Mulheres, um poema de Manuel Bandeira

Todos os dias homenageio as mulheres da minha vida. Da memória, lembro as que partiram. Da vida, compartilho alegrias e tristezas com as que permanecem e vão chegando – ainda há dias nasceu uma sobrinha.

Hoje é o Dia Internacional da Mulher; muitas não gostam da efeméride, porque defendem que ‘dia da mulher’ é o dia-a-dia, de todo ano. Ainda assim, atrevo-me a oferecer a todas, sem excepção, um poema de um dos meus poetas preferidos, Manuel Bandeira:

Mulheres
Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido…
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! Fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas…
És linda como uma história da carochinha…
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro atrás de casa e tinham cara de pau)

Manuel Bandeira