Khadafi capturado em Sirke

Se entendo mal as ditaduras, menos percebo o irracional apego ao poder dos ditadores nas fases terminais de regime.

Khadafi, o ditador megalómano e assassino que “flirtou” com o ocidente e acampou com a sua guarda feminina nas maiores capitais da europa, assistiu à primavera árabe e à queda dos seus “colegas” do Egipto, Tunísia, etc.

Khadafi viu como o amigo Sarkozi, o das palmadinhas nas costas, foi o primeiro a puxar-lhe o tapete, cavalgando as mudanças na rua árabe.

Alucinado, convicto de ser um semi-deus adorado por um povo que, afinal, o odiava, Khadafi pensou esmagar esta revolta como fizera com tantas: a ferro, fogo, sangue e longos discursos dirigidos às massas pelo “a(r)mado” líder. Enganou-se e viu o seu regime destruído, o país em escombros, o seu livro verde espezinhado, milhares de mortos – incluindo parte do seu próprio clã, assim como vários dos seus filhos.

Se houver vontade de democracia, sujeitar-se-á a um humilhante (para quem, como ele, aparenta delírios de personalidade) julgamento que o reduzirá a uma caricatura da caricatura que Khadafi já era. Demasiados mortos depois.

ADENDA: As notícias, à hora a que escrevo, são ainda incertas e pouco claras. Algumas dão-no como ferido e detido, mas notícias posteriores, ainda não confirmadas, afirmam que Khadafi foi morto.

Comments


  1. agora que estava a ser bonzinho é que foi traído e abandonado pelos amigos e colegas e por quem teve relações com ele:


  2. toda a comunidade internacional teve “relações” com o coronel Kadafi…

    ora esta ..


  3. Sem qualquer conotação religiosa ou política, não é que parece confirmar-se o velho e popular ditado “Deus os cria e eles se juntam”?


  4. Não deixa de ser curioso que estes execráveis ditadores e outros inimigos figadais do Ocidente, qual o não menos execrando Bin Laden, acabem silenciados desta maneira expedita. Não fôssemos destituídos da mais remota desconfiança relativamente aos excelsos dirigentes das nossas impolutas e tão bem intencionadas democracias e quase seríamos tentados a crer que eventuais julgamentos destes indivíduos, dentro do respeito pelos celebrados direitos do homem, são vistos como altamente inconvenientes. Mas Deus nos livre de pensar tal infâmia dos nossos civilizados e honestíssimos dirigentes, cujos, pese embora a recente diatribe do cardeal patriarca sobre a higiene manual de quem sai da política, são totalmente alheios ao genocídio do povo líbio, bem como à redução das suas cidades a montes de escombros.