Sobreviver ao acordo ortográfico nas escolas

As primeiras vítimas do acordo ortográfico iniciaram a penitência por estes dias. Tinha de sobrar para os professores, o Paulo Guinote foi dos primeiros a sofrer o choque das letras desaparecidas.

O assunto já fez correr muita tecla no Aventar (ler a categoria acordo ortográfico) e a seu tempo deixei o meu nim: se a língua portuguesa deve ser unificada tanto quanto possível, que o seja a sério, e adivinho no horizonte uma reforma ortográfica. Além disso o vocabulário nacional foi feito por quem fala a norma dos gabinetes, cortando consoantes mudas que não o são, tipos em delírio pensando que a malta diz fato por facto, quando é um facto que quem nos ensina a falar também são as letras e não as etimologias que só vivem na cabeça da erudição mais bacoca. Pessoal ao nível do génio que colocou este ano os professores obrigados à imposição de uma norma quando a maior parte dos manuais ainda está na outra.

Ora isto tudo é muito giro, mas na vida real a dialéctica gajo da esquerda revolucionária mas muito conservador numa data de coisas ameaça-me com psico-avarias potencialmente graves. Salvação? viva a tecnologia: existe uma ferramenta, gratuita, para os três sistemas operativos, onde se mete um ficheiro na norma antiga e sai um novo na norma em que agora sou obrigado a escrever profissionalmente. Tenho testado, funciona e recomenda-se. Descarrega-a, e evite escrever nas duas ortografias, o que convida ao erro e à dupla personalidade,  para isso já temos dialécticas que nos cheguem na vida (por acaso o c da dialéctica é dos tais que não estão lá a fazer nada, mas o hábito também faz a escrita, e a idade não perdoa).

Corrigido por indicação de quem sabe. Ia jurar que já li fato por facto, algures num jornal qualquer, mas pelos vistos sobrou um bocadinho de bom senso.