No nosso bairro não acontecia nada, a não ser os jogos de sempre, e o assalto às quintas circundantes onde roubavamos fruta, principalmente laranjas e diospiros. E romãs, o fruto mais bonito, mas que dá muito trabalho a comer.
Até um dia, aquele bairro foi uma maravilha de baixa “tensão”, nenhuma adrenalina a não ser quando éramos invadidos pelos “gajos” do Bairro do Castelo que íam para lá engatar as “nossas miúdas”, (amigas e irmãs).
Mas o paraíso não dura sempre e um belo dia chegou lá a Lurdes, vinda de França, filha de uma Francesa e de pai português, que felizmente tinha saído à mãe. Loirinha! A irmã era mais nova, hesitei, e enquanto hesitava os meus amigos andavam doidos, todos “no santo sacríficio da saída” que era quando as miúdas saiam do Liceu.
Mas o filtro foi funcionando, a vizinhança ajudava, e às tantas eu e o meu melhor amigo, eramos a companhia natural, para e do Liceu. Soube mais tarde que o meu amigo, sempre que me apanhava de costas, lançava a rede à Lurdinhas, em absoluta e miserável deslealdade.
A Lurdinhas é que se matava a rir com a nossa conversa, dizia que sim aos dois, ou não, conforme as coisas se tornavan mais ou menos sérias. Em absoluto desespero, passava frequentemente pela porta dela para dar uma palavrinha à mãe, carregado de livros, não fosse ela pensar que eu não tinha futuro garantido. [Read more…]






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