Ana Jorge, a ministra que desistiu de ser médica

Ana Jorge terá sido médica, em tempos. Agora, ministra, limita-se a macaquear a linguagem insensível de uma certa raça de gestores para quem os números são tudo, as pessoas menos que nada. Ora, mesmo não sendo completamente aceitável que um gestor seja um autómato feito de desumanidade, é compreensível que seja contaminado pela linguagem glacial das folhas de cálculo. De alguém que exerceu o ofício de Hipócrates esperar-se-ia mais alguma tendência para o humanismo, mas Ana Jorge já não é médica, é só mais uma figurante do circo socrático, sendo certo que não está sozinha no Ministério da Saúde, instituição muito frequentada por ex-médicos.

Assim, ouvir a senhora dizer que os portugueses recorrem a “demasiadas consultas médicas” é mais uma prova de insensibilidade, até porque, que se saiba, não há estudos que comprovem essa afirmação ou a contrária ou outra qualquer que fique a meio caminho. Deixar escapar esta afirmação é apenas insultar os portugueses. Nada de novo.