Não há Tourada na CDU?

O PCP juntamente com os restantes partidos com assento na Comissão de Finanças votou contra a proposta do Bloco pelo fim da isenção do IVA para as touradas.
O que fazem os Verdes na CDU? Se não reagem a um assunto deste calibre para que servem? Assumem a condição de muleta?

Crónicas do Rochedo XV – De uma decisão há muito tomada…

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Rui Moreira não precisou do PS para ganhar as eleições autárquicas no Porto em 2013. Só precisou no dia seguinte. Para ter uma maioria estável e governar na paz do Senhor durante os quatro anos do seu mandato. Será que precisa para ganhar as eleições deste ano?

Obviamente que não. Nem do PS nem do PSD e muito menos do Bloco ou da CDU. Para ganhar não precisa. Mesmo para governar tenho dúvidas pois estou convencido que, sozinho, consegue os 44% mínimos para ter maioria absoluta. Mas já estive mais convencido disso há uns meses do que hoje por um motivo muito simples: a abstenção fruto do “já ganhou”.

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Estes governantes são uns pândegos…

Continuo sem perceber a razão porque os sucessivos governos preferem enterrar o que chamam dinheiro público, na verdade é dinheiro esbulhado ao contribuinte, nos Bancos portugueses. Primeiro Sócrates não permitiu a falência do BPN e BPP, mais tarde Passos Coelho fez o mesmo com o BES e por último António Costa com o BANIF. A somar a tudo isto ainda temos os juros pagos à troika, pelo empréstimo destinado a ajudar o sistema financeiro, que supostamente ficaria forte, mas não ficou. [Read more…]

Um nojo

Os votos contra do PSD e do CDS já se esperavam. Afinal de contas, enquanto governo foram os partidos que mais incentivaram esta relação pedante que temos com o regime angolano: censuras e violações à parte, a relação que aqueles partidos criaram com o regime angolano pode ser explicada com recurso a uma analogia de tasca, ou seja, aquele bebedo que já não tendo fichinhas para ir ao balcão malhar meio-porto numa casa que não lhe presta fiado, contenta-se em ficar com os restos da picheira de 5 litros de Real Lavrador que os amigos trouxeram para a esplanada, ficando ali a aguar pela vez de ir beber directamente da picheira os restos para matar o vício. O Princípio Jurídico da Igualdade Soberana foi só a escusa usada pelos meninos para não cortar já uma possível ponte de entendimento futura perante o dito regime. Todos sabemos que desde a invasão ilegal do Iraque por parte das forças aliadas, o Direito Internacional serve precisamente para aqueles momentos de aflição na redondinha.

O voto contra dos deputados da CDU também não me estranhou. Arreigados até à medula ao velho pacto, os camaradas continuam a tapar a viseira aos atropelos judiciais que lá se cometem em prol de uma fraternidade sem sentido.

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Os eleitores do PSD votaram na CDU?

Loures

Sim, eu sei que a gestão de uma autarquia não tem nada a ver com a gestão do país. Mas não é a gestão dos destinos da sociedade que está aqui em questão. É antes esse tema do momento, central na argumentação da direita radicalizada, que confronta os eleitores dos partidos à esquerda com a seguinte pergunta: os eleitores do PS votaram no partido com a perspectiva de um entendimento com o BE e a CDU? E os eleitores do BE e da CDU, terão eles votado nestes partidos com a perspectiva de uma aliança com o PS?  [Read more…]

O dia em que Cavaco Silva uniu a esquerda portuguesa

epa03796425 Portuguese President Aníbal Cavaco Silva addresses the country to announce his decision concerning the failure of a week long negotiations between the coalition government parties Social Democratic Party (PSD) and Christian Democratic Party ( CDS-PP) and the main opposition party Socialist Party (PS) to get an political agreement to solve the present political crisis started with the Finance Minister, Vitor Gaspar, resignation, in Lisbon, Portugal, 21 July 2013. The President Cavaco Silva decided to maintain in power the present coalition government.  EPA/PEDRO NUNES

O Presidente da República pediu aos portugueses um governo estável e duradouro. Em poucas palavras, pediu aos portugueses uma maioria absoluta, fosse ela oferecida à Coligação ou ao Partido Socialista. Um pedido veementemente repetido na sua mensagem antes das eleições legislativas. Os portugueses, esses teimosos, não lhe fizeram a vontade.

Depois de apurados os resultados, o Presidente da República, transformou o pedido em exigência aos partidos com assento parlamentar. A Coligação tentou mas não conseguiu. O Partido Socialista tentou e, aparentemente, conseguiu. Perante este cenário ao PR só restava um de dois caminhos: ou entender que o acordo apresentado pelo PS não era suficientemente cumpridor dos seus requisitos e nomear para Primeiro-ministro o líder do partido mais votado, no caso, Passos Coelho ou então, entender que o PS tinha conseguido a tal maioria absoluta (com o apoio do BE e CDU) e dar posse a António Costa. Até aqui, tudo muito bem. Cavaco Silva optou pela primeira hipótese e, sobretudo, em devolver à Assembleia da República a decisão soberana. Mas….

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Ai, é assim que queres brincar?

Então, vamos a isso: à Esquerda, entendam-se e escolham um só candidato a Belém! Começaremos a mudança por aí.

“O investimento no País seria hipotecado pela instabilidade governativa”

Contra-argumento #4.
E o empreendedorismo, e a competitividade, e a credibilidade junto dos mercados.
Pelo sim pelo não, o melhor será não correr riscos.
arguing

Nem a chantagem dos mercados sabeis fazer, palermas!

Sapo

Perante a ameaça de a democracia não seguir o rumo pretendido pela nação pafista e se transformar naquilo a que as claques se referem como sendo o “frentismo” ou a “ditadura de esquerda”, o spin que desceu à terra para iluminar o caminho dos justos não podia ser mais claro, ameaçador e digno de rebelião: os mercados não vão perdoar. Ressuscite-se a Rede Bombista que isto já só lá vai com sangue e sedes do PCP a arder.

Ontem, para reforçar as instruções enviadas às caixas de ressonância, a coisa até correu bem: o PSI-20 a cair 2% (como se fosse preciso muito para que isso acontecesse) e os juros a subir há alguns dias (apesar de ontem até terem descido ligeiramente mas isso não interessa nada) só podiam significar uma coisa e o título do Expresso não deixava margem para dúvidas: “Acções descem e juros sobem com medo de um governo de esquerda”. Oh, o medo! O terror! Deus nos acuda que o PREC está de volta. Fujam todos carago! [Read more…]

O dilema de António Costa

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De politicamente acabado há uma semana, António Costa é agora quem baralha e dá. Cavaco bem pode correr a indigitar o afilhado mas sem o PS, a coligação PàF fica refém de um Parlamento hostil, restando-lhe ser cozinhada em lume brando até ao dia do seu “PEC IV”. Não deixa de ser absolutamente delicioso ver Passos Coelho na posição que já foi de Sócrates, ele que não perdia uma oportunidade de trazer o preso domiciliário para a campanha. Karma.

Ainda assim, António Costa e o PS encontram-se perante um dilema. Qualquer escolha acarretará riscos e um deles é efeito PASOK. No xadrez do Largo do Rato, afiam-se facas e as peças começam a movimentar-se. Sérgio Sousa Pinto demitiu-se, em protesto, da comissão política. Vera Jardim não vê diálogo possível à esquerda. Álvaro Beleza acha “muito estranho que o PS passe de inimigo para aliado do PCP e BE”. Há seguristas – sim, eles existem – a pressionar uma negociação com o PàF com vista a viabilizar o OE16 e até Carlos Silva, líder da UGT, afirma não acreditar que as forças à esquerda do PS garantam a estabilidade necessária. À revelia dos órgãos sociais da central sindical. Direita, volver. [Read more…]

CDU disponível para viabilizar Governo

mesmo com quem não queira sair do Euro. [RTP]

A palavra *confiança*

é muito recorrente na propaganda política. Já foi escolhida pelo PSD (em 1995, com Durão Barroso, por exemplo) e também pela CDU, nas autárquicas de 2013. Há certamente muitos mais exemplos, de campanhas de todos os partidos políticos, em que a palavra *confiança* foi a estrela. É uma palavra muito apetecida pelo marketing político. Mas a nós, aos eleitores, dá-nos para desconfiar dela.

Num momento em que o PS está especialmente exposto à (compreensível) desconfiança que lhe dedicam tantos eleitores (e não, não me refiro à estafada história mal-contada da bancarrota do País, que a actual coligação e demais odiadores profissionais do PS lhe atribuem, como uma saca de culpas que apenas aos socialistas coubesse carregar), sobretudo desde a detenção de José Sócrates, é caso para perguntar: não se arranjava mesmo mais nada? Uma palavra normal e honesta, como por exemplo *recomeçar*?

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Há uma distância cada vez maior, e até mesmo dolorosa de ver, entre o discurso político (velho) e os anseios dos cidadãos. Está tudo errado, nessa comunicação. Penso mesmo que a escolha da palavra *confiança* espelha o projecto eminentemente desconfiável do PS. Do PS bloco-centralista, que prefere sempre aliar-se aos outros sociais-democratas do PSD – e até mesmo aos seus neoliberais -, em vez de viabilizar (através de uma prática política diversa da que tem seguido) consensos à esquerda, que é onde, ainda assim, estão os únicos outros socialistas portugueses. O PS tem essa natureza híbrida.

Urge uma ruptura com toda esta linguagem, de que é exemplo também a frase inacreditável que afirma que *Sócrates Sempre*. Não há reforma possível, dado o adiantado estado de decadência deste discurso. [Read more…]

A crise: abstracção de fronteiras semânticas turvas

“O PS é que trouxe a crise para Portugal” – o argumento desonesto que serve duas carapuças principais: a dos apoiantes da coligação PSD/CDS e a dos apoiantes da coligação PCP/PEV. A que se juntam algumas outras classes anti-PS, como por exemplo os que jamais perdoaram a Mário Soares e a Almeida Santos os improvisos da descolonização e os que não esqueceram quem lhes estragou a rave do PREC (que gerou uma partezinha da crise, já agora). E no entanto, basta ver quantos foram os Governos do PSD para perceber a verdadeira natureza da crise – a que também o PS não é alheio, nem o CDS, claro está. E era isto.

Almada, Barreiro e Seixal à venda

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Objectivo: fazer da Margem Sul «um oásis para o investimento», afirmou o Presidente da Câmara de Almada. O projecto, dito “de posicionamento global”, aqui. Sessões públicas de divulgação do plano de marketing no dia 29 em Almada (na Lisnave), e nos Paços do Concelho do Barreiro no dia 30.

Verdes em Portugal: um ecologismo a precisar de emancipação

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Sobre aquilo a que chamou «Comunismo envergonhado» escreveu em 1999 o meu amigo (e já desaparecido) José Manuel Palma Martins. Dizia ele já ser «tempo de o Partido Comunista Português deixar de usar máscaras eleitorais como FEPU, APU ou CDU, siglas envergonhadas da foice e do martelo» e de um partido já há muito «adulto, quase sempre terceiro na hierarquia democrática» do País, e que, tendo sido capaz de sobreviver a «lutas e dissidências», não carecia de apoio «em muletas de satélites». E nesse mesmo seu texto, chamava Palma Martins a atenção para o atraso da emergência em Portugal de uma força política de motivação ecológica, «projectada não para a Esquerda ou a Direita, mas para o Futuro.» Dezasseis anos mais tarde, e nada. E não me venham dizer que temos os Verdes, porque a coligação do Partido Ecologista “Os Verdes” com o PCP (a CDU) tem proporcionado aos ecologistas uma existência pouco mais que pífia, que não faz de modo nenhum justiça à real necessidade e potencial de representação na sociedade de uma força partidária ecologista em que, designadamente, uma fatia não negligenciável de jovens (muitos abstencionistas) pudesse rever-se. Um ecologismo a precisar de emancipação, em suma.

Tributar fortunas a milionários gregos

É a sugestão do dia do partido de Angela Merkel. Ouviste Passos?

Verdade, essa vingativa

Perdoem-me que regresse a temas locais.

O Porto tem um belíssimo teatro municipal, o Rivoli, um edifício de inícios do século XX, e que após um período de remodelação reabriu, em 1997, como um dos principais equipamentos culturais da cidade. Durante os mandatos do executivo liderado por Rui Rio, e no âmbito da sua política de “contenção de despesas”, o teatro foi entregue a uma empresa privada, a do encenador Filipe La Féria.

O actual executivo de Rui Moreira herdou um teatro entretanto vazio (La Feria saiu há anos) e abriu um concurso público para a escolha de um director artístico do Rivoli e do Teatro Campo Alegre. O escolhido foi Tiago Guedes, que, na sua primeira entrevista nessa qualidade, afirmou que encontrou um teatro que havia sido deixado “em muito mau estado pelo Filipe La Féria”, afirmação que parece ter enfurecido Álvaro Castello-Branco, líder da distrital do CDS-Porto, e que foi também vice-presidente durante os mandatos de Rio, e que para além de acusar Guedes de “ignorância e arrogância”, se declarou “preocupado porque pelos vistos há um avençado da Câmara Municipal do Porto que quer ter opinião política”. [Read more…]

Autárquicas em Matosinhos – uma história triste

manualmesasDesde os 18 anos – já lá vão 12 – que faço parte das mesas de voto da Freguesia de Leça da Palmeira. Neste ano, fruto da condição de candidato à União de Freguesias de Matosinhos-Leça da Palmeira, para onde fui eleito, não pude fazer parte dos membros das assembleias de voto, embora tenha passado o dia na Escola Secundária da Boa Nova, com passagem pela Augusto Gomes, em Matosinhos. Mas foi em Leça da Palmeira que presenciei acontecimentos inacreditáveis, a poucos meses do 40.º aniversário da democracia. O resto foi chegando ao conhecimento da candidatura da CDU durante o dia. [Read more…]

Ganhar e perder

Post escrito a 9 de setembro.

A derrota eleitoral da esquerda, consequências…

A esquerda foi ontem derrotada em toda a linha, desde a mais moderada à radical, os resultados devem ter provocado que muito boa gente ainda se encontre hoje em estado de choque. O PS foi um dos grandes derrotados da noite, mas não o único, perdeu um pouco mais de 500 mil votos e muito provavelmente 23 deputados, partindo do princípio que irá eleger um pela imigração. Imediatamente José Sócrates retirou consequências políticas, assumiu a derrota e demitiu-se da liderança do partido, que está agora numa situação verdadeiramente difícil, condicionado na oposição pelo memorando que assinou com a troika, ninguém compreenderia que viesse agora liderar a contestação ao programa do novo governo. Será assim até 2013, o que obrigará o PS a esperar dois anos, até que possa verdadeiramente assumir-se como alternativa e liderar a oposição. Até lá, podem PSD e CDS/PP aproveitar para aprovar no parlamento todas as medidas necessárias à implementação do acordo que possibilitou o resgate financeiro do país. Nesta conjuntura, será preferível ao PS escolher um líder de transição, fraco, para 2 anos, ou permitir que um dos naturais sucessores, António José Seguro, Francisco Assis ou eventualmente, mas com menor grau de probabilidade, António Costa, fique associado às políticas impopulares de austeridade, que se irão seguir? A decisão cabe obviamente aos próprios, que decidirão ou não avançar, mas só partir de 2013, ano em que teremos eleições europeias e autárquicas, um PS rejuvenescido e refrescado na liderança, já liberto do compromisso que assinou, poderá começar a construir uma alternativa de poder, até lá irá fazer a travessia do deserto, que espera possa terminar em 2015, ou antes, se a nova maioria implodir após 2013, hipótese que não descarto, caso falhe o resultado do plano de resgate e a economia não cresça.  [Read more…]

A besta à solta pelas cidades

(exercício de copipáste, para evitar a linguagem mais adequada)

Extrema-direita ataca Bloco de Esquerda em Caldas da Rainha

O incidente ocorreu à meia-noite de ontem. Segundo o Bloco de Esquerda, “uma brigada de colagem de cartazes do BE/Caldas da Rainha, foi atacada na Praça da Fruta por elementos ainda jovens da extrema-direita, sendo alvo de agressões”.
Um elemento da concelhia de Caldas da Rainha do BE, Paulo Freitas, foi agredido e cuspido(…)
Em comunicado, o BE lembra que “há anos que se encontra identificado um núcleo caldense da extrema-direita que, também há anos, chegou a organizar, integrado no PNR, um desfile no 1º de Maio pelas ruas da cidade termal”.

A não-noticia

Não é ainda noticia (e provavelmente é coisa que não chegará à televisão e aos jornais), mas é suficientemente bastante grave, para que seja absolutamente necessário publicar e divulgar.
Na passada noite, de 1 para 2 de Junho, elementos da JCP foram agredidos por elementos ligados à extrema direita, em Lisboa, enquanto procediam à afixação de propaganda da Juventude CDU.
Repito: Jovens que procediam à colocação de propaganda politica, em pleno periodo eleitoral, foram agredidos por elementos ligados à extrema direita!

Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista.
Quando eles prenderam os social-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.
Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”

Martin Niemöller

êta-lê-lê, ki-bê-lêza…


Há uns dias, foi dizendo que dentro em breve teria de iniciar os discursos de forma diferente, onde a par dos “amigos e amigas, companheiros e companheiras”,  coubessem também os “camaradas”.

Paulo Portas esteve na feira de Sátão, lá para as bandas do Cavaquistão. De cravo na mão, foi dizendo coisas acerca do seu estado de espírito, “mais esquerda que o PSD” . Culminou esta acção de campanha, com uma visita a uma exposição de murais sobre o 25 de Abril. Sim, leram bem, é isso mesmo.

Com um bocadinho de sorte, um dia destes, Jerónimo de Sousa ainda o convida para substituir o desaparecido MDP/CDE, fazendo ingressar o CDS na CDU. Como a Frente Nacional da antiga RDA.

Estudantes convocam protesto contra comício do PS em Coimbra

Acusando o ainda primeiro-ministro de ter vandalizado as bolsas de estudo,  pintado as propinas de negro usurpando as cores da Académica e ocupado indevidamente o ensino público com Bolonha, vários estudantes de Coimbra estão a organizar, via Facebook, uma concentração de protesto no espaço onde na próxima 6ª feira vai decorrer um comício eleitoral do PS.

Sim caro leitor, não estando a delirar estou a inventar. Mas imagine por um momento que o parágrafo era verdadeiro. E que uma dezena de estudantes, trajados ou não a rigor, que o Maio vai quente, aparecia no comício, que é real, mandando bocas e tomates, gritando e invectivando. Agora imagine os títulos na comunicação social. Seriam assim:

Estudantes protestam contra cortes nas bolsas e propinas em comício do PS

à imagem do que foram hoje, ou assim:

Estudantes ligados à extrema-esquerda boicotam comício do PS? [Read more…]

Escadas até ao céu

As obras arquitectónicas, aquelas criadas com a intenção de perpetuarem o regime que as ergueram, sofrem  dos inevitáveis debates por quem nelas vê tempos a olvidar. No entanto, com o decorrer da gerações, as gentes vão-se habituando e adoptam-nas como património. É este, o destino reservado às escadarias da Universidade de Coimbra. Goste-se ou não se goste do estilo ou da mensagem. Foram construídas e para sempre alteraram a malha urbana da cidade dos estudantes.

Escadas destas existem na Alemanha, Rússia, no monumento a Vítor Manuel II – em Roma -, em quase todas as capitais do leste europeu, em Pequim e Piong-Iang. Com o fito de glorificarem os poderes então instituídos, ergueram-se também na Mesopotâmia, Antigo Egipto e América Central. Têm vários tipos de mensagem, desde a vitória sobre as dificuldades topográficas, até a interpretações mais etéreas, aproximando os homens do topo, podendo este ser terreno ou celestial.

Em alguns casos, as escadas conduzem-nos a um espaço onde prepondera a figura de um Grande Chefe, chame-se ele Mao, Lenine, Kim il Sung ou Estaline. No caso coimbrão, trata-se da Universidade mais antiga do país e quando da construção do conjunto monumental, pretendeu-se marcar a posição e o activismo construtor da 2ª República e de Salazar. Nada de espantoso, pois em Paris fez-se o mesmo no Trocadero, obedecendo aos mesmos requisitos arquitectónicos que aproximavam regimes liberais como a 3ª República francesa, a Itália de Mussolini, a Rússia soviética, a Alemanha nacional-socialista ou os Estados Unidos da América. [Read more…]

A besta acordou, escusava de ser em Coimbra

O que esta fotografia mostra a um conimbricense nada diz. O mamarracho chamado Escadas Monumentais pintado é coisa que felizmente vemos desde 1975, por regra feito pelo PCP, que na altura ocupou o espaço e tacitamente os restantes partidos e áreas políticas deixaram ficar.

Digo felizmente porque falamos de uma aberração arquitectónica e urbanística. Trabalho de Cottinelli Telmo, só mostra como aberrante foi a destruição patrimonial da Alta de Coimbra para dar lugar à Cidade Universitária, ícone da arquitectura fascista em Portugal, e para nós símbolo de como se tiram uma belas e funcionais escadas para se construir um verdadeiro suplício. [Read more…]

Ei-los Que Partem, Velhos e Novos

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EXPULSOS

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Os partidos de centro direita vão expulsar militantes.

Só no Porto, e no partido do governo são mais de cem.

No PSD, é em Viana do Castelo que se sabe haver maior número, são cerca de trinta.

E no CDS, há dois casos por esse País fora.

No BE e no PCP, não se conhecem casos, mas da forma como este partidos funcionam, isso não quer dizer que não existam expulsões.

O assunto é polémico e pode trazer um ou outro amargo de boca a quem o pratica. Os elementos que concorreram às últimas eleições, contra o partido a que pertencem, em listas próprias ou de outros, listas independentes, cometeram um pecado mortal, e, segundo as cúpulas dos partidos, merecem ser castigados. Mas este castigo, pode reverter-se em prejuízo. Quem votou nessas pessoas, é capaz de não aceitar muito bem que elas sejam castigadas dessa forma. O partido é que fica mal visto nesse caso. A publicidade a estes casos não é boa.

Diz um ditado popular que «com o teu amo, não jogues às pêras, que ele dá-te as verdes e fica com as maduras», e neste caso, as pêras verdes chamam-se expulsões. E as pessoas que incorrem no risco de expulsão, sabiam muito bem ao que iam.

Os partido têm regras, e quem não as seguir, não deverá lá estar.

É assim!

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Nem esquemas, nem reserva mental

  

 

Sem maioria absoluta, José Sócrates terá que ser, de facto, um novo primeiro-ministro. Nas suas declarações de ontem, afiançou-nos do seu interesse no diálogo com os partidos da oposição e à SIC declarou que sendo o governo do PS, tem o dever de cumprir o programa partidário apresentado aos eleitores. Eis o equívoco que não pode deixar de ser sublinhado.

 

Sócrates parece algo surpreendido pela recusa de coligações ou compromissos por parte de qualquer uma das outras formações com assento em S. Bento. Não sabemos  o que terá proposto aos seus quatro interlocutores, nem isso interessa de sobremaneira à opinião pública, mais preocupada com as dificuldades do quotidiano. Pelas declarações do primeiro-ministro, parece ter assim início aquilo que todos previam, no caso de um governo minoritário.

 

A atribuição do ónus da ingovernabilidade à oposição, segue os parâmetros há um quarto de século gizados pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva e que em crescendo de crispação, conduziria a eleições antecipadas que proporcionaram o almejado absolutismo parlamentar.

 

Hoje, a situação é bem diferente e ninguém consegue esconder a calada semi-desilusão que a entrada de Portugal na então CEE hoje significa, com o seu cortejo de falências, liquidação de sectores produtivos tradicionais, perda de oportunidades para um prometido desenvolvimento e pior que tudo, a clara ameaça de desaparecimento do país como Estado formalmente  independente.

 

A verdade é que o novo governo não ostenta a necessária legitimidade para tentar fazer aplicar integralmente o chamado "Programa Eleitoral de Governo do PS". Perdeu quase 10% dos eleitores, dezenas de deputados e a confiança no que respeita às decisões que afectarão a vida das próximas gerações. O que J.S. deve compreender, é que mais que a arrogância e a intratabilidade, o eleitorado puniu a opção por projectos cuja valia ou interesse nacional, não são discerníveis pela maioria dos portugueses, avessos a qualquer tipo de aventureirismo. Resta-lhe a construção de pontes com os seus adversários, obtendo os consensos que a moderação e o bom senso exigem.

 

PSD não quis  acatar o programa do PS, nisto sendo seguido pelo CDS, BE e PC, confirmando-se assim aquilo que todos esperavam da oposição: a não assinatura do aval que permita loucuras a grande velocidade, negociatas turvas e alienadoras do património público, aeroportos semi-desertos ou tríplices auto-estradas destinadas à "dinamização" de negócios de companheiros de viagem.

 

Um governo minoritário – como o povo quis de forma muita clara -, é um executivo destinado a obter plataformas de entendimento e os compromissos necessários ao bem estar geral.  Não pode vingar uma vez mais o ilusionismo da vitimização. A competência de quem tem também o dever de fazer uma oposição responsável, verificar-se-á na capacidade de demonstrar até onde vão as boas intenções do diálogo, ou pelo contrário, os esquemas da reserva mental.