Brasil do caos e ódio mundial

Nas duas primeiras semanas após a eleição o presidente eleito Jair Bolsonaro já causou varias reações negativas. As mais recentes são; declarar que vai acabar com o Ministério do Trabalho, escolher uma defensora dos agrotóxicos para a Agricultura, prometer cobrar mensalidades nas universidades federais, exterminar as secretarias de Cultura e o Esporte, e não podemos esquecer da defesa ao aumento do judiciário que incidirá bilhões nos cofres públicos e das declarações de sua equipe como do “economista” Guedes que versou sobre a “pouca” importância do Mercosul para o Brasil.

O topo da lista das declarações infelizes proferidas por um homem na posição de represente de uma nação foi a desastrosa sobre Jerusalém que acabou colocado o Brasil na lista de desafetos do mundo árabe.

Vale lembrar que há no Brasil muitos árabes e parcerias comerciais.

Cada palavra proferida pelo próximo presidente é uma calamidade. Obviamente não há atos sem consequências então elas já surgiriam em manifestações e editoriais mundo a fora e outras estão a caminho. Não adiantará culpar o PT.

Torturar mulheres e obrigar os filhos a ver

Fotografia: momumento Tortura Nunca Mais, Recife

Se há algo de que não podemos acusar Bolsonaro, é de ter ocultado a sua verdadeira agenda. Podemos acusá-lo de não aprofundar as suas ideias, até porque o seu discurso tende a limitar-se a pouco mais do que insultar opositores, alimentar uma cultura de ódio e atacar o estado democrático de direito, sem que se lhe conheça uma ideia para o país que não seja privatizar a torto e a direito, perseguir minorias e armar a população. Mas não podemos acusá-lo de nos ter tentado enganar. Quem votou Bolsonaro, sabia perfeitamente no que se estava a meter. Se não sabia, foi porque não quis.

Bolsonaro, por muitas fake news que circulem no Whatsapp, é muito fácil de definir: autoritário, machista, racista, homofóbico, violento, fundamentalista religioso, desonesto e manipulador. E quem vota Bolsonaro sabe em quem está a votar. Sabe no que está a votar.

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Espera lá! E a direita não tem culpa?

Durante milhares de anos, poucos homens exploraram muitos sem que os explorados tivessem verdadeiramente à sua disposição instrumentos mentais, morais ou intelectuais que lhes permitissem perceber que estavam a ser escravizados, que a exploração era uma realidade. Pelo meio, claro, houve revoltas, houve Espártaco, houve jacqueries, houve Galileu e muitos outros que chegaram a mártires, mas foi preciso esperar por tempos mais recentes para que alguns filósofos, independentemente da sua condição burguesa, dessem aos explorados meios para, finalmente, pensar sobre a sua condição. Foi então que os oprimidos começaram a estrebuchar, a incomodar, a exigir, para espanto das classes altas, que, invariavelmente, reagiram com brutalidade, até que, em muitos casos, foram obrigadas, para sobreviver, a aceitar a democracia, sendo que, ainda assim, nunca deixaram nem deixarão de a minar.

O poder, ao longo de milhares de anos, encontrou sempre maneiras de se legitimar, legitimando a opressão que exercia, com a ajuda, entre outras, da religião. No caso da nossa Europa, basta lembrar que o rei era ungido (o mesmo que se disse, por exemplo, do Bolsonaro e já fora dito acerca de Salazar), o que lhe dava direito, na prática, a algo semelhante à impunidade. O equilíbrio de poderes era um equilíbrio entre poderosos (reis, papas, duques e outros) e não entre patrões e servos. [Read more…]

O estalinista, totalitário, e o fascista dentro do armário

Passei pela Geringonça e trouxe emprestada mais esta bela composição do Luís Vargas, que tendo já um mês de vida continua actual, porque vem precisamente a propósito de um dos grandes flagelos que o nosso país enfrenta, que é a sua estalinização e a instauração em curso de um regime totalitário, que teve início em Novembro de 2015.

Felizmente, e ao contrário daquilo que pretendem alguns messias do fundamentalismo evangélico-militar, este poderoso rolo compressor será sujeito a sufrágio dentro de um ano, altura em que as forças democráticas portuguesas, ou o que resta delas, terão a oportunidade de apear os perigosos comunistas que se apoderaram da nação. [Read more…]

Sobre o silêncio selectivo

Se há tema que leva a direita a ser mais determinada do que um cão a não largar o osso, é a situação na Venezuela e em Cuba. Trata-se de uma obsessão, comprovada pelo que se escreve sobre esses regimes e pelo constante chapar à cara da esquerda dos problemas nesses países. A tónica habitual pretende difundir este spin: “Portugueses, fujam da esquerda e, se não perceberem porquê, vejam o que se passa na Venezuela e em Cuba”.

Sem inocência alguma, essa mesma direita fica completamente muda com as décadas de governação de direita no México e os enormes problemas que trouxe ao país. Um caso típico de duplo-pensar, agora com o caso do Brasil a juntar-se ao cardápio. [Read more…]

Brasil: a Santa Inquisição do séc. XXI terá início dentro de momentos

Na sua primeira aparição pública após a confirmação dos resultados, Bolsonaro montou um circo evangélico, que muito terá agradado aos fundamentalistas religiosos que o financiaram. O Brasil é um Estado laico? A ver vamos. A julgar pelo início auspicioso, quem sabe se amanhã não muda o nome para República Evangélica do Brasil? O homem parece ter queda para exorcismos e instrumentos medievais de tortura.

Crónicas do Rochedo XXVIII -Boa Sorte, Brasil.

brasil

Não falei nada sobre as eleições brasileiras ao longo de todos estes meses. Porquê? Não conheço a realidade brasileira para me atrever a tal. Fiquei a saber, com enorme espanto, que em Portugal existem dezenas e dezenas de especialistas em política interna do Brasil, da realidade social brasileira. Nunca me passou pela cabeça ver tanto comentador(a) a lavrar sentenças, e definitivas, sobre o Brasil. O problema é que estou desconfiado que, do Brasil, conhecem apenas os enredos das inúmeras novelas brasileiras que as nossas televisões transmitem. Pode ser que esteja equivocado.

Porém, estas eleições permitiram ficar a conhecer alguns pormenores: que no Brasil foram assassinadas mais de 60 mil pessoas no último ano. Que a justiça brasileira colocou na cadeia inúmeros políticos e empresários brasileiros que foram condenados por corrupção (e não com pena suspensa). Nos últimos dias, com a aproximação do dia das eleições, fiquei a saber que em Portugal existe um estranho sentimento racista. O racismo que leva algumas “personalidades” da vida pública portuguesa a afirmar que os brasileiros que votaram no candidato Bolsonaro devem ser recambiados para a sua terra pois Portugal é uma democracia. Fiquei a saber que o Brasil, pelos vistos, não é uma democracia. É preciso ter lata.

O país que está perante o processo Marquês, o escândalo BES, sem esquecer o BPN e o BPP, a escandaleira que são as rendas vitalícias da EDP ou as famigeradas PPP, que deixa morrer o seu povo em incêndios florestais fruto de descoordenação e de um sistema de emergência que não funciona em emergências mas que custou e custa uma fortuna. O país cujos principais responsáveis políticos fecharam os olhos aos desmandos do ditador angolano Eduardo dos Santos e sua família, que patrocinou a entrada de uma ditadura na CPLP. A sério? A sério que conseguem criticar o Brasil sem se rir?

Os brasileiros fizeram a sua escolha. Em democracia. Os brasileiros que vivem em Portugal fizeram o mesmo. Em liberdade. A nós, que não somos brasileiros, resta-nos desejar boa sorte. E recordar que são muito bem vindos a Portugal. Aproveitando para lhes dizer que é profunda a vergonha que tenho por aquelas reacções de alguns, poucos, portugueses anteriormente referidas.

Boa sorte.

Democracia a votos…

Quando os chamados partidos do sistema não dão respostas aos problemas e aspirações das pessoas, estas acabam nos braços da demagogia e do populismo. Jair Bolsonaro, apesar dos anos que já leva em eleições, é um fenómeno político recente, que está a aproveitar o desgaste dos principais partidos por se terem deixado cair nas teias da corrupção. Também a falta de resposta ao flagelo da criminalidade, preocupam os cidadãos que clamam por segurança. [Read more…]

Já compraste vaselina, Brasil?

Capa do Inimigo Público desta semana.

Holocausto brasileiro

Helena Ferro de Gouveia

Este é livro fundamental para entender o Brasil e um dos capítulos mais tenebrosos da sua história: a barbárie praticada até quase ao final do século XX em Barbacena, Minas Gerais.

No hospício conhecido como Colônia morreram mais de 60 mil pessoas, a maioria internadas compulsivamente, 70 por cento sem qualquer problema de saúde mental: eram meninas grávidas violadas pelos patrões, homossexuais, prostitutas, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes de casar, pessoas incomodadas.

Quando chegavam ao hospício rapavam-lhe a cabeça, despiam-nos, eram rebaptizados pelos funcionários. Dormiam sobre erva e feno, eram torturados, abusados sexualmente, bebiam água do esgoto e comiam ratos. Pelo menos 30 bebés foram retirados às mães. Entre 1969 e 1980 1853 corpos foram vendidos às faculdades de medicina. Morrer dava lucro. Chegavam a morrer 16 pessoas por dia.

Está tudo documentado solidamente, as fotografias são atrozes e os relatos dos sobreviventes contidos no livro de Daniela Arbex um dedo apontado aos que os abandonaram e à indiferença.

Quando se fala em fascismo, apatia social, obscurantismo, passa-se também por aqui.
Isto foi ontem.

Aguarda-se pela insurgência

Quem andou em teorias explicar que Bolsonaro está onde está por causa de Lula e do PT tem agora uma boa oportunidade de mostrar que não estava a tecer estas teses apenas porque havia corrupção na esquerda política do Brasil.

Michel Temer indiciado pela polícia por corrupção e lavagem de dinheiro

De resto, não há novidade alguma na notícia. Quando a direita brasileira deu o golpe que culminou com a exoneração de Dilma, já eram públicos os casos de corrupção envolvendo Temer e seus correlegionários.

A questão mesmo é porque se excita tanto a insurgência nacional com a Venezuela e com Lula, fazendo ao mesmo tempo uma tábua rasa sobre o México e Temer, por exemplo. Nós sabemos. É mesmo uma questão de preconceito, para tentar ilustrar uma teoria. Que se lixe a coerência.

Melhor candidato para mulheres

O Brasil registra um quadro absurdo de violência à mulher. Dentre os agressores a imensa maioria são homens armados.

Observando o histórico de tratamento dado às mulheres de ambos candidatos eu pergunto então: quem será o candidato que promoverá a redução dessa violência à mulher?

Ps: na Foto Haddad e Ana Estela Haddad completando 30 ano de casados e renovando os votos e Bolsonaro xingando Maria do Rosário.

Fernando Haddad e Estela Haddad renovando os votos após 30 anos de casamento.

Trecho de vídeo em que Jair Bolsonaro xinga Maria do Rosário.

Ignorância, ódio e instrumentalização do medo: Bolsonaro, o Messias da violência

A Vice arriscou-se pelos covis do fascismo que alimentam a ascensão do próximo ditador da América Latina.

O elogio da tortura e a exaltação da violência, o fundamentalismo religioso acéfalo (passo a redundância), a cultura da ignorância e da desinformação e o ódio contra minorias e instituições democráticas atravessam os 25 minutos deste curto, mas esclarecedor documentário. [Read more…]

E daquela vez em que Bolsonaro afirmou que Hugo Chávez era uma esperança para a América Latina?

Alguns bolsonazis sentir-se-ão tentados a afirmar que a imagem em cima é uma montagem, um pérfido exemplo das mais odiosas fake news à la Trump. Outros sentir-se-ão deprimidos, já que o único argumento que lhes resta é o “Então e a Venezuela?”. Mas Bolsonaro, não vai muito tempo, achava que Chávez era uma esperança para a América Latina e gostava que a filosofia chavista chegasse ao Brasil. Definia-o como “ímpar” e queria ir à Venezuela conhecê-lo. E isto tem que doer aos milhões de fanáticos fascistas que o seguem como uma divindade messiânica.

O Bolsonazi é tão, mas tão mau

que a própria extrema-direita não o suporta.

Cristãos Violentos

Eu já li a Bíblia inteira muitas vezes. Tudo que aprendi sobre Jesus foi lendo sobre ele.

Em uma das passagens sobre Jesus, um dos seguidores (Pedro) pega uma espada e fere um homem que estava lá para pegá-lo.

A violência foi relatada nos quatro Evangelhos (João 18:10-11, Mateus 26:51; Marcos 14:47 e Lucas 22:49-51)

Os detalhes são vários pontos de vista mas em todos Jesus cura o homem ferido. No livro de Mateus a versão que mais admirei:

52 – “Então Jesus lhe disse: Embainha a tua espada; pois todos os que tomam a espada, morrerão à espada”.

Hoje nas eleições brasileiras vejo “cristãos” fazendo o símbolo da arma como símbolo de intenção de voto e decretando a morte alheia. Respiro fundo e penso naquele Jesus.

Bolsominions sadomasoquistas

A esmagadora maioria dos imigrantes brasileiros em Portugal votou no candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro.

A esmagadora maioria dos imigrantes brasileiros em Portugal, sujeitos a décadas de violentos insultos, preconceito e estereotipação, votou num tipo que se refere a migrantes de países pobres como “escória do mundo”.

Será que eles compreendem que, caso Portugal caísse no erro de eleger um troglodita como Bolsonaro, o risco de serem quase todos perseguidos e/ou corridos daqui disparava de forma vertiginosa?

Ou será que a propaganda do fascista lhes esvaziou o cérebro?

Em todo o caso, seria boa ideia espreitarem as simpáticas mensagens que o PNR lhes vai dedicando. Assim, já ficam a perceber com o que contam e no que votaram.

Fazer mossa sem aleijar

Por enquanto, rimo-nos dos outros. Um dia estaremos nós no vídeo. Entretanto, rir vai fazendo mossa no facho, sem o aleijar, no entanto.

Trump e Bolsonaro: as provas vivas de que o capitalismo selvagem detesta a democracia

Imagem via Blog de Pablo Reis

A eleição de Trump, o anti-herói que alguns palermas ainda acreditam não representar os mais imorais interesses económicos, foi apresentado ao mundo como aquele que vinha para romper com o establishment e acabar com os poderes ocultos que nos conduziam para uma ditadura globalista. Não só não o fez como não há stock de Gout de Diamants que resista ao clima de celebração em que vivem os piratas de Wall Street, desde que o anormal foi eleito.

Com Bolsonaro sucede exactamente a mesma coisa. Aldrabado que está grande parte do povo, com uma campanha milionária totalmente focada nas redes sociais e na desinformação, largos milhões de ingénuos (ou imbecis) acreditam que Bolsonaro não representa a elite abastada do país. E a elite abastada do país já esfrega as mãos com o que aí vem. Porque a supressão de direitos e liberdades é sempre boa para o negócio, até porque pagar salários justos e dar condições aos trabalhadores é sempre uma maçada e o helicóptero não se mantém sozinho. Que o diga a bolsa de São Paulo, em contraciclo com o resto do mundo.

Fazer regressar a poesia ao Brasil

Rui Correia

Escutava com muita atenção hoje na tsf um homem a perorar contra a esquerda do Brasil. Dizia que foi a esquerda quem levou o país à ruína. Falou de corrupção.

Não foi, não.

O que fez e faz com que tantos países adiram agora aos extremismos ultranacionalistas de direita (SVP na Suiça, o PPD dinamarquês, o Finns da Finlândia, Norbert Hofer na Áustria, Geert Wilders na Holanda, Le Pen, Mateusz Morawiecki na Polónia, Orban na Hungria, Trump, Bolsonaro…) não é, nunca foi, a corrupção.

Foi algo muito mais potente do que a corrupção.

O que põe o Brasil nas mãos de um alucinado é a aflição de não haver esperança num futuro melhor. A poesia como espécie em extinção.

Sempre existiu uma forma simples de esmagar o ultranacionalismo como impostura vigarista e barata que sempre foi e é.

A solução esteve sempre em saber escutar com atenção aqueles que agora chamamos “descontentes”, eufemismo horrível.

A única forma de parar com os “descontentes”, é perceber o que põe “descontentes” os “descontentes”. E o que os põe “descontentes” é – será sempre – o mesmo de sempre. [Read more…]

Boa sorte, Brasil!

 
Hoje, Alexandre Frota, que protagonizou vários filmes de pornografia gay, foi eleito deputado federal pelo PSL, o partido do mesmo Bolsonaro que anda há anos a demonizar os homossexuais. Do mesmo Bolsonaro que prefere ver o filho gay morto.

Preto, ou branco…

Tenho amigos brasileiros, pessoas com quem trabalho, ou trabalhei, que me habituei a respeitar, sem atender às opções políticas de cada um. Sempre que tenho tido a oportunidade, a todos faço a mesma pergunta, Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad? Não é possível uma solução menos extremada? Ciro Gomes? Geraldo Alckmin? [Read more…]

O Brasil merecia melhor…

#EleNão reúne milhares de mulheres no Brasil

Salvador, Brasília, BH, Rio de Janeiro, São Paulo etc – O Brasil antifascista foi às ruas hoje. Milhares de mulheres, homens e crianças para dar um recado que será confirmado no dia 07/10

Se por um lado esse candidato abriu o esgoto mostrando a quantidade de gente racista, machista, misógina, lgbtfobicos e burra, também uniu pessoas com um propósito: #EleNão.

Fotos Mídia Ninja

O Brasil quer mesmo uma ditadura?

Jair Bolsonaro não é homem de rodeios. Diz ao que vem, com todas as letras, de forma tão cristalina que ninguém pode alegar não saber ao que vai. Votar Bolsonaro significa votar num regime que discrimina e persegue com base na cor, no género, na orientação sexual ou na ideologia politica. Um regime que defende a tortura, a pena capital, a morte de inocentes como meio para uma estranha forma de ordem social e a posse generalizada de armas de fogo. Que promove a desinformação, o ódio e a rejeição da laicidade do Estado, cruzada que partilha com as seitas evangélicas que exploram, sem vergonha ou escrúpulos, milhões de brasileiros. Que é partidário da violência, da censura e de todas as outras formas de repressão. Votar Bolsonaro, é votar na instauração de uma ditadura. É votar para não mais votar. [Read more…]

Um troglodita chamado Jair Bolsonaro

Brasil reabre alas ao glifosato

Foto disponibilizada por Isabel Falcão

A Bayer e o seu presidente administrativo Werner Baumann devem ter respirado muito fundo e agradecido profundamente, sabe-se lá por via de que modalidade, ao presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1), Kássio Marques, que aceitou, a segunda-feira passada, “o recurso contra liminar da Justiça Federal que suspendia o registro do Glifosato e demais agrotóxicos até a conclusão da análise de toxicidade pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Com a decisão do TRF, os agrotóxicos voltam a ter o uso liberado nas plantações brasileiras.“

O que interessam argumentos em defesa da Saúde e do princípio da precaução, se “sua proibição causaria impacto nos lucros da indústria do agronegócio, modelo de negócios seguido no país”???

O Brasil é o segundo maior mercado da monstruosa Monsanto, e portanto da Bayer, e a Bayer Cropscience do Brasil é a quarta maior operação do Grupo Bayer no mundo, possuindo duas importantes fábricas localizadas em São Paulo, cidade onde também fica a sede brasileira, e em Belford Roxo.

No que diz respeito ao controle das transnacionais sobre a agricultura brasileira, o que mais chama atenção nos dias de hoje é a crescente difusão das sementes transgênicas pelas grandes empresas do setor, como Monsanto, Bayer, Syngenta, que também são as grandes produtoras de agroquímicos, o que contribuiu para a transformação do Brasil no maior consumidor mundial de agrotóxicos (…).

No que toca ao agronegócio, modelo de produção agrícola dominante no Brasil, também os governos de esquerda produziram um colossal desastre, para mal do planeta e de toda humanidade. Nem é bom pensar no futuro.

A Ciência e Cultura em chamas no Brasil

O mundo ficou perplexo diante da destruição de milhões de peças com o incêndio do Museu Nacional , no Rio de Janeiro, Brasil, na noite deste domingo, 02 de setembro, e que abrigava 200 anos de história, arte e ciência.

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AGRO é morte no Brasil

Reza uma lenda no Brasil que se você gritar Reforma Agrária, três vezes no espelho,  aparece um fazendeiros ou político ruralista para matar-te. A brincadeira é para falar algo sério: a morte das arvores, biomas,  bichos e ativistas que os defendem aumentaram assustadoramente após o golpe. 

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravidão e reforma agrária no Brasil, defende que a abolição foi criada para suplantar a ideia de reforma agrária no país no século 18. “O debate sobre a repartição das terras nacionais havia sido proposto pelo abolicionista André Rebouças, engenheiro negro de grande prestígio. Sua ideia era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para ex-escravos. O político Joaquim Nabuco, também abolicionista, apoiou a ideia. Já fazendeiros, republicanos e mesmo abolicionistas mais moderados ficaram em polvorosa”.

Aqui após o golpe articulado também por políticos ruralistas (que representam os interesses dos grandes proprietários de terra) o números dos desmatamentos e assassinatos de ambientalistas, justamente os que denunciam os crimes, dispararam. 

A divulgação de dados duvidosos por parte dos ministérios do governo Temer me faz dar mais créditos às organizações que monitoram a violência ao meio ambiente brasileiro. Há uma série de dados disponíveis. Apenas destaco estes:

  • menos de 1% de fazendeiros no Brasil possuem quase 50% do total de terras do país. (Oxfam Brasil)
  • O Brasil é onde mais ambientalistas são assassinados. Maioria dos casos na Amazônia justamente região que ainda abriga povos indígenas e espécies endêmicas. (Global Whitness)

  • A bancada ruralista no Brasil representa 40% dos políticos e já impuseram uma série de retrocessos ao meio ambiente (como liberar licenças para desmatamento na Amazônia e sucatear a fiscalização) além de enfraquecerem medidas que visam acabar com o trabalho escravo no campo. Chegamos ao cúmulo do presidente Temer tentar aprovar lei que permite mineração na floresta amazônica ou de candidatos apoiados pelos ruralistas defenderem a caça de animais já ameaçados de extinção. (Fontes: El País, Greenpeace, Agência Envolverde etc) 

(Não citei aqui a recente campanha para aprovar mais agrotóxicos na lavoura brasileira. Tema para outro post.)

É por esses e outros motivos que a bandeira Reforma Agrária é tão perseguida no Brasil e seus defensores criminalizados enquanto grandes fazendeiros se associam a políticos e mídias para promover o “Agrocrime” e a meritocracia de suas terras herdadas (griladas). 

Projeto colore comunidade em BH

Desde o dia 10 de junho, a comunidade do Cruzeirinho, no Alto Vera Cruz,  recebe artistas visuais para a execução do projeto M.A.MU. – Morro Arte Mural, projeto concebido e executado pela Pública, agência de arte de duas das três idealizadoras do CURA- Circuito Urbano de Arte, festival que projetou Belo Horizonte (MG) para o circuito internacional de arte urbana.

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