Le Quatre Cents Coups

Le Quatre Cents Coups é um filme de 1959, realizado por François Truffaut, que retrata a vida atribulada e subversiva de um jovem parisiense cujo temperamento o coloca em luta permanente com a figura da autoridade, representada nos seus pais e nos seus professores.
Antoine Doinel – assim se chama o jovem – cresceu na cidade de Paris durante a década de 50 do século XX, revelando, no seu desenvolvimento e diálogo com o mundo, um grau acentuado de incompatibilidade entre a sua natureza intrínseca e as figuras, dispositivos, códigos, instituições e estruturas normativas representativas do poder ortopédico. O seu confronto com esse sistema de produção dos corpos, controlo, vigilância e punição, constitui um exemplo paradigmático das tensões que naturalmente se geram no embate entre a liberdade do indivíduo, enquanto Sujeito soberano de toda a sua potência vital, e os mecanismos sociais e institucionais de adestramento e constrangimento dessa liberdade e dessa potência, colocados em prática e acção repressiva em nome de uma Ordem necessária ao funcionamento do organismo social e ao exercício do verdadeiro e legítimo poder soberano, exercício esse cuja exclusividade pertence ao Panóptico, ao sujeito detentor do monopólio da violência legítima, corporizado pelo Estado Civil.

Fahrenheit 451

O clássico da ficção científica de Ray Bradbury adaptado ao cinema por François Truffaut.

Legendado em português. Ficha IMDB.

António Campos – o bom selvagem (Memória descritiva)

Falei aqui no fenómeno de vitalidade que Manoel de Oliveira representa no panorama cultural português. Apesar de cumpridos em Dezembro passado os 101 anos, continua a trabalhar. Um outro caso invulgar no nosso cinema foi o de António Campos, não pela longevidade, mas pela persistência com que, indiferente a êxitos e a inêxitos, prosseguiu na senda que para si mesmo traçou. Um realizador que, começando como Oliveira, pelo cinema documental, raramente, ao longo do seu percurso, se afastou dessa via.

António Campos (Leiria, 29 de Maio de 1922 — Figueira da Foz, 8 de Março de 1999) foi um dos primeiros cineastas em Portugal a dedicar-se à prática do filme documentário, seguindo um conceito de antropologia visual. Explorou o filme etnográfico, recorrendo às técnicas próprias do chamado cinema directo. Foi um dos elementos fundadores do movimento do Novo Cinema em Portugal. Começou, na sua cidade, Leiria, em cuja Escola Secundária trabalhava como funcionário administrativo, fazendo pequenos documentários por si custeados até que, depois de 1970, passou a trabalhar na Fundação Calouste Gulbenkian, trabalhando apenas naquilo de que gostava – no cinema. [Read more…]