Postcards from Romania (28)

Elisabete Figueiredo

As conversas são como música. Mesmo numa língua estranha, se souberes apenas sentir, acabarás por entender

Piata Karolina, 15h45. Estou sentada num banco, a escrever num caderno e a observar as pessoas e os pardais. À minha frente há uma fonte. Uma senhora de lenço na cabeça aproxima-se da fonte, olha-me e pergunta-me, em romeno, se a água da fonte é boa para beber. Respondo-lhe na linguagem universal dos gestos, encolhendo os ombros, com os braços dobrados e as mãos abertas, para fora, com as palmas viradas para cima: não sei.

Enche um pouco a garrafa que traz consigo, bebe e exclama que a água está quente e faz uma careta. Eu rio-me e repito ‘calda’. Em romeno. Podia ser italiano. Mas é romeno. A senhora senta-se devagar ao meu lado no banco e continua a falar em romeno. Tento dizer-lhe que não compreendo bem, que não falo romeno, mas, como não falo – justamente – romeno, devo fazer uma expressão que,  seja como for, ela entende. Ainda assim, pergunta-me ‘Anglia?’. Não.  Portugal. ‘Portugalia?’ Que é muito longe, diz. Digo com as mãos, mais ou menos. Pergunta-me como vim, de autocarro ou avião? Avião, respondo. Se é muito caro? Nem por isso, digo. [Read more…]