O Irrevogável e a Geringonça

Imagem via Geringonça

A 21 de Junho de 2011, Paulo Portas assumia oficialmente as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo liderado por Pedro Passos Coelho, fechadas que estavam as negociações entre os dois partidos, que resultaram na atribuição de três ministérios aos centristas: para além do já referido Ministério dos Negócios Estrangeiros, Assunção Cristas assumia a tutela da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do território, e Pedro Mota Soares ficava com a pasta da Solidariedade e Segurança Social.

Tudo corria de feição, com privatizações a rodos, aumentos gorduchinhos de impostos, listas VIP e vistos dourados para qualquer mafioso que quisesse “investir” no país. Havia tachos para todos os boys e ia-se alegremente além do exigido pela Troika, que aquilo era uma data de bons alunos, com excepção do Relvas e do Passos, o primeiro pelos motivos que todos sabemos, o segundo porque andava muito ocupado a colar cartazes na década de 80 e só lhe deu para estudar no final da década seguinte. Prioridades. [Read more…]

Canalhas, cabrões e filhos da puta

Nunca Paulo Portas fez tanto sentido. Exceptuando, claro, quando deu aquela célebre entrevista, em que falava dos quadros muito medíocres do seu antigo partido. Mas esta tirada, do longínquo ano de 2010, imortalizada por este tweet do seu partido, é tão actual que me merece algumas considerações, ou não atravessássemos hoje um dos períodos mais negros da nossa história contemporânea, com esta vaga de fogos florestais, devastadora e mortal.

Ora, efectivamente, fazer politiquice com o flagelo dos incêndios é imoral. Eu diria mesmo que é uma filhadaputice, só ao alcance da mais desprezível cria da mais ordinária meretriz, ainda que a senhora, coitada, não seja responsável pelas canalhices do rebento gerado. Porque é preciso ser-se muito canalha, muito cabrão, para usar a oportuna terminologia que está a marcar o debate no Aventar desde ontem, para usar este drama como arma de arremesso político. Infelizmente, não estamos perante uma novidade no debate político, onde a moralidade raramente tem lugar e a filhadaputice abunda. [Read more…]

Banha da cobra

Parece que Paulo Portas botou por aí “oração de sapiência”. Tanto bastou para que jornalistas sortidos ficassem em estado de êxtase e com o sistema endócrino desatinado. Nunca compreenderei a adoração que leva os fiéis a queimar incenso aos pés deste vendedor de banha da cobra, deste homem de vão saber, tratando-o como o mais profundo dos pensadores.

Valha a verdade, esta veneração diz mais sobre os crentes que sobre o seu ídolo. Quem ainda tem paciência e estômago para frequentar jornais percebe isto muito bem.

CDS-PP: não se passa nada.

 

Submarinos, Paulo Portas, Escom, contrapartidas, Jacinto Leite Capelo Rego e BES. Não se passa nada.

Portucale, Telmo Correia, Herdade da Comporta, despacho de última hora, abate de sobreiros, Abel Pinheiro e BES. Não se passa nada.

Casino de Lisboa, Telmo Correia, Estoril-Sol, despacho de última hora, Abel Pinheiro, Paulo Portas e uma tal de “coisa”. Não se passa nada.

Helicópteros, Paulo Portas, 60 mil cópias de documentos, contrato tóxico e BES. Não se passa nada.

Apesar da presença assídua de Telmo Correia, Abel Pinheiro e dos famosos despachos de última hora, dois nomes sobressaem entre os restantes: Paulo Portas e BES. E era isto que vos vinha cá dizer. Não admira que este vídeo incomode tanta gente no Largo do Caldas. E na Comporta. Mas não se passa nada.

via Uma Página Numa Rede Social

 

Da institucionalização da cunha

Tema sempre actual, sobre o qual tive já a oportunidade de mandar a minha posta, e que ressurge agora sob a forma deste interessante cartaz. Do lado esquerdo, muito bem atribuído, podemos ver esse grande camarada que é Paulo Núncio, um indivíduo a quem a cunha institucional não é alheia, merecendo o lugar que ocupa no cartaz pela sua vasta experiência em áreas como a isenção e a evasão fiscal, bem como noutros regimes de excepção, sejam eles listas VIP das Finanças ou simples favores (cunhas, se preferirem) a ministros colegas de governo, que permitiram a amigos desses ministros escapar a pagamentos avultados ao fisco. No que toca a institucionalizar a cunha, Paulo Núncio tem um percurso que fala por si. [Read more…]

Crónicas do Rochedo XVI – O algodão não engana…

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Ontem escrevi um post sobre o facto de Rui Moreira se ter divorciado do PS. Um dos comentários com que fui brindado no facebook foi:

O problema do teu post, Fernando, é que partes dos princípio que o Rui Moreira funciona segundo os cânones da política partidária. Rui Moreira sempre deixou claro que contava com Pizarro por uma questão de lealdade política, por ter sido um bom parceiro durante o mandato, e que aceitava o apoio do PS nesse pressuposto. Traçou linhas vermelhas na sua relação com os partidos, aceitando o apoio de quem subcrevesse as regras. Violadas as regras, de forma reiterada, assumiu as consequências. Não há nem manha nem calculismo” – Rodrigo Adão da Fonseca.

Ora então, passadas 24 horas, o que temos?

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Mentir? 

Mentira foi a demissão irrevogável de Portas. Um golpe palaciano que afundou ainda mais a débil economia portuguesa.

 Tal como mentira foi a apresentação de um suposto guião da reforma do Estado, escrito em corpo 16 a dois espaços, para encher chouriços, e que nunca teve por objectivo ser implementado. Serviu, isso sim, para Portas acabar com o bullying de Passos Coelho, o qual perguntava pela reforma do Estado sempre que o Portas se esticava.