O Brasil de Lula e Bolsonaro nunca…

…nos desilude😜

Processo de normalização do nazismo em curso

No Brasil, a ascensão de Bolsonaro, e subsequente normalização da narrativa da extrema-direita, deu palco a extremistas como o YouTuber Monark, que, por estes dias, se tem batido pela reabilitação do nazismo, como se de uma questão de liberdade de expressão se tratasse.

Em Portugal, os neo-nazis do NOS, grupo entretanto extinto, que tinha nas suas fileiras inúmeros criminosos condenados por crimes violentos, como Mário Machado, seu fundador, foram literalmente absorvidos pelo CH, ocupando hoje em cargos de direcção do partido. Não se iludam: é uma questão de tempo, até que tenhamos esta gente a romantizar Adolf Hitler.

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Abel não é Jesus

Pelo segundo ano consecutivo, Abel Ferreira liderou o Palmeiras até à conquista da Taça dos Libertadores. Quando o treinador português aterrou em São Paulo, em 2020, o “Verdão” tinha apenas uma Libertadores no palmarés. Em dois anos de Abel Ferreira, passou a ter três. Um feito só ao alcance dos melhores, reflexo da excelência dos treinadores portugueses, que dão cartas nos quatro cantos da esfera, seja na Premier League, seja nas competições europeias, sul-americanas ou asiáticas (nem de propósito, Leonardo Jardim venceu há dias a AFC Champions League, a Liga dos Campeões asiática, ao comando do Al Hilal). Enorme Abel Ferreira! Um verdadeiro campeão.

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De Garcia a Bolsonaro: o populismo é o novo mainstream

Na célebre entrevista, Manuel Luís Goucha perguntou:

– O seu discurso não cria clivagens?

Suzana Garcia respondeu:

– O meu discurso é o antídoto. Eu sou a expressão do povo.

Os políticos arvorados no messianismo são sempre a expressão de um povo que não consultaram antes de o ser. Seja Garcia, Ventura ou Bolsonaro, cuja taxa de aprovação parece ter batido o recorde mínimo, que ontem exigiu a deposição de um juíz do Supremo, perante um ruidoso coro de adeptos a exigir assassinatos e um golpe de Estado:

– Qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou.

Ontem foi Bolsonaro, amanhã será Ventura e, mais dia, menos dia, irá a jogo o juiz negacionista. O populismo é o novo mainstream.

Desordem e retrocesso

Entretanto, no Brasil, apoiantes de Bolsonaro invadiram a Esplanada dos Ministérios, derrubaram gradeamentos colocados pela polícia com camiões e receberam o apoio formal de um dos filhos de Bolsonaro, que foi ao local cumprimentar os membros da seita radical do pai, subindo a um dos camiões para ter o seu momento populista. Ordem, progresso e, é preciso dizê-lo, respeito pela autoridade. A extrema-direita brasileira é uma anedota do Fernando Rocha.

Os protestos de Terça-feira – apoiados e incentivados pelo presidente – que, entre outras coisas, defendem a invasão do STF e a execução de juízes e políticos de esquerda, é mais uma cereja no cimo do bolo extremista do bolsonarismo, uma das mais proeminentes expressões da rejeição do modelo ocidental de democracia, em democracia. E eu ainda sou do tempo em que destacadas figuras da direita nacional, como Portas ou Cristas, trataram de normalizar Jair Bolsonaro, porque entre a receita da extrema-direita e o fantasma de Lula, que foi muitas coisas mas nunca representou a mínima ameaça à democracia, a direita dita moderada escolheu Bolsonaro. Não admira que o CDS (e uma parte do PSD) esteja a ser devorado pelo cheerleader português do troglodita sentado no Planalto.

Marcelo, o negociante

Realmente, como dizia um comentador do Aventar, eu não percebo nada de política. Não consegui perceber a que título o ministro dos negócios estrangeiros foi há 3 dias inaugurar uma sede da EDP no Brasil. E agora não atinjo como é que o Presidente da República português tem o desplante de se encontrar com Bolsonaro e, em vez de lhe falar nos direitos humanos dos povos indígenas e na destruição do Amazonas que avança a 100 à hora, vai com “uma preocupação muito clara de explorar todos os caminhos, posições comuns e passos a dar em conjunto”.

“Temos muito a concretizar e a realizar”, disse o Presidente da República e referiu, como pontos prioritários, o “estreitamento das relações de cooperação, o aprofundamento da vertente económica da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o objectivo de chegar a um acordo entre a União Europeia e ao Mercosul”.

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, sr. Presidente??? Mas o sr. Presidente tem noção de que esse acordo iria apenas beneficiar o agronegócio e a indústria automobilística, ao mesmo tempo que conduziria a mais incêndios florestais na Amazónia, prejudicaria a biodiversidade, os direitos humanos e o bem-estar animal e que está em directa contradição com os compromissos ambientais da UE??? Mas o Sr. Presidente também só pensa em negócios? Não deveria ter uma posição mais consentânea com o cargo que desempenha?? Não se informa, ou está-se nas tintas para os prejuízos ambientais e sociais desse absurdo acordo??? Tem mesmo que se colocar ao nível dos comerciantes e ser seu porta-voz? Não lhe caberia o papel de saber ver mais longe, de se sentir responsável pelos direitos das futuras gerações, de ter o bem comum mais centrado no seu foco de visão?

É a tal coisa, eu não percebo nada de política. E hei-de morrer sem ver um político português do centrão a ter um papel verdadeiramente elevado e liberto dos atilhos comezinhos do negócio.

What?? Santos Silva e EDP?

Alguém me pode explicar a que título é que o ministro dos negócios estrangeiros português foi inaugurar a nova sede da EDP no Brasil???

 

Parabéns, Chico Buarque

77 anos de um dos melhores. Parabéns, Chico! 

Fora Bolsonaro

Entretanto, em São Paulo, Estado onde Bolsonaro ganhou por larga vantagem, na segunda volta das presidenciais de 2018, uma pequena multidão saiu à rua para exigir o seu afastamento. Com Dilma Rousseff começou assim.

Conversas vadias 10

Na décima edição das “Conversas vadias”, vadiaram António Fernando Nabais, Francisco Miguel Valada, Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Orlando de Sousa e João Mendes, à volta de: gravidez masculina, vacina, agulhas, barba, concorrência, sotaques, Brasil, José Mourinho, galones, Carlos Queiroz, fusos horários, pandemia, Baleares, Marega, super-liga, capitalismo, mercado, mérito e comentadores.

Aventar Podcast
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Conversas vadias 10







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As Mentiras na Cúpula do Clima

O presidente do Brasil foi à Cúpula do Clima discursar inverdades, usando a velha tática da retórica oposto a prática. Aliás o discurso inclusive foi bem fraco, digno de um governo cujas metas são “passar a boiada”.  Talvez na idade média suas falácias colassem. Porém atualmente temos satélites e uma rede consolidada de ambientalistas e povos originários que lutam contra a destruição e desmonte do patrimonio natural brasileiro. Duas imagens apenas deslegitimam qualquer lorota bolsonarística:

Ministro do Meio Ambiente é acusado de fazer lobby para liberar madeiras de desmatamento da floresta amazônica.

O número de queimadas no Amazonas em 2020 superou o recorde anterior, de 2005 e nada foi nvestigado pelo governo brasileiro.

 

 

Brasil ultrapassa 300 mil mortes

Essa semana o Brasil ultrapassou a triste marca de 300 mil mortes e com récorde de mais de 3 mil pessoas mortas em 24hs. O país segue com escassez de vacina graças ao negacionismo fundamentalista.  Sumiço de doses, integrantes do poder público furando a fila da vácina, fome e desemprego atingindo fortemente moradores de Vilas e Favelas, uso de “tratamento precoce” (cloroquina e etc) causando necessidade de transplantes, enquanto o presidente inominável tenta hipnotizar a população repetindo o mantra que a responsabilidade não é sua.

No meio disso mais uma troca ideológica no Ministério da Saúde. Um show de incompetência, amadorismo e incapacidade (mental para álguns) em lidar com a pândemia. Salve-se quem puder.

 

Genocida

Filipe Netto, youtuber brasileiro, foi intimado pela polícia por ter chamado “genocida” ao presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

O politólogo Daniel Cara, também professor na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, viu a sua conta no Twitter suspensa por ter adjectivado de “genocida” a gestão que Bolsonaro tem feito da pandemia.

Há seis dias, em São Paulo, milhares de mulheres brasileiras saíram à rua para protestar contra as políticas genocidas do presidente do Brasil.

Há quatro semanas, Lula da Silva referiu-se a Bolsonaro como um “genocida” por este estar a deixar morrer milhares de compatriotas, sem agir para que isso não aconteça. [Read more…]

Pega ladrão!

“E depois da eleição, você cobra resultado? 
Ou fica aí parado, de braço cruzado? 
Você lembra em quem votou p’ra deputado? 
E em quem você votou lá no Senado?” 

O Supremo Tribunal Federal do Brasil anulou, esta segunda-feira, todas as condenações de Lula da Silva, no âmbito da operação Lava Jato. 

Recorde-se que o processo Lava Jato teve início em Março de 2014, pela mão do então juiz Sérgio Moro, posteriormente nomeado Ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo de Bolsonaro, cargo a que renunciou em Abril de 2020, depois de divergências com o presidente brasileiro. A operação condenou mais de cem pessoas, investigando, entre outros, crimes de corrupção activa e passiva, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e recebimento de vantagem indevida. A operação Lava Jato teve o seu término em Fevereiro de 2021.  

Uma das pessoas apanhadas na teia de suspeição foi o antigo presidente do Brasil e antigo presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Lula da Silva. O ex-presidente brasileiro, suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acabou por ser condenado a nove anos e seis meses de prisão, em Julho de 2017. Proibido de exercer cargos públicos, Lula da Silva cumpriu 580 dias de prisão, depois de, em Abril de 2018, ter visto rejeitado o Habeas Corpus e ter sido, novamente, condenado à prisão (desta vez a doze anos e um mês). Depois do linchamento, da perseguição e da prisão, o socialista Lula foi libertado em Novembro de 2019, depois do Supremo Tribunal Federal ter considerado a condenação da prisão em segunda instância inconstitucional. Segundo a revista Veja, Lula da Silva é a personalidade brasileira mais visada por notícias de teor falso e calunioso.    [Read more…]

Excesso, Aqui

João Loureiro diz-se encontrar num filme sempre pop, cumprindo uma tradição familiar iniciada algures pelo mato da Guiné. Um irreal social provocado por diletâncias sem fim. Ah, explicar. Excesso, Aqui? Observo a extravagância…

Os supostos valores e os verdadeiros interesses: O acordo UE-Mercosul

Chovem picaretas oriundas de múltiplas direcções contra o absurdo acordo de livre comércio UE-Mercosul ((Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), que foi já assinado em 28 de Junho de 2019, mas que, para entrar em vigor, depende da ratificação de todos os países envolvidos.

Um dos posicionamentos mais actuais contra o acordo provém de 22 cientistas de diversas instituições europeias e americanas que apresentaram um estudo demonstrando que o acordo é incompatível com as diretrizes ambientais da União Europeia (UE), nomeadamente com o Acordo Verde Europeu:

Segundo os pesquisadores, os problemas centrais são que o acordo (…) não prevê sanções em caso de descumprimento de metas ambientais, não exige transparência, não traz mecanismos de rastreabilidade dos produtos e não é inclusivo – ou seja, ouviu apenas os participantes da cadeia produtiva exportadora, mas não os povos que serão diretamente impactados por ela.”

“O plano europeu objetiva preservar a biodiversidade, o meio ambiente, ser socialmente justo e inclusivo. Assim, as cadeias produtivas de alimento que abastecem a Europa precisam atender a esses critérios”. “Mas o acordo comercial pretende aumentar importações [por parte da Europa] de commodities que trazem riscos de desmatamento e de violações de direitos humanos, sem observar esses critérios de sustentabilidade, como participação [dos povos locais], consulta e inclusividade, transparência, rastreabilidade.”

Na sexta-feira passada foi a vez da comissão francesa para a avaliação do acordo UE-Mercosul, criada por Emmanuel Macron, divulgar o seu relatório. E diz: o acordo é uma “oportunidade perdida” em questões ambientais e sanitárias que irá acelerar a desflorestação nos países do Mercosul, enquanto que não inclui “quaisquer medidas eficazes para a implementação dos compromissos climáticos”.

São tantas e tão diversificadas as frentes que denunciam este anacrónico acordo – tanto do lado de cá, como do outro lado do Atlântico -, que pode ser que seja desta que o resultado venha a ser propício aos povos e ao Planeta e não ao agronegócio e à indústria química e automobilística. Macron e até Merkel já declararam que tal como está não passará e a Áustria e o Luxemburgo também acenderam o sinal vermelho. Mas nada disto é de fiar, mais jeitinho menos jeitinho.

A ver, a ver, se a fossanguice gananciosa do negócio e o seu lobby vão fazer a comissão tirar da cartola o truque da “separação” da parte comercial do acordo (retirando-a do acordo geral de cooperação mais amplo) para que possa ser ratificado por maioria qualificada no Conselho e sem passagem pelos parlamentos nacionais ou/e aquele inútil “instrumento interpretativo” que sacaram para  o CETA. Tanto quanto se tem manifestado, o governo português, com especial ênfase durante a próxima presidência, tudo fará para que este acordo avance – com ou sem as chamas no Amazonas a agilizarem as alterações climáticas, com ou sem extermínio dos povos indígenas.

Bola Bolsanaro

Coletivo de arte usa “cabeça de Bolsonaro” como bola de futebol. A escultura ultrarrealista da cabeça do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é usada como bola de futebol. A ação foi divulgada no Instagram oficial do grupo e faz parte do projeto ‘Freedom Kick’ (“chute de liberdade”, em português), que também tem peças similares à imagem de Donald Trump e Vladimir Putin.
No texto da publicação, o coletivo afirma: “Embora aqueles que têm o poder gostem de tratar política como uma brincadeira, para muitos, há muita coisa em jogo. Futebol sempre foi um esforço coletivo, algo que envolve comunidade e organização, enquanto a ditadura é mais individual. É como dizem, só há uma bola. Essa é uma metáfora perfeita para os nossos chefes de Estado; e o nosso trabalho é chutá-los até encontrarmos uma maneira de transformar nossos esforços individuais numa vitória coletiva”.

Arte é resistência.

 

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Bolsonaristas feministas

Brasil é cheio de sinhazinhas que usam o discurso do feminismo para manter privilégios , conforto e perpetrar o ódio. Os castigos ,dado até as crianças negras e indigenas no Brasil colonial, é um tema indigesto. As mulheres negras eram mutiladas depois de serem estupradas pelos senhores, a mando das sinhás.

Conheci várias descendentes. Evocam uma luta por conveniência. Dão escândalo e promovem grande caça-a-bruxas nas redes mas na hora H  são capazes de dar crianças a cães ou jogar no elevador.

Um dos episódios recentes foi a prisão de uma delas, defensora ferrenha do bolsonarismo e ideias de supremacia branca. Ridícula e perigosa.

Muito cuidado com elas meus queridos.

Jair Bolsonaro: o pior gestor mundial da pandemia tem medo da verdade

JB

De longe o pior na gestão da crise sanitária, que começou por desvalorizar e apelidar de “gripezinha”, Jair Bolsonaro decidiu restringir o acesso aos dados da pandemia. Com o país mergulhado numa tempestade perfeita, com uma curva epidemiológica a subir a pique, dúvidas quanto à veracidade dos dados divulgados e suspeitas fundadas de fraude na contabilização do total de óbitos, Bolsonaro está refém da sua incompetência e negligência, e, sem surpresas, optou pelo caminho da opacidade total. Eis o regime que capturou o Brasil em todo o seu esplendor: incompetência, negligência, fraude, fanatismo, ocultação e desrespeito pela vida humana. E eis o que nos espera, se algum dia cairmos no erro de nos deixarmos levar pelo canto da sereia neofascista, cujo nome não pode ser mencionado, e que tenta, a todo o custo, aproximar-se do clã jihadista que se empenha em transformar o Brasil num regime autocrata.

André Ventura e o Chega são inimigos do Estado laico

RF

Um dos pilares de qualquer democracia consolidada é a laicidade do Estado. Foi uma conquista arrancada a ferros, depois de séculos de domínio do Vaticano sobre reis e imperadores, feito das mais variadas formas de opressão, cruzadas e “hereges” a arder em fogueiras. Em Portugal, as ligações estreitas entre o Estado Novo e o topo da hierarquia de Igreja Católica são conhecidas, sombrias e a total negação dos ensinamentos de Jesus Cristo. E sim, ainda existem por aí uns quantos abades com sangue inocente debaixo das unhas. E não, não foi assim há tanto tempo.

Não é preciso ir muito longe para perceber o quão nociva é a captura de Estados por instituições religiosas. Basta olhar para o Médio Oriente para perceber isso mesmo. Ou até para o papel dos fundamentalistas evangélicos em governos como o de Bolsonaro, onde a pastora evangélica e ministra Damares Alves exigiu recentemente a prisão imediata de todos os juízes do Supremo, por estes não se vergarem as exigências do presidente. A separação de poderes, tal como a laicidade, é, para os fanáticos religiosos, um alvo a abater. [Read more…]

A pandemia neofascista

JB

Cartoon: Carlos Latuff

Nelson Teich, apesar do apelido que rima com Reich, não sobreviveu um mês no Ministério da Saúde de Bolsonaro. Entrou a 17 de Abril, para substituir Luiz Henrique Mandetta, demitiu-se a 15 de Maio, para ser substituído por (mais) um militar. O anterior foi corrido por insistir na importância do distanciamento social. Este demitiu-se por se recusar a recomendar a cloroquina, e por discordar da equiparação de salões de beleza e ginásios a serviços essenciais. Pobre Ministério da Saúde brasileiro, onde o conhecimento científico é enxovalhado e espezinhado, e o autoritarismo ignorante de Bolsonaro é quem mais ordena.

O senhor que se segue é o general Eduardo Pazuello, um militar de carreira sem qualquer tipo de formação na área da saúde. Contudo, Pazuello é detentor da melhor das qualidade para integrar o actual governo brasileiro: é amigo pessoal de Bolsonaro. Tão amigo que afirmou mesmo estar disponível para acatar qualquer medida imposta directamente pela presidente para a área da saúde. Com obediência cega e sem levantar questões. [Read more…]

Por favor, não matem os velhinhos (a menos que a “economia” exija o seu sacrifício)

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Rodrigo Constantino é um dos opinion makers mais influentes e seguidos do Brasil. Apresenta-se como “Economista, jornalista, liberal com viés conservador contra extremistas de todos os lados“, e é um dos mais fervorosos apoiantes de Jair Bolsonaro nas redes sociais. O debate político no Brasil atingiu um patamar de surrealidade tal, que um tipo que se assume “contra extremistas de todos os lados”, pode apoiar um extremista como Bolsonaro, sem se transformar numa anedota nacional.

Segundo este jornalista, em suma e sem perder muito tempo, os idosos devem estar preparados para se oferecer em sacrifício pela economia, tal como os jovens de 20 anos que vão para a guerra, como se a esses jovens fosse dada a possibilidade de escolher. No fundo, é aquilo que defendem inúmeros políticos conservadores e liberais, no Brasil, nos EUA e noutros pontos do globo, apesar da hipocrisia compulsiva que não lhes permite verbalizar que o modelo de sociedade que realmente defendem é o que melhor serve os interesses da elite económica e financeira, com a qual, regra geral, andam de mão dada. Morra quem tiver que morrer. [Read more…]

Bolsonaro e o vírus evangélico

A farsa evangélica, vírus altamente contagioso que corrói o Brasil há décadas, como outros fanatismos religiosos, operados por vigaristas que fazem da fé e da ignorância dos mais vulneráveis um negócio canalha e altamente rentável, continua sem vacina. Os milionários do dízimo continuam a vender água milagrosa do Rio Jordão, políticos de todas as cores continuam a oferecer-lhes a cabeça da laicidade numa bandeja, enquanto abanam o rabo, e o assalto prossegue, triunfante. [Read more…]

Brasil. Covid-19 já mata milhares… de neurônios.

A Covid-19 já chegou ao Brasil há mais de um mês. Os poucos dados atualizados e confiáveis indicam que o número de infectados só aumentam. Já são 4371 casos confirmados e 141 mortes até as 12h51 desta segunda-feira.

As proximas duas semanas serão decisivas na explosão de casos mas apesar de todas recomendações da OMS o dirigente maximo do país, Jair Messias Bolsonaro, contínua a minimizar os efeitos letais do vírus e tem incentivado em ações e discursos, a quebra do isolamento em nome da salvação da economia. A ultima dele foi sair às ruas de Brasília no domingo, cumprimentando seus eleitores. Em seguida declarou que é preciso combater o vírus como homem. Deve achar que será com um fuzil que venceremos a pandemia. Que o presidente brasileiro não entende muito de economia, isso já é sabido mas adotar uma postura que pode resultar num colapso muito maior na saúde e economia de toda a nação brasileira, é chocante.

As ações do presidente são apoiadas por seus eleitores e simpatizantes que estão promovendo manifestações (carreatas) pela abertura de escolas e comércio. Grande maioria empresários e dondocas em carrões, cansados de limparam a própria sujeira e cuidarem dos filhos (se é que o fazem pois já há registros de “serviçais” terem morrido ao pegar vírus dos patrões).

Enquanto isso governadores e prefeitos tem adotado uma medidas mais preventiva, fechando comércios, escolas e serviços, incentivando a população a se isolaram. Especialistas indicam que o Brasil terá muitas baixas. A mais otimista delas que li, indicava algo em torno de 40 mil mortes devido a Covid-19.

Não há certezas com relação aos números mas as previsões são de caos e uma crise sem precedentes. A parte da população que votou em Jair e acredita que o vírus é apenas uma gripezinha também sofrerão. Na verdade já sofrem. Seus neurônios, os poucos que tinham, já pereceram.

O Bolsonaro foi convidado?

Em princípio foi. A não ser que o Bibi ainda não tenha perdoado o episódio anti-semita (que não surpreende, vindo do governo que vem) do Goebbels da Cultura.

Então mas o Trump não era amigo do Bolsonaro?

E o Brasil não estava mais seguro, agora que os milicianos evangélicos chegaram ao poder?

Cagômetro

O contador de cagadas oficial do Governo Bolsonaro

A Amazónia a arder no fogo do fascismo

A Amazónia continua a arder e o presidente Bolsonaro acusa as ONG ambientalistas de ter ateado os fogos. O mesmo Bolsonaro que colocou uma lobbista do agro-negócio na pasta da agricultura, que acabou com a fiscalização das invasões às reservas indígenas e que permitiu que o desmatamento avançasse sem freio e sem precedentes. O que levou a um aumento desenfreado da poluição para níveis recorde. Confrontado com os factos, Bolsonaro demitiu o presidente do INPE, responsável pelos estudos sobre o desmatamento da Amazónia, e colocou um fantoche seu no lugar. O mesmo aconteceu com a FUNAI. [Read more…]

“Não adianta mais fingir…

Por Ivan Martins*

Não há mais um regime democrático. Democracia tem regras constitucionais que são respeitadas. É a ditadura do capital financeiro.

“Não adianta mais fingir…

Não adianta ouvir Mozart no carro.
Não adianta ler “O mal-estar na civilização” com a gata no colo.
Não adianta receber os amigos, tomar vinho e ficar feliz na companhia deles.
Não adianta conversar com os filhos, jantar com os filhos, beijar os filhos.
Não adianta dormir com a mulher que a gente ama, dizer que a ama, ouvir que ela também nos ama.
Nem o Corinthians escalando a tabela do Brasileiro adianta.
De manhã, ao ligar o celular, você ficará sabendo que a polícia de São Paulo compareceu a uma reunião de mulheres do PSOL, exigindo saber quem havia organizado aquele encontro partidário.
Depois, saberá que Bolsonaro demitiu um cientista, o respeitado presidente do Inpe, que teve coragem de denunciar suas mentiras sobre o desmatamento na Amazônia.
Lerá, mais tarde, que a tropa de elite da polícia militar do Pará canta, diante do governador do Estado, uma música que fala em “arrancar cabeças” e praticar “pena de morte à brasileira”. [Read more…]

Temas da silly season – II

Ao que parece o BE pretende cancelar a visita do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, a Portugal, por não o considerar bem vindo. Nada que surpreenda vindo de quem pratica o folclore político. Como se fosse possível ignorar os 500 anos de história comum, as centenas de milhares de portugueses que vivem no Brasil, os brasileiros que vivem em Portugal, a língua, tudo porque os meninos amuaram quando os brasileiros elegeram quem bem entenderam, como se nós não fizéssemos o mesmo, quer os outros países gostem ou não das nossas escolhas democráticas enquanto povo livre. A democracia tem destas coisas, claro que percebo a dificuldade dos que tentam impor uma agenda à sociedade em lidarem com a divergência.
Não vou gastar uma linha em defesa de Jair Bolsonaro, estou-me nas tintas para o político, interessa-me mais o que se passa cá no rectângulo, em matéria de relações entre estados, os políticos passam, os países ficam. Os meninos mimados da política portuguesa precisam crescer e aprender…