Sarkozy é de esquerda

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Existe uma certa direita, primária e estupidificada, representada em Portugal por sites de fanáticos acéfalos como o Direita Política, que associa frequentemente todo e qualquer ditador ou terrorista ao socialismo, ao marxismo ou a qualquer outra corrente de pensamento que se mexa à esquerda. Um evento permanente de degustação de gelados com a testa. [Read more…]

Chamam-lhes migrantes

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Na noite passada. Náufragos na costa da Líbia
Daqui

Primavera Líbia, o triunfo dos porcos

Temos de assentir que Sarkozy, Cameron e Obama, com a cooperação do títere e “bunga-bunga” Berlusconi, conseguiram em Outubro de 2011 uma epopeia de insuperável valor humanitário: mataram Kadhafi.

O povo libertado de um tirano, umas vezes amigo e em outras inimigo até à morte, pensou-se, passara a conhecer a felicidade e projectos de vida de ampla prosperidade – estes foram os argumentos de Sarkozy, Cameron e Obama. Ao nosso nível, até Paulo Portas se regozijou, pela frequência de deslocações e conversações com os novos líderes líbios. Pudera! 2 mil milhões de depósitos, titulados pelo governo de Kadhafi, na CGD não é coisa de somenos.

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O Twitter suspendeu misteriosamente contas de apoio a Saif Al Islam Gaddafi

The Ongoing Killing Of Saif al Islam Al Gaddafi It’s a Reality also on Twitter!

PS.: This List Will Be UPDATE – We Listed 17 accounts But More than 35 were reported To Us. We Also Inform that almost of the accounts Supporting Saif al Islam al Gaddafi and Green Resistance are Banned From Public Timline. It’s Notorious The Twitter Support to Libyan Rebels Given Them Visibility in Search, and the Phenomenon of Hundreds of Fake accounts spreading Strategic News about Saif is a Banality.

PS.: Is This People who are claiming Justice: Check. [Read more…]

O ditador e a chinesinha

As notícias são, sobretudo, silêncios, por muito barulhentas que sejam, porque o ruído não é mais do que a melhor maneira de não deixar ouvir o que é verdadeiramente importante.

Na Líbia, um assassino foi assassinado por uma multidão tão cheia de mortos que não soube ou não pôde ser civilizada. A História repetiu-se, como tem acontecido milhares de vezes, e mais um ditador foi reduzido a algo menos que um homem, colhendo aquilo que semeou. Os homens que o mataram foram também eles menos homens, como muitos outros antes deles, num repetição tão inesperada como frequente dos Idos de Março. O problema, como sempre, está na ilusão de que a notícia da morte de um ditador significa o fim de uma ditadura ou o princípio de uma liberdade, ideia que ocupa o discurso de todos os poderosos do mundo cuja função é falar com grande segurança do que se passa noutros países. Não estará o futuro da Líbia obscurecido pela morte de um homem, tão importante por ser homem e tão dispensável por ser um ditador? [Read more…]

Grande! Grande! O Grandioso Povo Da Cidade Líbia de Sirte! #ILoveKadhafiPeople

A Magnânima Ajuda Humanitária ao Povo Líbio! Este mundo deve Imaginar que as Pessoas da Cidade de Sirte São Imortais, Y, que desta destruição Ninguém Morreu! Os Habitantes da Cidade de Sirte Foram Caluniados – sucessiva, descarada Y constantemente -, pelos JORNALISTAS MUNDIAIS; rotulados  de MENTIROSOS, quando em desespero-apelo diziam que estavam a ser alvo de bombardeamentos indiscriminados. Lembramos  o cuidado reiterado de Saif al Islam em explicar Y esclarecer Y advertir que a População Líbia, nas últimas décadas, tinha sofrido uma grande alteração, dado os fluxos migratórios, sendo, portanto, composta também por PRETOS. Repito: Saif al Islam destacou por inúmeras vezes: são PRETOS a quem foi reconhecida a cidadania Líbia. Ainda hoje, quando abrimos os Jornais de referência Mundial, com Jornalistas de Referência Mundial que, no conhecimento, inclusive, aferido  pela Amnistia internacional, do LINCHAMENTO indiscrimindado de: homens, Mulheres Y CRIANÇAS, continuam impunes, soberbos, Y poderosas Máquinas de guerra Mediáticas a escrever MERCENÁRIOS! Y à conta da Palavra MERCENÁRIO, escrita por INSUSPEITOS jornalistas de RENOME MUNDIAL vão sendo degoladas Pessoas PRETAS, só porque são Pretas. São homens, Mulheres, Jovens Adolescentes Y CRIANÇAS! Y a cobro da Solenidade de Renome Mundial, O GENOCÍDIO é Paternalizado como Praxis de louvável Liberdade Rebelde sob a capa da Palavra MERCENÁRIO.“GROTESCO! GROTESCO! GROTESCO!” Já Não [Read more…]

A Líbia e a Charia

Declarações dos novos dirigentes líbios narradas pelo El País estão a provocar uma reacção curiosa. Mustafá Abdel Yalil, antigo ministro da Justiça da ditadura, afirmou:

Buscamos un Estado de Derecho, y de prosperidad donde la sharía sea la única fuente de legislación y eso requiere unas condiciones previas.

Não é uma boa notícia, embora expectável, mas sobretudo não é uma novidade: a Líbia já incorporava a charia na sua legislaçãoMuammar al-Gaddafi teve como suposta originalidade criar uma espécie de ideologia que misturava Marx com Maomé, pendendo muito mais para o segundo que para o primeiro, que não é responsável pelas atrocidades cometidas em seu nome, na Líbia ou na China. O facto de se anunciar que a Líbia não será uma nova Arábia Saudita é tranquilizante, tanto quanto estas supostas intenções o podem ser.

Não estou à espera de uma Líbia campeã dos direitos humanos mas convém lembrar que pior do que estava é difícil. A arrogância de quem despreza as revoluções alheias, uns por islamofobia, outros por lerem Marx como quem lê o Corão, merece como resposta o lamento por não terem vivido na Líbia do ditador ora deposto.  Se no caso dos corporativistas se compreende a rápida nostalgia pelo amigo de Sócrates, se Helena Matos só descansará quando uma cruzada converter todos os infiéis, já à esquerda a cegueira é mais preocupante (e era só perceber o que Cunhal teorizou com a Revolução Democrática Nacional).

A Líbia já está

Para quem tivesse dúvidas a entrada quase triunfal dos rebeldes líbios em Tripoli, encontrando pela frente uma resistência minimal, demonstra que o que tem sucedido por aqueles lados tem sido uma revolução popular contra o regime despótico e corrupto que vigorou durante décadas.

Claro que lamento a presença da Nato, não há bombardeamentos grátis e os líbios vão pagá-los, a evolução das outras revoluções árabes não augura a esta mudança de regime muito mais do que uma mudança de moscas, alguma liberdade de expressão e pouco mais, sendo este pouco muito (só quem não viveu uma ditadura não o pode, ou não quer, perceber).

A seguir que caía a ditadura Síria, é o que se agradece, mas vai ser muito mais complicado.

Agradar a “gregos” e “troicanos”

Por tróica entende-se um conjunto de três pessoas que visam um ou vários fins políticos em acção concertada. Mas significa, também, em russo, trenó puxado por três cavalos.

Agrada-me mais a vertente do trenó, que sempre dá a esperança de ser algo que vai dar algum tipo de impulso ao nosso país. Mera ilusão, é certo, porque não é para isso que os “troicanos” estão cá. Eles estão cá porque vemo-nos “gregos” para pagar aos nossos credores. E, em boa parte, porque não queremos abdicar das nossa guerras partidárias estéreis, com cartas de desamor à mistura, ou de estatutos e sinecuras que delapidam o Estado e seus recursos, entre outros mimos que têm minado a nossa República.

Até aqui, tivemos a Líbia, o casamento real e agora até a morte de Bin Laden (dizem que está morto, dizem …) para entreter a rapaziada, mas parece que a lista da cura de emagrecimento para a nossa obesidade insolvente já está na calha.

Agradar a “gregos” e “troicanos” não vai ser nada fácil.

Mudam-se os tempos – II

Deve existir algum equívoco nesta notícia, seria lá possível que as forças armadas comandadas por um Prémio Nobel da Paz, lançassem mísseis sobre um país soberano, visando derrubar um governo, mesmo que liderado por ditador sanguinário. Até a França, outrora crítica das sucessivas administrações americanas, parece estar envolvida, acredito pois que se trata de uma bem intencionada operação de paz. Até a esquerda europeia, portuguesa incluída, permanece no mais absoluto silêncio, sem vigílias pela paz ou bandeiras americanas queimadas, o folclore habitual nestas circunstâncias. Mantenho no entanto a ideia que tudo seria diferente caso George W. Bush ainda ocupasse a Casa Branca.

Mudam-se os tempos…

Felizmente o sanguinário George W. Bush já não está na Casa Branca, as posições dos EUA no Conselho de Segurança da ONU são agora motivadas por razões exclusivamente humanitárias, sem interesse em petróleo como aconteceu no passado no Iraque, hoje com o Prémio Nobel da Paz, Barack Obama na presidência, a defesa da Democracia e dos Direitos Humanos, são a única prioridade da administração americana, como acontece em relação à Líbia, país onde todos sabemos existir apenas areia e deserto, para além da genuína vontade popular em estabelecer um regime democrático com respeito pelo direito das minorias. Não é à toa que ainda não existem vigílias ou manifestações pela paz nas capitais europeias, afinal Muammar al-Gaddafi é bem pior que Saddam Husseim, não me ocorre qualquer outra razão para ver os outrora anti-americanos, hoje na primeira linha da opinião pública a defenderem uma intervenção da ONU, bem sei que a palavra NATO ainda lhes é difícil de pronunciar, talvez num eventual segundo mandato de Obama o consigam, mas para já, defendem que seja estabelecida uma zona de exclusão aérea na Líbia. A vontade dos habitantes de Tripoli, ou de outras cidades fiéis ao regime, não faz parte da equação…

Invasões imperialistas, o caso Salerno

Não esquecer Salerno. A 3 de Setembro de 1943 a operação Avalanche, comandada por ingleses e americanos, resultou no desembarque em Salerno, uma vil intromissão nos assuntos internos da Itália invocando a tanga humanitária, um caso claro de ingerência estrangeira num país soberano. Ainda por cima a abertura de uma frente oeste resultou das pressões de Estaline. Que horror! Talvez por isso a invasão da Itália, uma clara agressão imperialista,  não teve  o apoio do BE.

Parece que Mussolini se fartou de protestar. Um pouco mais alto do que Gadafi fez hoje.

Líbia, as contradições


– Reconheço o som dos aviões franceses!
– Salvos!
– Sim, pois, mas Gadafi também tem aviões franceses.

Entretanto o ditador anunciou um cessar-fogo, e declarou que aceita a resolução da ONU. Anunciou, mas os bombardeamentos continuam:

Tradução de algumas frases:

Caíram 6 obuses… eles parecem conhecer as nossas posições… eles sabem onde estamos… atiram às cegas sobre a manifestação improvisada após o anúncio da zona de exclusão aérea… uma manifestação festiva…

via Le Monde

o amigo líbio

Líbia: a solução passará pelo Egipto?

Depois de a Liga Árabe ter avançado com a zona de exclusão aérea, desenha-se agora uma intervenção militar terrestre do Egipto.

É uma boa solução. Os militares egípcios gozam, por enquanto, de boa fama, pela sua não intervenção contra os manifestantes no Cairo.

E alguém tem de travar o canalha gadafiana, que esmaga o seu próprio povo em armas.

Por outro lado o maior país árabe coloca-se deste modo como seguro de vida das revoltas árabes, e para os lados sauditas não devem achar muita graça à ideia.

Não gosto de intromissões estrangeiras num país soberano, mas há excepções. Tal como em Timor, ocupado, eu sei, na Líbia, onde o regime se defende com mercenários estrangeiros, é a desproporção de forças entre o povo, mal armado e sem treino militar, e a canalha que tem gasto o petróleo para seu proveito próprio. Espero que venha o dia em que o petróleo líbio seja mesmo dos líbios, todos.

 

Podem dizer o que bem entenderem…


… mas o fulano vai acabar assim, ou ainda pior. Não perde pela demora.

Raposas do Deserto


Os italianos olhavam para a sua recentemente criada colónia da Líbia, como uma frente de combate convencional, quase à imagem da Venécia ou Flandres da I Guerra Mundial. Pautavam os seus movimentos pela obsessão da conquista de posições, ou melhor, de um terreno inóspito, sem água, calcinado pelo sol e pedregoso, enfim, uma autêntica armadilha para qualquer serviço de logística do mais poderoso exército. Após meses de estéril simulacro de campanha, as tropas do Duce enterraram-se em posições que pensavam ser bastiões impenetráveis. Não houve fosso anti-carro, jardim de minas e de arame farpado, trincheiras, redes de bunkers e losangos de artilharia que as salvassem pois os seus adversários britânicos, com efectivos numericamente muito inferiores, aperceberam-se das verdadeiras condições decorrentes da arcaica mentalidade militar imperante em Roma. A consequência consistiu numa série de desastres, dos quais o governo de Mussolini e o Eixo jamais recuperariam. O desembarque de Rommel em Trípoli, modificaria o estado de coisas e desde cedo mereceu a alcunha de Raposa do Deserto, sempre apto a caçar no terreno que o inimigo pensava ser seu. Invertendo-se os papéis, o general alemão conseguiu com elementos quase irrisórios, anular os sucessos apenas recentemente obtidos pelos ingleses que paradoxalmente, acabaram por cometer os mesmos erros do exército italiano. Rommel manteve a logística como o ponto essencial para o sucesso das operações e a agilidade como norma. Apercebeu-se que combatia num mar de areia, onde os “tanques eram navios” e pouco importando sucessos de ocasião e obtidos pela conquista de uma ou outra desoladora localidade isolada do resto do mundo. Milhares de quilómetros quadrados “conquistados” e apresentados nos mapas avidamente coleccionados pelos estrategas de café, nada significavam. Em suma, compreendeu aquilo que o território líbio significa. Longe ainda estava o tempo em que a Cirenaica se tornaria num ponto vital da indústria petrolífera e ironicamente, sem jamais o saber, o Eixo tinha aos seus pés, o filão de combustível de que desesperadamente necessitou durante toda a guerra. Aliás, a falta de carburante, ditou a sorte da campanha e certamente, o destino da Alemanha e da Itália.

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O monstro com as garras de fora

(adão cruz)

E eu a julgar que o problema da Líbia era a decorrência natural do contágio das revoluções da Tunísia e do Egipto. Todos nos consideramos muito espertos até ao momento em que topamos com a nossa ingenuidade. Há momentos em que me sinto burro e vem-me logo à cabeça aquela frase de um velho médico meu amigo com quem trabalhei no início da minha carreira: “mais vale ser mil vezes tolo do que uma só vez burro”. Benza-te deus rapaz, como te deixas comer, diria minha mãe noutros tempos. [Read more…]

Façam surf, mas em casa

Os órfãos de Bush andam desesperados. A ameaça de vários países árabes se democratizarem sem uma invasãozinha, uns bombardeamentos, umas empresas privadas de segurança, deixa-os em desespero total. Isso e a perda de aliados, a começar pelo egípcio que tem apaparicado o neo-nazismo israelita.

Por um lado há um estranho silêncio sobre o Dia da Raiva no Iraque: sim, no Iraque também há manifestações pela democracia que a guerra não trouxe.

Por outro apela-se a que Obama repita os disparates dos seus antecessores, bombardeando a Líbia. Sendo desejável uma intervenção da Liga Árabe ou da UA, eles sabem perfeitamente que um tiro disparado pelas Natos arrasaria os processos revolucionários árabes num instante. Como vale tudo, um tipo qualquer, esquecendo que a liberdade de expressão acaba quando se inicia, por exemplo, a apologia do crime de guerra, chama o Coronel Kilgore. Perdoa-lhes Coppola, eles nem sabem o que dizem, quanto mais o que fazem.

Os ratos

As areias estão movediças, as águas tumultuosas, a embarcação mete água, o petróleo não escoa.

Nas embaixadas líbias, um pouco por todo o mundo, os ratos demarcam-se e salvam o pêlo.

Agora foi a vez do embaixador líbio em Lisboa descobrir que estava ao serviço de um “regime fascista” (cito).

Não sei se desprezo mais ditadores assassinos como Kadhafi ou os ratos de porão.

Enterrado o regime, na hora da disputa dos despojos, vamos vê-los surgir de novo. Como democratas de longa data, pois claro. * que os pariu.

Na Líbia, o povo é que governa

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O homem diz que “o povo é que governa”. Pelos vistos governa melhor se aviões o bombardear. Coisas destas talvez expliquem o nervosismo de anónimos corporativos que se entretêm a postar fotos de outros com o Kadafi. “Ah e tal se errámos, não estivemos sós”. Puf!, grande coisa. Com o mal dos outros posso eu bem. Mas já ouvi dizer que a seguir publicarão as fotos do seu amado líder num jogging matinal em Tripoli.

O Aviador Líbio

Para a Carla Romualdo

e para o seu

Aviador Irlandês

O piloto recebeu ordens superiores.

Receber ordens superiores é o que faz um piloto militar. Receber ordens, assentir, não questionar, cumprir. O ar, para o piloto militar, é meio, não é fim.

O piloto olhou o co-piloto e ambos assentiram questionar e não cumprir. Não bombardear o povo a que se pertence, não bombardear o povo que se é, não bombardear quem se é.

Ao carregar no botão de ejeção, o piloto deixou de pilotar o avião e pilotou a vida. Uma história bonita, estória de heróis quando tudo arde, mesmo que tudo arda, ainda que tudo arda.

Uma estória de aviadores. A história do Aviador Líbio.

 

"Revolução" e "revolta"


Um acampamento diante do Museu Egípcio. Uma carga de camelos, umas tantas pedradas, dois discursos presidenciais seguidos de uma demissão, uma feira de música e comes e bebes. Afinal de contas, foi isto, a “revolução egípcia”. Os olhinhos dos comentadeiros televisivos brilhavam, quando pronunciaram vezes sem conta, a palavra “revolução”.

Pelo menos até este momento, o Egipto não houve qualquer revolução, tendo-se limitado a um render da guarda militar. Esta é a verdade e nada mais.

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Só Saio Daqui Morto

 

Muammar está por um fio, e há quem diga que se pode vir a matar tal e qual um Hitler renascido.Entretanto lá vai matando os seus conterrâneos, sendo que se fala já em mais de dez mil mortos.
O homem, habituado que está a que lhe lambam as botas, desde os seus súbditos (à força) até aos políticos de caca como os nossos, e após quarenta e dois anos de poder absoluto, não quer largar a mama. É normal, ninguém pode levar a mal, a não ser, claro, os Líbios, que já estão fartos desta fantochada.
Em Tripoli há milhares de mercenários e os disparos são o pão nosso de cada minuto.
A chatice é que o petróleo continua a subir, já vai nos 120 dólares o barril de Brent e não se vê maneira disto acalmar.
Obama lá vai dizendo que o que se passa na Líbia não é bonito, e ameaça com mais uma guerra americana, e os outros políticos andam à espera de saber o que vai acontecer por lá para tomarem posições duras.
Estas revoluções Árabes, já vamos na terceira em poucos dias, são uma chatice para todos nós, mas uma necessidade para todos eles.

Khadafi incita à guerra civil

O uso de meios militares e assassínio de centenas de contestatários, a fuga de milhares de estrangeiros, a deserção de embaixadores, a redução drástica ou mesmo paralisação de petrolíferas  constituem sinais marcantes da luta do povo líbio pela queda de Khadafi.

O ditador falou ao país pela TV. O local escolhido, estrategicamente, foi o palácio bombardeado pelos EUA na década de 1980. O que disse de essencial? Subestimou os acontecimentos registados e o grau de adesão à contestação.

De semblante perturbado, agarrava e largava os papéis inspiradores do discurso. Intercalava palavras com silêncios, procurando uma comunicação consistente. Sem o conseguir. A certa altura, socorreu-se do ‘código penal líbio’. Intimidou os revoltosos com a pena de morte. Não faltou o recurso ao ‘inimigo externo’, argumentando também que uma minoria de jovens líbios, sob o efeito de alucinogénios, estão a ameaçar a estabilidade e os superiores interesses do povo líbio. “Há que combater essa minoria”, acentuou. De seguida afirmou: “Em defesa da revolução, digo sobretudo aos jovens que constituam comités populares para lutar a partir de amanhã”. [Read more…]

Diz-me com quem comemoras

Na hora da verdade para a Líbia faltava um pormenor, aqui por estes lados: Gadaffi foi em tempos um “revolucionário”, e os seus petrodólares espalharam-se por muita causa de esquerda. Ora a nossa direita anda muito caladinha, ainda ninguém bateu à porta de Otelo Saraiva de Carvalho (diga-se que com toda a razão), ou do PCP, já que a Líbia teve stand na Festa do Avante (onde em tempos obtive o célebre Livro Verde).

O problema do Ceausescu do deserto é que dava para os dois lados. Nos últimos tempos deu mais para a direita. Olhem quem, o ano passado,  foi comemorar a revolução líbia para a sua embaixada…

print screen do blogue Família Real Portuguesa

Nota: convém não exagerar muito quando se ataca a opção governamental pelos negócios com os ditadores árabes. É ver Ângelo Correia presidindo à Câmara do Comércio e Indústria Árabe Portuguesa, onde não podia faltar o impagável (que palavra tão desadequada) José Lello, é claro.

O comentador Pinguim sobre as visitas de Sócrates

o comentador pinguim - as visitas de sócrates

Os canalhas nunca são do seu próprio povo

A canalhice é como a estupidez, universal. Tal como a estupidez, torna-se tanto mais perigosa quanto mais poder tem o canalha. É nessas alturas que se vê com quantos paus se faz um canalha.

Chegados ao poder, os canalhas submetem povos, não lhes pertencem. Chegam a acreditar que o povo e respectivos pertences lhes pertencem. É por isso que o canalha bombardeia o seu povo, com bombas, se preciso for.

Por vezes, há pessoas sérias que abraçam os canalhas e declaram publicamente amizades profundas tão eternas como eternos são os amores enquanto duram e juram que os canalhas não são canalhas ou que não se deve meter o nariz nas canalhices dos canalhas, como a colher entre marido e mulher. O que dirão as pessoas sérias se os canalhas forem castigados pela sua canalhice?

Quando os canalhas massacram o seu próprio povo

Da Líbia as notícias que agora chegam são as piores: ataques aéreos contra manifestantes, mercenários disparando sobre tudo o que mexe. Telefones cortados.

Nesta altura, exige-se uma intervenção firme dos governos que ainda tenham vergonha, sim, os mesmos que têm feito acordos com o clã Gadaffi. Os que tremem com o fim do tampão que tem largado no deserto os africanos que tentam emigrar para a Europa. Os que pensam no seu interessezinho estratégico, ou se borram com medo de uma religião igual à sua. Tenham vergonha, ou pelo menos lembrem-se que as revoltas bem podem atravessar o Mare Nostrum. Muito mais depressa do que imaginam.

Libiartação à vista?

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Com centenas de mortos, começou a guerra civil que levará à Libiartação. O povo está quase a triunfar onde Reagan falhou: derrubar Gaddafi.

Quando o ditador cair, e não vai ser fácil, aguarda-se a intervenção de Sócrates, congratulando-se pelo papel que os magalhães que vendeu à Líbia tiveram na eclosão das revoltas. Aposto.

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