O fogo fátuo do populismo

Enquanto as urgências do Hospital de Gaia rebentam pelas costuras, com os corredores transformados em unidade de internamento e tempos de espera para doentes urgentes na ordem das 7 horas, a Câmara de Gaia decidiu estourar uma fortuna do dinheiro dos contribuintes para assinalar o Dia de Reis, conhecida tradição republicana e laica que o município diz querer “recuperar”. Essa “recuperação” foi feita ontem com um mega-concerto musical ao qual assistiram cerca de 300 pessoas e com um grande espectáculo de fogo de artifício, ao som dos AC/DC – banda de rock australiana conhecida pela sua produção de música sacra -, para uma beira-rio deserta, conforme se pode ver na imagem.

Vila Nova de Gaia, 7 de Janeiro de 2018. Fogo de artifício lançado a partir da Serra do Pilar e da Ponte Luís I para uma Beira-Rio deserta.

Talvez seja este criterioso gasto de recursos públicos e dos impostos dos contribuintes, desbaratando centenas de milhares de euros em festanças natalícias a que ninguém assiste, que toma o nome de populismo. Talvez aqui resida um dos fundamentos do prestígio crescente de que a “classe política” beneficia entre o povo ignaro, a turba “raivosa” – como a adjectiva a deputada Isabel Moreira – sempre pronta a atacar os partidos políticos e a sua sacrossanta legitimidade representativa. Isto enquanto dois quilómetros acima, nas urgências do Hospital de Gaia, faltam lençóis para cobrir os corpos espalhados em macas pelos corredores.

Em defesa do São João do Porto

Milhares de pessoas encurraladas à espera de passagem para o Porto pelo tabuleiro superior da Ponte Luís I. Gaia, cerca das 1h30 da madrugada.

Aquilo que se passou ontem na cidade do Porto, na mais importante noite do ano, a noite de São João, ficará certamente a marcar a história recente da cidade e da sua relação com o Poder.

O espectáculo de variedades transmitido pela RTP a partir da cidade de Gaia, que durou até depois da meia-noite sem transmitir uma única imagem do São João nas ruas do Porto, foi uma instrumentalização política da festa popular e uma tentativa de apoucar a cidade, as suas gentes e os seus símbolos.

A RTP procurou, ao longo de várias horas de emissão a partir da Serra do Pilar, em Gaia,  com directos de uma inenarrável “marcha sanjoanina” a partir dos Açores, reescrever a história da festa que faz parte da alma da cidade Invicta, colocando-se ao serviço de interesses políticos pouco claros, numa obscura e caríssima acção de propaganda contra o Porto e a sua festa maior.

[Read more…]

Bem Que Lhe Parecia, e Tinha Razão

Depois de ler o artigo abaixo, de Fernando Moreira de Sá, escrevi sobre o meu S.João.

Aquele S. João que não tinha martelos mas tinha alho pôrro, que não tinha tantas roulottes mas tinha cidreira, que não estava espalhado por tudo quanto é cidade mas que tinha nas Fontaínhas o seu ponto principal, a par da Avenida dos Aliados, de Santa Catarina e da Batalha.

Aquele S.João que tinha [Read more…]