Pergunta: o Expresso adopta o AO90?

Resposta: sim, não e até talvez.

FMI manda Expresso escrever sobre o FMI

Esqueceram-se de mais alguns títulos.

  • FMI preocupado com os salários dos professores
  • FMI excitado com os números do desemprego
  • FMI elogia combate aos incêndios florestais
  • FMI desvaloriza problemas na CP
  • FMI não encontra problemas no Serviço Nacional de Saúde

Se é para fazer fretes, que sejam bem feitos.

Espalhafatos e coisinhas assim

Lear. Get thee glasse-eyes, and like a scuruy Politician, seeme to see the things thou dost not.

— Shakespeare, “King Lear” (Folio I, 1623)

A TextGrid is a collection of tiers (this rhymes with cheers, not with liars).

— Paul Boersma (p. 350)

… ’tás sempre a falar coisinhas assim.

— Rodolfo Reis, 2/9/2018

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Mais imagens esclarecedoras.

A propósito, convém sempre regressar a este belíssimo texto de Donald Davidson, cujo trecho mais célebre é o seguinte (p. 47):

A picture is not worth a thousand words, or any other number. Words are the wrong currency to exchange for a picture.

oito anos, dois meses e dez dias, o Expresso anunciou a adopção do AO90. Eis um dos resultados tangíveis das grafias utilizadas por quem actualmente adopta esse modelo ortográfico [Read more…]

«Costa diz que as suas palavras sobre Monchique foram “deturpadas”»

Escreve o Expresso (esse paladino, esse arauto, esse preceptor), grafando ‘excepção‘ e deturpando com ‘exceção‘.

No sítio do costume, obviamente, continuam as grafias grosseiras e vergonhosas.

Ou seja, tudo como dantes.

Boas férias. Regresso em Setembro.

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Ronaldo, o ˈɛlbəʊ e o Egipto

Om de akoestische kenmerken van een spraakgeluid nauwkeurig te kunnen analyseren is een kwaliteitsvolle opname nodig. Enerzijds is de opnameapparatuur heel belangrijk. De microfoon moet alle variaties in frequentie en intensiteit kunnen opvangen die in het spraakgeluid voorkomen. Een vlakke frequentieweergave van 20 Hz tot 20 kHz en een dynamisch bereik van 90 dB maken optimale spraakopnames mogelijk met maximale variaties binnen de spreek- en de zangstem.

— Smessaert & Decoster

City of orgies, walks and joys!
City whom that I have lived and sung in your midst will one day make you illustrious,
Not the pageants of you—not your shifting tableaux, your spectacles, repay me;
Not the interminable rows of your houses—nor the ships at the wharves,
Nor the processions in the streets, nor the bright windows, with goods in them;
Nor to converse with learn’d persons, or bear my share in the soiree or feast;
Not those—but, as I pass, O Manhattan! your frequent and swift flash of eyes offering me love,
Offering response to my own—these repay me;
Lovers, continual lovers, only repay me.

Walt Whitman

La prononciation uvulaire de ‘rr’, mais non pas de ‘-r-‘, comme R, se répand de plus en plus dans les villes. Cependant, on la regarde encore comme vicieuse, le rr apical étant toujours préférable au grasseyement du R, qui individuellement est plus profond qu’en français ou en allemand.

— Aniceto dos Reis Gonçalves Vianna (1903: 19)

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Por um lado, temos o Ronaldo, o elbow, o pára e o para.

Por outro, temos as habituais cenas tristes no sítio do costume.

Nestas alturas, aliás, convém sempre lembrar que há uma diferença entre selecção e seleção e é igualmente importante recordar que o AO90 é inútil. Não acreditam? Perguntem ao CR7.

Efectivamente.

Lembrando também a existência em Portugal de um órgão de comunicação social que, em vez de promover a expressão livre de ideias, adopta actualmente a resistência silenciosa como forma de vida, vejamos a consistência na utilização de uma grafia contrária à letra do AO90, apesar de certas leituras abusivas, explicadas justamente pela falta de leitura. [Read more…]

O dia em que o polvo autárquico tremeu

via Expresso

Durante a manhã de ontem, a PJ efectuou cerca de 70 buscas na zona de Lisboa, tendo por alvos a sede concelhia do PS, a sede nacional do PSD, a sede da comissão distrital do PSD, os serviços centrais de Urbanismo da CML e três freguesias governadas pelo PSD: Areeiro, Santo António e Estrela. Outras buscas, que se estenderam a outras geografias, visaram ainda instalações partidárias e escritórios de advogados.

Em causa estão suspeitas de crimes de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido. Segundo o MP, citado pelo Expresso, “Um grupo de indivíduos ligados às estruturas de partido político, desenvolveram entre si influências destinadas a alcançar a celebração de contratos públicos, incluindo avenças com pessoas singulares e outras posições estratégicas”.

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Greve dos ferroviários para 90% dos comboios?

As Gut (2009: 253) notes, even though they are much more objective, “analyses of acoustic correlates of foreign accents are still rare.”

Agnieszka Bryła-Cruz

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Greve dos ferroviários para 90% dos comboios? Não! Greve dos ferroviários pára 90% dos comboios!

Como «Bloqueio nos fundos da UE pára projecto de milhões na área do regadio» ou «greve na CP pára comboios em todo o país» (efectivamente). É o acordo ortográfico à moda do Expresso.

No sítio do costume, tudo bem?

Tudo bem.

We’re alright.

Quanto a este «infeção por lentes de contato é algo possível de acontecer», devo admitir que a autora do texto, efectiva e auto-referencialmente, tem razão: «infeção por lentes de contato», de facto, aconteceu.

Exactamente, convém evitar os aspetos. No Brasil, por exemplo, não adoptam.

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Grafias de fim-de-semana

Well the fact of the matter is: we can do just about anything. People like us, let’s say, we wouldn’t be here otherwise, are pretty privileged. We have the kind of privilege that few people have ever had in history or have now and if you have privilege you have opportunity and the opportunities are almost boundless. I mean thanks to the struggles of the past, it hasn’t always been like this, but thanks to the struggles in the past, there is a tremendous amount of freedom. The state may try to repress you, but they can’t do a lot.

Noam Chomsky

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Exactamente.

Efectivamente.

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Gente perigosa

E.jpg

O Expresso destaca na edição online um relatório de segurança que alerta para os grupos de extrema-direita e de extrema-esquerda em Portugal. Um tipo lê um título destes e fica a pensar que existem em Portugal organizações de extrema-esquerda que espancam emigrantes até à morte ou que bloqueiam ruas para levar a cabo batalhas campais urbanas.

Porém, ao ler a notícia, a desilusão abate-se sobre este tipo. Afinal, aquilo que é referido no tal relatório, segundo o Expresso, é que alguns militantes portugueses não-identificados de grupos de extrema-esquerda não-identificados participaram em protestos violentos contra o G-20, na Alemanha. Isso, e, valha-nos Deus, ocuparam uns edifícios devolutos no Porto e em Lisboa. Isto sim, é gente perigosa.

A violência de extrema-esquerda é, felizmente, um fenómeno que não tem expressão em Portugal. Não que a violência da extrema-direita seja um grande flagelo, até porque não tem a dimensão que tem noutros países europeus, mas existe. Vimo-la no Prior Velho há uns dias atrás. Conhecemos os nomes de várias organizações. Sabemos quem são os seus líderes. Não façam de nós parvos.

Uau, Expresso! Que informação dramática

MC

O Expresso e a sua correspondente em Bruxelas descobriram que Mário Centeno irá em dias seguidos ao Parlamento Europeu. Será que é desta que chega o Diabo? Que informação dramática!

 

O Son Goku dos fachos

SDT

Ilustração de João Carlos Santos@Expresso

Os jornalistas avençados pelo saco azul do GES estão de regresso ao Expresso

RSalgado

Fotografia via Jornal de Negócios

Há muito muito tempo, numa galáxia longínqua, um grupo de jornalistas destemidos expôs um complexo esquema de evasão fiscal, envolvendo figuras de topo da política e dos negócios, práticas ilícitas e sociedades-fantasma offshore. O Expresso e alguns dos seus jornalistas estiveram envolvidos na investigação desde o primeiro momento.

Com o caso nos jornais e alguma indignação momentânea na sociedade civil, decapitaram-se por cá duas ou três cabeças secundárias, oferecidas em sacrifício ao Deus do dinheiro fácil obtido pela via da pulhice, até ao dia em que o Expresso abriu uma caixa de pandora ao noticiar a existência de uma lista de jornalistas avençados por um saco-azul do GES, com o propósito de comprar cobertura noticiosa e/ou opinativa favorável aos interesses de Ricardo Salgado e restantes membros da corte. [Read more…]

Pedro Guerra na corrida à presidência do SL Benfica?

via Expresso

Corrige lá esse fake, Expresso

A fake new do dia foi o hospital pediátrico no Chile que Cristiano Ronaldo não construiu nem vai construir. O DN deu por ela já passava das 19h, o Expresso deve estar à espera do OK do Hugo.

O Jornal de Notícias apanhado no acto

As noted by e.g. Poutsma, rather few prepositions “… exhibit no clear trace of having been formed from other words…”.

— Arne Olofsson, “A participle caught in the act. On the prepositional use of following

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A ausência de notícias acerca dos contatos e fatos no Diário da República não se deve à inexistência de contatos e fatos no sítio do costume: deve-se apenas a tarefas que me têm impedido de apresentar a sempre desagradável actualização do ponto da situação.

Quanto ao sítio do costume, voltaremos a falar em Janeiro de 2018.

Por ora, recordo que, actualmente, tudo continua, de facto, como dantes

e que 2018 – 2012 é muito, muito tempo, não é = 10, mas é = 6.

Por seu turno, o Jornal de Notícias  foi apanhado no acto. [Read more…]

Querida direita: viver de desgraças não chega

Foto: Alberto Frias@Expresso

Depois dos incêndios e dos sucessivos falhanços em torno da tragédia em que se transformaram, depois de Tancos, da legionella e do jantar no Panteão, para não falar nas sanções-fantasma, no hipotético resgate e no Diabo, que está sempre à espreita, e já depois de iniciado o braço-de-ferro com os professores, após outros que opuseram enfermeiros, patrões e o lobby amarelo dos colégios privados, cujos defensores tendem para a defesa radical do estado mínimo, excepto quando chega a hora de pagar os estudos dos filhos da elite, cujo dinheiro está temporariamente indisponível numa aplicação super-honesta e transparente no Panamá, o máximo que a Cristas e o que resta do passismo conseguiram subtrair ao governo minoritário de António Costa foi 1 mísero ponto percentual. Um. [Read more…]

Marques Mendes sai em defesa da ditadura

Já aqui contei o episódio em que vivi o meu primeiro contacto directo com o regime totalitário da Geringonça. Já tinha ouvido falar nele, achei que fosse truque da imprensa portuguesa, até que finalmente me cruzei com eles no supermercado. Ainda não recuperei.

Os tentáculos esquerdalho-feminista-venezuelanos continuam a expandir-se a uma velocidade impressionante, comendo tudo, perante a apatia e a indiferença generalizadas. Já poucos são aqueles que resistem, e hoje é um dia muito triste para todos eles. Perderam (oficialmente) um dos seus.  [Read more…]

E se a bolha rebenta?

Mais um excelente artigo de Marco Capitão Ferreira, de leitura altamente recomendada.

As Lições de Português do Professor Expresso

Andrew ‘Andy’ Osnard: No paper trail.

— The Tailor of Panama

Domitius Enobarbus: And what they undid did.

— Antony and Cleopatra

Avanço por aí
No gelo salgado
O meu hálito derrete
O teu corpo congelado

— Rui Reininho

This is the glamorous life there’s no time for fooling around.

— Lloyd Cole & The Commotions, “My Bag“, Mainstream, October 26 1987 (obrigado, Nuno Miguel Guedes)

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Por aí, leio o seguinte:

Há um discurso por aí que valoriza demasiado os erros ortográficos.

É verdade. Todavia, há outros discursos, como este (a reproduzir este), que os desvalorizam em demasia. Já agora, erros sintéticos?

De síntese? Ou sintácticos? De sintaxe? Ou *sintáticos? De nada?

Pelos vistos, o “por aí” criticado no texto será auto-referencial, pois o Expresso indica mais erros ortográficos do que “outros erros”:  

  • «A Joana foi há escola» é erro ortográfico;
  • «Ele tem uma obcessão por carros» também é erro ortográfico;
  • «É um fato que existem alterações climáticas» é um erro ortográfico;
  • «Eles vêm a dobrar» é efectivamente erro ortográfico;
  • «Derepente a zanga começou» é objectivamente erro ortográfico;
  • «É uma casa portuguesa, concerteza!» é de facto erro ortográfico;
  • «Hádes conseguir escrever um livro» não é erro ortográfico;
  • «Já fizestes os trabalhos de casa?» não é erro ortográfico;
  • «Quero duzentas gramas de fiambre!» não é erro ortográfico;
  • «A polícia interviu naquela confusão que houve na rua» não é erro ortográfico.

Curiosamente, como vimos, o texto em apreço debruça-se sobre [Read more…]

Um governo que fala demais

merece ser censurado? Sempre seria um argumento mais aceitável do que o aproveitamento político da tragédia, por parte do CDS-PP, que culminou com a moção de censura, condenada ao fracasso, hoje apresentada no Parlamento.

Panama Papers: à terceira será de vez, Expresso?

Em menos de uma semana, os famosos papéis do Panamá regressaram ao Expresso. Estranhamente, ainda não foi desta que a igualmente famosa lista de jornalistas avençados pelo saco-azul do GES deu à costa. Ontem foi a vez de José Sócrates, o homem que está em todas, cujo nome, avança o Expresso, foi incluído no relatório da Comissão de Inquérito do Parlamento Europeu sobre os Panama Papers. De estranhar seria se não fosse, ou não tivessem sido eles, os papéis, o momento Eureka da Operação Marquês. [Read more…]

O Expresso e a recaída

Efectivamente, depois da óptima, o projecto. Enquanto houver projecto e Egipto, há esperança.

Depois do silêncio, os Panama Papers estão de volta ao Expresso

Como diria o outro, “que passou-se”? Depois do silêncio constrangedor, terão os papéis finalmente saído do armário, para revelar a verdade aos portugueses, um ano e meio após o anúncio bombástico? Será que é desta que vamos saber que jornalistas, e em que jornais, eram corrompidos com dinheiro sujo para servir Ricardo Salgado, ao invés de servir o dever de informar e o rigor jornalístico?

Lamento informá-lo, caro leitor, mas não foi esse o motivo que trouxe os Panama Papers de volta ao Expresso. Ainda não é desta que ficamos a conhecer a lista com mais de uma centena jornalistas avençados pelo saco azul do GES, que o semanário do Sr. Bilderberg prometeu revelar em Abril de 2016, e que continha pagamentos elevados e outros de poucos milhares. Sim, os pagamentos de “poucos milhares” eram os pequenos. [Read more…]

Operação Marquês e Panama Papers: e a lista dos jornalistas avençados, pá?

Era uma vez uma lista de jornalistas, avençados por um saco azul do GES. A lista, parida por um papel do Panamá, fez correr rios de tinta, originou indignações e debates acesos, prometeu mundos, fundos e um escândalo sem fim, até que se perdeu, entre as brumas da memória.

Já lá vai cerca de ano e meio desde que o Expresso soltou a bomba. Desde então, os Panama Papers perderam relevância noticiosa, pelo menos por cá, e já quase ninguém se lembra deles. São uma recordação longínqua, armazenada algures, entretanto substituída na ordem do dia pela sucessão de grandes questões que todos os dias emergem, sejam elas a crise na Catalunha ou a aventura de Madonna, na sua incessante busca de residência fixa na Lisboa das rendas exorbitantes. [Read more…]

Então, Expresso, esse relatório de Tancos?

Há duas semanas, Pedro Santos Guerreiro justificava o Expresso com o argumento de, na edição a seguir, voltar ao tema Tancos com informação relevante. A montanha pariu um rato na edição que se seguiu e nesta nem a isso chegou.

Vamos aguardar. Para já, é mais um caso para juntar à lista composta pelos dossiers WikiLeaks, Panamá Papers e mortos de Pedrogão Grande. Naturalmente que se trata de jornalismo de referência. É uma questão apenas de determinar qual é o referencial.

PSD “esmagado” no Porto e em Lisboa

diz o Expresso, o jornal que Passos Coelho considera necessário comprar, para saber o que se passa no país.

Os relatórios são todos iguais, mas uns são mais iguais do que os outros

Era uma vez um relatório órfão e tão franciscano que para o título lhe bastaram duas palavras. Estava destinado a alimento da criação de ácaros, tal como sucedera aos irmãos, até ter sido salvo pelas luzes da ribalta. Agora vive os seus dias de glória, sendo aclamado como sendo O Relatório e já nascem canções sobre o material nuclear roubado e por ele relatado. Eis o destino dos Eleitos, quando O Jornalista estende a mão ao que parecia primus inter pares. Poderão existir outros, mas este é O Único.

Da série “é preciso comprar o Expresso para saber o que se passa no país”

O desfecho das eleições alemãs está em destaque na edição online do Expresso e ocupa o topo da página web. Entre as várias peças, citações e considerações, há um nome que se destaca: Pedro Passos Coelho. O líder da oposição está preocupado com a extrema-direita alemã mas, assegura, o que se passa no domínio da chanceler nada tem a ver com a situação portuguesa. Até porque, pelo menos por enquanto, nada mais por cá há do que um partido fascista sem expressão eleitoral e um outro, outrora moderado, que apoia um candidato que foi acusado de roubar o discurso da extrema-direita. Um candidato xenófobo com sonhos molhados sobre penas de morte e castrações químicas. Pelo que importa dar destaque à preocupação de Passos Coelho com a ascensão da extrema-direita, não vá essa esquerdalhada injusta e ingrata querer ligar o homem a gente dessa. Ainda bem que temos o Expresso para saber o que se passa no país.

Jornalismo de referência

O Expresso nunca disse que este relatório era oficial nem que era final.” – Pedro Santos Guerreiro sobre a notícia que levou o líder da oposição dizer que é preciso ler o Expresso para saber o que se passa no país.

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Na mesma linha, também se pode ler o Aventar para saber o se diz nesse relatório.

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E relatório diz:

RELATÓRIO TANCOS
Desaparecimento de armamento militar
Julho (?) de 2017

Parece que não tem autor. É possível que tenha páginas impressas por baixo da capa.

Já que aqui estamos, ó Pedro Santos Guerreiro, e os Panama Papers? Já houve tempo para  cruzar os dados e sabermos quem são esses jornalistas avençados? E os cables da Wikikeaks?

As autárquicas e a poder do porco no espeto

Fotografia@Expresso

Eis, em todo o seu esplendor, a problemática do porco no espeto como argumento eleitoral. Chama gente, mas depois a gente não arreda de ao pé dele. Quando vão começar os discursos, uma voz no altifalante pede às pessoas para que se cheguem à frente, para perto do palco montado num camião TIR, mas as pessoas fazem orelhas moucas. São muitos mais os que estão a comer à sombra ou à espera de comida ao sol do que os que fazem o esforço de ficar a engolir discursos.

O caso pede medidas extremas e elas são tomadas: ouve-se ordem para que, “durante os discursos”, pare o serviço de sandes. É um daqueles momentos em que se percebe como uma coisinha de nada pode causar a revolta do povo.

“Então, e a gente não come?”; “Nem pense nisso!”; “Estou aqui há uma hora e param de servir?”. Uns protestam que “isto não tem jeito nenhum”, outro, mais exaltado, ameaça “escaqueirar isto” e só se acalma quando alguém promete “resolver isto”. O facto é que quem estava na fila para “a sande” na fila ficou, porque, como explicava uma senhora com uma bandeira a fazer de lenço na cabeça, “se eu sair daqui vêm outros e eu perco a vez”. Há livros de teoria dos jogos sobre isto.

Filipe Santos Costa, Expresso