Por Diogo Cabrita
Falo por ti minha amiga Lina que conheces o Hospital há mais tempo que eu.
Falo por ti Manuela, que tens limpo os espaços de trabalho e tens trazido a marmita diariamente.
Falo por ti Carlos que nunca fizeste compras maiores que o teu salário e com dificuldade consegues gasolina para vir todos os dias aos Covões.
Também falo de ti Josefa que te escondes do trabalho e de ti que nunca sabes e nunca queres aprender.
Falo porque sinto o medo que transversalmente vos afoga. O medo de não saber nada do futuro e a certeza que as decisões são feitas sem vos ter em conta.
Há um receio que atinge os bons, os imprescindíveis e os maus.
O medo como um perfume que nos tolhe a todos e sobretudo a vós, a quem os doutores desconhecem o nome, a vós a quem “os grandes” nunca nomearam além de “olhe”, “chegue aqui”.
Falo do medo do futuro, da insegurança sobre o futuro, da subserviência que o medo incute, do silencio cúmplice que vem do receio. [Read more…]






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