Os pobres de Portas

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Um destes dias, num noticiário da hora de almoço, numa das agora frequentes reportagens sobre populações a quem encerram mais um serviço essencial, apareceu,  numa localidade do interior, um grupo de gente a grandolar pelas ruas. Ouvi ao lado o comentário: “Têm cara de quem nunca cantou isto antes”. E tinham, é verdade, com tudo o que de preconceituoso, e como tal possivelmente falso, que isso implica. Tinham essa cara tão portuguesa de quem nunca se quis meter nas coisas da política, de quem nunca quis confusões, de quem acreditou nas promessas repetidas ano após ano, e logo década após década, e se vê agora, envelhecido e desalentado, a sentir como lhe foge o chão debaixo dos pés e como a ideia de futuro faz o estômago apertar-se de angústia.

Fecham-lhes o centro de saúde, as urgências nocturnas, a estação de correios, o balcão da segurança social e das finanças, e a alternativa está a uma distância incomportável para quem tem de deslocar-se em transporte público, sem dinheiro para pagar o bilhete da camioneta da carreira, quanto mais o táxi. [Read more…]