Portugal putrefacto

Oitocentos e setenta anos de história. Tempo demasiado longo para percorrer um caminho completamente asséptico. É verdade, demos novos mundos ao mundo. Todavia, não o fizemos por pura abnegação. Com máscaras de ideais da propagação da fé católica – sim, sobretudo católica em vez de cristã – as caravelas levavam nos porões ambições ilimitadas de acesso a fortunas, focadas no comércio das especiarias das Índias, no ouro do Brasil ou em outros bens que fizeram de Lisboa um centro de negócios ímpar na Europa do século XVI.

Outros povos europeus protagonizaram empreendimentos semelhantes, mas, por ora, concentremo-nos em Portugal. Nos tempos e nos espaços do percurso histórico deste País.

Tivemos e oferecemos ao mundo homens brilhantes. Camões, Padre António Vieira, Pessoa e Saramago, na divulgação da cultura e língua portuguesas, destacaram-se em épocas distintas. Contudo, nos longos tempos e sobretudo no espaço, agora apenas rectangular, europeu e adicionado de salpicos de terra isolados no Atlântico, também desabaram impurezas humanas. [Read more…]