O Chega virou woke (ou como o lambão baba o dedo para ver de onde sopra o vento)

Chega woke.

O Chega não tem ideias nem ideais próprios. Os ideais, esses, são os de antanho, de um tempo de miséria e penumbra geral. As ideias, essas, são aquelas que a extrema-direita, sobretudo a europeia, estiver a difundir por aí. No caso, como o único exemplo de uma espécie de moderação da extrema-direita surgiu do governo italiano, encabeçado por Georgia Meloni (e a sua amiga benzoilmetilecgonina), o Chega tem tentado, desde as últimas eleições, tornar Ventura numa Meloni.

Ora, se o Chega é contra os transexuais, convinha tentar não tornar o seu líder num. E se o Chega fala tanto em substituição populacional, que lhe importa se as portuguesas fornicam, engravidam e parem? Afinal, estamos a ser substituídos.

O melhor, nestas matérias, era pôr a anti-feminista Rita Matias a falar… porque já se provou que esta anta usa argumentos feministas para se dizer anti-feminista. E agora o Chega, cheio de tesão woke, quer pôr-se ao lado das feministas também… sendo anti-feminista. Está bem, abelha…

Por fim:

Rita, presta atenção:/Verás que não há nenhum mal,/abre lá o teu coração/e as pernas por Portugal. 
André, não tenhas vergonha/e não sejas salafrário;/eu sei que tu largas peçonha,/mas está na hora de saíres do armário. 

Consultas, cábulas, copianços e grau de dificuldade

Na Dinamarca alguém descobriu que estava no século XXI e os finalistas do secundário vão poder consultar a net durante os seus exames finais.

 

Acho bem. Alguns comentários indignados sobre o assunto já acho mal.

 

Testes e exames com consulta não são novidade. Exigem uma prova adequada onde se procure avaliar a compreensão e se dispense a mera memorização.  A elaboração de tal prova é um mero exercício técnico, e é sabido que o grau de dificuldade aumenta.

 

Lembro-me de na faculdade os meus colegas sebenteiros se terem revoltado contra tal prática, que os obrigava a perceber o que tinham por hábito marrar. Para azar dos melhores alunos, foram atendidos no seu choramingar, e lá voltámos aos exames onde fazia sentido utilizar a velha cábula.

 

Passar a consulta de livros, apontamentos e fotocópias, para a consulta na net vai acarretar uma dificuldade extra: a informação abunda, mas seleccionar entre a boa e a má não é fácil, é de resto o maior desafio que se coloca a um estudante neste século. Um esforço extra a superar, portanto.

 

Os tais comentários, vindos de quem não percebe do ofício até se entendem. Vindos de professores remetem-me para os meus colegas sebenteiros. Sim, a maior parte hoje são professores,  e andam por aí. A despejar as sebentas que marraram.