Frei Tomás, versão extrema-direita

Conheço – de vista – um construtor civil que gosta muito do André Ventura. Porque ele diz as “verdades”, pese embora seja o maior aldrabão da política portuguesa desde José Sócrates. Não admira que tenha votado nele.

Adiante: este construtor civil, ouvi-o eu dizer, está “farto de monhés” e quer, claro, que eles voltem para a sua terra. Curiosamente, tendo passado há dias numa obra da sua empresa, a esmagadora maioria dos seus trabalhadores, imagina tu, são do subcontinente indiano.

Sim, estamos perante um hipócrita, mas não é isso que me traz aqui. O que me traz aqui é que este caso ilustra uma realidade mais ampla, uma característica base da extrema-direita populista, que se resume a pregar como Frei Tomás. [Read more…]

Péssimo filme

Imagem gerada com recurso à IA.

“Deputado do Chega filmado a entrar no Parlamento às 7h da manhã; gabinete ficou aberto de noite”

Um momento extraordinário

Dave Mustaine dos Megadeth a cantarolar Wild Flower dos The Cult.

Isto não é um país

O Novo Aeroporto de Lisboa, tal como desdenhado em 1969, no Decreto-Lei n.º 48902, de 8 de Março. Transcorreram 20.956 dias: 57 anos, 4 meses e 15 dias.

Porque Portugal quando não é um país de vadios é um país de amadores.
A fé da profissão, isto é, o segredo do triunfo dos povos, é absolutamente alheio ao organismo português do que resulta esta contínua atmosfera de tédio
que transborda de qualquer resignação. Também o português não sente a necessidade da arte como não sente a necessidade de lavar os pés.*

vide https://lnkd.in/ezQxJGha

  • Almada Negreiros, in CONFERÊNClA FUTURISTA, Maio de 1917

Sebastião Bugalho critica o ministro da Educação

Sebastião Bugalho, em boa hora porta-voz do PSD, fez declarações sobre o problema dos exames nacionais.

Como lídimo representante do povo português, recorreu à técnica da falsa insinuação das comadres, que consiste em dizer mal de alguém fingindo que se está apenas a insinuar a maledicência. Não é uma técnica ao alcance de qualquer um, porque uma falsa insinuação mal aplicada pode atingir o alvo errado ou passar ao largo do pretendido.

A falsa insinuação consubstancia-se em expressões como “certas e determinadas pessoas”, “não é como uns e outros”, “cala-te, boca” ou  “e fico-me por aqui”. Ao invés de dar o dito por não-dito, a falsa insinuação dá o não-dito por dito e o que se finge não dizer fica dito de modo muito claro.

Normalmente, o emissor da falsa insinuação assume uma atitude que mistura superioridade e desprezo. Sebastião Bugalho é um dos grandes especialistas nacionais nessa junção, como cultor da escola passista do descaimento das pontas labiais, que acrescenta à falsa insinuação uma sisudez que é o principal sinal de uma seriedade milenar. O risco ao lado, o fato e a gravata reforçam a imagem.

Não tive oportunidade de ler a notícia, mas a frase destacada é uma inspirada variação da falsa insinuação: Bugalho diz que não quer usar a palavra que efectivamente usa. É, no entanto, lamentável que o porta-voz de um partido venha acusar um ministro de sabotagem, mas percebe-se: para um processo correr tão mal, é difícil pensar noutra possibilidade.

P.S. – estava a brincar, li a notícia. Não vou dizer que Sebastião Bugalho é uma besta. Não é como certas e determinadas pessoas. Cala-te, boca!

Diz-se que há grande possibilidade de o Governo cair

ἄνδρα μοι ἔννεπε, μοῦσα, πολύτροπον, ὃς μάλα πολλὰ πλάγχθη, ἐπεὶ Τροίης ἱερὸν πτολίεθρον ἔπερσεν
Hom. Od. 1.1

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Um apontamento da actualidade leva-me a revisitar tema que, como sabeis, ou sabereis, me agrada particularmente discutir. Não, não estou a falar do AO90. Refiro-me a este “do governo [sic] cair”.

 

A regra que proíbe contracções na presença de um infinitivo pessoal é aparentemente simples de aprender. Em suma, é incorrecto o recurso à contracção de preposição com artigo ou pronome, quando estes iniciam uma oração infinitiva. Por exemplo, na presença de um infinitivo pessoal, os imaginados dos, das, dele, dela, deles, etc., são efectivamente de os, de as, de ele, de ela, de eles, etc..

Vejamos três casos concretos: [Read more…]

L7 – Ao vivo na The Current (2018)

KCMP (89.3 FM, 89.3 the Current)

Jennifer Finch (1966-2026) [Read more…]

Messi e Yamal: a conspiração

A common definition of conspiracy theory is the conviction that a group of actors meets in secret agreement with the purpose of attaining some malevolent goal (e.g., Bale, 2007).
— van Prooijen & van Vugt (2018)

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O Mundial 2026 está prestes a chegar ao fim. Depois da eliminação de França e Inglaterra, ficámos a saber que a final de depois de amanhã, entre Espanha e Argentina, terá sido há muito combinada, pois fará parte de um plano diabólico engendrado pela FIFA. Quem nos conta os pormenores desta coisa sem ponta por onde se lhe pegue é Jimmy Fallon. Efectivamente, no domingo, teremos dois cabeças de cartaz: Lionel Messi e Lamine Yamal. Enquanto todos nos preparamos mentalmente para mais uma final, esta fotografia tem vindo a ser espalhada pelas redes sociais.

É uma foto verdadeira, digo-vos eu, que detesto inteligências artificiais utilizadas para falsificações, informações erradas e desinformações. Trata-se de facto de uma fotografia de Messi com o bebé Lamine Yamal. É mesmo, o próprio, é Yamal em versão bebé, com um ainda jovem Messi, numa fotografia autêntica de 2007.

Obviamente, já temos uma multidão a apontar o dedo à FIFA, acusando-a de ter preparado ao pormenor o guião de todos os jogos de futebol dos últimos anos. Isto é, não se trata de uma partida do destino. A manipuladora FIFA é que determinou a existência de uma final Argentina-Espanha, Messi-Yamal. Volta, Searle, eles não sabem o que fazem.

Fallon diz que isto é tudo um absurdo. Também acho. Só um nabo acreditaria numa história  tão mirabolante, certamente alimentada por quem odeia Messi e Yamal e, mutatis mutandis, futebol. No entanto… Se pegarmos num microscópio, ou mesmo numa simples lupa, reparamos em pormenores, no mínimo, interessantes.

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Nunca esquecer que o futebol é um desporto colectivo

Estes jovens jogadores da selecção de Espanha, ambos adolescentes, são Campeões da Europa em título e estão a um jogo de poderem conquistar o Campeonato do Mundo. Sorte terem nascido em Espanha, porque em Portugal ou Argentina o mais provável seria não calçarem, andarem pelos sub 21 como outros talentos da sua idade como G. Quenda ou R. Mora.

Algumas selecções como a Espanha, sistematicamente renovam, apesar de terem conquistado um inédito Mundial em 2010, não assistimos ao arrastar pelos campos de futebol de Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol, S. Ramos e companheiros, a lenda perdurará na memória de quem viveu as conquistas, mas o futebol não é palco para gratidão ou obtenção de estatísticas individuais, mas um desporto colectivo, onde ninguém ganha sozinho, mesmo que por vezes alguns jogadores o façam parecer, como acontece por exemplo na Argentina, um jogador de classe estratosférica teima contrariar o inevitável, apesar da fraca qualidade de futebol praticado, muito por culpa da não renovação dos jogadores, mas o treinador teimosamente está preso na gratidão aos Campeões de 2022.

A vitória da Espanha ontem frente à super favorita França, veio provar uma vez mais que uma boa equipa é mais forte que um grupo de bons jogadores. Luis de la Fuente conseguiu que a soma das invidualidades resultasse num colectivo mais forte, Didier Deschamps não, ficou sempre à espera que o inegável talento individual dos jogadores emergisse, mas ontem, tal não aconteceu.

Sobre a modernidade na correcção, perdão, classificação, dos exames nacionais

Aqui está um vídeo picante para Fernando Alexandre. Quando ele o vê, até deve fraquejar das pernas.

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A ameaça terrorista em Portugal

Pode ser uma imagem de estrado

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Em Junho de 2025, a Unidade Nacional de Contra Terrorismo da Polícia Judiciária desmantelou o Movimento Armilar Lusitano, uma milícia de extrema-direita, de inspiração neonazi.

Esta organização terrorista, formada em 2018, defendia abertamente o uso da violência armada contra todos os seus alvos, fossem eles políticos de esquerda ou da direita moderada, imigrantes, ambientalistas ou membros de associações cívicas.

O plano, para além da consolidação do seu grupo paramilitar terrorista, incluía a criação de uma extensão política capaz de representar os seus interesses e de concorrer a eleições. No fundo, uma espécie de Hezbollah português. Resta saber quem seria o Irão destes fundamentalistas nazis.

O objectivo final, segundo a investigação da Judiciária, passava pela deposição do sistema democrático português, pela supressão do Estado de Direito e das liberdades e garantias constitucionalmente garantidas, substituindo-o por um regime totalitário inspirado pelas ideias de Adolf Hitler. Numa fase inicial, apurou a PJ, os terroristas pretendiam criar “tribunais populares” para julgar e executar aqueles que considerava responsáveis pelo “declínio da nação”, como é o caso de Nuno Markl, esse perigoso consumidor de banda desenhada.

Cada país tem o Estado Islâmico que merece.

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A Volta a Portugal em Bicicleta 2026

Exactamente.

Monocultura

Como é que se diz monocultura quando em dobro?

Portugal não é Cristiano

Confesso que reflecti um bocado antes de avançar para este texto. Mas a irritação é demasiada e não consegui evitar.

Estou farto desta narrativa de que temos de estar gratos a um jogador de futebol pela “identidade nacional” ou por “colocar Portugal no mapa”. Cansa. É redutor. É ignorante e, no limite, é até bastante anti-patriota pensar assim. Se Portugal, enquanto país, deixa a sua imagem depender de um jogador de futebol, para o bem e para o mal, então Portugal não é um país. É um entreposto de néscios deslumbrados com a grandeza de um só um homem.

Portugal tem mais de novecentos anos de História. Já éramos Portugal antes do jogador de futebol e continuaremos a ser Portugal depois do jogador de futebol. Seja esse jogador de futebol quem for. Sim, Cristiano Ronaldo é uma marca e, como tal, usa o marketing e a publicidade a seu favor. E aprendeu-o, sobretudo, em Madrid, no clube que melhor faz lavagem de imagem na Europa. Na Arábia, cimentou-o: depois de lavada a sua própria imagem, especialmente depois da fuga ao fisco espanhol e da violação de Kathryn Mayorga, foi lavar a imagem da pior ditadura do Mundo a troco de muito dinheiro. A carreira futebolística de Cristiano acabou quando saiu da Juventus; tendo, a partir daí, virado a antena para os negócios, sendo o futebol apenas a linha férrea que transportava o comboio até ao destino final.

Um estupendo jogador de futebol que como pessoa deixa muito a desejar, por tudo o que tem mostrado ser neste final de carreira.  [Read more…]

Crepúsculo

Não pretendo fazer uma análise ao Portugal – Espanha que ditou a eliminação da Selecção nos oitavos de final do Mundial 2026. Após o final do jogo, o capitão Cristiano Ronaldo afirmou ter ganho 3 títulos internacionais ao serviço de Portugal, que anteriormente à sua chegada nada ganhava.

Uma vez que Cristiano para o bem e para o mal chama a si o protagonismo, permito-me escrever estas linhas que não pretendem de forma alguma menosprezar a carreira do melhor jogador que o futebol português já produziu.

O futebol é um desporto colectivo, que permite que os executantes talentosos se destaquem, para gáudio dos adeptos que por vezes os elevam ao patamar de Deuses. Mas são sempre as equipas que ganham ou perdem, Léo Messi não seria Campeão do Mundo em título se D. Martinez não tem defendido no último minuto o remate de K. Muani, por exemplo. E tantos outros exemplos poderiam ser apontados a comprovar que ninguém ganha sozinho uma partida de futebol, embora por vezes assim pareça. [Read more…]