Khadafi capturado em Sirke

Se entendo mal as ditaduras, menos percebo o irracional apego ao poder dos ditadores nas fases terminais de regime.

Khadafi, o ditador megalómano e assassino que “flirtou” com o ocidente e acampou com a sua guarda feminina nas maiores capitais da europa, assistiu à primavera árabe e à queda dos seus “colegas” do Egipto, Tunísia, etc.

Khadafi viu como o amigo Sarkozi, o das palmadinhas nas costas, foi o primeiro a puxar-lhe o tapete, cavalgando as mudanças na rua árabe.

Alucinado, convicto de ser um semi-deus adorado por um povo que, afinal, o odiava, Khadafi pensou esmagar esta revolta como fizera com tantas: a ferro, fogo, sangue e longos discursos dirigidos às massas pelo “a(r)mado” líder. Enganou-se e viu o seu regime destruído, o país em escombros, o seu livro verde espezinhado, milhares de mortos – incluindo parte do seu próprio clã, assim como vários dos seus filhos.

Se houver vontade de democracia, sujeitar-se-á a um humilhante (para quem, como ele, aparenta delírios de personalidade) julgamento que o reduzirá a uma caricatura da caricatura que Khadafi já era. Demasiados mortos depois.

ADENDA: As notícias, à hora a que escrevo, são ainda incertas e pouco claras. Algumas dão-no como ferido e detido, mas notícias posteriores, ainda não confirmadas, afirmam que Khadafi foi morto.