As convicções e ambições de Marinho e Pinto

Bloco de Esquerda – Ruptura/FER, a hora da (de)cisão

Que o Bloco não é um bloco tornou-se evidente há muito tempo, especialmente desde os inícios da representação parlamentar, época em que o BE inicial foi invadido por toda a casta de arrivistas atraídos pelo cheiro a poder (neste caso o estatuto de deputado, a possibilidade da presidência de uma câmara municipal, a remota hipótese de uma assessoria bem paga, a mera chance de protagonismo mediático). Chamar trotskistas, marxistas, etc., aos do bloco tornou-se não apenas caricato, mas verdadeiramente ridículo: havia (há) por lá de tudo, social-democratas orfãos de partido, socialistas desenganados, comunistas arrependidos, radicais adormecidos, utópicos desiludidos, anarquistas inconsequentes.

A divisão interna era evidente há muito e a perda de votos nas últimas eleições, somada a uma sucessão de erros e más escolhas políticas, agravou-a. A Ruptura/FER já por lá anda há bastante tempo, mais ou menos amordaçada. Agora ameaça sair e fundar um novo partido. É óbvio que o BE perdeu a sua frescura inicial, esgotou a sua caderneta de causas e aburguesou-se.

A Ruptura, por seu lado, tenta “capitalizar” os novos movimentos sociais, as acampadas, a geração à rasca, etc. Esse é o novo caminho da Ruptura e aquilo que, futuramente, vai ditar rupturas dentro da nova organização. Porque uma organização que nasce com estes alvos não vai permanecer unida, em bloco, durante muito tempo:

“aberto a toda a esquerda, independentes, ex-bloquistas e aos novos movimentos sociais das acampadas, e a todos os que não se revêem nas posições oficiais dos partidos e dos sindicatos institucionalizados”

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