Memória descritiva: a Operação Dulcineia

1961 foi, como referi num outro texto, um «annus horribilis» para o regime de Salazar. Na madrugada de 22 de Janeiro de 1961, começava a longa sucessão de acontecimentos que iria culminar, no último dia do ano, com o ataque ao quartel de Infantaria 3, em Beja. Pelo meio, ficava o desencadear da guerra colonial, o golpe de Estado do general Botelho Moniz, a perda do Forte de São João Baptista de Ajudá, encravado no território do Daomé, o desvio de um avião da TAP, realizado por Palma Inácio, que lançou depois panfletos sobre diversos pontos do País, a União Indiana invadiu Goa, Damão e Diu, pondo fim á secular presença portuguesa no subcontinente …

O que se passou no dia 22 de Janeiro de há 49 anos? Um comando do DRIL (Directório Revolucionário Ibérico de Libertação), composto por portugueses e por espanhóis ex-combatentes da Guerra Civil, dirigido por Henrique Galvão e Jorge Sottomayor, pôs em marcha a «Operação Dulcineia», tomando de assalto o paquete Santa Maria, ao largo do mar das Caraíbas e crismando-o de «Santa Liberdade». Antes de vos falar da «Operação Dulcineia», vou apresentar o seu comandante: Henrique Galvão. [Read more…]

Memória descritiva: há 25 anos a Democracia voltou ao Brasil

No plano da história recente, usa-se no Brasil o termo «redemocratização» para definir um processo de restauração da democracia, após um período de ditadura. Aplicado à história de Portugal, diríamos que a mais recente redemocratização portuguesa se deu com a Revolução de 25 de Abril de 1974. Houve uma outra, quando da ditadura sidonista, entre Dezembro de 1917 e Dezembro de 1918. Porém, o termo não foi aqui utilizado. O dia 15 de Janeiro de 1985, faz hoje 25 anos, marca o mais recente regresso do Brasil á ordem constitucional. Uma redemocratização.

Houvera já a redemocratização de 1945, quando foi derrubada a ditadura de Getúlio Vargas (o chamado Estado Novo), no poder desde 1937. Em 1964, movimentações de unidades militares em 31 de Março, culminaram no dia 1 de Abril num golpe de Estado que pôs termo ao governo democrático de João Goulart, «Jango», como familiarmente os brasileiros o tratavam. Fora eleito vice-presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) , quando Jânio Quadros foi eleito presidente pela União Democrática Nacional (UDN). [Read more…]