
Será que já se pode discutir a sério a criação de um Exército Único Europeu? A invasão da Ucrânia por parte da Rússia pode permitir uma discussão mais séria e, simultaneamente, conseguir a atenção da sociedade civil em cada um dos países membros, algo impensável há menos de um mês.
Quando escrevo “discutir” não significa “decidir já”. Significa o que a própria palavra “discutir” nos diz: uma ampla discussão interna em cada país membro ponderando os prós e os contras e no final de um amplo debate nacional em cada um dos países, levar a decisão a votação democrática.
A criação do EUE terá de ser pensada, na minha opinião, como uma garantia real de a Europa dispor dos meios necessários para se defender e se proteger sem depender de terceiros. Não pode e não deve a Europa continuar dependente dos Estados Unidos para se defender de uma agressão externa. Em primeiro, porque não lembra a ninguém estar a pedir aos outros para fazer um trabalho que é da nossa responsabilidade e, em segundo, porque não podemos estar dependentes dos humores de um Presidente dos Estados Unidos. E se a actual invasão é um exemplo da urgência dessa discussão, a anterior presidência dos EUA entregue a Trump já deveria ter servido de sério alerta para o problema que temos em mãos.
A capacidade de defesa e reforço europeu em questões militares é um debate que não pode continuar a ser adiado. E se o caminho decidido pelos cidadãos europeus for o da criação do Exército Único Europeu então sim, a OTAN/NATO já não se justificará.
(os valores apresentados no quadro acima referem-se a 2017 – hoje seriam ainda mais favoráveis à criação do EUE






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