Maré republicana no estado espanhol

barcelona

A menos que o PSOE decida suicidar-se ainda mais (e não parece que o vá fazer) à direita e extrema-direita do PP resta governar uma grande cidade peninsular, Málaga.

Tendo conseguido segurar a sangria para a nova direita de cara lavada, Ciudadanos, pode criar a ilusão a cegos que não queiram ver de ter tido enquanto partido mais votos que os restantes concorrentes. Mas ao contrário do nosso sistema autárquico, os poderes locais e regionais no estado espanhol são parlamentaristas, e quem fica em primeiro só governa em minoria com o acordo da maioria, tudo indica que não será o caso.

Coisas que se aprendem:

– onde a esquerda soube recriar frentes populares republicanas e de esquerda, ultrapassou todas as expectativas: Barcelona tem uma alcadessa vinda da luta nas ruas, e Madrid poderá ter uma defensora dos direitos humanos a governá-la. O mesmo podemos dizer que sucedeu na Galiza, sendo de notar que nesses locais o PSOE (e o BNG) foram arrasados.

– essas frentes alargaram, e muito, os resultados do Podemos, vítima de uma campanha de calúnia e difamação que relembra injecções atrás da orelha, com toda a força mediática do poder das castas. Não basta um novo partido, é preciso alargá-lo em movimento.

– a Esquerda Unida apenas se salva nas Astúrias. O sectarismo das  vanguardas um dia termina por pagar a conta, e em versão estalinista (PCPE) nem aparece no mapa.

E agora tudo se joga na Grécia: é mais que sabido que a chantagem sobre o governo grego visa impedir uma viragem à esquerda em Novembro (e ibericamente falando também em Outubro). Ai as cartas estão na mesa: em Junho, ou há acordo, ou a Grécia (onde o Syriza continua a ter mais apoio popular do que teve votantes) não paga aos credores. Haja confiança.

29M: aprender a greve com quem sabe

A greve geral que hoje paralisa o estado espanhol tem muito para nos ensinar. Sabiam que foi inicialmente convocada por sindicatos alternativos e independentes das centrais sindicais do costume que tiveram de correr atrás do prejuízo? É ler no Público.es (que arranjou uma deliciosa forma de assinalar que hoje está em greve, tapando os títulos).

E não é só uma greve ao trabalho mas também ao consumo (como deveriam ser todas as greves gerais). E tem uma sesta colectiva, genial forma de luta que destaca o sagrado direito à preguiça.

Portugueses, aprendei com quem sabe (sendo verdade que nós soubemos correr com o feudalismo castelhano mas dormimos à sombra dessa bananeira desde o séc. XIV).