Para o Brasil

Inácio Ramires acompanha D. João VI ao Brasil como Reposteiro-Mor, negocia em negros, volta com um baú carregado de peças de ouro que lhe rouba um Administrador, antigo frade capuchinho, e morre no seu solar da cornada de um boi.
Eça de Queiroz

And I want the rest of you cowboys to know something, there’s a new sheriff in town. And his name is Reggie Hammond.
Reggie Hammond

Francesco Bartolozzi. Departure of his R.H. the Prince Regent of Portugal for the Brazils: the 27.th November 1807. 1807. Gravura: água-forte. (https://bit.ly/2HKQiAZ)

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Segundo o Expresso, Luís Faro Ramos «fez o balanço dos três anos em que exerceu o cargo de presidente do Camões I.P., que deixa esta sexta-feira». Portanto, sendo hoje quarta-feira, Faro Ramos tem ainda cerca de 48 horas para responder à pergunta que lhe fiz há quase quatro meses:

Quais os números?

Agradecido.

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A Província Cisplatina (Memória descritiva)

A vermelho, o Brasil; a Sul, a Província Cisplatina, actual Uruguai.

A Colónia do Sacramento, de que já aqui falei há semanas atrás, fundada por Portugal em 1679 e perdida para a coroa espanhola em 1777, voltou à nossa posse em 1817, quando D. João VI incorporou toda a região do actual Uruguai no Brasil. A região anexada recebeu o nome de “Província Cisplatina”- prefixo cis – do mesmo lado – e platina de Rio da Prata: portanto, do mesmo lado do Rio da Prata (que o Brasil). Durante um século, Sacramento fora por diversas vezes ganha e perdida nas lutas com as tropas espanholas ou nas guerras diplomáticas, até que o Tratado de Santo Ildefonso, assinado em 1777, a fixou como possessão espanhola.

Como sabemos, em Novembro de 1807, D. João VI, ameaçado pela invasão napoleónica, transferiu a Corte para o Brasil. No Congresso de Viena, em 1815, o Brasil foi integrada como Reino, constituindo o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve. Por outro lado, a ida da Corte para o Rio de Janeiro, levou o rei a preocupar-se com o engrandecimento daquela gigantesca possessão portuguesa.

Em 1815, a Casa de Bourbon fora banida do trono de Espanha pelas forças napoleónicas. D. João VI temeu que os espanhóis o imitassem, reproduzindo Espanha no novo Mundo, e na região circundante do rio da Prata nascesse um reino poderoso. Por isso, em 1816, a “Divisão dos Voluntários Reais”, sob o comando do general Carlos Frederico Lécor, invadiu região oriental, tomou Maldonado e ocupou Montevideu em 1817. Carlos Frederico Lécor, barão de Laguna (1764-1836) foi um militar e nobre português, mas que serviu o Brasil após a independência.

Gravura de Debret mostrando o embarque, na Praia Grande, das tropas portuguesas que participaram no cerco a Montevideu, em 1816. [Read more…]