Entre-Campos: Lisboa Arruinada

Em Entrecampos, o enorme terreno onde outrora se ergueu a Feira Popular, encontra-se limpo de ruínas e aguarda por novas construções. A cidade de Lisboa tem sido privada de espaços de lazer e a Feira Popular foi um grande polo de atracção durante décadas, onde gerações se divertiram no luna park disponível, comemorando aniversários ou participando em patuscadas nos Santos Populares. É um apetecível espaço para o sector betoneiro que domina o país e é com preocupação que os lisboetas imaginam o uso a que está destinado. Será decerto mais um colosso a perder de vista e sem qualquer interesse para a população, com volumetrias disparatadas, alumínios e placas em pedra polida ao gosto de qualquer WC de hotel de Tegucigalpa. Nada de novo.
Lisboa precisa urgentemente de espaços lúdicos adaptados às novas necessidades de uma juventude adepta de novos desportos e formas de lazer. Este terreno seria ideal para a construção de um prolongamento do jardim do Campo Grande, estendendo a malha verde em direcção ao renovado Campo Pequeno e incluindo pistas para ciclistas, skatters e patinadores.
Argumentarão com os compromissos tomados. Gesticularão com a ameaça de indemnizações, processos em tribunais nacionais e europeus. O interesse da comunidade está muito acima dos jogos da especulação e seria curioso verificar até onde pode ir a cumplicidade entre as diversas forças políticas dominantes na Câmara e as empresas investidoras interessadas ou “proprietárias” do espaço. Como disse anteriormente, nacionalizações ou expropriações “Por Bem” não amedrontam seja quem for. Ficamos – na certeza da dúvida – à espera de um projecto do arq. Ribeiro Telles.

Lisboa Arruinada: a Visconde de Valmor, sem Prémio


Edifícios da época da construção das avenidas novas. Degradados e fechados, esperam o camartelo. A situação de trágica torna-se irónica, porque o nome da avenida Visconde de Valmor, remete-nos para o mais conhecido Prémio de arquitectura de Portugal. Não deixa de ser simbólico.
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