintam meio mundo e depois falham de baliza aberta. Uma pessoa até pensa que ela pode vir a dizer algo bom, mas acaba sempre por dizer algo mal. Em relação a este assunto, a direita, mais uma vez, consegue estar mal. O que tem de ser usado como argumento não é a gaguez da Joacine, mas sim as suas propostas.

Chega. Começou por parecer um partido de extrema-direita, mas depois desta campanha já se percebeu que é uma simples direita conservadora. Não me parece que tenha uma força construtiva, mas sim uma força destrutiva. A intervenção de André Ventura na Assembleia não foi uma defesa do Chega, mas sim um roast total ao PS. Nesse aspeto, esteve bem, mas parece pouco para um Partido. [Read more…]