Aos jovens da minha Terra

Sou o Francisco Salvador Figueiredo, tenho 21 anos, estou matriculado em Filosofia – sim, “matriculado” é a palavra certa – e estou a trabalhar em Karviná (República Checa) num projeto de voluntariado com crianças deficientes. Não, isto não é uma apresentação nos Alcoólicos Anónimos. Estejam descansados.

Nasci no Porto, vivi no centro do Porto desde os 10 anos e ainda tive uma passagem por Lisboa. Sim, faço parte dos privilegiados, seja lá o que isso for. Sempre me interessei por política. Era defensor da Marisa Matias em 2016, porque a história de vida dela e a sua qualidade em unir pessoas de várias cores políticas me fascinavam. Simpatizava com o Bloco, porque tinha 16 anos, queria igualdade, liberdade e tudo na paz. Entretanto, as minhas ideias foram caminhando para a direita e desde aí já pensei muita coisa, mas instalei-me rapidamente no Liberalismo. Atualmente, considero-me um liberal em toda a linha, focado no indivíduo e na liberdade como um bem em si mesmo. No entanto, este texto não é para falar da minha ideologia, é um texto dirigido para as pessoas da minha geração.

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Próximo dia 25 de Abril: É dia da Revolta!

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Reacções ao caso Sócrates – Adaptar-me ao envelhecimento

De ano para ano, de mês para mês, de dia para dia, sinto-me a perder capacidade de compreensão do que me rodeia. De início pensava que era cansaço, depois que talvez fosse de dedicar poucas horas ao sono, até que sim, um gajo assume a consciência de que envelhece, o raciocínio vai deixando de fluir da mesma forma e a incompreensão tolhendo-nos. Envelhecer mentalmente é, afinal, ir perdendo lentamente a faculdade de adaptação ao meio. Daí o progressivo isolamento…
Escrevi lentamente, porque assim é, mas creiam que agora tudo parece ter sido num ápice, num instante, como se diz, de um momento para o outro.
Mas vem esta confissão a propósito de quê?

Da solidão que sinto apoderar-se de mim, sem estar só, entenda-se.
Consigo compreender profundas indignações com as injustiças, mas esta em particular, a que visa apenas Sócrates e Ivo Rosa, com sensibilidades assomadas de aleivosia contra duas pessoas, quando vivemos a corrupção em Democracia há quase meio século, com casos atrás de casos, com compadrios à vista de todos, com uma indecente promiscuidade entre negócios e política com a alta-finança a corromper a eito, [Read more…]

José Sócrates, democracia e o monopólio da promiscuidade

João Miguel Tavares, uma das vozes mediáticas que mais ferozmente tem esmiuçado e criticado José Sócrates ao longo dos (pelo menos) últimos 15 anos, no último Governo Sombra:

É fácil ser corrupto, é muito difícil provar a corrupção. Portanto eu acho que todos os indícios que estão na acusação são indícios muito sólidos, mas, de facto, a solidez esbarra em algo que é ainda mais sólido, que é a dificuldade de provar coisas em função daquilo que é a lei portuguesa no que diz respeito à corrupção. E isso é que é muito assustador.

Faço parte do grupo de pessoas que está absolutamente convicto que José Sócrates é culpado da maior parte dos crimes que lhe são imputados pelo Ministério Público. E só não digo todos porque não integro o amplo grupo de pessoas que leram as 6728 páginas da decisão instrutória de Ivo Rosa, nos 15 minutos que se seguiram à leitura do resumo pelo juiz do Ticão, depois de terem analisado a acusação ao mais ínfimo detalhe, para concluir que o Ministério Público fez um excelente trabalho e que a única explicação possível para o revoltante desfecho da instrução é o facto provado de que Ivo Rosa reside no bolso das moedas de José Sócrates. Ao contrário dessas pessoas, não tenho dados objectivos que me permitam saber se Ivo Rosa favoreceu deliberadamente José Sócrates. E acho formidável que se simplifique um problema destes, que é estrutural e está na raiz do regime, muito maior que a Operação Marquês, porque é preciso encontrar um bode expiatório instantâneo para direccionar a raiva das massas. Desta vez foi Ivo Rosa, noutras ocasiões foram advogados, procuradores ou outros magistrados. E enquanto se lincha o juíz, quem escapa em toda a linha abre garrafas de champanhe na Comporta, e já ninguém quer saber deles. Da parte que me toca, quero agradecer a Ivo Rosa por ter liberalizado e oficializado algo que já todos sabíamos mas que, finalmente, ouvimos da boca de um juíz: que José Sócrates é corrupto. E não será a prescrição do crime que alguma vez mudará isso. José Sócrates é corrupto.

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Sócrates de todo o mundo: uni-vos!

Queria aqui propor um soleníssimo minuto de silêncio, em memória da credibilidade daquela malta que está em ebulição desde ontem, motivada, com razão, com o desfecho da decisão instrutória da Operação Marquês, mas que apoia, que defende, que normaliza e que pactua com autarcas corruptos e com a corrupção instalada no poder autárquico, de norte a sul do país, ou porque “são todos iguais”, ou porque o filho tem um tacho na câmara, ou porque a mãe fez um ajuste directo com a junta, ou pelo raio que os parta. 52% das denúncias por corrupção neste país têm origem nas autarquias, segundo dados de 2019 do Conselho de Prevenção da Corrupção. A esmagadora maioria das denúncias é arquivada e nem chega sequer a ir a julgamento. A denúncias que vão terminam igualmente arquivadas ou com penas suspensas. Parabéns a todos eles! Nenhum destes pequenos Sócrates autárquicos poderia algum dia chegar a marquês local sem o seu inestimável contributo. A corrupção agradece os seus contributos.

Sócrates foi corrompido mas não faz mal: o caso prescreveu e não se fala mais nisso

Foram mais de três penosas horas de leitura do longo resumo do gigantesco processo. Durante a mesma, Ivo Rosa lá nos explicou que ou está tudo prescrito, ou não foi produzida prova suficiente que permita sustentar grande parte das acusações, ou não houve intenção, ou não é possível estabelecer uma relação entre os milhões que por aí circularam – e que, estranhamente, foram aparecer nas contas de Sócrates e Carlos Santos Silva – e qualquer acto ilícito. No fim da linha, eis-nos pois, perante o habitual cenário: os poderosos voltaram a safar-se do crime que verdadeiramente interessava: o de corrupção. Isto apesar de Ivo Rosa ter assumido que Sócrates foi corrompido. Parafraseando uma antiga procuradora, “Portugal não é um país corrupto”. Ficamos todos muito mais descansados.

Segue-se um julgamento com tudo para dar em nada, durante o qual Sócrates, Salgado, Santos Silva, Armando Vara e João Perna responderão por crimes menores (quando comparados com o crime de corrupção). Mas, pior que isso, segue-se um perigoso aprofundar do descrédito em que caiu a justiça, que, por não funcionar com os Sócrates e os Salgados desta vida, passa a ser considerada, por cada vez mais pessoas, como um todo inútil e ineficaz, pese embora o seu bom funcionamento noutras áreas. Até nisto, Sócrates, Salgado e restante pandilha são um cancro social: não só se safam, como descredibilizam ainda mais as instituições, que há muito se arrastam pelas ruas da amargura.

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¿Por qué te callas, Joacine?

Hoje, na TVI, Miguel Sousa Tavares fez as perguntas que ninguém se atreveu a fazer nos nossos meios de comunicação social. Em especial a pergunta que dirigiu a Joacine Moreira:

“O que temos aqui é o negócio que é a venda de gás natural no Norte de Moçambique para o qual o governo de Moçambique chamou grandes multinacionais, como a Total, garantiu a segurança dos estrangeiros que trabalhavam para o negócio e quanto à população local não só foi desalojada das suas terras gratuitamente, alguns pescadores foram desalojados das suas zonas de pesca, não recebem um tostão pela exploração do gás natural e em troca recebem morte, insegurança e fome. Como já tinha acontecido antes, quando Moçambique concedeu a empresas de celulose portuguesas grandes áreas de exploração de eucalipto e as populações foram retiradas de lá. Moçambique é um país rico vítima dos seus próprios dirigentes políticos e nós assistimos a isto em vários outros países africanos e faz-me impressão e numa altura em que a narrativa dominante é questionar-mos o nosso passado colonial e só aquilo que ele teve de mau, eu pergunto-me: E estes países, a Guiné Bissau, por exemplo. O Presidente da Guiné Bissau, no primeiro ano do seu mandato fez 50 viagens ao estrangeiro, privadas e oficiais, a receber 1.350 dólares por dia e 50 mil dólares em despesas de representação por cada viagem, num país miserável como a Guiné Bissau e eu não oiço a Joacine Katar Moreira, que é originária da Guiné Bissau, que tanto crítica Portugal, país de acolhimento, ter uma palavra sobre a Guiné Bissau”.

Podem ver e ouvir toda a intervenção de Miguel Sousa Tavares AQUI.

Esquerda Direita Volver 7 – O povo português é manso?

O povo português é manso? Eis o tema deste sétimo EDV (sigla a reter), com debate entre Francisco Salvador Figueiredo, José Mário Teixeira, Fernando Moreira de Sá e António de Almeida. Moderação de Francisco Miguel Valada. Ausência de António Fernando Nabais, devidamente justificada e indicada logo a abrir.

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Esquerda Direita Volver 7 – O povo português é manso?
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Cosas nostras do poder local

  1. Várias têm sido as vozes que o têm apontado, de quadrantes tão diferentes como a direita conservadora e a esquerda liberal, e, parece-me, cobertos de razão: Fernando Medina, presidente da CM da Lisboa, recandidato autárquico, putativo sucessor de António Costa na liderança do PS e, quiçá, na liderança do governo, não pode continuar a usar de um espaço de opinião na televisão pública. Ou pelo menos não deve. Mais ainda quando usa o seu gabinete presidencial para entrar em directo na TVI. Os próprios OCS deveriam ter vergonha na cara, por estender estes tapetes vermelhos ao poder autárquico. Diz-nos muitos sobre o estado de submissão de TVs e jornais e do poder quase-absoluto de grande parte dos autarcas deste país.

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Os milhões de Mexia e “as melhores práticas do mercado”

António Mexia, Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do XVI Governo Constitucional, chefiado por Pedro Santana Lopes (é sempre importante recordar estas coisas, que parece que só são tema quando os visados são antigos governantes do PS), posteriormente presidente do conselho de administração da EDP, cadeira à qual chegou exactamente um ano após abandonar funções governativas, que ocupou até Julho de 2020 e da qual foi obrigado a abdicar após ter sido acusado de subornar Manuel Pinho, Ministro da Economia de Sócrates, o seu Assessor, João Conceição, o ex-Secretário de Estado Artur Trindade e o antigo Diretor-Geral de Geologia e Energia, Miguel Barreto, está novamente nas bocas do mundo.

Felizmente – para ele, não para nós – não foi embora de mãos a abanar. E, seguramente, não lhe faltarão recursos para tentar o habitual brilharete das elites quando enfrentam a frágil justiça portuguesa: protelar, protelar e protelar, até à prescrição final. É que, graças ao acordo de cessação de funções e de não-concorrência, assinado com a empresa que geriu durante 14 anos – how convenient is that? – Mexia irá receber qualquer coisa como 800 mil euros por ano (mais uma série de extras, como um generoso seguro de saúde e um PPR gordinho), até 2023. Os valores envolvidos, sublinha a EDP, estão alinhados com “as melhores praticas do mercado”. E o que seria de nós, plebeus economicamente iletrados, sem o mercado e as suas melhores práticas?

Breve pensamento avulso sobre a corrupção

Pensamentos lapidares de uma cultura nacional que vai custar muito mudar, para se conseguir melhores níveis de exigência e, também, de conduta:

  • Rouba mas faz obra.
  • São todos iguais.
  • Todos querem mama.
  • Se estivesses lá fazias igual.
  • Se eu pudesse também comia.
  • Não vai dar em nada.

E o mais lapidar de todos:

  • Estou-me a cagar.

Mudar isto é o grande desafio, pois não bastam leis. É preciso gente com vontade e com poder para o fazer.

Até lá, resta o estado de alerta reactivo da sociedade civil.

Chega, o filho bastardo do estado a que isto chegou

 

Disse Pedro Norton:

Quando os partidos tradicionais do nosso sistema político começarem a tratar o Chega mais como consequência do que como causa, ter-se-á iniciado a travagem do seu crescimento.

E isto fez-me pensar. Efectivamente, o Chega não é O problema (apesar de ser um problema), ou pelo menos não é a origem dele. O Chega, tal como outros epifenómenos idênticos, é uma consequência directa do estado a que isto chegou. Do Estado em permanente estado de desconfiança, que se funda na percepção, cada vez mais alargada, e não muito desfasada da realidade, da existência de uma enorme rede de corrupção instalada nos vários patamares da governação e da administração pública, que se cruza com a banca, algumas das principais sociedades de advogados portugueses, várias empresas e empresários e, claro, toda uma corja de políticos servis, que manobram a coisa pública a toque de caixa de quem lhe poderá, um dia, dar acesso à tal porta rotativa. De Lisboa até à mais recôndita freguesia deste país. [Read more…]

O meu corrupto é melhor que o teu…

Steve Bannon é uma referência para André Ventura. E corrupto sabe-se agora, facto que o líder do Chega já se apressou a desvalorizar. Pablo Iglesias, também é visado num alegado esquema de corrupção. Não ouvimos uma palavra sobre o assunto às manas Mortagua nem à Dª Catarina, líder da agremiação política irmã do Podemos…

O banco dos cartéis

Durante décadas, o HSBC, um dos maiores bancos do mundo, lavou centenas de milhões de dólares para cartéis mexicanos de drogas. [Netflix, série 1, episódio 4]

Ajustes directos, máfias partidárias e corrupção

Concordo com a proposta do CDS para a criação de uma comissão eventual de inquérito à compra de material médico para combate à pandemia, na sequência de uma série de dúvidas levantadas sobre os ajustes directos efectuados nesse contexto.

Bem sei que a urgência da situação implica decisões rápidas, e que a abertura de um concurso público seria incompatível com a celeridade necessária, mas é importante que se dissipem todas as dúvidas, nomeadamente aquelas que gravitam em torno dos contratos que envolvem João Cotta, antigo sócio do Secretário de Estado do Desporto, João Paulo Rebelo, e o Grupo Mello. [Read more…]

Uma Justiça de ladrões e de corruptos

Como é possível acreditar na Justiça portuguesa quando todos os dias aparecem novos casos de corrupção que envolvem os mais altos cargos das magistraturas? Quando durante anos fizeram dos tribunais o seu quintal privado? Quando durante anos roubaram, manipularam e venderam sentenças?
Dizem-nos que há falta de funcionários e de magistrados e que por isso milhares de processos estão parados. Dizem-nos que muitos outros prescrevem por causa dos recursos e alçapões legais que a lei permite.
Só que afinal, à luz do que diariamente se vai sabendo, é muito mais do que isso. Os processos de Santa Engrácia, invariavelmente ligados aos poderosos, estão parados durante anos e acabam por prescrever de forma deliberada porque alguém paga para que isso aconteça. Os processos vão parar a determinados juízes porque alguém paga. As acusações são mal feitas com o objectivo de não pronunciação dos arguidos porque alguém paga. As sentenças são vendidas a quem pagar mais.
Vitalino Canas, um maçon inqualificável, ponta-de-lança dos poderosos a caminho do Tribunal Constitucional, representa o grau zero do estado a que chegou a Justiça em Portugal.
Depois do que sabemos, é impossível não questionar o passado. Os processos de Macau e de Mário Soares, minuciosamente descritos nos Contos Proibidos e minuciosamente arquivados por Cunha Rodrigues; o processo Casa Pia, que atingiu de forma selectiva apenas políticos do PS e esqueceu Paulo Portas, que então estava no Governo; o Freeport de Alcochete, cujas denúncias foram cortadas à tesoura por Pinto Monteiro e Noronha do Nascimento; a Tecnoforma de Passos Coelho; a Quinta da Coelha de Cavaco Silva; e tantos, tantos outros.
Quem pagou? Quem recebeu? Quanto pagaram?
Como é que podemos acreditar nesta gente?
E como é possível acreditar que vai acontecer alguma coisa seja a quem for? A Ricardo Salgado? A José Sócrates? A Luís Filipe Viera e ao Benfica? A Rui Rangel? A Vaz das Neves?
Não vai. Nada. Aconteceu a Ricardo Sá Fernandes, condenado por ter gravado uma conversa que incriminava um corrupto mafioso que a Justiça não incomodou; e aconteceu a Rui Pinto, extraditado ilegalmente e preso há mais de um ano por ter revelado os segredos de uma sociedade de advogados que trabalha para os poderosos e de uma empresa mafiosa sediada em Malta, entre muitos outros.
Com eles, a mão foi firme. Porque esta Justiça de ladrões e de corruptos não gosta que lhes estraguem o negócio. E o seu negócio são os poderosos.

Na hora de defender os poderosos, a procuradora Lucília não gagueja

Digam uma, uma só investigação a poderosos conduzida pelo Ministério Público que tenha resultado na condenação dos arguidos.
Digam uma, uma só medida de Lucília Gago tendente a combater a corrupção.
Se calhar foi convidada para isso mesmo, para não incomodar os poderosos. Porque quando alguém os incomoda mesmo, ela até vai buscá-los a Budapeste se for preciso. Até tira meios humanos às investigações para esvaziar o que está em curso.
Não satisfeita, e não vá o diabo tecê-las, decidiu que os procuradores hierárquicos dos magistrados possam alterar qualquer uma das suas decisões.
Sendo assim, pode começar já pela vergonhosa quebra do segredo de justiça do primeiro-ministro. Mesmo que algum procurador corajoso queira ir para a frente com o caso, a senhora procuradora Gago encarregar-se-á de fazer abortar o processo.
Afinal, manda quem pode e ela, que é apenas um peão, obedece.

Rui Pinto: Os próximos leaks


Não faltará muito para os próximos leaks virem a público: Vistos Gold, Escom, BES…
Claro que não servirão para nada. Tudo obtido ilegalmente. Tudo obra de um criminoso que rouba e trunca. Tudo para guardar na gaveta.
Os poderosos não devem ser incomodados…
Matem o mensageiro, ele é o culpado. O resto não interessa. Roubaram milhões e continuam em liberdade? Mataram? Violaram e ameaçaram de morte?
Tudo coisas de somenos. De pouca importância. Pedir dinheiro em troca de silêncio a uma sociedade mafiosa sediada em Malta, isso sim, é muito mais grave do que matar, violar, roubar milhões.
Prisão preventiva.
Prisão perpétua.
Pena de morte.
Quando o Rui Pinto acordar enforcado na prisão, dirão que foi suicídio. E aí sim, o país poderá dormir descansado. Todos os seus males terão sido expurgados. Os portugueses dormirão em paz.

O Estado português não pode investigar o Luanda Leaks

As provas foram obtidas ilegalmente.

Rui Pinto, o denunciante do Luanda Leaks

Comunicado de Imprensa

Os advogados abaixo assinados declaram que o seu cliente, o Sr. Rui PINTO, assume a responsabilidade de ter entregue, no final de 2018, à Plataforma de Proteção de Denunciantes na África (PPLAAF), um disco rígido contendo todos os dados relacionados com as recentes revelações sobre a fortuna de Isabel DOS SANTOS, sua família e todos os indivíduos que podem estar envolvidos nas operações fraudulentas cometidas à custa do Estado angolano e, eventualmente, de outros países estrangeiros.
Rui PINTO procurou, assim, ajudar a entender operações complexas conduzidas com a cumplicidade de bancos e juristas que não só empobrecem o povo e o Estado de Angola, mas podem ter prejudicado seriamente os interesses de Portugal.
Rui PINTO esclarece que entregou este disco rígido, no cumprimento do que entende ser um dever de cidadania, e sem qualquer contrapartida, depois de tomar conhecimento das missões realizadas pela organização PPLAAF, permitindo que usassem os dados como entendessem.
Rui PINTO está satisfeito por ver que, graças ao intenso trabalho do consórcio de jornalistas ICIJ, todos os dados foram explorados, verificados, validados e, portanto, encabeçaram as revelações que necessariamente levarão à abertura de investigações criminais em muitos países, incluindo Portugal. [Read more…]

Luanda Leaks

É meter o denunciante em prisão preventiva. É o que merece quem anda a revelar os emails dos outros.

A PJ a brincar às buscas

A PJ fez mais umas buscas hoje. Ao Montepio e a outros Bancos.
Já ninguém leva a sério estas buscas mediáticas. Nem os próprios agentes, que invariavelmente vêem o seu trabalho e o seu esforço guardado numa qualquer gaveta por interesses superiores que eles já não controlam.
Quantas destas buscas resultaram em algo verdadeiramente palpável nos últimos anos? Nenhuma.
No país mais corrupto da Europa, a luta contra a fraude e a corrupção não interessa a quase ninguém. Só a quem é sério. Mas quem é sério não governa e não tem qualquer poder.
Daí que estes jogos florais de buscas e afins sejam pura perda de tempo. Não vai acontecer nada a ninguém.
Toda a gente sabe que o único criminoso em Portugal é o Rui Pinto. E esse já não escapa.

O chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues


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Finalmente, Daphne Caruana Calizia

Primeiro-ministro de Malta cede à pressão e vai demitir-se

Os gajos do apito

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Edward Snowden, o whistleblower, foi ontem saudado por uma multidão em êxtase, na Websummit. Já Rui Pinto, o whistleblower, continua preso e enfrenta a versão mais feroz e célere da frágil justiça portuguesa. Sorte a do Snowden, que não se meteu com o Benfica ou com a Doyen, ou nem por videoconferência o deixavam entrar em Lisboa.

Salazar, o precursor da corrupção moderna em Portugal

Fico sempre muito comovido, quando leio por aí que, no tempo do canalha fascista, Portugal era um paraíso de honestidade e boa gestão pública. Não era. Salazar é o precursor da corrupção moderna em Portugal. Foi comprado e serviu as mesmas famílias que ainda hoje compram e instrumentalizam políticos. Com a diferença que o canalha fascista reprimia a população e censurava qualquer tentativa de revelar a sua submissão aos Espíritos Santos e restantes traficantes de influências. Pena não ter apodrecido na prisão.

Haverá corrupção no combate à corrupção?

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Por muito que nos tentem convencer do contrário, Portugal é um país onde a corrupção está enraizada nas diferentes estruturas da sociedade, dos serviços públicos às empresas, passando pelas autarquias, onde o compadrio grassa, e, claro, pelas estruturas de poder instaladas em Lisboa. E não, não é um problema inerente à democracia. Em ditadura foi igual, com a vantagem de ter ao seu serviço a censura, que impedia o debate e o acesso que temos hoje à informação.

Para ajudar à festa, parece que apenas 6% dos casos de corrupção, investigados pela justiça, chegam a julgamento. Os restantes 94% acabam arquivados, por falta de provas. Um desfecho feliz para os larápios do costume. [Read more…]

Descobriu a pólvora

É certo que Adolfo Mesquita Nunes ainda era um catraio nos tempos áureos da formação profissional do Fundo Social Europeu, do FUNDETEC e dos cursos profissionais dos anos 80 e 90. Muita gente fez rios de dinheiro nestes tempos a formar pessoas cuja profissão era serem formandos. Governos, CEE/UE, formadores e formandos, todos ganharam alguma coisa, em dimensões diferentes. Excepto o país, que mais uma vez viu o ouro do Brasil ir para catedrais.

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A corrupção legal

A corrupção tem estado ultimamente muito presente na agenda politico-mediática. Já no espírito da maioria dos portugueses, é um tema constante há imenso tempo.

Pensa-se no que é feito dentro ou fora da lei para se decidir se há ou não corrupção. Não é dessa corrupção que aqui se vai falar. É de outra, daquela que é feita dentro da legalidade. Esta passará sempre incólume, apesar de ser um forte factor para o atraso do país.

Por exemplo, Fernando Ruas, enquanto autarca de Viseu, iniciou a moda de plantar rotundas em todos os cruzamentos, fossem ou não necessárias. Havia dinheiro da “CEE” para gastar e esse foi um dos destinos. Foi ilegal? Acreditando que os devidos procedimentos foram observados, certamente que não houve ilegalidade. Portanto, não existiu corrupção. Mas não é também uma forma de corrupção saber-se que se está a fazer algo que não faz sentido, para daí obter o benefício financeiro e eleitoral, apenas porque tal se pode fazer? [Read more…]

O futebol é um lugar corrupto

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O mundo do futebol, só não vê quem não quer, é um lugar corrupto. É corrupto em Portugal, é corrupto em Espanha, é corrupto no mundo obscuro dos agentes e dos fundos de investimento, é corrupto na UEFA, na FIFA e na CONCACAF.

A corrupção no futebol é, portanto, planetária. Manifesta-se na viciação de resultados, nos subornos a árbitros, dirigentes e jogadores, nas votações que atribuem lugares ou a organização de grandes eventos futebolísticos. Há luvas para todos os gostos, lavagem de dinheiro e comissões estratosféricas que ninguém consegue perceber. Há fruta para dormir, padres para rezar missas e malas cheias de dinheiro sujo – ou já lavado – com as quais se compra um pouco de tudo que se relacione com a bola. O futebol é hoje um esgoto a céu aberto que ofusca o espectáculo dentro das quatro linhas. [Read more…]