Águeda: a autarquia em que os direitos cívicos do cidadão ficam à porta

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Já vos aconteceu terem sido bloqueados pelo vosso presidente da câmara municipal depois de lhe terem endereçado algumas perguntas pertinentes na sua página num post relacionado com um assunto de interesse municipal? A situação não é de todo vulgar mas aconteceu-me durante este fim-de-semana. Fui bloqueado pelo excelso Dr. Gil Nadais poucas horas depois de ter feito algumas perguntas pertinentes bem como algumas críticas (colocadas com um espírito de elevação e boa educação) na sua página em relação a este assunto que já me motivou a escrever aqui no Aventar.

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A árvore, esse objecto que suja e atenta contra o betão…

João Paulo Forte *

A ecologia é uma palavra vã na cabeça de muitas pessoas, talvez pela preocupante iliteracia ambiental. À medida que o Ser Humano traça um caminho divergente face ao mundo natural, numa espécie de ambiente asséptico, este começa a perder algo de fundamental. O discernimento acerca da importância das interacções entre os seres vivos e o meio físico tem-se perdido a uma velocidade vertiginosa, talvez causado por um capitalismo feroz, onde o dinheiro e a posse são quem mais ordena. E isto tudo numa sociedade dita informada, onde há um evidente excesso de informação em termos quantitativos, mas um défice crónico em termos qualitativos. É a ironia das ironias, conseguimos fazer evoluir várias tecnologias e, ao mesmo tempo, enquanto sociedade, perdemos capacidades fundamentais para uma vivência sã e devidamente sustentada. Cada vez são menos o que efectivamente entendem que a afectação de um elemento afecta a dinâmica do todo, do geossistema. [Read more…]

Negócios da Índia

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Desde o seu planeamento em 2006 que o novo Parque Empresarial de Águeda, o Parque Empresarial do Casarão, obra pensada, projectada e comercializada pelo executivo socialista aguedense, executivo que cessará funções este devido à impossibilidade de Gil Nadais se recandidatar ao cargo, está envolto numa enorme polémica e é motivo de discussão entre os munícipes.

A longa demora nas obras, a falta de empresas interessadas na aquisição de lotes no referido espaço para construir unidades de produção, a desistência verificada por parte do LIDL em ali se sediar com um novo entreposto de mercadorias para a região centro, devido às péssimas acessibilidades rodoviárias de acesso ao Parque, o excessivo despesismo cometido pela autarquia em 2012 na instalação de postes de alta e média tensão no parque quando ainda não existia nenhuma empresa a laborar no espaço, aliada a um forte consumo energético 24 sobre 24 horas da iluminação pública que se verificou desde 2012 até aos dias de hoje, para literalmente nada produzir foram alguns dos problemas publicamente levantados sobre a forma em como foi gerido todo o processo por parte do executivo camarário aguedense.

Porém, os problemas não se resumem ao que acabei de enunciar…

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So long, and thanks for all the tuna

População de atum no pacifico caiu 97% em relação aos níveis históricos.

Ecos da destruição do planeta

Percebes que o planeta está em apuros quando uma baleia quase sucumbe às garras de um saco de plástico e é salva por pescadores. Parece tirado de um filme mas aconteceu mesmo, na Austrália. A baleia agradeceu mas o Homem continuará em guerra aberta a todos os animais. A sua espécie incluída.

Um governo para porcos

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Fábricas, pedreiras e suiniculturas, toca a legalizar.

Por onde andam os defensores da teoria do aquecimento global?

-O profeta Al Gore e seu séquito de fanáticos do apocalipse, bem podem tirar férias por estes dias. No Central Park em N.Y. a temperatura desceu a valores de 1896, anteriores às teorias apresentadas pela brigada do pensamento único correcto, que não admite sequer discussão. Fenómenos extremos sempre existiram e muito provavelmente sempre irão existir. Já a lucrativa indústria ambiental que floresceu nas últimas décadas, continuará por mais algum tempo a engordar a sua conta bancária, pois não faltam crentes na sua religião um pouco por todo o mundo…

O Rio Tinto

Mudar de ano pode, no caso em apreço, ter sido apenas uma mudança entre uma terça e uma quarta. Será, para muitos outros, uma alteração entre um ciclo de objectivos e uma nova carga de trabalhos para mais 365 dias. Mas, não deixa de ser também, apenas e só mais um momento em que os rios continuam a correr para o mar.

Neste caso concreto, a variável rio torna-se o receptor da incompetência de uma empresa, de uma sociedade ou sei lá de quem mais. A culpa pode até ser do Pai Natal ou do Pinto da Costa (eu, pessoalmente, aposto nesta última):

A notícia do Porto Canal não precisa de legendas.

Quem vive na zona do Meiral, em Rio Tinto (Gondomar) já se habituou há muitos anos aos maus cheiros que invadem todos os recantos de cada uma das casas daquela zona. Uns dias melhores, outros piores, mas sempre presentes para nunca livrar a memória de cada um da existência daquele monstro. Era o custo que alguns tinham que suportar para o bem de todos. É esse o preço da vida em comunidade. Para além dos camiões a circular permanentemente pelas ruas onde antes se jogava à bola havia os cheiros, sempre os cheiros.

Acontece que o preço que a ETAR custa a cada um de nós não se justifica. E por uma razão simples: não funciona. E não funciona porque a Empresa que tem a sua propriedade é incompetente para o fazer.

Não sei se a solução passa pelo Pai Natal ou pelo Pinto da Costa – mas o novo Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins, tem que resolver esta situação e com urgência!

O Governo, os Cães e os Gatos

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Vamos imaginar que o apartamento é um duplex T6. Não pode ter 4 cães e 4 gatos? Bem, se for um T0 é mais complicado. E, já agora, os piriquitos, como é? É que fazem um barulho do caraças. Mais, e os maníacos das cobras, como ficam? Sem esquecer o problema das galinhas e mesmo dos coelhos que, como se sabe, são senhores(as) de forte capacidade de multiplicação.
E se em vez de folclore legislativo, o ministério do ambiente estivesse mais preocupado com as condições vergonhosas da maioria dos canis municipais e do abandono dos animais pelos seus donos? Já para não falar nas touradas e no problema dos animais de circo abandonados.
Isso é que era merecedor do meu respeito.

Lua Cheia

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Contra a Monsanto marchar, marchar

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Volta a ser hora de agir contra os monopólios e os interesses instalados. Amanhã é dia de Marcha Global.
Em Portugal, marcha-se pelo menos em Monsanto, no Porto e em Lisboa. Pessoal, vamos lá dar um pézinho?
Mais informações aqui (em Inglês) e aqui (para Facebookers).

Paraíso Perdido

Fica aqui um excelente vídeo que é mais um grito contra a construção da barragem do Tua. Mais uma prova de como os sucessivos governos permanecem egocentrados e cegos a tudo o que de bom este país tem. Ao visualizar mais uma prova do crime que está a ser cometido, só me ocorreram palavras indecorosas que, por respeito aos leitores, não revelarei aqui.

Sócrates, «teus netos vão-te perguntar em poucos anos» pelo paraíso que já não vemos e pelos comboios que já não usamos. Que lhes vais responder?

E agora, se me dão licença, vou ali gritar umas palavras barbudas e já volto.

Extinções

Esta frase de um leitor num comentário a este poste

…quando era criança era muito comum ver joaninhas em todo o sítio, hoje em dia são cada vez mais raras…

fez-me fazer um exercício de memória.

Tenho cinquenta e dois anos, nasci em Angola, vim para Portugal com quase quinze, há trinta e sete anos, portando. Sem nenhuma pretensão científica e não sendo exaustivo, dei por mim a pensar nas extinções a que assisti – aqui a palavra é utilizada de forma pouco exacta, sendo que chamo extinção ao (quase) desaparecimento de certas espécies de determinados locais.

Um dos primeiros insectos que me maravilhou em Portugal foram os pirilampos. Lembro-me deles às centenas, à noite, piscando nos campos. Há anos que não vejo um único pirilampo nos mesmos campos. O que se passou? Não sei, sei que as crianças os apanhavam às dezenas para brincar, mas imagino que sempre tenham feito o mesmo ao longo de gerações. [Read more…]

Proibição de pesticidas que matam abelhas

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Os governos, no caso europeu também as instituições supra-nacionais, sofrem geralmente de legislalite aguda, uma doença que os faz criar leis para tudo e mais alguma coisa, dia sim, dia não, num afã inconsequente de parecer que trabalham muito e controlam tudo.

A legislação ridícula e absurda acumulada é sinal de que nunca perceberam uma coisa muito simples: salvo raríssimas excepções é preferível lei nenhuma a uma má lei. Nem os liberais mais couraçados escapam, quando no poder, a esta doença viciante – normalização disto, regulamentação daquilo, proibição daqueloutro e por aí fora.

No meio de tanta tralha legislativa, lá surge uma vez por outra uma lei importante. É o caso da proibição de pesticidas que matam abelhas, decidida agora pela Comissão Europeia, contra a posição de lóbis poderosos e bem infiltrados nos círculos políticos. [Read more…]

Gonçalo Ribeiro Telles recebe Prémio Sir Geoffrey Jellicoe

Ribeiro Telles

Tenho pelo Arq. Ribeiro Telles o maior dos respeitos. Pelos vistos a Federação Internacional dos Arquitectos Paisagistas (IFLA) também.

Gonçalo Ribeiro Telles, pioneiro da arquitectura paisagista, pregou quase sempre no deserto, entre assentimentos de cabeça e palmadinhas nas costas, como as gentes arrogantes sempre fizeram com os visionários, do género “será génio, mas é maluco”.

As mesmas gentes que nos deixaram como legado um país caótico e desordenado, muito longe da suficiência agrícola, com imensas quantidades de solos inutilizados e impermeabilizados, destruidor de biodiversidade, um país desintegrado e desmemoriado em relação à sua própria cultura e natureza.

Perseverante, lutou décadas pela implementação e manutenção, por exemplo, do Corredor Verde de Monsanto. A sua marca em Portugal é, felizmente, maior do que a obra que lhe foi permitido concretizar e visível no número e qualidade de seguidores e discípulos que granjeou.

Tenho a infeliz sensação de que, não fosse a pequenez e a hipocrisia com que foi tratado pelos poderes que foram sucessivamente administrando o território, ministros e ministérios do ambiente incluídos, e Portugal seria hoje um país mais equilibrado, belo, justo e sustentável. [Read more…]

Vamos lá privatizar tudo: agora é a vez da água

Estes tipos são capazes de quase tudo? Não, estes cabrões são capazes de tudo, mesmo, desde que enriqueça alguns.

O leitor pensava que no séc XXI, com populações escolarizadas e especializadas, com tecnologia e meios de informação, com sindicatos e organizações sociais, com Unescos e cartas de direitos humanos, as pessoas estavam mais protegidas, defendidas e conscientes dos seus direitos? Erro seu, a barbárie é a de sempre, apenas munida de armas mais poderosas.

É apenas uma questão de tecnologia e de arranjarem formas de cobrar: um dia privatizarão o sol e o ar respiramos, com o apoio e directivas de Bruxelas, Washington, Pequim ou quem lhes suceda.

Croniquetas de Maputo: o lixo e a chuva

Uma das primeiras coisas que nos assalta os sentidos, em Maputo, é o lixo. A visão do lixo, o cheiro do lixo, o cuidado com o lugar onde se põe o pé. A cidade não está preparada para lidar com o lixo que produz, a política de recolha e transformação é quase inexistente, os raros contentores parecem ter sobrevivido em mau estado a campanhas sucessivas no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, nos campos de treino de uma escola para bombistas, amolgados, retorcidos, a tombar para os lados. Servem como mera indicação de uma zona geográfica em volta da qual se acumulam quantidades enormes de lixo. Não é raro, de dia ou de noite, encontrar lixo a arder, contentores em chamas, fumo negro toldando pequenas zonas da cidade. Outras vezes sentimo-lo à distância pelo cheiro de mil e uma coisas diferentes em combustão simultânea.

Em alguns locais, em algumas ruas, o lixo vai-se acumulando sobre o lixo, pessoas e automóveis pisam-no e compactam-no, nivelam-no, entupindo escoadores e valetas, tapando buracos aqui e ali. Os pobres dos pouquíssimos trabalhadores dos serviços de recolha, desprovidos de meios, acompanham camiões de lixo que há muito deixaram de ser basculantes, colocam um lençol de plástico no chão e vão empilhando lixo sobre ele, depois levantam-no, balançam-no uma, duas, três vezes e upa,  [Read more…]

Escândalo António Costa na Duque de Loulé

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Já há uns quatro anos fui alertando para este crime urbano que a CML prepara na Duque de Loulé. O Público em boa hora avisa a população para este estranho caso, numa cidade que rapidamente perde as suas referências oitocentistas. E é esta mortal tripla Costa, Manuel Salgado  & BES/Salgado que está infalivelmente presente em todos os atentados que se acumulam. Tudo isto é muito estranho, não é?

Costa e Salgado, este ménage à deux…

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Já bem conhecida e batida habituée do Intendente, a joint-venture Costa & Salgado vai agora atacar aqui. Demolir, destruir, transformar a capital num tugúrio de fachadas, alumínios, jaccuzis e pladures, eis o que restará desta vereação da “Cãbra Municipal” olissiponense.

Por falar em manipulação

ImagemA jornalista Patrícia Silva Alves, de quem já li outras coisas na Visão, no i e por aí na blogosfera (umas, com interesse; outras, nem tanto), publicou na última Sábado um trabalho sobre manipulação de dados. Sob o título “Como usar os números para enganar”, a plumitiva usa o exemplo da Argentina, onde a inflação oficial é de 10%, e peritos internacionais apontam para 25%.

A Revista The Economist terá mesmo abolido como referência nos seus indicadores os dados oficiais, sob o argumento de que “estamos cansados de compactuar com o que parece ser uma tentativa de enganar votantes e investidores”. O caso é tanto mais grave quanto é certo que o FMI deseja suspender o direito de voto do país enquanto não forem emitidos dados fiáveis.

A ser verdade o que se afirma ali, e nada nos move em contrário, a McDonald’s terá articulado com o governo um preço abaixo da tabela para o Big Mac (será o mais barato de menu), usado pela revista The Economist para medir o custo de vida em vários países. Sendo a jóia da coroa e o hambúrguer mais famoso da cadeia, aquela multinacional tenta contornar o preço baixo ao tirá-lo da circulação em muitas das suas lojas, obrigando a que se consumam hambúrgueres mais caros. [Read more…]

A um Felino

Estás idoso, muito idoso. Os teus 17 anos de vida, equivalentes à juventude nos humanos, pesam-te já muito nas pernas. É verdade, os teus desvarios da mocidade, as tuas noites passadas na rua, todas as loucuras que cometeste, reflectem-se agora em alguns problemas de locomoção.
Estás connosco desde o regresso da lua de mel.
Casei sabendo que irias partilhar a minha vida. Não te conhecia, esperei pelo momento de regressar para te conhecer.
Não gosto de escolher animais. Normalmente, e tem sido assim durante quase toda a minha vida, os animais é que me escolhem. Trazidos por não sei que instinto, não sei que odor, são eles que param a meio do seu caminho, desviam a sua rota e me seguem. Ou me entram pela porta dentro. Ou chamam à minha passagem. Ou simplesmente se sentam no meu colo, onde quer que eu esteja. [Read more…]

Ó Álvaro, põe os óculos, que estás a lamber a alcatifa

“Ambiente não pode prejudicar política industrial europeia” (Álvaro Santos Pereira)

Greve ao dinheiro

Raphael Fellmer, alemão, sem profissão definida, 29 anos, casado e pai da bebé (na foto).

Decidiu fazer greve ao dinheiro e vive sem ele quase há 3 anos.

Dá palestras sobre greve ao dinheiro e sustentabilidade.

Já não é o primeiro.

Um caquizeiro mais forte que a bomba atómica

Acabo de descobrir que o fruto que eu mais aprecio tem um outro nome, o malandro! Não é que o meu dióspiro – chego a comer 2 ou 3 por dia na sua época (que é justamente agora), simples, com banana e/ou bolacha Maria- , também é conhecido como caqui (kaki, no Japão)?

Santa Ignorância!

Estou mesmo radiante, porque aquilo que eu ia escrever sobre um certo caquizeiro é afinal, sobre a minha árvore predilecta.

Descobri, ontem à noite, uma história linda, mas ainda mais fenomenal por ser verídica: conta-se que um diospireiro (caquizeiro) foi mais forte que a segunda bomba atómica que matou 200 mil pessoas em Nagasaki.

Escreve Rubem Alves, em Do Universo à jabuticaba:

Morreram os seres humanos, morreram os animais, morreram as plantas. Foi então que uma coisa extraordinária aconteceu: passado o tempo, uma árvore que o fogo havia queimado e todos julgavam morta começou a brotar. Era um caquizeiro. Os japoneses se assombravam com aquele milagre: uma árvore mansa que foi mais forte que a bomba! E tomaram a ressurreição da árvore do caqui como um símbolo da teimosia da vida. Começaram então a colher as sementes lisas dos frutos daquela árvore e a plantá-las. Quando as plantinhas nasciam e cresciam um pouco, eles as enviavam como presentes de paz a todas as partes do mundo. Para que ninguém perdesse as esperanças…

E sabem que mais? Eu mesma tenho um diospireiro… e assim que puder, vou contar-lhe esta história de um certo primo que vive lá longe, na ‘Terra do Sol Nascente’!

Ele diz coisas elementares e contudo…

O homem pouco formal, guarda-roupa descuidado para o evento, subiu ao estrado, colocou os óculos e começou por proferiu o seu discurso, pausadamente, gestos lentos, palavras sensatas – seria dos seus setenta e sete anos?- como se mastigasse cada uma delas, revestindo-as de importância e beleza, antes de as fazer ouvir a si mesmo e aos ouvintes na Rio+20, junho de 2012.

Ouvi duas vezes o seu discurso, tirando apontamentos, admirando esse homem uruguaio, agricultor e presidente do seu pequeno país. Sim, Pepe é esse presidente que doa 90% do seu salário para pessoas carenciadas e ONG’s:

“(…) deixem-me fazer algumas perguntas em voz alta. (…) falamos sobre desenvolvimento sustentável. De como eliminar o imenso problema da pobreza. Que se passa em nossas cabeças? (…) o que aconteceria com este planeta se todos os habitantes da Índia tivessem a mesma proporção de carros que os alemães possuem? Quanto oxigénio teríamos para respirar? (…) Porque nós criámos esta civilização (…) filha do mercado, da competição que se deparou com o progresso material enfático e explosivo. (…)

Estamos governando a globalização, ou é a globalização que nos governa? [Read more…]

De Má Memória

Francisco José Viegas (2.º a contar da direita), com oito anos, deixa o Pocinho (Linha do Douro) em direcção a Chaves. De comboio, claro.
Anos mais tarde, num livro chamado “Comboios portugueses – um guia sentimental” haveria de dedicar ao avô alguns parágrafos, sobre o Douro, sobre o Vale do Tua, que importaria sempre, sempre preservar. Mais tarde, reforçaria nas páginas da Ler a mesma imperiosa obrigação. A seguir comete “o erro de aceitar um cargo político” e é feito Secretário de Estado da Cultura, pasta esta com responsabilidades indesmentíveis na protecção e classificação do vale e da Linha do Tua como  património nacional. Nada fez, que nada podia fazer. O que tinha a fazer nesse momento, caso fosse um escritor com apreço pela palavra escrita, era única e simplesmente abdicar do cargo por manifesta falta de força política para fazer cumprir.
Para mim, Francisco José Viegas é o pior exemplo do que pode ser feito a homem das Letras.

Dia do Animal

Por Noémia Pinto

Hoje, 4 de Outubro, comemora-se o Dia de S. Francisco de Assis e, também por isso, o Dia Mundial do Animal. Não vou contar a história deste Dia. Qualquer pesquisa básica permite rapidamente aceder a essa informação. Este é um dia que tem tido muito significado na minha vida. A minha amizade pelos animais é algo que nasceu comigo. Em pequena salvava os mosquitos de morrerem afogados no tanque. Quando ando nas ruas, tenho cuidado para evitar pisar as formigas, a única vez em que pus veneno para os caracóis chorei ao varrer as conchas vazias…
Levei a minha primeira gata para casa era eu uma gatinha de 5 anos. Fui fazer um recado à mercearia ao lado de casa (verdade, as mães mandavam assim as ganapas de 5 anos fazer compras à mercearia! Horror, escândalo, choque!!! E nunca me raptaram nem era trabalho infantil. Fosse hoje e a minha mãe teria sido denunciada à Segurança Social) e voltei sem as compras, mas com o meu primeiro amor de quatro patas. [Read more…]

Dia Mundial do Vegetarianismo


A propósito do dia de hoje, relembro abaixo alguns dos argumentos de Vegetarianismo Ético, o post de Maria Pinto Teixeira, Presidente da Associação Animais de Rua, que se dedica à esterilização de cães e gatos vadios e abandonados. É uma das vertentes mais importantes da luta pelos direitos dos animais, se pensarmos que um casal de gatos pode dar origem a mais de 80 milhões de gatos em 10 anos.
Quanto ao vegetarianismo, o dia que se comemora hoje, há-de chegar o dia em que parecerá estranho que algum dia tenhamos comido animais. Por agora, os matadouros não têm janelas…

. Mais de metade da água consumida nos Estados Unidos é gasta na criação de gado.
. Meio quilo de carne exige 50 vezes mais água do que a quantidade equivalente de trigo, concluindo a revista Newsweek que “a água necessária a um boi de 500 kg faria flutuar um contratorpedeiro.
. A criação intensiva de animais é a indústria responsável por uma parte substancial da poluição dos nossos recursos hídricos.
. Nos últimos 25 anos foram destruídas quase metade das florestas tropicais da América do Norte para plantações de cereal para alimentação de gado.
. A comida desperdiçada na produção de animais nas nações ricas seria suficiente, se fosse adequadamente distribuída, para pôr fim tanto à fome como à subnutrição em todo o mundo. [Read more…]

O Ártico em vias de extinção? Óptimo!

É uma excelente notícia. Aparentemente, o Ártico estará em vias de extinção. Se a notícia indicasse a possibilidade de o Árctico estar em vias de extinção, seria péssimo. Como é o Ártico, não faz mal nenhum. Antes pelo contrário: ainda bem. O Ártico não nos faz falta nenhuma. O Árctico, sim, faz-nos. Muita.

Nota: Segundo a Visão, o texto em apreço foi escrito em 9 de Setembro. Setembro. Com maiúscula? Óptimo.

Finalmente fui ao arquipélago das Berlengas!

Assinalo no meu mapa de Portugal alguns dos locais visitados nestas férias: Peniche, a Berlenga, a praia da Consolação, a praia de S. Bernardino e outros.Que bem passados esses dois dias em Peniche, pequena cidade muralhada com pedras do século XVI, erguendo-se numa península onde o peixe e o vento são reis! Que o digam os surfistas que acorrem às suas praias. Peniche é, por isso, sinónimo de mar e barcos.

No Guia American Express (Portugal), descubro agora a foto do barco Cabo Avelar Pessoa que nos levou à Berlenga,12 km a poente da costa e a cerca de 30 a 40 minutos de Peniche. O nome do barco não me dizia nada até ler a placa em mármore que se encontra no Forte de S. João Baptista: “Homenagem da Escola do Exército ao Cabo António de Avelar Pessoa. Aqui neste local no ano de 1666 apenas com 28 soldados portugueses defrontou gloriosamente em luta épica a esquadra castelhana do Almirante Ibarra com 15 naus e 1500 homens. Do seu esforço valentia e patriotismo ficará eterno exemplo”.

A ilha principal, a Berlenga Grande, é irresistível. À medida que nos aproximamos (já tínhamos ganho a viagem ao ver meia dúzia de golfinhos!), avistamos o Forte mandado construir pelo rei D. João IV como posto de defesa do território português. Em 1847 foi abandonado, mas no século XX restaurou-se e reconverteu-se em pousada. Por ocasião da Revolução de Abril em 1974, de novo foi «esquecido». Graças à associação «Amigos das Berlengas», o Forte é hoje uma estalagem onde se pode pernoitar por bom preço. Imagino que é única a experiência de dormir ali: o silêncio e o bater do vento e das ondas do Atlântico!

Revejo cada foto que somos impelidos a fazer naquele encantador lugar: a pequena e deslumbrante praia do Carreiro; o descarregar do barco de bebidas, gelados, batatas e outros mantimentos para o único restaurante da Berlenga, o Mar e Sol, o farol, a gaivota em pose fotogénica entre centenas que vivem na Reserva, as coloridas tendas no Parque de Campismo, a paisagem composta pelo verde dos «chorões» e o Forte. Depois da caminhada de regresso à «aldeia dos Pescadores», recortada por breves paragens para beber um pouco de água e fotografar aquela beleza que desejámos «levar para casa», não resistimos ao banho. Soube tão bem.

Para terminar: a Ilha das Berlengas é Reserva Natural desde 1981 e a Unesco classificou-a como Reserva Mundial da Biosfera em Junho de 2011!Não adie por muito mais tempo este passeio fabuloso a uma linda ilha que é nossa!

(publicado no suplemento Fugas/Público, 8 /9/2012 e Dicas dos leitores Fugas)