A traição aos povos é uma constante histórica – África do Sul

Jacob Zuma desbaratou ignobilmente a África do Sul. Revolvem-se as entranhas, ao ver esta reportagem.

E as KPMGs e as McKinseys deste mundo arrebanham poder e seguem auditando e “aconselhando” negócios e governos.

Uma pessoa, às vezes, não consegue encontrar maneira de saber onde ir buscar um pingo de esperança para enfrentar esta trampa toda.

P.S.- Já agora, ali ao lado, em Moçambique:

Dívidas ocultas: “É uma questão de tempo até que Nyusi seja chamado”.  Caso das dívidas ocultas chega aos tribunais de Moçambique em agosto.

“Ainda hoje estava a ler argumentos da Privinvest, do mesmo julgamento das dívidas ocultas que está a decorrer em Londres, e eles reafirmam que pagaram dinheiro a altos funcionários do Estado e inclusivamente ao Presidente Nyusi.“

“Segundo o Centro de Integridade Pública (CIP), “dois milhões de moçambicanos foram empurrados para a pobreza absoluta, de 2016 a 2019″, por causa do maior escândalo financeiro do país, que envolve cerca de dois mil milhões de euros.”

 

Milhões perdidos em corrupção e os governos não têm vontade de lhe pôr fim…

Todos os anos, a União Europeia perde 904 mil milhões de euros por causa da corrupção. Portugal perde anualmente 18 mil e 200 milhões de euros. É o equivalente a 10 vezes o orçamento da Justiça e mais de metade do orçamento da Saúde.“

Porque… o crime compensa e a vontade política de o cercear é pequenininha. Eu é que sou muito estúpida quando insisto com os vizinhos que para as obras efectuadas no condomínio devemos pagar o IVA.

P.S.:

 Escassez de recursos afeta estratégia anticorrupção

A Comissão Europeia considera que não se verificaram “grandes desenvolvimentos no que se refere ao quadro institucional anticorrupção em Portugal” desde o relatório do ano passado. A “Estratégia Anticorrupção 2020-2024” foi aprovada pelo Governo de António Costa e aguarda, de momento, a votação na Assembleia da República. Esta medida visa “atender a uma necessidade de longa data de criar uma estrutura anticorrupção robusta”.

O Governo propôs ainda outras medidas para garantir um tratamento mais eficaz dos casos complexos de corrupção, mas apesar dos esforços para melhorar o histórico de investigações e processos por corrupção, a Comissão Europeia refere que “as autoridades do Ministério Público consideram a falta de recursos para a polícia e o Ministério Público uma preocupação”.

De acordo com o relatório foi aprovada, em 2019, uma nova alteração ao sistema de declaração de ativos, “mas a entidade de transparência encarregada de verificar as informações ainda não está operacional”. Além do mais, aponta o documento, os recursos “atribuídos ao Conselho de Prevenção da Corrupção permanecem limitados”.

Bruxelas frisa ainda que os riscos de corrupção, como conflitos de interesse, “no âmbito da pandemia Covid-19, foram objeto de várias recomendações a nível nacional”.

Isto chama-se o quê? Conivência?

Conversas Vadias 20

A brincar, a brincar, as Conversas Vadias chegaram à vigésima edição. Bodas de porcelana, portanto, sem as desvantagens do casamento.

Covid, viagens, ministro Cabrita, falta de vergonha na política, a confusão piscatória da IL, Joe Berardo, humor negro, condecorações e comendas, Ricardo Salgado, Santos Ferreira, Armando Vara, centralismo, regionalização, rouba mas faz, dinheiros do plano de resiliência, autarquias, metro na Trofa, eleições autárquicas, sugestões de leituras, de audições e de visionamentos. Carregado e Odivelas estiveram em alta. Um voto de pesar pelo falecimento de João Figueiredo, com um abraço de todos ao Francisco Salvador Figueiredo, cuja homenagem ao tio merece ser lida.

Orlando Sousa, António de Almeida, Francisco Salvador Figueiredo, Carlos Araújo Alves, João Mendes, José Mário Teixeira e António Fernando Nabais.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Conversas Vadias 20
/

Joe Berardo, democracia e o monopólio da corrupção

A detenção de Joe Berardo, ainda que acabe por dar em nada (espero que não, teria muito gosto em vê-lo enjaulado durante vários anos e despojado de todos os bens, incluindo os que estão em nome de familiares e fundações, e deixá-lo só com o sorriso imbecil com que nos gozou a todos, há meses, na comissão de inquérito), bem como as prisões efectivas de Armando Vara e Duarte Lima, e, antes deles, de Isaltino Morais, ou mesmo José Sócrates, que chegou a ser detido, e que dificilmente escapará das acusações que lhe foram imputadas pelo juiz Ivo Rosa (wishful thinking, I know), pelas quais poderá passar mais de 10 anos na cadeia, são reveladoras de um aspecto que a cultura da indignação antidemocrática quer, a todo o custo, obliterar do espaço público, porque coloca em causa a narrativa e a agenda autoritária que se quer instalar no poder, seja através dos neofascistas agrupados no gangue chegano, seja através dos aspirantes a autocratas instalados noutros partidos, porque, uns e outros, continuam a ter em Salazar o seu referencial maior de estadista, na medida em que se possa chamar estadista à besta abjecta de Santa Comba Dão.

[Read more…]

Regionalização sim, mas só com um elevado nível de monitorização dos tiranetes autárquicos

Já fui um regionalista convicto, hoje tenho algumas dúvidas, nomeadamente no que diz respeito ao poder excessivo que a governação autárquica acumularia. A regionalização, para acontecer, terá que ir além de uma descentralização cega, onde Lisboa transfere quantidades significativas de poder para uma realidade onde abunda o compadrio, a fraude, o tráfico de influência e a corrupção. E, regra geral, onde o escrutínio é praticamente inexistente, dada a natureza quase monárquica e autoritária que reina de forma absoluta em algumas autarquias.

Não obstante, o Carlos Araújo Alves tocou num aspecto muito pertinente, que diz respeito à gestão da pandemia e ao efeito nefasto que, no continente, alguns concelhos, actualmente concentrados na Área Metropolitana de Lisboa, têm nos concelhos onde a situação está, pelo menos neste momento, controlada. Deixo o link para o texto do Carlos está na hiperligação em cima, mas tomei a liberdade de lhe roubar a imagem que o ilustra. A região espanhola da Andaluzia, para onde Ferro Rodrigues, do alto do seu elitismo parolo, instou os portugueses a rumar, é uma das piores a nível europeu. O J. Mário Teixeira pegou no tema  e fica a sugestão para passarem por lá. [Read more…]

Aventar com… João Paulo Batalha

João Paulo Batalha é, actualmente, consultor nas áreas da boa governança, transparência e políticas de combate à corrupção, além de colunista e conferencista, tratando temas ligados à integridade pública e à participação cívica. Foi um dos fundadores da Transparência e Integridade, capítulo português da Transparency International, rede global de ONG anti-corrupção presente em mais de 100 países.

Esteve, no PodAventar, à conversa com José Mário Teixeira e António Fernando Nabais, tendo feito jus à sua formação académica (História, Sociologia Histórica e Política) e à sua experiência (jornalista, consultor de comunicação). O discurso é rigoroso e claro e o incentivo que deixa aos cidadãos é motivador. Os ouvintes mais curiosos gostarão de saber como participar no “circuito da corrupção”.

Vale a pena ouvir e partilhar, que não faltam redes sociais e caixas de correio electrónico.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Aventar com... João Paulo Batalha
/

“Aventar com” João Paulo Batalha

A rubrica de entrevistas “Aventar com”, será, desta vez, com João Paulo Batalha, hoje, pelas 18 horas.

João Paulo Batalha é um dos fundadores da Transparência e Integridade, capítulo português da Transparency International, rede global de ONG anti-corrupção presente em mais de 100 países. Entre 2017 e 2020 foi presidente da Direcção da associação. Actualmente, é consultor nas áreas da boa governança, transparência e políticas de combate à corrupção. Além de colunista e conferencista, tratando temas ligados à integridade pública e à participação cívica.

Aqui fica o último excerto:

“Aventar com” João Paulo Batalha

A rubrica de entrevistas “Aventar com”, será, desta vez, com João Paulo Batalha, amanhã, pelas 18 horas.

João Paulo Batalha é um dos fundadores da Transparência e Integridade, capítulo português da Transparency International, rede global de ONG anti-corrupção presente em mais de 100 países. Entre 2017 e 2020 foi presidente da Direcção da associação. Actualmente, é consultor nas áreas da boa governança, transparência e políticas de combate à corrupção. Além de colunista e conferencista, tratando temas ligados à integridade pública e à participação cívica.

Aqui fica o quinto excerto:

“Aventar com” João Paulo Batalha

A rubrica de entrevistas “Aventar com”, será, desta vez, com João Paulo Batalha, no próximo Sábado – 26/06/2021 -, pelas 18 horas.

João Paulo Batalha é um dos fundadores da Transparência e Integridade, capítulo português da Transparency International, rede global de ONG anti-corrupção presente em mais de 100 países. Entre 2017 e 2020 foi presidente da Direcção da associação. Actualmente, é consultor nas áreas da boa governança, transparência e políticas de combate à corrupção. Além de colunista e conferencista, tratando temas ligados à integridade pública e à participação cívica.

Aqui fica o quarto excerto:

“Aventar com” João Paulo Batalha

A rubrica de entrevistas “Aventar com”, será, desta vez, com João Paulo Batalha, no próximo Sábado – 26/06/2021 -, pelas 18 horas.

João Paulo Batalha é um dos fundadores da Transparência e Integridade, capítulo português da Transparency International, rede global de ONG anti-corrupção presente em mais de 100 países. Entre 2017 e 2020 foi presidente da Direcção da associação. Actualmente, é consultor nas áreas da boa governança, transparência e políticas de combate à corrupção. Além de colunista e conferencista, tratando temas ligados à integridade pública e à participação cívica.

Aqui fica o terceiro excerto:

“Aventar com” João Paulo Batalha

A rubrica de entrevistas “Aventar com”, será, desta vez, com João Paulo Batalha, no próximo Sábado – 26/06/2021 -, pelas 18 horas.

João Paulo Batalha é um dos fundadores da Transparência e Integridade, capítulo português da Transparency International, rede global de ONG anti-corrupção presente em mais de 100 países. Entre 2017 e 2020 foi presidente da Direcção da associação. Actualmente, é consultor nas áreas da boa governança, transparência e políticas de combate à corrupção. Além de colunista e conferencista, tratando temas ligados à integridade pública e à participação cívica.

Aqui fica o segundo excerto:

“Aventar com” João Paulo Batalha

A rubrica de entrevistas “Aventar com”, será, desta vez, com João Paulo Batalha, no próximo Sábado – 26/06/2021 -, pelas 18 horas.

João Paulo Batalha é um dos fundadores da Transparência e Integridade, capítulo português da Transparency International, rede global de ONG anti-corrupção presente em mais de 100 países. Entre 2017 e 2020 foi presidente da Direcção da associação. Actualmente, é consultor nas áreas da boa governança, transparência e políticas de combate à corrupção. Além de colunista e conferencista, tratando temas ligados à integridade pública e à participação cívica.

Aqui fica o primeiro excerto:

 

Com inimigos assim, quem precisa de amigos?

Expectativa:


Realidade: 

Deputado do Iniciativa Liberal abstém-se sobre uma eventual ida do hacker Rui Pinto à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ao Novo Banco.

A cabeça vai ficando cada vez mais calva. E quanto mais se destapa, mais fácil fica ver o couro cabeludo. Portanto, o que escondem?

«As cúpulas que vão abaixo!
Gritam eles, para impressionar; 

Mas estes profissionais do tacho 
Ainda acabam de cúpula ao ar»

Bandidagem do bem?

A Frente Nacional, partido de extrema-direita comandado por Marine Le Pen, que tem Putin como guia espiritual e Ventura como cheerleader, está sob suspeita de utilização indevida de fundos europeus, destinados ao funcionamento do grupo parlamentar do partido no Parlamento Europeu, que terão sido aplicados no pagamento de despesas correntes do partido, incluindo a contratação de boys e girls da Frente Nacional.

No fundo, está aqui bem espelhada a proposta da extrema-direita europeia, seja em França, Itália, Espanha ou Portugal: os mesmos vícios, as mesmas trafulhices, a mesma desonestidade e, se possível, o controle do mesmo monopólio da corrupção, mudando apenas a natureza do regime, que consistirá na suspensão de liberdades, direitos e garantias, em direcção a uma sociedade autoritária, castradora, censória, violenta e repressiva. E é com esta direita neofascista que PSD e CDS planeiam o futuro da governação do país. Quem disser que não sabia ao que ia é um ovo podre.

Processo nº 6348/18.0T9VNG: Eduardo Vítor de Almeida Rodrigues

Departamento de Investigação e Ação Penal Regional do Porto
1ª Secção – Porto – Crime Económico-Financeiro e Crime Violento

Processo nº 6348/18.0T9VNG
Data: 18-11-2020

“Declaro encerrado o inquérito.
Em processo comum, perante tribunal singular, o Ministério Público acusa

Eduardo Vítor de Almeida Rodrigues, casado, professor do ensino superior, nascido em 30/03/1971, natural de Miragaia, Porto, filho de (…), titular do CC nº (…), com domicílio profissional na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, Rua Álvares Cabral, 4400-017 Vila Nova de Gaia,

Porquanto:

[Read more…]

Esquerda Direita Volver 11 – De quem é o 25 de Abril?

Na décima primeira edição do “Esquerda Direita Volver”, o tema é “De quem é o 25 de Abril?”

Sob a moderação de Francisco Miguel Valada, debateram António de Almeida, Fernando Moreira de Sá, João Mendes, José Mário Teixeira e Orlando de Sousa.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
Esquerda Direita Volver 11 - De quem é o 25 de Abril?







/

Já Chega ou querem com mais molho?

Ontem, o Chega fez uma manifestação nas ruas de Lisboa. Pelos vistos, só de fora de Lisboa, vieram uns 30 autocarros. A desculpa para a demonstração de força foi a história da ilegalização do partido. A realidade é outra: o Chega está a mostrar que a rua deixou de ser um exclusivo do PCP e do BE.

Ontem, para enorme surpresa minha, nas imagens que vi nas redes sociais, encontrei nas fotos vários conhecidos meus. Antigos colegas de escola no ciclo e de faculdade que marcaram presença na dita manifestação. Ainda estou sem palavras. Alguns deles que, nessa época, me diziam para eu não ser tão radical nas questões de futebol. Para eles, radical era discutir com paixão um golo, um erro de arbitragem, uma derrota do clube adversário. Estamos a falar de pessoas absolutamente normais e não de “xoninhas”. Estamos a falar de microempresários, trabalhadores por conta de outrem, funcionários públicos, profissionais liberais, professores, etc. Alguns deles vi, no passado, em acções de campanha do PS, do PSD e até do Bloco. Viu-os apoiar movimentos completamente opostos ao Chega. Como foi possível chegar até aqui?

[Read more…]

PodAventar Especial — A Hora da Revolta

Um PodAventar especial, dedicado à Hora da Revolta. Uma espécie de sessão de esclarecimento, tendo como pano de fundo a iniciativa do nosso colectivo contra a corrupção e contra a impunidade, marcada para os festejos do 25 de Abril. E é Abril que todos desejamos que se cumpra. Muitos preferem calar-se e encolher os ombros. Nós, na pluralidade que nos caracteriza, temos uma voz e não prescindimos dela. Neste PodAventar Especial, participam os aventadores Fernando Moreira de Sá, José Mário Teixeira, Francisco Salvador Figueiredo, Orlando Sousa, Francisco Miguel Valada e João Mendes.

Aventar Podcast
Aventar Podcast
PodAventar Especial — A Hora da Revolta







/

PodAventar Especial — A Hora da Revolta (já faltou mais)

Pois, não é agora, é só daqui a umas horitas. É às 15h00 da Areosa, da Trofa e da Póvoa de Santa Iria. Traduzido para estrangeiro, às 16h00 de Bruxelas, das Baleares e de Karviná. Um PodAventar especial, dedicado à Hora da Revolta. Até já.

Perfeito anormal

A anatomia de um perfeito anormal, em directo, na TVI.

«’Tá vendo esta mansão sensacional?
Comprei com o dinheiro desviado do hospital.
Ah e o meu cofre, cheio de dólar?
É o dinheiro que seria p’ra fazer mais uma escola!
Precisa ver minha fazenda!
Comprei só com o dinheiro da merenda!
E o meu filhão? Um milhão só de mesada.
E tudo com o dinheiro das crianças abandonadas…
E a minha esposa?
Não me leva à falência porque eu tapo esse buraco
com o rombo da previdência!
Vossa excelência, ‘cê não viu meu avião?
Comprei com uma verba que era p’ra construir prisão!
E a superlotação? Problema do povão!
Não temos imunidade? P’ra nós não pega, não!
(…)
“Todos os que me conhecem sabem muito bem que eu não admito…
O enriquecimento do pobre e o empobrecimento do rico!”»
Mas há quem esteja há dez anos a tentar criminalizar o enriquecimento injustificado. Hoje, é tarde demais. Mas, “apesar de você, amanhã há-de ser outro dia“. Não deixemos para ontem.

Um país cobarde tem os Sócrates que merece

José Sócrates é corrupto. E foi Ivo Rosa quem o disse. Mas antes de Ivo Rosa o dizer, já nós o tínhamos sentenciado. Porque a informação disponível nos convenceu disso. Da parte que me toca, e sabendo que a minha opinião de jurista virtual, no que à aplicação da lei diz respeito, vale zero, há vários anos que não tenho dúvidas que Sócrates foi corrompido, que usou o seu cargo para favorecer amigos e militantes do partido, entre outras cunhas, que lesou financeira e moralmente o Estado, que utilizou recursos públicos em benefício próprio, ou para pagar favores, para não falar nas múltiplas fraudes cometidas.

Dito isto, e voltando a um tema que me é caro, porque inclusive já cheguei ao ponto de uma antiga chefia directa me dizer, no final de uma avaliação anual, que “fizeste globalmente um bom trabalho mas tens que parar de escrever e denunciar situações relacionadas com a CM da Trofa, mesmo que tenhas razão, caso contrário deixará de haver lugar aqui para ti, porque existem pessoas com muito poder e influência a exigir que sejas silenciado ou despedido”, quero dizer-vos duas coisas:

[Read more…]

Sócrates: A Entrevista

No Conversas Vadias que vai ser publicado hoje e que foi gravado ontem após a entrevista de José Sócrates, já alguns aventadores teceram os seus comentários e opiniões sobre a coisa. Antes ainda, aqui fica um resumo possível da entrevista à TVI:

  1. José Sócrates afirma que Ivo Rosa  declarou que ele, Sócrates, não demonstrou nenhum comportamento contrário aos deveres do cargo de Primeiro Ministro. Disse isto sem se rir. Chamem o VAR.
  2. José Sócrates exigiu a José Alberto Carvalho (TVI) aquilo que ele nunca fez: um mínimo de rigor. Citando o nosso Fernando Nabais: E a Federação não faz nada?
  3. Que o crime de corrupção sem acto já não existe no código penal. Agora é “recebimento de vantagem indevida. Não esclareceu se existe na vida real. É entrar o VAR, sff.
  4. Sócrates explicou que não nutre nenhuma simpatia ou antipatia por Ivo Rosa. Só mesmo antipatia por Carlos Alexandre. E agora também por Fernando Medina e António Costa. E não se “canciou” de o dizer.
  5. Carlos Santos Silva, como já se sabia, é um amigo e uma espécie de Santa Casa da Misericórdia de Sócrates. Ajudou a financiar os seus estudos e os dos seus filhos. No estrangeiro. Qual corrupção, qual quê! Só ingratidão. Sabem porquê? Porque, pelo que se entende das palavras de Sócrates, este sabia que o BES ia ao fundo e nem avisou o amigo Santos Silva do facto, sabendo que era neste banco que o desgraçado tinha os tais milhões (ainda não percebi a quantia tal a quantidade de milhões de que se fala). Com amigos destes….
  6. A mãe de José Sócrates fartou-se de receber heranças. A Torre do Tombo prova-o. E as Sagradas Escrituras também.
  7. Por último, ficamos a saber que o Fernando Medina é um canalha e um “chega-me isto” de António Costa.

E a procissão ainda vai no adro.

Ouvido no Portugalex (Antena 1)

“O que os magistrados de bancada não percebem é que a Justiça tem um tempo próprio. Que é o tempo de deixar prescrever os crimes.”

Vai uma aposta?

Uma pessoa olha para esta lista e fica com a sensação que no fim quem se vai lixar é o Perna.

Aos jovens da minha Terra

Sou o Francisco Salvador Figueiredo, tenho 21 anos, estou matriculado em Filosofia – sim, “matriculado” é a palavra certa – e estou a trabalhar em Karviná (República Checa) num projeto de voluntariado com crianças deficientes. Não, isto não é uma apresentação nos Alcoólicos Anónimos. Estejam descansados.

Nasci no Porto, vivi no centro do Porto desde os 10 anos e ainda tive uma passagem por Lisboa. Sim, faço parte dos privilegiados, seja lá o que isso for. Sempre me interessei por política. Era defensor da Marisa Matias em 2016, porque a história de vida dela e a sua qualidade em unir pessoas de várias cores políticas me fascinavam. Simpatizava com o Bloco, porque tinha 16 anos, queria igualdade, liberdade e tudo na paz. Entretanto, as minhas ideias foram caminhando para a direita e desde aí já pensei muita coisa, mas instalei-me rapidamente no Liberalismo. Atualmente, considero-me um liberal em toda a linha, focado no indivíduo e na liberdade como um bem em si mesmo. No entanto, este texto não é para falar da minha ideologia, é um texto dirigido para as pessoas da minha geração.

[Read more…]

Próximo dia 25 de Abril: É dia da Revolta!

[Read more…]

Reacções ao caso Sócrates – Adaptar-me ao envelhecimento

De ano para ano, de mês para mês, de dia para dia, sinto-me a perder capacidade de compreensão do que me rodeia. De início pensava que era cansaço, depois que talvez fosse de dedicar poucas horas ao sono, até que sim, um gajo assume a consciência de que envelhece, o raciocínio vai deixando de fluir da mesma forma e a incompreensão tolhendo-nos. Envelhecer mentalmente é, afinal, ir perdendo lentamente a faculdade de adaptação ao meio. Daí o progressivo isolamento…
Escrevi lentamente, porque assim é, mas creiam que agora tudo parece ter sido num ápice, num instante, como se diz, de um momento para o outro.
Mas vem esta confissão a propósito de quê?

Da solidão que sinto apoderar-se de mim, sem estar só, entenda-se.
Consigo compreender profundas indignações com as injustiças, mas esta em particular, a que visa apenas Sócrates e Ivo Rosa, com sensibilidades assomadas de aleivosia contra duas pessoas, quando vivemos a corrupção em Democracia há quase meio século, com casos atrás de casos, com compadrios à vista de todos, com uma indecente promiscuidade entre negócios e política com a alta-finança a corromper a eito, [Read more…]

José Sócrates, democracia e o monopólio da promiscuidade

João Miguel Tavares, uma das vozes mediáticas que mais ferozmente tem esmiuçado e criticado José Sócrates ao longo dos (pelo menos) últimos 15 anos, no último Governo Sombra:

É fácil ser corrupto, é muito difícil provar a corrupção. Portanto eu acho que todos os indícios que estão na acusação são indícios muito sólidos, mas, de facto, a solidez esbarra em algo que é ainda mais sólido, que é a dificuldade de provar coisas em função daquilo que é a lei portuguesa no que diz respeito à corrupção. E isso é que é muito assustador.

Faço parte do grupo de pessoas que está absolutamente convicto que José Sócrates é culpado da maior parte dos crimes que lhe são imputados pelo Ministério Público. E só não digo todos porque não integro o amplo grupo de pessoas que leram as 6728 páginas da decisão instrutória de Ivo Rosa, nos 15 minutos que se seguiram à leitura do resumo pelo juiz do Ticão, depois de terem analisado a acusação ao mais ínfimo detalhe, para concluir que o Ministério Público fez um excelente trabalho e que a única explicação possível para o revoltante desfecho da instrução é o facto provado de que Ivo Rosa reside no bolso das moedas de José Sócrates. Ao contrário dessas pessoas, não tenho dados objectivos que me permitam saber se Ivo Rosa favoreceu deliberadamente José Sócrates. E acho formidável que se simplifique um problema destes, que é estrutural e está na raiz do regime, muito maior que a Operação Marquês, porque é preciso encontrar um bode expiatório instantâneo para direccionar a raiva das massas. Desta vez foi Ivo Rosa, noutras ocasiões foram advogados, procuradores ou outros magistrados. E enquanto se lincha o juíz, quem escapa em toda a linha abre garrafas de champanhe na Comporta, e já ninguém quer saber deles. Da parte que me toca, quero agradecer a Ivo Rosa por ter liberalizado e oficializado algo que já todos sabíamos mas que, finalmente, ouvimos da boca de um juíz: que José Sócrates é corrupto. E não será a prescrição do crime que alguma vez mudará isso. José Sócrates é corrupto.

[Read more…]

Sócrates de todo o mundo: uni-vos!

Queria aqui propor um soleníssimo minuto de silêncio, em memória da credibilidade daquela malta que está em ebulição desde ontem, motivada, com razão, com o desfecho da decisão instrutória da Operação Marquês, mas que apoia, que defende, que normaliza e que pactua com autarcas corruptos e com a corrupção instalada no poder autárquico, de norte a sul do país, ou porque “são todos iguais”, ou porque o filho tem um tacho na câmara, ou porque a mãe fez um ajuste directo com a junta, ou pelo raio que os parta. 52% das denúncias por corrupção neste país têm origem nas autarquias, segundo dados de 2019 do Conselho de Prevenção da Corrupção. A esmagadora maioria das denúncias é arquivada e nem chega sequer a ir a julgamento. A denúncias que vão terminam igualmente arquivadas ou com penas suspensas. Parabéns a todos eles! Nenhum destes pequenos Sócrates autárquicos poderia algum dia chegar a marquês local sem o seu inestimável contributo. A corrupção agradece os seus contributos.

Sócrates foi corrompido mas não faz mal: o caso prescreveu e não se fala mais nisso

Foram mais de três penosas horas de leitura do longo resumo do gigantesco processo. Durante a mesma, Ivo Rosa lá nos explicou que ou está tudo prescrito, ou não foi produzida prova suficiente que permita sustentar grande parte das acusações, ou não houve intenção, ou não é possível estabelecer uma relação entre os milhões que por aí circularam – e que, estranhamente, foram aparecer nas contas de Sócrates e Carlos Santos Silva – e qualquer acto ilícito. No fim da linha, eis-nos pois, perante o habitual cenário: os poderosos voltaram a safar-se do crime que verdadeiramente interessava: o de corrupção. Isto apesar de Ivo Rosa ter assumido que Sócrates foi corrompido. Parafraseando uma antiga procuradora, “Portugal não é um país corrupto”. Ficamos todos muito mais descansados.

Segue-se um julgamento com tudo para dar em nada, durante o qual Sócrates, Salgado, Santos Silva, Armando Vara e João Perna responderão por crimes menores (quando comparados com o crime de corrupção). Mas, pior que isso, segue-se um perigoso aprofundar do descrédito em que caiu a justiça, que, por não funcionar com os Sócrates e os Salgados desta vida, passa a ser considerada, por cada vez mais pessoas, como um todo inútil e ineficaz, pese embora o seu bom funcionamento noutras áreas. Até nisto, Sócrates, Salgado e restante pandilha são um cancro social: não só se safam, como descredibilizam ainda mais as instituições, que há muito se arrastam pelas ruas da amargura.

[Read more…]