Ana Jorge, a ministra que desistiu de ser médica

Ana Jorge terá sido médica, em tempos. Agora, ministra, limita-se a macaquear a linguagem insensível de uma certa raça de gestores para quem os números são tudo, as pessoas menos que nada. Ora, mesmo não sendo completamente aceitável que um gestor seja um autómato feito de desumanidade, é compreensível que seja contaminado pela linguagem glacial das folhas de cálculo. De alguém que exerceu o ofício de Hipócrates esperar-se-ia mais alguma tendência para o humanismo, mas Ana Jorge já não é médica, é só mais uma figurante do circo socrático, sendo certo que não está sozinha no Ministério da Saúde, instituição muito frequentada por ex-médicos.

Assim, ouvir a senhora dizer que os portugueses recorrem a “demasiadas consultas médicas” é mais uma prova de insensibilidade, até porque, que se saiba, não há estudos que comprovem essa afirmação ou a contrária ou outra qualquer que fique a meio caminho. Deixar escapar esta afirmação é apenas insultar os portugueses. Nada de novo.

Um Imposto para a Saúde ou para a Doença?

Ana Jorge é pediatra. Substituiu Correia de Campos. Uma espécie de metamorfose para adoçar a comunicação de medidas injustas no sector da ‘Saúde’. No lugar do presumido e inconveniente Campos,  Ana Jorge, de voz e sorriso maviosos, é a interprete ideal para comunicar o nefasto.

A despeito da mudança, o cerne da política de saúde do governo continua determinado e inflexível: eliminar direitos, restringir serviços e cobrar mais aos doentes. Tudo indica, novas medidas anti-sociais estão a fermentar. Agora foi a vez de Ana Jorge  divulgar a possibilidade de criar um imposto para a Saúde, no programa “Terça à Noite” da Rádio Renascença.

À parte de naturais dúvidas sobre a constitucionalidade e de outros aspectos de índole política contraditórias de um governo dito socialista, pergunto: a ser criado, deve designar-se Imposto para a Saúde ou para a Doença? A segunda hipótese é a mais rigorosa, uma vez que competirá, sobretudo, à população envelhecida e aos inúmeros doentes crónicos que a integram suportar grande fatia do imposto anunciado. Castigados por baixos rendimentos, excluídos de seguros de saúde por insuficiência de meios ou limites de idade, constituem, de facto, o segmento populacional mais exposto aos efeitos da penalização fiscal – aplicável predominantemente a doentes, sublinhe-se. [Read more…]

Só meio milhão sem médico de família?!

buraco A ministra Ana Jorge diz que 500 mil portugueses estão sem médico de família.

Cerca de meio milhão de portugueses não tem actualmente médico de família, revelou hoje a ministra da Saúde, Ana Jorge.
Na Comissão Parlamentar de Saúde, a governante disse que, apesar do aumento do número de médicos de clínica geral e familiar, ainda há muitos utentes sem médico de família atribuído. [Público]

Ó senhora Jorge, será que não olhou por engano para a lista de espera de Massamá?! 500 mil sem médico de família? Não sei, mas parece-me que o desconhecimento dos números chegou às listas de espera. No que me respeita, posso dizer-lhe, sr.a Ministra da Saúde, que pagar os impostos e agora de forma mais intensificada (digamos assim, ok?), não me adianta nada. Fui há dias ao posto de saúde desse cogumelo urbanístico que é Monte Abraão e logo me foi dito que não tinha médico de família. Que havia uma lista de espera. Longa. Que se quisesse uma consulta , haveria distribuições de senhas às 9 e às 14 horas. E que teria que ir cedo porque as senhas esgotam. E não, não me seria possível marcar uma consulta para uma data futura porque isso era reservado para quem tivesse médico de família.

Demita-se, senhora Ana Jorge. Sempre melhorava o SNS, já que, sendo médica, passaria a ter tempo para atender doentes.

Não consigo deixar de pensar…

… no que raio andou esta gente a fazer nestes anos todos. Bem pode o outro vir com a conversa de que defende o estado social. A realidade está aí, nua e crua.

A psicóloga e o filho da ministra: «O Crime» ou um jornalismo de latrina

Depois de ter recebido um mail, que denunciava o caso de uma psicóloga que fora substituída por um filho da ministra da Saúde, o Aventar começou a investigar e publicou, no dia 5 de Março, o post «Agrupamento de Escolas da Lourinhã: A psicóloga e o filho da ministra Ana Jorge».
Foi aquilo que no jornalismo se costuma designar por «furo». Mesmo sem ser essa a sua vocação, o Aventar entendeu por bem investigar e publicar. Paulo Guinote fez o link em «A Educação do Meu Umbigo» e durante alguns dias, o assunto dominou a blogosfera.
Na semana que passou, o jornal «O Crime» trouxe como manchete o mesmo tema. Ficámos contentes, no Aventar, porque alguém pegara na nossa história. No entanto, quando abrimos o jornal, ficámos espantados: não havia uma única referência ao blogue. O «jornalista» conseguiu escrever uma página inteira sem referir a fonte que utilizara e a forma como tivera acesso às informações. Numa caixa, apenas uma breve referência ao filho da ministra, que diz saber que a polémica foi despoletada por um blogue na internet.
Pois foi, o caso iniciou-se com um post do Aventar. Mas o «jornalista» de «O Crime» preferiu omiti-lo. Esquecendo o artigo 6.º do Código Deontológico dos Jornalistas, que diz que «o jornalista deve usar como critério fundamental a identificação das fontes».
O que por um lado foi bom. Porque nos lembrou, caso estivessemos esquecidos, que «O Crime» continua a fazer, como sempre fez ao longo da sua história, um jornalismo de latrina.
Senhor jornalista de «O Crime»: esteja à vontade para usar este post da forma que entender. Publique-o na próxima edição do jornal. Se não quiser, como diz o outro, besunte-se com ele.

Agrupamento de Escolas da Lourinhã: A psicóloga e o filho da Ministra Ana Jorge

A informação chegou ao Aventar via mail: uma psicóloga da associação «Novos Sábios», sediada na Lourinhã, trabalhava há 3 anos na Escola E B 2 3 da Lourinhã, gratuitamente, com a promessa de que passaria a ser remunerada quando houvesse verbas para o efeito.
Ainda segundo esse mail, recentemente fora contratado para as mesmas funções, mas remuneradas, um outro psicólogo. A ser verdade, estaríamos na presença de uma história com contornos algo estranhos, de desperdício dos dinheiros públicos e falta de consideração pela psicóloga que colaborava com a escola há anos de forma gratuita. Nada de especial, num país onde os dinheiros públicos são geridos da forma que se sabe, não fosse o facto de esse psicólogo, Miguel Jorge Carvalho, ser filho de Ana Jorge, actual Ministra da Saúde.
O Aventar pôs-se em campo e chegou à fala com a psicóloga da associação «Novos Sábios», Raquel Mendes. Ouvimos também o Director do Agrupamento, Pedro Damião. Quanto ao psicólogo contratado pelo Agrupamento, Miguel Jorge Carvalho, não estava na escola e foi impossível recolher o seu depoimento.

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Agrupamento de Escolas da Lourinhã: A psicóloga e o filho da ministra Ana Jorge

A informação chegou ao Aventar via mail: uma psicóloga da associação «Novos Sábios», sediada na Lourinhã, trabalhava há 3 anos na Escola E B 2 3 da Lourinhã, gratuitamente, com a promessa de que passaria a ser remunerada quando houvesse verbas para o efeito.
Ainda segundo esse mail, recentemente fora contratado para as mesmas funções, mas remuneradas, um outro psicólogo. A ser verdade, estaríamos na presença de uma história com contornos algo estranhos, de desperdício dos dinheiros públicos e falta de consideração pela psicóloga que colaborava com a escola há anos de forma gratuita. Nada de especial, num país onde os dinheiros públicos são geridos da forma que se sabe, não fosse o facto de esse psicólogo, Miguel Jorge Carvalho, ser filho de Ana Jorge, actual Ministra da Saúde.
O Aventar pôs-se em campo e chegou à fala com a psicóloga da associação «Novos Sábios», Raquel Mendes. Ouvimos também o Director do Agrupamento, Pedro Damião. Quanto ao psicólogo contratado pelo Agrupamento, Miguel Jorge Carvalho, não estava na escola e foi impossível recolher o seu depoimento.

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Sócrates e o polvo das farmácias

Vemos constantemente mexidas na lei dos medicamentos e das comparticipações, como ainda ontem se viu na conferência de imprensa da Ministra da Educação. Como sempre, o Estado vai poupar dinheiro mas os contribuintes, muitos deles desfavorecidos, vão gastar mais.
E continua sem haver uma verdadeira política de apoio aos genéricos. E a venda por unidose continua sem avançar. E a prescrição por denominação comum internacional continua sem avançar. Tudo porque não interessa. Ou às farmácias, ou à indústria farmacêutica.
Ontem, a Ministra da Saúde esqueceu-se de dizer que a margem de lucro das farmácias voltou a ser de 20%, quando antes era de 18%. Num momento de crise, percebe-se mal por que razão há um sector que é beneficiado desta forma em relação aos outros. Subida da margem de lucro nesta altura?
Uma medida tão pronográfica que até a Ministra da Saúde teve vergonha de a anunciar. Mas não há limites para a pornografia de que José Sócrates é capaz, nem mesmo por se ter sabido entretanto que o processo Face Oculta regista as ligações perigosas entre João Cordeiro e o primeiro-ministro.