Declarações dos novos dirigentes líbios narradas pelo El País estão a provocar uma reacção curiosa. Mustafá Abdel Yalil, antigo ministro da Justiça da ditadura, afirmou:
Buscamos un Estado de Derecho, y de prosperidad donde la sharía sea la única fuente de legislación y eso requiere unas condiciones previas.
Não é uma boa notícia, embora expectável, mas sobretudo não é uma novidade: a Líbia já incorporava a charia na sua legislação. Muammar al-Gaddafi teve como suposta originalidade criar uma espécie de ideologia que misturava Marx com Maomé, pendendo muito mais para o segundo que para o primeiro, que não é responsável pelas atrocidades cometidas em seu nome, na Líbia ou na China. O facto de se anunciar que a Líbia não será uma nova Arábia Saudita é tranquilizante, tanto quanto estas supostas intenções o podem ser.
Não estou à espera de uma Líbia campeã dos direitos humanos mas convém lembrar que pior do que estava é difícil. A arrogância de quem despreza as revoluções alheias, uns por islamofobia, outros por lerem Marx como quem lê o Corão, merece como resposta o lamento por não terem vivido na Líbia do ditador ora deposto. Se no caso dos corporativistas se compreende a rápida nostalgia pelo amigo de Sócrates, se Helena Matos só descansará quando uma cruzada converter todos os infiéis, já à esquerda a cegueira é mais preocupante (e era só perceber o que Cunhal teorizou com a Revolução Democrática Nacional).






Recent Comments