Liberdade de escolha – mais um embuste na Educação

Este texto do Fernando Moreira de Sá é elucidativo do modo de pensar de alguns (muitos?) empresários portugueses: o Estado deve estar ao serviço das empresas e não ao serviço do país. Nada que a prática governativa desminta.

Curiosamente, Pinto Balsemão frequenta um campo ideológico que defende a concorrência como uma solução absolutamente virtuosa. Para os sucedâneos portugueses do neoliberalismo, na esteira dos simplórios da direita americana, é o mercado que tudo resolve, com os consumidores a escolherem o melhor produto, obrigando as empresas a melhorarem continuamente ou a morrerem.

Não interessa muito saber se os simplórios são necessariamente mal-intencionados, mas são demasiado simplórios para que as propostas que apresentam – ou as decisões que tomam – se possam constituir como soluções aceitáveis, porque se limitam a impor ideias sem se preocuparem em analisar a realidade.

Atente-se no caso das televisões generalistas. Será que a concorrência introduzida pela chegada das privadas trouxe consigo um aumento da qualidade do produto? A verdade é que a televisão só poderia aumentar as audiências à custa de um abaixamento da qualidade, como se pôde verificar pela introdução dos reality shows ou pela telenovelização do horário nobre. A própria televisão pública, com a chegada das privadas, entrou na caça ao espectador e tornou-se numa coisa indecisa, sem ser serviço público de qualidade nem empresa de sucesso (embora, para isso, tenha contribuído, também, o facto de ser uma das muitas entidades para uso das clientelas partidárias). [Read more…]