Verdade, essa vingativa

Perdoem-me que regresse a temas locais.

O Porto tem um belíssimo teatro municipal, o Rivoli, um edifício de inícios do século XX, e que após um período de remodelação reabriu, em 1997, como um dos principais equipamentos culturais da cidade. Durante os mandatos do executivo liderado por Rui Rio, e no âmbito da sua política de “contenção de despesas”, o teatro foi entregue a uma empresa privada, a do encenador Filipe La Féria.

O actual executivo de Rui Moreira herdou um teatro entretanto vazio (La Feria saiu há anos) e abriu um concurso público para a escolha de um director artístico do Rivoli e do Teatro Campo Alegre. O escolhido foi Tiago Guedes, que, na sua primeira entrevista nessa qualidade, afirmou que encontrou um teatro que havia sido deixado “em muito mau estado pelo Filipe La Féria”, afirmação que parece ter enfurecido Álvaro Castello-Branco, líder da distrital do CDS-Porto, e que foi também vice-presidente durante os mandatos de Rio, e que para além de acusar Guedes de “ignorância e arrogância”, se declarou “preocupado porque pelos vistos há um avençado da Câmara Municipal do Porto que quer ter opinião política”. [Read more…]

Vida e morte de uma biblioteca

A história é longa mas prometo que tem umas passagens quase palpitantes lá mais para a frente, é terem um bocadinho de paciência. O Jardim do Marquês, no Porto, teve, durante pouco mais de 50 anos, uma biblioteca. Chamava-se Biblioteca Infantil Pedro Ivo (BIPI) e foi uma das primeiras bibliotecas de bairro do país, inaugurada em 1948. Por ela passaram umas quantas gerações de crianças (ao que parece, uma delas até é hoje um autor desta casa e não estou a falar de mim). Quando começaram as obras do metro, a biblioteca foi encerrada, todo o jardim esteve em risco (se bem me lembro, correram petições pela salvação dos plátanos centenários), e a biblioteca nunca mais reabriu.

Depois de mais uma década de abandono, um grupo de cidadãos ocupou pacificamente a BIPI e propôs-se reabrir a biblioteca à comunidade. Passou-se isto a 16 de Junho de 2012.  Três dias depois, o então presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, mandou entaipar a biblioteca. E um mês depois, a CMP decidiu promover uma hasta pública de concessão do espaço, sem que nela se tivesse em conta o carácter de serviço público do local ou sequer o fim cultural que o espaço sempre tivera. [Read more…]